WolfHill
2 Capítulo 1 - Home
Notas iniciais
–Thalia! –Ouvi alguém me chamar e virei para o outro lado. –Thalia Grace levanta da minha cama!
–Reyna cala a boca e deixa eu dormir!
–Tudo bem, eu vou dizer ao Will que ele pode subir, você não se importa não é? –Eu pulei da cama.
–Não! De novo não! –Ela riu. –Não quero ver vocês se comendo novamente. –Eu peguei o meu salto e prendi o meu cabelo. –Eu te vejo mais tarde. –Eu peguei o meu celular e caminhei até a sala.
–Bom dia para você também Thalia! –Eu olhei para o loiro. Todo mundo achava que o Will era gay, até o dia em que acharam ele e a Reyna se pegando em uma das salas da escola, quer dizer, eles estavam nus.
–Fala aê Solace. –Eu peguei uma maçã na cozinha. –Eu vejo vocês mais tarde. –Eu saí da casa da Reyna.
Meu carro estava parado na frente da casa dela, eu entrei e dei partida no carro. A minha casa não ficava muito longe da casa da Reyna, cerca de 20 minutos depois eu estava em casa. Parei o carro na frente da grande mansão Grace, sinceramente aquela casa era o cúmulo do exagero, sério! Mas também considerando o fato da minha madrasta ser quem é, até que essa é menos exagerada do que a que nós tivemos em Los Angeles.
Abri a porta e caminhei até a cozinha, Zeus, Hera, Ares e Jason estavam sentados na mesa, todos me olharam quando eu parei na ponta da mesa, talvez o cheiro de álcool denunciasse o lugar que eu estava a algumas horas atrás. Sentei-me a mesa e enchi uma caneca com café, beberiquei o mesmo e peguei uma fatia de pão, quando eu pensei em colocar uma fatia de queijo nele, uma faca surgiu no meio do pão quebrando o meu prato junto. Eu ergui os olhos para Zeus e a sua cara não era nada amistosa.
–Para que tanta agressividade? -Ele fechou as mãos em punhos. -Hera fez greve? -Eu olhei para a mulher sentada ao seu lado direito e depois para ele.
–Onde você estava?
–Saí com a Reyna. -Dei de ombros e beberiquei o meu café. -Fomos a uma balada, coisa normal. -Eu olhei para todos os presentes. -Perdi alguma coisa?
–Nós precisávamos de você ontem, Thalia.
–Vocês sempre precisam de mim. -Eu revirei os olhos. -Me pergunto como vocês caçavam antes de mim. -Eu o olhei. -Quantos?
–Três, o resto fugiu. -Eu ri. -Pro seu quarto, Thalia. -Seus olhos estavam tão claros e gelados quanto gelo. -Agora!
Eu bufei e levantei-me, subi as escadas e entrei no meu quarto, entrei no meu banheiro e me despi, Zeus que esperasse. Lavei os cabelos com a maior calma do mundo, me enrolei em uma toalha e escovei os dentes, fiquei alguns minutos olhando para o espelho, só para fazê-lo esperar mais.
Quando voltei para o quarto ele estava sentado na minha cama. Zeus não era um pai ruim, mas também, não estava concorrendo ao prêmio de pai do ano. Ele ficou assim depois que a minha mãe morreu, e eu sei que ele olhava para mim e a via, por dois fatos, primeiro eu era extremamente parecida com ela, e segundo eu fui a última pessoa a vê-la com vida. E a pior parte disso, é que eu bati com a cabeça e não lembro de nada do que aconteceu.
–Por que faz isso? -Ele perguntou. -É a melhor caçadora que eu tenho. -Eu revirei os olhos. -Está agindo como criança. -Entrei no meu closet e fechei a porta. -Thalia, nós precisávamos de você ontem, Ares se machucou, Héstia também. -Eu revirei os olhos e saí do closet já vestida.
–Se eles se machucaram foi porque são fracos. -Ele travou o maxilar. -Você me ensinou isso.
–Também ensinei que a família vem primeiro. -Eu revirei os olhos. -Thalia, eu sou seu pai…
–Que pai dá um .45 para a filha de 12 anos?
–Isso não vem ao caso. -Eu revirei os olhos e caminhei até a minha penteadeira, comecei a prender o cabelo. -Thalia.
–Dois minutos, eu só preciso…
–Achamos Poseidon. -Eu soltei o meu cabelo e o olhei.
–Onde ele está?
–Você não precisa saber.
–Por que?
–Porque você não vai. -Eu fiquei boquiaberta. -Talvez, assim você aprenda.
–Não pode fazer isso!
–Posso e vou!
–Eu tenho direito de ir! Não pode me deixar aqui!
–Você, só vai caçar novamente quando aprender o que é ser um caçador.
–Eu sei o que é!
–Pois parece que não.
–Do que está falando?
