Without You!
57 Capítulo 56
Olhei por cima do livro e pude ver os lábios da minha mãe a mexerem-se rapidamente. Olhou-me de novo. A minha avó abanou a cabeça em tom negativo e saiu do quarto. Isa – Temos de falar, Ryan. – Sentou-se na beira da cama. Eu – Não tenho nada para falar contigo. Isa – Eu… está na sala uma pessoa…e… vamos falar os três, eu tu e a tal pessoa. Eu – Não! – Levantei-me. – Eu não tenho nada para falar com vocês! Isa – Eu vou-te contar tudo! – Gritou. – Eu vou-te contar tudo a partir do momento em que eu soube que estava grávida de ti! – Olhou-me. Observei as lágrimas deslizarem-lhe pelo rosto, os seus olhos azuis, agora mais baços do que nunca. Levantou-se e abriu a porta. Eu – Não saio do quarto. – Provoquei. Isa – Não quero que me culpes por não te ter contado toda a verdade, eu devia tê-la dito mais cedo, mas… era demasiado complicado para mim. – Fez sinal para eu sair. – Só quero que compreendas porquê que não podes ter algo com a Ally. Eu – Quero ver qual é a tua explicação. – Saímos do quarto. Fomos para a sala, Julia estava no sofá de frente para – o doutor Kaulitz? – Inquiri surpreso. – O que é que este tem a ver com a verdade toda? – Olhei-a a ódio. Julia – Eu vou buscar a Selena e fazer tempo no centro comercial. – Pegou nas chaves de casa e saiu. Eu – Explica-me, mãe. – Disse com rancor a ultima palavra. Tom – Ryan . – Levantou-se. Isa –Sentem-se! – Pediu levando as mãos ao ar. Sentei-me no sofá onde a avó havia estado sentada e ela sentou-se ao lado de Tom. Eu – Podem começar. – Bati o pé freneticamente no soalho. Tom – Bem… — Remexeu nas mãos, ajeitou o boné e olhou a minha mãe. – Como – Isa – Primeiro de tudo quero-te pedir desculpa. – Interrompeu. – Por tudo. Eu – Tudo? – Arqueei o sobrolho. Isa – Ryan… — bufou – Eu não traí o Tom com o teu p – Calou-se — O Bill. – Esclareceu. Eu – Hum-hum… — Desalinhei o cabelo. Isa – Na verdade. – Passou as mãos pelas pernas e olhou-me fixamente. – Na verdade eu engravidei… — Fitou os próprios pés e abanou a cabeça – Eu engravidei antes de namorar com o Bill… — Murmurou. Estatelei ao ouvir as suas últimas palavras. Eu – O que é que me estás a tentar dizer? – Virei a cabeça, senti os meus olhos arderem-me de raiva, os meus músculos contraíram-se, a cabeça latejava fortemente enquanto eu tentava controlar a ira que estava a sentir naquele momento. O que eu estava a pensar, de certo modo, não era verdade. Tom – O que a tua mãe está a tentar dizer é que… o Bill não é o teu verdadeiro pai. – Relançou. Eu – Não? – Soltei uma gargalhada sarcástica. – Então é quem? O Tom Kaulitz? O pai da minha namorada? – Gritei completamente descontrolado. Isa – Ryan, por favor… — Tentou vir ao meu encontro mas Tom agarrou-a. – Nós não – Eu – O quê? – Gritei sentindo as lágrimas coléricas deslizarem-me pelo rosto. – Mentirosa! – Ofendi – Todos estes anos! 20 anos em que acreditei que a minha mãe era perfeita! Mas afinal, não passa de uma manipuladora que me escondeu as origens! – Levantei-me. Tom – Ryan, senta-te! – Pediu fortemente. Eu – Ah! – Exclamei irónico. – Não é meu pai, muito menos ninguém que me dê ordens pessoais! – Gritei de novo. Isa – Pára Ryan! – Levantaram-se também – Pára para pensar no que estás a dizer… — A sua voz falhou. – Eu sempre te amei, eu sempre te dei de tudo, sempre tentei ser o essencial para ti. Eu – Fizeste-me viver numa mentira! A porta da