Without you
1 Capítulo Único
Notas iniciais
14/12/2014 -01:30 – Domingo
Regina entra correndo pelas grandes portas do hospital, mal enxergava os rostos pelos quais passava, nem se quisesse conseguiria. Avista a recepção e corre até a enfermeira que estava atrás do balcão.
– Onde ela está? Emma Swan, onde ela está?
– Se acalme senhora, quem é Emma Swan?
– Onde é a emergência? – A essa altura Regina gritava. A enfermeira tenta novamente pedir calma, mas Regina já não ouvia mais nada. Gira nos calcanhares e caminha rapidamente pelos corredores povoados de médicos e enfermeiros, esbarrando a todo instante em um e outro. Toda vez que parava para pedir alguma informação, lhe pediam que tivesse calma, mas como poderia ter calma sabendo que Emma estava ali em sabe Deus onde, machucada? Sem chance. Tudo a sua frente passava como vultos e borrões, simplesmente não conseguia ver nada além disso, e seus olhos marejados não a estavam ajudando. Depois de muito custo, finalmente encontra a ala da emergência e diminui a velocidade dos passos. Mas sua busca ainda continuava, precisava achar onde Emma estava, sai olhando em todas as camas por detrás das cortinas. Algumas pessoas que estavam de acompanhantes com outros pacientes, olhavam-na com olhar reprovador pela forma indelicada dela abrir as cortinas e espiar para dentro, mas Regina não se importava com nada, afinal sua cabeça gritava o nome de Emma, e isso era tudo que importava naquele momento.
Continua sua busca, tentando desacelerar o ritmo constante das batidas de seu coração e quando vai aproximando-se do final do imenso corredor, vê uma grande movimentação em volta de uma das macas, por detrás da cortina. Para onde estava e engole seco. Um arrepio corre por sua espinha, indicando certamente que sua busca por Emma, chegara ao fim. Mas se isso era uma boa coisa, Regina não saberia dizer. Claro que ela gostaria de encontrar Emma, vê-la e certificar-se de que ela estava bem, mas ao deparar-se com aquela quantidade de médicos a sua volta, á desencorajou brevemente.
Puxa a respiração e solta devagar enquanto volta a dar pequenos passos naquela direção, ninguém parecia ter notado sua presença tão perto, pois estavam todos concentrados naquela que agora, Regina esperava que não fosse Emma.
Mais alguns passos, e finalmente ela pode a reconhecer novamente pelos longos cachos loiros. Eram inconfundíveis. As roupas dela estavam todas sujas e rasgadas, havia muito sangue nelas também, e um corte de tamanho considerável em seu supercílio direito. Os médicos falavam coisas que Regina era incapaz de compreender, mesmo com o esforço que fazia, “Maldita linguagem técnica”.
Aproxima-se ainda mais e finalmente pode vê-la inteira, o vestido que Emma usava, estava aberto no peito, exibindo seu busto coberto apenas pela delicada peça intima. Regina não via nenhum movimento de respiração, nenhum sobe e desce do tórax de Emma. O desespero finalmente chega com mais força e intensidade.
– Emma. – Regina chama com a voz embargada.
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13/12/2014 -20:30 – Sábado
–Emma, eu estou vendo televisão, meu programa favorito, dá pra dar licença? – Regina já estava perdendo a paciência. Emma estava à uma hora provando vestidos e indo mostrar para ela. Elas iriam ao casamento de Zelena, irmã de Regina.
– Amor, eu só quero sua opinião, só me diz se gostou ou não, é tão simples.
– Ok não gostei desse, muito comprido.
– Ok. – Emma sai quase saltitando após Regina finalmente estar opinando sobre sua roupa.
Tempo depois a loira volta com outro modelo e desfila em frente a Regina, que respira pesadamente, enquanto desvia da silhueta de Emma para ver a TV.
– Que tal? – Ela para bem em frente a tela, LCD e abre os braços, dando uma voltinha em seguida.
– Muito curto, Emma. – Regina diz e faz um gesto com a mão para ela saísse de sua frente. Emma corre para o quarto e logo em seguida volta com outro vestido.
– E agora? – Ela pergunta empolgada. Regina a olha dos pés a cabeça, e dá um meio sorriso.
– Perfeito. – Diz fazendo um sinal de beleza com o dedo.
– Eba. – Emma dá um pulinho comemorando e se joga no sofá ao lado de Regina e no mesmo instante ela já estava aninhada ao colo de Regina. Era seu lugar favorito no mundo. – Eu te amo. – Emma sussurra no ouvido de sua noiva.
