Wolf Prince

5 Capítulo 5 - Bem vindos ao Ninho de Cobras!


Não sei por quanto tempo ficamos caindo no escuro, só sei que devo ter apagado em algum momento. Quando acordei estávamos em um beco sujo, Joe estava jogado do meu lado, ainda desmaiado, e Lyka estava de pé apoiada na parede próxima e olhando algo num... aquilo era um celular?

– Ah, você acordou? Estava verificando o GPS do smartphone, felizmente ele voltou a funcionar agora que estamos no meu mundo, aparentemente estamos em algum lugar ao leste de Reptiland, um país tropical do Sul, é bem longe de onde deveríamos estar, realmente não foi a melhor ideia entrar em um espelho qualquer... por que você está me encarando desse jeito? – indagou Lyka.

– Hum? Nada. É que... depois de tudo isso, todas essas coisas mágicas que você fez e tal, estou um pouco surpreso de te ver usando algo tão comum quanto um smartphone. – disse.

Ela começou a rir, isso me surpreendeu mais do que o celular.

– Bem, nem TUDO é diferente por aqui. Nossa tecnologia é bem parecida com a do mundo onde você foi criado, a maior parte da população daqui não consegue usar magia, pra falar a verdade.

Vê-la sorrindo me fez perceber que ela era ainda mais jovem do que eu imaginava, Lyka devia ter pouco mais que vinte anos, mas a expressão constantemente seria, as olheiras embaixo dos olhos, as rugas precoces entre as sobrancelha provavelmente por fica sempre com aquela expressão zangada, e os cabelos "grisalhos", tudo isso a fazia parecer mais velha, e isso me fez pensar em quem realmente era aquela mulher e pelo que ela havia passado.

– Bem... estamos em outra dimensão ou algo assim? – perguntei.

– "Algo assim". Pra ser sincera eu não sei ao certo, pode ser outra dimensão mas pode ser simplesmente um outro planeta em uma parte distante do universo, a magia dos espelhos foi descoberta por acaso, não sabemos como ou porque, mas sempre que cortamos um espelho com um diamante especial raro o espelho se transforma num portal.– ela deu de ombros.

– Você parece bem mais relaxada agora, o que aconteceu com todo aquele clima de urgência e de "temos que fugir ou morremos"?

– Ah, agora que estamos aqui, estamos seguros, ninguém pode nos machucar aqui, seria contra as regras. Há propósito, seria melhor acordar seu amigo ai, temos que procurar um lugar pra ficar pelo menos por hoje, teremos uma longa viagem pela frente. – falou Lyka.

Ela tem que parar com essa mania de não explicar as coisas direito. Entendo que um beco sujo não é o melhor lugar para uma conversa do tipo, e é claro que posso deduzir algumas coisas, mas ainda assim é irritante não estar saber o que está acontecendo mesmo. Por exemplo, o que diabos ela estava falando sobre "regras"? Resolvi ignorar por enquanto e perguntar mais tarde.

– Ei! Ei! Joe, acorde! – cutuquei Joe.

– Só mais cinco minutos, Lupie... – murmurou.

– Você está dormindo no chão de um beco e usando um saco de lixo como travesseiro! – disse.

Abriu os olhos na hora e jogou o saco de lixo longe.

– Eca, que nojo! – gritou.

Eu levantei enquanto ria, depois ajudei Joe a se levantar.

– E então... onde estamos? Onde foi parar aquele cara com o machado? Nós... nós entramos num espelho? Ai... minha cabeça dói. – disse ele.

– Respondendo a suas perguntas: Nos estamos em outro mundo, ao leste de um país chamado Reptiland. O "cara com o machado" ficou para traz quando fugimos. E sim, nos entramos através de um espelho. Quanto a sua dor de cabeça, ela provavelmente é um efeito colateral da viagem pelo espelho. – Explicou Lyka.

– Certo... – respondeu Joe, ainda com cara de quem não estava entendendo nada. I know that feel, Bro.

– Então, vamos. De acordo com o GPS tem uma hospedaria perto daqui. Não se esqueçam de pegar as malas! – avisou Lyka apontando para as malas que estavam ali perto.

Eu e Joe pagamos as malas e acompanhamos Lyka.