rua fechou-se, olhei para trás e vi Bill que nos fitava confuso. Bill – Tom? Mas que surpresa. – Disse irónico. – Não fazia ideia que te davas agora com a minha mulher. – Colocou pastas em cima da mesa. – Mas conta lá, a que se deve esta honra? – Juntou-se a nós. Eu – Diz-lhes! – Pedi a Bill – Diz-lhes em como és tu o meu pai! Diz! Tom – Ele já sabe tudo! Bill olhou para Isa e franziu a testa. Bill – Lamento Ryan, apenas eu e a tua mãe achámos que seria o melhor para ti. Eu – Se eles se amavam assim tanto, porque é que não ficaram juntos, hein? Tom – Porque… eu… eu não te aceitei. – Ri-me. Eu – E agora, passados estes anos todos, é que me quer como filho? Tom – Não sabia onde te encontrar, a tua mãe… fugiu com o Bill e então… -- Eu – Vou para o meu quarto. – Informei interrompendo a fala de Tom. – Não estou com paciência para nada. Isa – Apenas achamos melhor contar-te. Eu – Claro, só me contaram porque eu andei a fazer sexo com a minha irmã! Senão eu continuaria a viver nesta mentira, por quanto tempo mais? Até eu ter filhos e contar-lhes que o Bill não era o avô deles? Era isso? Isa – Tentámos-te proteger, Ryan… — Falou roucamente. Eu – Tentativa falhada. – Entrei no quarto e fechei a porta com brusquidão. 2 semanas mais tarde… Isa – Tens o açúcar aqui. – Colocou em cima da bancada da cozinha. Eu – Ok – Mexi o café e comecei por ler os destinatários das cartas que estavam em cima da bancada. – Foste ao correio? Isa – Fui. – Deu o último gole no café e colocou na máquina de lavar. Eu – Ok – Comecei à procura de algo que me chamasse à atenção. – Tenho uma cena para mim. De resto é tudo para… o Bill. – Avisei. Isa – Obrigada. – Agradeceu. – Por tentares – Eu – Eu ainda não esqueci. – Intercalei – Só espero que tenhas distância daquele gajo. – Cuspi as palavras. – Ele abandonou-te! Isa – Ryan… — A sua boca abriu para dizer algo, mas nenhum som proveio. Suspirou. – Eu vou buscar o casaco, tenho de ir trabalhar. – Informou, começando a arrumar a cozinha. Eu – Já arranjaste mais empregados para a agência? Isa – Candidatos para trabalhar numa agência de viagens é o que não falta, Ryan. – Saiu da cozinha. Olhei uma vez mais para a carta. Não tinha remetente. Abri-a.
Antes que pudesse ler, Selena apareceu meia ensonada, pôs-se em bicos de pés e deu-me um beijo na bochecha como agora se tornava hábito. Não falou, apenas tirou um pacote de bolachas e sentou-se na bancada, começou por comê-las enquanto me fitava com um sorriso desvanecido pela sonolência.Olhei para o papel que tinha na mão e comecei por ler: “ Ryan. Antes de mais: Perdoa-me. Perdoa-me por todo o sofrimento que te fiz causar nestas últimas semanas. Mas… eu descobri tudo naquela tarde, naquele dia radioso na casa da minha avó. Provavelmente, também tu já sabes da verdade. E a verdade é que, eu sou tua irmã, ou meia-irmã. Parte do teu sangue corre-me nas veias. Partilhamos o mesmo pai e… consideram-no incesto. Sinto nojo de mim mesma, nojo de ter amado o meu próprio irmão, de ter feito coisas contigo que me eram proibidas.Desculpa-me. Tu não tens culpa, eu apenas não sinto que esteja preparada para te ver tão cedo, para ver o meu irmão, não o meu namorado, o meu amor.” Deixei cair a caneca do café e agarrei com as duas mão aquela folha amarelada. Isa – O que aconteceu? – Apareceu na cozinha. – Mike? Eu – Er… — Olhei-a. – Eu depois arrumo. – Caminhei para a sala. “ Passei