Bill – Estás no meu carro e ainda me insultas. – Abanou a cabeça. – Não tens mesmo vergonha na cara. Eu – Quem deve ter vergonha na cara aqui és tu não eu. Foste tu que me abandonaste para fugires com a minha melhor amiga. – Cuspi. Bill – Não fui eu que menti à cerca da nossa relação. – Deu outro gole na coca-cola. – Eu estava seguro de mim ao contrário de ti. Eu – Desculpa? – A minha voz esganiçou-se. – Tens cá uma lata. Bill – Lata tens tu e o teu marido que pensam que a vida é bastante fácil. Mas não é. Não é. – Repetiu. Levei as mãos às pernas e tentei controlar o ódio que estava a ter naquele momento. Bill – Vocês achavam que a vida era um mar de rosas, não é? Enganam-se. Eu – Mas… tu pensas que és alguém para me dizeres isso? – Ele olhou-me e deu-me o refrigerante para as mãos. Bill – Apesar de tudo eu ainda me preocupo contigo. – Admitiu. – Não devia, eu sei. Mas acho que as coisas ainda não ficaram bem resolvidas. – Apertou o volante e cerrou o maxilar. Eu – Tu é que fugiste. – Voltei a dizer. Bill – Diz-me. – Olhou-me. – Agora diz-me o que disseste ao Tom há 20 anos atrás. Diz! Eu – Eu disse tanta coisa ao Tom, Bill. – Revirei os olhos. Bill – Eu ouvi. Eu – O quê? – Ele ignorou-me. Aumentou o som do rádio e começou a cantarolar algo que eu não conseguia decifrar. – Bill! – Desliguei o rádio e olhei-o. – O que é que tu ouviste? Bill – Preferia ouvi-lo da tua boca. Eu – Mas eu não sei! – Gritei. – Como é que queres que eu diga algo que nem eu própria sei? Bill – Não te faças de cínica. – Buzinou para o carro da frente. Eu- Não me acuses de uma coisa que sabes que não sou! Agora quero eu ouvir da tua boca o que ouviste! Bill- Isso tu não vais ter o prazer de ouvir, puxa pela memória vais ver que não é difícil! Eu- Nesse dia muita coisa aconteceu, achas que me lembro de tudo! — Ele meteu a 3ª. Bill- Oh, não te faças de sonsa, sabes perfeitamente o que lhe disseste, quando chegaste! Eu- Disse-lhe para não desistir da Isa, para assumir aquele filho! Foi isso que ouviste e a tua reacção foi fugir com ela, não é lá muito normal vindo de um irmão! Bill- Desculpa!? Foi tudo menos isso! Eu- Bill, eu posso ser muita coisa, cabra como tu dizes mas mentirosa não! Bill- Pronto, estamos no escritório de advogados do teu marido! — eu mantive-me no mesmo sitio. Por isso, podes sair! Eu- Eu já te disse que hoje não desgrudo de ti, até me disseres onde está a minha filha! Bill- Vou chama-lo lá acima para te vir buscar!- abriu a porta. Eu- Estás à vontade, ele hoje não veio trabalhar!- ele revirou os olhos e fechou a porta. Bill- Onde se enfiou o teu marido, fugiu de ti? Eu- Não, foi procurar o filho, sim porque ele é filho dos dois! Bill- O Ryan é meu filho!- gritou-me. Eu- Se fosse TEU filho, a esta hora não era preciso esta perseguição! Onde estão eles? Bill- Já te disse que não sei! Vou deixar-te em tua casa! Eu- Não vale a pena, eu não saio da tua beira! Bill- Teimosa pah! Eu não vou andar contigo atrás de mim! Eu- Pensas tu! Bill- Não penso, tenho a certeza!- ligou outra vez o carro. Eu- Não vale a pena, me levares para casa, eu não vou sair daqui! Bill- Não vou aparecer contigo em minha casa! Eu-Quando me disseres onde está ela, até vou para casa a pé, até lá tens que gramar! Bill- Nem penses, não tens vida!? Eu- Mais complicada que a tua! Bill- Então vai tratar dela!- parou em frente ao meu prédio. Eu- Não vale a pena! Bill- Então vamos cá ficar, até ao Tom aparecer! Eu- À tua vontade! Bill- Ahgrrr estás a enervar-me! Eu- Vingança, tu fazes muito pior, acredita! Bill – Importas-te de sair do meu carro? – Olhou-me aborrecido. – Que eu saiba isto ainda é meu, fui eu que o comprei. Eu – Importo. – Cruzei os braços como que amuada. Bill levou a mão à cabeça e suspirou enquanto fazia um ruído irritante no volante do carro. Parecia impaciente. Ficámos assim durante um tempo indeterminado. Olhei em frente e vi o audi do Tom. Aproximei-me de Bill e buzinei. Tom saiu do carro e veio ao nosso encontro. Tom – Sara? – Abriu a porta e tirou-me do carro do irmão. – O que é que estavas a fazer com esse sujeito? – Indagou confuso. Bill – Olá para ti também. – Fez ar cínico. Eu – Encontraste alguma coisa sobre eles? Tom – Não. – Olhou para Bill. – Não encontrei nada… Bill – Claro que não, o Ryan é inteligente ao contrário de certas pessoas. Eu – Cala-te! Bill – Não. – Contrariou. – Não é assim que vão encontrá-los se é isso que pensam. Se eles querem estar juntos eles não vão para