WolfHill
3 Capítulo 2 - First day
Notas iniciais
Eu simplesmente não acreditava que um dia voltaria a WolfHill, ou que até mesmo que Zeus voltaria lá, aquele lugar só trazia lembranças ruins, mágoas e abria as minhas cicatrizes com ferro quente. Eu nasci em WolfHill, nasci e vivi até os meus 10 anos, que foi quando a minha mãe morreu, na semana seguinte meu pai mudou-se de WolfHill, levando eu e o Jason juntos. Nós fomos separados de tudo, das lembranças do local, das pessoas, e principalmente separados da minha mãe.
Eu não lembrava de muita coisa do acidente. O dia que a minha mãe morreu nós fomos à praça, apenas eu e ela, estávamos na praça que sempre íamos, em uma parte mais afastada de WolfHill, estávamos bem, até que a minha mãe sumiu e eu ouvi o seu grito, procurei por ela e a achei ensanguentada, ela sorria para mim e dizia que tudo ficaria bem. Voltamos para o carro, minha mãe sangrava enquanto dirigia, mais seus olhos me transmitiam pura calma. Estávamos chegando na estrada que nos traría para o centro de WolfHill, quando algo se chocou contra o carro, nós capotamos e depois eu só lembro de ser encontrada pelos políciais e médicos. O corpo da minha mãe estava coberto por um plástico preto, e havia sangue para todo lado. E o pior de tudo é que eu sabia que a culpa era minha, nada daquilo teria acontecido se minha mãe não tivesse me levado até aquela maldita praça.
–Por que não vai desfazer as suas malas? -Eu o olhei.
–Tudo bem. -Peguei as minhas malas no carro e entrei na casa.
Estava exatamente como eu me lembrava, a mesa na entrada decorada com um vaso com flores amarelas, o carpete marfim, o cheiro de madeira e grama, a música clássica que vinha do escritório de Zeus, e o modo como eu me sentia acolhida naquele lugar. Eu realmente estava em casa.
Subi as escadas com um pouco de dificuldade, cheguei ao fim do corredor e virei a esquerda, caminhei até o fim do corredor e virei a direita, caminhei até o fim deste e abri a porta a minha frente, a porta era uma escada que dava ao porão, também conhecido como o meu antigo quarto.
Joguei as minhas malas da escada e desci as mesmas, o quarto estava do mesmo jeito que eu havia deixado, os lençóis pretos o edredom preto com caveirinhas rosas de lacinhos, o poster do anime que assistia quando menor, assim como os dos de desenhos. As prateleiras com algumas bonecas remendadas, ou então gibis. O meu armário de madeira escura com as minhas roupas de quando era menor, e algumas fotos e adesivos colados nele.
Ao meu lado esquerdo ficava a porta que dava para o banheiro que minha mãe havia obrigado a Zeus construir, e ao meu lado direito ficava o meu cantinho, o carpete vermelho ainda tinha brinquedos espalhados. Aquilo fez os meus olhos encherem-se d'água.
–Tudo bem, Thalia. -Eu disse para mim mesma. -Vai ficar tudo bem. São só lembranças.
Joguei as minhas malas sobre a cama e as abri, joguei as minhas roupas em cima da cama e abri o armário, retirei todas as roupas que eu tinha quando criança do armário e joguei dentro da mala, fechei a mala e a coloquei em baixo da cama. Abri a outra e admirei as minhas armas, retirei as bonecas da prateleira e coloquei algumas das armas no lugar, deixei o arco que usava para caçar sobre a mesinha no meu cantinho, junto da aljava, coloquei uma adaga presa em cada lado da cama, outra em baixo do meu travesseiro.
Troquei os lençóis por outros da mesma cor, dobrei o edredom e o joguei dentro de um canto esquecido do armário. Colei os posters das minhas bandas favoritas nas paredes, deixei a minha guitarra no meu cantinho no lugar das bonecas. Limpei o espelho da penteadeira, e coloquei os meus utensílios pessoais ali.