momentos maravilhosos na tua companhia, isso não o vou negar, nem devo. Talvez no futuro eu e tu possamos sempre grandes amigos, irmãos parciais. Apenas isso. Lamento tudo o que se está a passar, a sério que lamento. Lamento por ti, por mim, pela minha mãe, pelo nosso pai, pela tua mãe, pelo Bill. Pelos nossos irmãos. Peço-te que guardes esta carta com todo o carinho. Obrigada por tudo, Ryan.Beijos, Ally” Isa – O que… se passou? – Indagou a medo. Eu – Nada. – Dobrei a carta. Isa – Ryan. – Soprou. Selena – Mãe, levas-me à escola? – Surgiu na sala. Eu – O que é que tens na tua mala? – Apontei. Isa – Uns papéis… — Olhou selena – Claro que te levo, despacha-te. Eu – Os papéis fazem assim tanto volume? – Arqueei o sobrolho em tom de interrogação. Isa – Pelos vistos… — Tirou os óculos de sol do móvel. – Eu volto no Domingo. – Informou nervosa. Eu – E vais onde? Isa – Eu vou… ter com a tua avó, vou ficar lá o fim-de-semana. Eu – Só tu? – Abanei a cabeça. Isa – Sim, Ryan, ela pediu para eu ir lá fazer umas coisas. Eu – De certeza? Isa – Sim. – Selena voltou para a sala. – Não te atrases para a universidade. – Pediu dando-me um beijo na testa. – Ok? Eu – Ya. – Sentei-me no sofá, a porta da rua fechou-se. Levei as mãos à cabeça e apoiei os cotovelos nas pernas enquanto tentava esquecer tudo. Em vão, olhei de novo para o papel que estava no sofá, ao meu lado e reli de novo a carta de Ally. [Isa] Ryan – Bom Natal – Deu-me um beijo e estendeu os braços com uma prenda. Eu – Obrigada. – Agradeci enquanto olhava Bill. Bill – Bem… foi com ajuda do Georg. – Disse atrapalhado. Georg – Ah pois é! A minha ajuda. – Apontou para ele próprio. Eu – Toma. – Peguei no enorme embrulho e entreguei-lho. – Não há amor como o primeiro, mas espero que também faça o teu grado. Ryan – Bem. – Sorriu. – Acho que já tenho uma pequena grande ideia do que seja. – Abriu o embrulho. – Outra guitarra! – Disse com ênfase. – Obrigado, man! – Abraçou-me puxando Bill para o abraço. – Melhores pais do mundo não há. Georg – E viva a graxa! Selena – E a minha prenda? – Levou a mão à cintura e fez cara de amuada. Bill – Oh meu amor. – Foi buscar um outro presente e estendeu-lho. Selena ia buscar mas Bill impediu. – Primeiro… — Olhou-me e mostrou três bilhetes – Vamos ao festival de verão da Espanha. Ryan – Danke, Gott – Olhou para a irmã, e depois revirou os olhos. – Ainda bem que eu não vou. Selena – A sério? – Os seus olhos brilharam. – Estão a falar mesmo a sério? – Abanámos ambos a cabeça – Yeaah! – Gritou histérica – Mais! – Pediu felizarda. Bill entregou-lhe a prenda que tinha nas mãos e esperou que ela a abrisse. Eu – Obrigada, Anne, mas acho que – Calei-me e fitei surpresa Tom que estava debruçado sobre o balcão da recepção. Tom – Má altura? – Sorriu, brincando com o piercing. Eu – Não. – Retribuí o sorriso e espreitei pela porta. – O que é que estás aqui a fazer? – Fui ao seu encontro e beijei-o rapidamente. Tom – Vim ver como estavas. – Enrolei os braços em volta do seu pescoço e passei o indicador sobre o seu piercing. – E se estás pronta para irmos embora. – Beijou-me. Anne – Isa – Entrou de rompante na entrada. Separei-me de Tom e recompus-me, tentando parecer despercebida. – Os documentos estão aqui – Estendeu-mos. Eu – Se eu te pedisse um favor, fazias-mo? – Fiz ar inocente. Anne – Claro. – Aprontou-se. Eu – És a pessoa em quem eu mais confio aqui. – Aproximei-me