[...]
13/12/2014 -22:30 – Sábado
– Tou entediada. — Emma diz depois de virar na boca, o ultimo gole da 5ª dose Whisky.
– Chega de beber, Emma.
–Ah, nem vem Regina.
– Nem vem? Você já bebeu muito, larga esse copo. – Regina diz em tom autoritário. Emma bufa e larga o copo, que Regina logo trata de afastar de perto.
– Já que não me deixa beber, vamos dançar.
– Agora não, daqui a pouco.
– Que saco Regina, nada você quer.
– Emma, você já está bêbada e se eu ver você com mais um copo na mão, as coisas vão ficar feias pro seu lado.
– Me deixa. – Emma levanta-se deixando Regina sozinha e pouco satisfeita com sua atitude. Emma queria dançar, e já que Regina não queria, ela precisava arranjar outra pessoa para fazê-lo com ela. Ao chegar à pista de dança, não demora muito para enturmar-se com um grupo de garotas que dançavam animadas. Emma sorri, era sua oportunidade. Aproxima-se de uma das garotas — a mais bonita, ao seu gosto – e começa a dançar junto à moça.
Regina que após a saída de Emma, vira-se novamente de costas para a pista e pede outra água, estava um calor insuportável, e já que ela não poderia beber nada com álcool por ser a motorista da rodada, sua saída era beber água. A morena não fica sozinha por muito tempo, logo alguns de seus familiares juntaram-se a ela na mesa, e ali eles jogaram papo fora, riram e descontraíram, como nos velhos tempos.
Zelena passa em casa mesa, para agradecer a presença de cada convidado, e ao chegar á mesa da irmã, as duas se abraçam fortemente, tinham um forte laço, sempre foram muito unidas e Regina estava muito feliz pela irmã. Zelena senta na cadeira e puxa Regina para seu colo, como faziam quando eram pequenas e a morena sempre adorava e naquele momento não foi diferente. Elas se viram obrigadas a crescerem muito rápido, seus pais morreram num acidente de carro quando Regina tinha apenas 6 anos e Zelena 10. A ruiva sempre foi muito cuidadosa quando se tratava da irmã caçula, levaria um tiro por Regina sem dúvidas. E mesmo com o passar dos anos, a relação das duas não mudou, apesar de não poderem mais passar tanto tempo juntas como nos antigos tempos, elas nunca se afastaram, ou deixaram de se falar. O maior motivo de suas brigas com Emma era exatamente por esse fato, a loira tinha pais, tinha uma família, mas nunca ligava para eles, nem sequer para saber se estavam bem e precisavam de alguma coisa, e Regina não suportava essa atitude de Emma, pois quem dera ela pudesse ter seus pais consigo.
Zelena volta a cumprimentar os convidados nas outras mesas, e Regina vira-se para a pista, procurando por Emma. Havia muita gente aglomerada e ela não conseguia enxergar sua noiva em meio a tanta gente, então resolve ir procura-la. Infiltra-se em meio ao grande grupo de pessoas que dançavam incansavelmente ao som de Calvin Harris, e começa sua busca por sua loira, olhava para todos os lados e não conseguia vê-la, vez ou outra era puxada para uma dança, que ela logo tratava de se livrar. Atravessa quase o salão todo e não vê Emma em lugar algum, e se ela não estava lá dentro só poderia estar do lado de fora.
Ao abrir a porta de saída nos fundos, o vento bate com força no corpo de Regina, bagunçando seu cabelo. Ela se abraça para tentar se proteger um pouco do frio. Olha para os dois lados e escolhe uma direção na qual seguir, escolhe a direita. Havia várias pessoas ali fora, alguns deitados pela grama de tão bêbados, outros conversando, outros na pegação e nada de Emma. Regina começava a preocupar-se, quando finalmente vê os longos cabelos loiros de sua noiva, ela estava encostada na parede do estacionamento do salão, e havia uma mulher com ela, que estava próxima demais, aos olhos de Regina. A morena fica observando de longe as duas mulheres conversarem, e pode ver claramente o quanto Emma estava embriagada e o quanto a mulher se aproveitava da situação.
Regina caminha calmamente até onde elas estavam.
– Emma, você está bem? – Regina pergunta encarando a mulher com seu olhar mais frio.
– To bem Regina. – A loira diz de forma quase incompreensível.
– Venha, vamos embora. – Regina estica a mão para Emma, e a loira empurra sua mão.
– Não quero ir.
