Wolf Prince
8 Capítulo 8 - Livraria Fancy Books
Notas iniciais
Fomos comer num restaurante que felizmente servia comida comum, porque bem... nós passamos por alguns outros restaurantes no caminho e havia comidas um tanto suspeitas nos menus que ficavam na porta, coisas com "Ratazana defumada" ou "Filé de sapo empanado". Eu definitivamente prefiro um bom e velho churrasco de carne bovina.
Enquanto esperávamos nosso pedido ficar pronto Lyka começou a contar o que iríamos fazer a seguir.
– Vamos precisar de mantimentos para a viagem e roupas extras para vocês, a viagem vai ser longa e vamos ter que passar por vários territórios de climas diferentes até chegarmos a Rhaphnia. De lá, pegaremos um avião para Wolves.
– Aqui não tem aeroporto? – perguntei.
– Não, as pessoas desse país não gostam de voar. É algo a ver com o patrono mágico dessa terra, por causa disso praticamente 90% da população daqui tem medo de altura.
Joe riu.
– Medo de atura? Nossa, as pessoas desse lugar são meu completo oposto. – ele afirmou.
– Você gosta de alturas é? Então vai adorar Rhaphnia, o país inteiro funciona em função de transporte aéreo,praticamente toda cidade tem um aero clube. – Lyka comentou – E também é um pais neutro, estaremos 100% seguro sem pegar um voo partindo de lá. Mas isso nos leva a outro probleminha.
– Passaportes? – sugeri.
Ela apontou para mim.
– Bingo! Vocês não tem documentos, mesmo num país neutro é impossível fazer uma viagem dessas sem documentos, e os do seu mundo, obviamente,não vão ser válidos.
– Não que fizesse diferença, pobres crianças de orfanato não fazem viagens internacionais, por tanto não temos passaporte. – Joe deu de ombros.
De fato nunca precisamos de passaporte, nunca nem mesmo andamos de avião, e Joe sempre reclamou disso. Então é meio obvio que ele está mega entusiasmado com essa ideia de pegar um voo de um pais inteiro que gira e torno de transporte aéreo.
– Então vamos precisar ir em um outro lugar aqui antes de partirmos, precisamos conseguir documentos para vocês dois. Como arranjar isso da maneira convencional seria um pouco problemático,vamos ter que recorrer a um conhecido meu que trabalha comer... "papeis pirata".
Dessa vez quem riu fui eu. "Papeis pirata", essa expressão eu conhecia, queria dizer nada mais nada menos do que "documentos falsos", é o tipo de coisas que se aprende quando se é um semi-delinquente.
Nessa hora uma jovem garçonete chegou com nosso pedidos. Pra variar ela se assustou quando a olhei ela imediatamente desviou o olhar, que recaiu sobre Joe, ele piscou um olho para a garota, que corou na hora e depois saiu. Típico.
– Enfim, eu já liguei para esse conhecido enquanto estávamos no hotel, vamos ao encontro dele assim que terminarmos de comer. – disse Lyka, que começou a devorar a macarronada com almôndegas.
Terminamos de comer e Lyka pagou a conta com um cartão de credito que mudou de prata pra verde quando ela o passou na maquina e depois voltou a ficar prata.
– Todos os cartões de credito daqui fazem isso? – Joe perguntou surpreso.
– Ah, não. Só os internacionais fazem isso. Foram criados a pouco tempo, a cor muda dependendo de quanto se gasta, quanto mais se gasta a cor vai se aproximando do vermelho, quando ele fica completamente escarlate quer dizer que passou do limite e o cartão é bloqueado. Tivemos muitos problemas em relação a cambio, muitos turistas gastavam demais porque não conseguiam calcular direito a variação de uma moeda pra outra, esse mecanismo ajuda a ter uma ideia melhor de quanto se está gastando independente do tipo de capital. – ela explicou.
– Ideia interessante. – comentei.
Saímos do restaurante e fomos para a rua.
– O lugar é longe, acho que vamos ter que pegar o metrô. – constatou Lyka.
– Porque não vamos naquele carro prateado que usamos pra fugir da escola? – perguntei.
– Muito chamativo. Você viu algum carro parecido por aqui? Claro que não. Aquilo é um carro mágico portátil, "coisa de mago rico". Atrairia atenção indesejada, ainda mais no lugar para onde vamos.
– Entendo. Então tá, vamos de metrô. – conclui dando de ombros.
Andamos alguns quarteirões até um estação de metro. Aparentemente Lyka havia estudado o mapa da cidade enquanto estava no hotel. Compramos passagens e embarcamos.
Passamos por varias estações antes de Lyka dizer para desembarcarmos. Quando saímos da estação estávamos numa avenida não muito movimentada, aparentemente no subúrbio, porque o lugar parecia mais "pobre" do que o que vimos do resto da cidade, embora não estivesse nem de longe tão ruim quanto os bairros pobres do nosso mundo.
Andamos um pouco por aquela avenida, mas logo virarmos em uma ruazinha cheia de lojas.
– É aqui. – disse ela já empurrando a porta de vidro de uma velha livraria. "Fancy Books" li no letreiro acima da loja.
A seguimos para dentro da livraria.
– Bem vindos! – respondeu a balconista–Ah,Lyka! – ela saiu de traz do balcão e correu para dar um abraço apertado em Lyka... WTF?
– Oi, Liza, também senti sua falta, agora me larga por favor. – pediu ela a balconista. Parecia uma garota bonita, mais ou menos da mesma idade que eu e Joe, e tinha o cabelo trançado e descolorido.
– Reta como uma tábua... – Joe comentou baixinho para a garota na ouvir.
– É só nisso que você repara, não é? – respondi em tom de irritação. Francamente...
– Foi mal, não pude evitar. Não precisa ficar com ciúmes Lupie. – sussurrou ele no meu ouvido.
– I-idiota! M-mas que diabos você está dizendo? – reclamei, sentindo minhas bochechas queimarem. – Parede dizer essas coisas constrangedoras e sem sentido!
A balconista, que aparentemente se chamava Liza, finalmente olhou para nós.
– Que são esses? – ela nos olhou com um estranho interesse.
– Esse é meu irmão mais novo, Lupus, e o amigo dele, Joe. – apresento-nos Lyka.
A garota pensou por uns segundos depois deu um grito de surpresa.
– Irmão? A-a-a-aquele que você mandou para o mundo através do espelho? – ela me olhou com os olhos arregalados.
– Aparentemente... – respondi.
Lyka cortou a balconista antes que ela disse mais algo.
– Ok, ok. Deixamos isso para depois. Vá chamar seu irmão, tenho assuntos a tratar com ele, eu já tinha ligado avisando que viria.
Liza se recobrou do choque.
–Ah,claro. Ele esta no andar de cima.Vou chama-lo.– ela deu um sorriso,mas logo ele se distorceu numa careta de raiva,o que não deixou ela lá muito feminina. – Quer dizer que você disse a ele que viria e aquele puto nem sequer me avisou? Ele está morto.
– Não o mate ainda, vou precisar dele. – respondeu Lyka achando graça.
A outra suspirou.
– Falou. Não vou mata-lo, ainda. Mas ele que não pense que vai ficar sem punição.
Então ela foi até o fim da loja e entrou numa porta com a placa "Proibida a entrada de pessoas não autorizadas!"
– Você tem conhecidos estranhos... – afirmou Joe, que tinha achado aquilo muito divertido.
Lyka deu de ombros. E fomos nos sentar a uma mesinha de leitura num canto.
"Se a irmã era assim, fico curioso para saber como será o irmão..." pensei.
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