Arrumei o banheiro e considerei o quarto descente. Tomei um banho rápido e vesti um short jeans, uma camiseta preta, uma jaqueta de couro e os meus coturnos, coloquei o meu cordão e o meu Ray-Ban. Subi as escadas e encontrei o meu irmão na sala jogando video-game.
–Hey! -Ele me olhou. -Estou indo até a cidade, quer vir junto?
–Não, te encontro lá mais tarde. -Eu assenti e peguei a chave do carro de Ares.
Entrei no SUV preto parado na frente da casa e passei pelos portões. A única diferença da estrada para oito anos atrás era o fato dela estar asfaltada. Estacionei o carro em uma das ruas da cidade, na frente de uma lanchonete. Caminhei pelas ruas da cidade, não havia mudado absolutamente nada, eu lembrava de correr por aquelas ruas, e estava tudo tão... Nostálgico.
Senti algo bater em mim e vi que havia esbarrado em alguém, ela ergueu a cabeça e me olhou sorrindo. Seus cabelos loiros cacheados estavam presos em um rabo de cavalo frouxo, seus olhos acinzentados estavam escondidos por um óculos de grau, seu sorriso era tão dócil, inocente e gentil que eu nem fiquei com raiva por ela ter esbarrado em mim.
–Desculpa, eu estava distraída. -Ela disse sorrindo e ergueu o livro de capa dura e antiga.
–Não tem problema. -Ela olhou para mim e sorriu.
–Você é nova na cidade não é?-Ela perguntou sorrindo.
–Mais ou menos. -Ela continuou a sorrir.
–Meu nome é Annabeth, Annabeth Chase, e você?
–Fulana de tal. -Ela sorriu e voltou a andar. Eu olhei para trás e vi que ele tinha voltado a ler.
(...)
–Thalia! -Ouvi a voz longe do meu pai. -Thalia, você tem escola! -Ergui a cabeça e olhei para as escadas. -Thalia!
–Me deixa dormir!-Eu voltei a enterrar a minha cabeça nos travesseiros.
–THALIA GRACE! -Eu levantei e subi as escadas.
–Não quero ir a escola! -Falei quando abri a porta.
–Não perguntei se você quer, eu disse que você vai. -Eu bufei e bati a porta.
Depois de um banho rápido e escovar os dentes, eu vesti uma calça preta, uma camiseta branca, a minha jaqueta de couro e calcei os meus coturnos. Subi as escadas e caminhei pelos corredores, desci as escadas e encontrei meu pai, Hera, Jason, Ares, Hermes, Hefesto, Héstia, Íris, e mais um bando de caçadores na mesa tomando café da manhã. Sentei-me ao lado do meu irmão e comecei a comer o meu café da manhã.
Ninguém falava nada, o café da manhã, assim como qualquer refeição, era um momento sagrado para Zeus, ele não permitia discussões na mesa, a menos que fosse algo sério, como o fato de eu ter faltado a uma caçada.
–Vamos, Jason? -Perguntei quando terminei de tomar café. Ele assentiu e se levantou.
Entramos no carro de Ares e o moreno dirigiu até a cidade. WolfHill era uma cidade tão pequena que existia apenas uma escola, a WolfHill High School. A escola ficava no centro de WolfHill, próxima a floresta, quando eu era menor eu fugia para a floresta na maior parte do tempo, era sempre a minha mãe quem me achava.
Ares parou o carro na frente da escola e Jason desceu. Meu irmão era totalmente diferente de mim, ele parecia com o meu pai, mas apenas na aparência, eles tinham os mesmos olhos azuis, o mesmo sorriso, e até os mesmos cabelos loiros, só que os de Zeus já estavam grisalhos.
–Você não vai? -Eu o olhei. Ares não era um cara feio, muito pelo contrario, Ares era muito gato, tinha lindos olhos verdes, cabelos castanhos claros, e sempre mantinha a barba aparada, o que o deixava ainda mais gato.
–Não tenho essa opção. -Ele riu. -Ares. -Ele me olhou pelo retrovisor.
–Lá vem bomba.
–Me avisa se Zeus achar qualquer coisa. -Ele suspirou. -Eu sei que ele vai me querer longe, mas eu simplesmente não posso.