–Você não tem que querer nada. – Regina chega mais perto de Emma, que ainda estava encostada na parede, pois mal suportava o peso de seu corpo. – Com licença. – Regina diz a mulher, e passa o braço em volta da cintura de Emma, segurando-a o mais firme que pode, já que Emma era maior e mais pesada do que ela.
–Já disse que não quero ir embora. – Emma protesta tentando afastar Regina, mas nem para isso ela tinha forças.
– Fica quieta e anda. – Regina já levava Emma para seu carro, que por sorte não estava muito longe de onde elas estavam. Com certa dificuldade Regina coloca Emma dentro de seu Mercedez e a prende com o cinto de segurança. – Fica aqui, vou me despedir da minha irmã e já volto. — Regina corre novamente para dentro do salão, a procura de Zelena.
[...]
Dentro do carro, Emma sentia seu estomago revirar, sentia que iria vomitar a qualquer instante. Força o cinto que a prendia no banco, e consegue soltá-lo, abre a porta e sai rapidamente do carro. Foi o timer perfeito. Ela já começa a arrepender-se de ter bebido tanto, seu estomago doía muito e ela via o mundo girando a sua volta. Após botar tudo para fora, Emma sente sua boca com gosto amargo e sua garganta seca. Precisava de água. Levanta-se com certa dificuldade, a sensação de tontura havia diminuído levemente, então ela caminha na direção em que ela achava que estava a porta de entrada para o salão. Anda mais, e mais, e não percebe que ao invés de ir para o salão, ela estava indo para a rua.
– Mas que diabos... – Ela diz a si mesma achando estranha a demora em chegar até a porta, não se lembrava de ser tão longe assim do estacionamento. Continua caminhando completamente aleatória ao fato de já estar na calçada. Olha de um lado para o outro, e vê uma pessoa aproximando-se, tal que ela não conseguiu reconhecer.
– Precisa de ajuda moça? – O homem desconhecido pergunta segurando Emma pelo braço.
– Não. – Emma puxa seu braço novamente e continua andando em linha reta. Para a rua.
No instante em que Emma está próxima de chegar ao outro lado da rua, ela olha para o lado e vê uma luz extremamente forte e ouve um barulho altíssimo, parecido com uma buzina, mas sua mente não conseguiu distinguir o que era aquilo exatamente nem o que significava, um segundo depois, tudo o que Emma Swan sentiu foi o forte impacto de um veiculo pesado sobre seu corpo. E depois... Escuridão.
[...]
Regina finalmente encontrará Zelena, ela explica para a irmã o motivo dela precisar ir embora da sua festa tão cedo, e Zelena entende perfeitamente, elas despedem-se e Regina sai correndo novamente em direção ao estacionamento. Ao chegar próximo ao seu Mercedez, ela pode ser que ele estava vazio. Emma havia saído.
– Droga Emma. – Novamente Regina volta a procurar a noiva. Alguns passos a frente ela pode ver que Emma havia passado mal, e então fica mais preocupada ainda. “Onde estaria aquela teimosa?”. Um barulho chama atenção da morena, e a faz aproximar-se um pouco mais da saída, pois a música vinda de dentro do salão estava muito alta e ela não conseguia ouvir que som era aquele. Mais alguns passos e então ela ouve perfeitamente. Uma sirene. “O que o socorro estaria fazendo ali?”. A curiosidade da morena foi maior, e então ela decide ir até a rua ver o que havia acontecido, e ao se aproximar da calçada, ela vê uma maca sendo posta dentro do carro ás pressas, e em cima da maca de relance ela viu algo que lhe fez o corpo todo congelar. Uma grande mecha de cabelo loiro, manchado com algo que parecia... sangue? Ela dá um passo para frente, mais próxima do carro e seus pés simplesmente se negavam a continuar.
– Emma? – Regina chama fazendo o socorrista que estava de costas para ela vira-se.
– Você conhece a vítima? – Ele pergunta e o gato devia ter comido a língua de Regina, pois ela simplesmente não conseguia responder nada. – Vamos leva-la até o hospital, se você for parente ou conhecer algum, avise-os que ela estará no Hospital Central, na ala da emergência, ela foi atropelada por algo que fugiu sem prestar socorro, e seu caso é grave. – Ao ouvir essas palavras, Regina confirma com a cabeça.
– Posso...- Ela aponta com o dedo para dentro do carro, onde a maca havia sido posta.
– Muito rápido. – O homem diz, enquanto ainda arrumava às cintas que prendiam Emma a maca.
Regina dá mais um passo.
Outro passo.