Não demorou muito para chegarmos até a hospedaria. Era um prédio de cinco andares, pintado de bege e com uma placa onde se lia "Hospedaria Ninho de Cobras". Esse não era o nome mais convidativo, mas a hospedaria não parecia um lugar ruim, fomos bem recebidos pelos empregados, e por sorte havia quartos vagos.

– Um quarto para três pessoas? – perguntou a atendente, uma jovem loira de óculos.

– Não, não. Um quarto para uma pessoa pra mim e um quarto separado para os garotos. – disse Lyka.

– Entendo. O quarto dos meninos com camas separadas ou beliche? O quarto de beliche é mais barato, mas vem apenas com um guarda–roupa.

– Beliche, eles não tem muita bagagem. Certo? – Lyka perguntou para nós.

– Pro mim está ok. – disse Joe.

– Tento faz pra mim. – respondi.

A atendente pegou duas chaves eletrônicas de uma gaveta no balcão e as entregou a Lyka.

– O quarto para um pessoa é o 304 e o de beliche é o 312. Vão pagar adiantado ou quando forem embora? – perguntou a atendente.

– Vou pagar agora. – Lyka entregou a chave do 312 para mim. – Vocês dois vão logo levar as bagagens para o quarto enquanto eu acerto as coisas aqui, depois encontro você lá.

– Ok. – respondi.

Enquanto pegávamos o elevador, Joe disse:

– Beliche ou camas separadas? Ela bem que poderia ter oferecido uma cama de casal, não é, Lupie? – brincou Joe.

Eu ri daquilo. Se já está fazendo piadas significa que ele estava realmente lidando bem com tudo aquilo. O elevador chegou no terceiro andar.

– E então? Como está a cabeça? Ainda doendo? – perguntei enquanto íamos até o quarto no fim do corredor.

– Ainda dói um pouco, mas não é como se eu não pudesse me aguentar de tanta dor de cabeça, vou ficar bem. – disse sorrindo pra mim.

– Q-que bom então!– disse enquanto virava o rosto para o outro lado para esconder o meu roso corado. Eu odeio quando ele sorri assim... – Ah! É aqui, quarto 312! – indiquei.

Eu passei a chave-cartão no leitor, destrancado a porta. Mas Joe passou a minha frente e entrou primeiro no quarto.

– A cama de cima é minha! – declarou.

– Já esperava... – disse rindo.

Joe adora lugares altos, sempre foi assim. Nas viagens do orfanato ele sempre adorava quando íamos para as montanhas, e quando nos levavam para parques de diversões ele sempre me arrastava para dar varias voltas na roda gingante e ficava torcendo para ela parar e ficarmos presos no topo. Então não foi surpresa nenhuma ele querer a cama de cima.

O quarto não tinha nada de mais, só o beliche, um guarda-roupa de tamanho médio e uma escrivaninha com duas cadeiras. Joe jogou a mala na cama de cima do beliche.

– Pelo menos esse lugar parece legal. A Srta. Não-sei-o-que disse quanto tempo vamos ficar? Alias, qual é mesmo o nome dela? – perguntou Joe erguendo a sobrancelha.

Eu havia esquecido que Lyka nem tinha se apresentado...

– O nome dela é Lyka Black. E ela disse não vamos passar muito tempo aqui, temos que ir para outro lugar. Fora isso, não sei muito mais que você. – expliquei dando de ombros.

– Espero que ela se explique logo, essa historia com outros mundo, gente perigosa te caçando e etc, está ficando muito confusa. – disse Joe casualmente enquanto subia a escada do beliche e se espichava ao lado da bagagem.

– Concordo. – disse enquanto pegava minha mala e colocava em cima da escrivaninha. – Mas por enquanto, vamos desfazendo as malas, daqui a pouco Lyka estará de volta pra finalmente nos dar uma explicação.

Joe suspirou e desceu da cama.

– Certo, certo.

Começamos a guardar nossas coisas no armário, ele não era muito grande mas era maior do que os dois do nosso dormitório juntos, então tudo coube tranquilamente. Enquanto arrumávamos, eu pensava em tudo que havia acontecido nesse curto período de tempo e no quanto eu realmente queria que as coisas fossem explicadas.