–Você quer ser uma adolescente normal Thalia! Quer ir a festas, quer ter amigos, quer transar com o primeiro que aparecer, você quer tudo, menos ser uma caçadora. Então, você não vai. -Ele saiu e bateu a porta.
–Que merda! -Eu peguei a primeira coisa que vi e joguei na parede, era uma caveira de porcelana.
(...)
Eram 03h17 da manhã, sabia que eles acordariam as cinco, e se estivesse acordada para vê-los saindo eu ficaria ainda mais irritada. Eu estava querendo matar Zeus, eu odiava quando ele queria dar uma de “pai” comigo, ele não tinha aquele direito.
“Desde quando você faz o que ele manda?”
Minha consciência estava certa, eu nunca fazia o que Zeus mandava ou o que qualquer pessoa mandava, e acima de tudo o meu nome ainda era Thalia Grace.
Levantei da cama e entrei no banheiro, tomei um banho gelado rápido, vesti uma calça preta e uma camisa quadriculada vermelha. Deixei os meus cabelos soltos e coloquei o meu cordão. Fiz a minha mala de roupas e a minha mala de armas, ninguém tocava nela a não ser eu. Ouvi passos no corredor e fechei a minha mala, empurrei as duas da escada e as deixei cair no primeiro andar. Os presentes me olharam, Zeus me olhou de cima a baixo e suspirou. Ele odiava quando eu usava maquiagem, e aquela manhã eu caprichei no delineador.
–O que faz aqui, Thalia?
–O que você acha?
–Já disse que você não vai.
–E desde quando eu faço o que você manda? -Ele levantou do sofá e caminhou até mim.
–Você, não vai.
–E quem é que vai me impedir? Você? -Ele travou o maxilar. Senti alguém me puxar pelo pescoço o que me fez engasgar.
–Você não vai. -Zeus disse. Joguei a cabeça para trás e a pessoa que me segurava me soltou, roubei a faca de seu cinto e coloquei contra o seu pescoço.
–Thalia. -Zeus disse em tom de repreensão.
–É isso o que você vai levar? -Eu ri e olhei para Zeus sobre o ombro. Você não vai durar dois minutos. -Voltei a olhar para o cara a minha frente. -Eu podia adiantar o que vai acontecer. -Forcei a faca contra o pescoço dele.
–Thalia Grace! -Eu o olhei. -Já chega. -Eu soltei a faca e me virei para ele. -Entre naquele carro e fique quieta.
Entrei no carro e coloquei os meus fones, não queria ouvir nada do que Zeus ou Hera poderiam falar comigo. Encostei a minha cabeça no banco e fechei os olhos. Senti quando eles entraram no carro, com a força que Zeus bateu a porta, quem não sentiria?
Ouvi o barulho do motor do carro e constatei que naquele momento eu podia dormir, e foi o que eu fiz, a noite em claro estava começando a ter suas consequências.
Eu estava na floresta, meu arco apontava para a escuridão apenas, a luz da lua era a única coisa que iluminava o local. Ouvia algo se mover entre as árvores, pisava nas folhas secas, nas raízes expostas e rosnava algumas vezes, era um lobo. Comecei a me afastar calmamente, tomando cuidado para não pisar em nada que fizesse barulho, mesmo que ele já pudesse me ver. Bati com as costas em algo e todo o meu corpo ficou rijo, sua respiração contra a minha pele me causou arrepios. Eu me virei calmamente e ele rosnou ficando em posição de ataque.
Minha respiração estava ofegante, eu não tinha como fugir dali, aquele era o meu fim, eu sabia que iria morrer, e a ideia não me agradava nem um pouco.
Ele atacou, meu arco parou longe do meu alcance e meu corpo foi de encontro ao chão, tive a sorte de não bater com a cabeça. O lobo parou na minha frente, e rosnou novamente. Eu olhei para baixo e vi que a minha roupa estava rasgada, mas não havia sangue. Ele avançou sobre mim e fechou os olhos, seu corpo inteiro tremeu e sua cabeça baixou, seu pelo negro como a noite foi substituído pela pele branca, o que antes era um lobo havia se tornado apenas um homem. Era a minha chance, eu podia escapar dele.
Meus pensamentos foram cortados quando, ainda com a cabeça baixa, ele segurou as minhas mãos sobre a minha cabeça e aproximou o rosto do meu pescoço, sua respiração quente batia contra o meu pescoço e me causava arrepios, seus lábios roçaram na pele exposta e eu me arrepiei.
–Volta, para mim. -Ele sussurrou.
–Thallia! -Acordei com o Jason me chamando, olhei para os lados e suspirei. -Chegamos. -Olhei para o lado de fora e bufei.
–Só pode ser brincadeira. -Abri a porta e caminhei até Zeus, que estava parado na frente da casa. -WolfHill?! Sério? Não tinha nada menos óbvio? -Ele me olhou. -Por que ele voltaria para cá?
–Eu não sei. -Ele olhou para casa a sua frente e depois para mim. -O que importa é que estamos em casa.
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