O impacto da cena que ela vê foi devastador. Ao ver Emma deitada naquela maca, com os olhos fechados e com todas aquelas pessoas a sua volta fazendo coisas que ela não entendia, haviam feito Regina recuar alguns passos com as mãos na boca. Ela não conseguia falar. Não conseguia se aproximar. Mal conseguia respirar. Seu olhar deu foco automático naquilo que ela mais amava em Emma. Os longos cabelos loiros, agora com uma mancha escura tingindo-os com a cor vermelho vibrante do seu sangue.
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14/12/2014 -01:45 – Domingo
– Emma. – Regina chama com a voz embargada.
– Senhora, o que faz aqui, não pode ficar. – Uma voz que Regina deduz ser do médico atinge seus ouvidos. Mas o choque era tanto que ela não conseguia ver nada além de Emma deitada em cima daquela cama.
Ao ouvir a voz do médico, Regina olha para ele que já estava de costas novamente, ele segurava uma mascara de oxigênio do rosto de Emma. O outro médico abre sem nenhuma delicadeza a pálpebra direta de Emma, e coloca uma luz La dentro.
– Sem resposta. – Ele diz e Regina agora tenta prestar atenção no que eles dizem, precisava saber o que estava acontecendo com Emma.
– O que está acontecendo? – Regina grita, e o médico pede novamente para que ela saia, mas nenhum deles tenta retira-la, estavam concentrados em Emma. Um dos médicos começa a uma massagem cardíaca em Emma, e então ela finalmente entende. Regina já havia visto fazerem essa massagem em seu pai, quando ela era pequena. Ele havia tido uma parada cardíaca, mas os médicos conseguiram trazê-lo de volta fazendo exatamente o que estão fazendo com Emma. Emma estava morrendo.
– Emma. – Regina tenta se aproximar novamente, mas dessa vez sente os braços dos enfermeiros a segurando. Suas lagrimas já banhavam todo seu rosto.
O médico tenta seguidamente reanimar Swan, sua frequência cardíaca estava abaixo de 30, o que era um péssimo sinal.
– Se afastem. – Ele pega o desfibrilador, esfrega uma parte na outra e encosta no peito de Emma, dando um choque que faz metade de seu corpo levantar com a intensidade. O médico olha novamente para o monitor de frequência cardíaca, 20 batimentos por minuto. – Aumente a potencia e se afastem. – O médico pede e novamente encosta as laminas no peito de Emma, fazendo seu corpo arquear ainda mais. Mais uma vez ele olha para o monitor, e observa os batimentos de Emma caindo a cada segundo. Ele larga o desfibrilador, no mesmo instante e que o som agudo do monitor cardíaco torna-se constante, indicando que a vida de Emma havia chegado ao fim.
Regina ao ouvir aquele som, e ver os médicos se afastando, retirando luvas e toucas, desespera-se.
– O que estão fazendo? – Ela grita. – Ela está morrendo, não estão vendo. – Ela fazia força para soltar-se dos braços dos enfermeiros que não diziam absolutamente nada.
– Tirem-na daqui. – O médico responsável ordena. E os enfermeiros começam a arrastar Regina para fora.
– Nããããão – O grito de Regina era desesperado e preenchia todo aquele ambiente. Todas as pessoas próximas ficam comovidas ao ouvir o quão desesperada ela gritava. -Emmaaaaaaaa.
[...]
Após levarem Regina para fora da ala da emergência, os enfermeiros deram um calmante para ela. Regina chorava sem parar e implorava para que os médicos salvassem Emma, mas no fundo ela sabia que era tarde demais.
Mais tarde, Regina acorda num dos quartos do hospital, ela havia sido levada até lá, pois acabara dormindo com os remédios que lhe deram. Ao abrir seus olhos, os acontecimentos de algumas horas antes, passam em sua cabeça como um filme, e ela volta a chorar. Uma enfermeira passa para ver como ela está, e permite que ela saia do quarto para ligar para algum familiar.
Regina senta-se no banco do lado de fora do hospital, estava mais calma, mas nada no mundo poderia acalmar a dor que ela sentia por dentro. Pega o celular e disca o numero de Zelena, o telefone toca três vezes e sua irmã atende.
– Regina, o que houve? – Zelena pergunta preocupada, estranhando o fato de Regina estar ligando tão cedo.
– Emma está morta e eu ...- Regina respira fundo. – Eu continuo aqui, tenho trabalho, tenho amigos, tenho uma vida que serei obrigada a seguir sem ela. Mas o que eu sinto, eu não sei dizer.
Chamada Finalizada.
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