dela. – Será que podes ser tu a fechar a agência, hoje? Anne – Claro, porque não? Eu – Obrigada. – Abracei-a – Eu prometo que mais tarde compenso-te em saídas antecipadas ou – Peguei na mala e no casaco – No teu ordenado. Anne – Não é necessário aumentar o ordenado, mas – Antes que ela pudesse acabar a frase, agarrei na mão de Tom e saí. Ele envolveu a minha cintura com o braço e beijou-me o pescoço, enquanto andávamos na direcção do seu carro. Tom – Como está o Ryan? – Destrancou o veículo e sentámo-nos no mesmo. Eu – Melhor. – Coloquei o cinto. – Porque é que vamos no Cadillac? Tom – Porque no Audi não cabiam as tintas e mais coisas. – Arrancou com o carro. Eu – Estou cheia de saudades tuas. – Sussurrei colocando a mão na sua perna. Tom – Nem sabes o quanto eu esperei por este momento outra vez. – Olhou-me e sorriu. Eu – Custa-me saber que dormes todos os dias na mesma cama que a Sara. Tom – Tu também dormes com o Bill. – Olhou atentamente para a estrada. Eu – Durmo – Assenti. – Mas quem eu quero realmente ao meu lado, és tu. – Ele riu-se. – Tu fazes-me dizer coisas – Tom – Que sempre disseste, desde que te conheço. – Completou olhando a estrada. Eu – Por acaso deixei de dizer este tipo de coisas após o nascimento do Ryan. – O seu sorriso desvaneceu – Desculpa. – Olhei a janela do carro. – Estamos a chegar? – Mudei de assunto. Tom – Mais ou menos. – Coçou o queixo. – Como foi quando saíram de Berlim? Eu – Porque é que queres saber? Tom – Curiosidade. – Encolheu os ombros. Eu – Nós fomos para Karlsruhe ter com os meus tios. – Ele olhou-me de lado. – Foi aí onde ficámos durante um mês, o Bill trabalhou com o meu tio, e depois conseguimos dinheiro, claro, o meu tio emprestou. Com isso comprámos uma casa. Mudámo-nos, voltámos para os estudos e cada um foi para um part-time, a nossa sorte é que tínhamos uma vizinha extremamente atenciosa. – Sorri ao relembrar os momentos antigos – Ela tomava conta de nós como se fossemos filhos dela, fazia-nos o jantar, arrumava-nos a casa. Depois fizemos amizade com o filho dela, o Georg. E pronto. Tom – E o nascimento do Ryan? – Acomodou-se no assento. Eu — Foi a 8 de Julho. – Sorri – À tarde. – Tom observou-me risonho. – Eu ia ter com a mãe do Georg quando caí das escadas. Tom – Caíste? – Pareceu tenso. Eu – Nada de mais. – Encolhi os ombros. – Resolveu-se tudo. Tom – Tens de ser sempre tão desastrada? Eu – Pelos vistos. – Ri-me. – Estamos a chegar! – Disse eufórica. Tom conduziu até ao casarão e estacionou o carro. Tom – Mudaram o chão, vim cá ver na Quarta-feira. Acho que vais gostar. – Saímos do carro. Eu – Não me tinhas dito. Tom – Esqueci-me – Destrancou o portão e foi abrir o porta-bagagens. – Ainda são 19h30, podemos começar a pintar hoje. – Colocou as tintas no chão. – Anda cá. – Aproximei-me dele. – Está aqui a comida. – Deu-me um saco. Eu – Podias ter avisado que eu comprava. Tom – Oh, comprei eu. – Voltou a fechar a bagagem e trancou o carro. Eu – Depois temos de ajustar contas. – Ele pegou nas latas de tinta e seguimos para dentro do terreno. Tom – Já me pagas de uma outra forma. – Provocou gargalhando de seguida. Entrámos dentro de casa, o barulho das latas embaterem no soalho de madeira novo ecoou por toda a parte. Eu – Ena! Está perfeito. – Olhei em volta. – Os plásticos já nos móveis e etc, muito bem, Tom Kaulitz.
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