–Eu sei.
–Então, por favor... -Ele assentiu, eu sorri e beijei o seu rosto. -Até mais tarde.
–Se comporta, Thals. -Eu sorri e desci do carro.
Assim que eu desci do carro as pessoas que se encontravam ali olharam para mim. Quando Jason fez quinze anos ele veio morar aqui, então todos o conheciam, mas para ele poder vir morar aqui, ele não poderia falar nada sobre a família para ninguém.
Caminhei até a entrada da escola, os corredores estavam cheios, e por onde eu passava as pessoas olhavam para mim, eu apenas as ignorava continuando o meu caminho até a direção. A secretária, Deméter, digitava freneticamente no computador, me aproximei de sua mesa e ela sorriu, eu não retribuí ao seu sorriso.
–Posso ajudá-la?
–Fui transferida. -Ela assentiu e pegou uma pasta ao seu lado.
–Thalia Marrie Grace O.? -Eu assenti, ela me entregou um cartão com o número do meu armário, senha e horário. -Os livros estão... -Saí de lá sem dar chances para ela terminar a frase.
Olhei para o papel e vi o número do meu armário, 221. Caminhei pelos corredores até achá-lo, o que demorou alguns minutos. Parei na frente do armário e girei a tranca até abrir. Os livros estavam ali, e assim ficariam. Fechei os armários e procurei pela sala 12, teria aula de história.
Entrei na sala e sentei na última carteira, coloquei os meus fones e encostei a cabeça na parede enquanto colocava os pés na cadeira da frente, se alguém me visse acharia que eu estava dormindo. Alguns minutos depois o sinal bateu e os alunos começaram a entrar, continuei na mesma posição, sentia o olhar das pessoas em mim, mas não me importava. Quando a porta fechou e eu vi que todos ainda olhavam para mim eu ergui os meus dedos médios e eles caminharam para as carteiras.
–Bom dia turma. -Eu ouvi uma voz grossa, olhei para frente e vi o professor. Ele me olhava de modo inquisidor. Ele começou a fazer a chamada e eu continuei na mesma posição. -Annabeth Chase.
–Presente, professor Quíron. -Eu olhei para a loira sentada na primeira carteira. Quando do professor iria continuar a fazer a chamada alguém bateu na porta, o professor olhou para o relógio e suspirou.
–Entre senhor Di Ângelo. -A porta foi aberta pela perfeição em pessoa. Os cabelos castanhos escuros estavam bagunçados, como se ele tivesse acabado de acordar, os olhos estavam cobertos por um Ray Ban preto, os lábios estavam rosados assim como as bochechas, o que o deixava com uma aparência de pós sexo. Ele usava uma jaqueta de couro preta, uma camisa preta com uma caveira branca na frente, uma calça preta rasgada, e coturnos. O cheiro de seu perfume chegou até mim e eu me senti embriagada por ele no mesmo segundo.
–Bom dia professor. -Ele sorriu e retirou os óculos, entrou na sala e se virou para mim, seus olhos eram tão escuros e misteriosos que me causaram arrepios.
Ele caminhou na minha direção e colocou as mãos nos bolsos, ele me olhou de cima a baixo e eu estremeci, seus olhos devoraram cada pedaço do meu corpo, e quando eles encontraram os meus, ainda cobertos pelos óculos, eles brilharam de divertimento.
–Perdeu alguma coisa? -Eu o perguntei e ele abriu um sorrisinho de canto. -Falei alguma coisa engraçada?
–Eu quero sentar. -Sua voz rouca causou arrepios em minha nuca.
–O chão é bem grande. -O sorriso dele se desfez.
–Okay. -Ele jogou a mochila no chão e sentou-se na cadeira, ou seja, em cima do meu pé.
–Porra! -A turma inteira olhou para mim. -Sai daí desgraça! -Ele levantou-se rindo. -Idiota. -Eu retirei os meus pés da cadeira.
–Senhor Di Ângelo. -O professor chamou. -Poderia, por favor, sentar-se em silencio?
–Desculpa professor.
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