um sítio demasiado provável não acham? Tom – Não temos de achar nada. Eu – Onde é que eles estão Bill? – Ele riu-se. Bill – Achas que eu sei? Tom – Ouve lá. – Agarrou na bebida de Bill e atirou-a para o chão. – Eles são irmãos, não é suposto dois irmãos estarem apaixonados quanto mais terem relações sexuais um com o outro. Bill – O que queres que eu faça? – Gritou – O meu filho não tem culpa dos teus erros! Tom – Ele é meu filho! – Gritou. Bill – Pergunta-lhe a ele, de certeza que ele te diz o contrário. Tom – Mas ele não sabe! – Ripostou. – Ele não sabe nada! Porque vocês decidiram ocultar-lhe quem é o verdadeiro pai. Bill – Tu não disseste que não querias o filho? Então, só te fiz a vontade, fui eu o pai dele, não tu. Eu – Tom. – Puxei-o tentando acalmá-lo. Tom – Fui eu que o fiz, não tu. – Notei os seus olhos vermelhos. Bill – E fui eu que o criei, fui eu que o vi crescer e foi a mim que chamou de pai. Eu – Calem-se! – Pedi. – Temos de os ir procurar, não é para ficarmos o dia todo a discutir. Bill – Culpa desse. – Apontou para o gémeo. Tom – Esse tem nome. – Afastou-se do carro tentando regularizar a respiração. – Tu não tinhas o direito de me tirar a felicidade! Não tinhas! Bill – Poupa-me Tom. – Revirou os olhos. Tom – Sempre tiveste inveja não foi? Bill soltou uma gargalhada seca. Eu – Tom, pára. – Agarrei-lhe o braço mas ele soltou-se. – Vai para casa… é o melhor. – Supliquei. Bill- Tu roubas-me a namorada e eu é que tenho inveja!? Eu- Importam-se de parar de falar como se eu não estivesse aqui!?- eles ignoraram-me. Tom- Ah, essa teve graça, tu é que fugiste com a minha e a abandonas-te a tua! Bill- Tu renegaste um filho teu! Tom- Parabéns, graças às vossas mentiras, em vez de o protegerem ainda o fizeram mais infeliz, e levaram a minha filha atrás! — Não aguentei, puxei pelo braço de Tom, e deixei-me descair ficando deitada no chão. Tom- Sara!- chamava por mim. Bill- Nem da tua mulher consegues cuidar, imagino dos filhos! — ele aproxima-se- Sara! Eu abro um olho e a seguir o outro — Até que enfim, lembraram-se que estava aqui! Tom – Nós sabíamos que estavas aqui. – Ajudou-me a levantar. Eu – Não parece. – Olhei Bill que nos fitava incognitamente. Bill – Eu vou para casa. – Informou entrando novamente para dentro do carro. Eu – Ah! – Exclamei – Nós vamos contigo tal como eu tinha avisado. Tom – Não, nós vamos ficar aqui. Eu – Não. – Contrariei. – Nós vamos para lá, conversamos e tiramos conclusões onde eles podem estar. Tirei as chaves da mão do Tom e puxei-o por um braço, empurrei-o para o lugar de pendura e entrei no lugar de condutor. Tom- Passaste-te!? Eu- Mas será que toda a gente me pergunta isso hoje!?- liguei o carro e segui o carro de Bill. Tom – Volta para casa Sara. – Pediu olhando-me de lado. Eu – Não. – Saí do carro e puxei-o. – Senão quisesses mesmo, resistias. – Ele fez ar indignado e entrámos dentro da casa deles. Julia – Olá Bill. – Sorriu. Olhou para trás e esboçou algo incrédulo. Bill – Vieram por causa do desaparecimento do Ryan e da Ally. – Informou colocando as chaves de casa em cima da mesa. Julia – Er… olá. – Disse arrogante. Eu – Olá. – Cumprimentei olhando em volta. Bill – A Isa? – Fechou a porta. Julia – Está no quarto do Ryan. Está lá com a Selena. Bill – Eu vou chamá-la para – Julia – Ah Bill! Não vais conseguir. Ela não sai de lá nem por sombras. Bill – Vou na mesma. – Seguiu até ao corredor. Tom – Eu disse que não era boa ideia. – Continuou a olhar a mãe da Isa que nos observava curiosa. – Ainda por cima ela odeia-me. Eu – Quem? A mãe ou a filha? Tom – Ambas. Eu – Oh Tom. – Bufei. Julia – Podem-se sentar. – Apontou para o sofá. Assentimos e sentámo-nos no sofá. Tom – Que merda pah. – Levou as mãos à cara e enterrou a cabeça nestas. Bill – Já estamos cá todos. – Olhámos em frente. Eles sentaram-se no sofá em frente onde nós estávamos. Tom – Têm alguma ideia onde eles podem estar? – Apoiou os cotovelos nas pernas e olhou-a. Isa- Não. – Respondeu fungando. Tom – O Ryan nunca falou de um sítio onde ele se sentia bem ou – Bill – Ele pode estar em qualquer lado. – Interrompeu. – Nós não sabemos onde. Julia – Podem ter ido para Frankfurt. – Disse dando um gole no copo de água. – Chegaram a vender a casa? Isa – Não. Mas o Ryan não ia para lá. – Olhou-nos. – Ele não vai desistir do curso. Temos de saber se ele vai pedir transferência. – Levantou-se e foi procurar apressadamente nos papéis que tinha no móvel. – Ele não vai desistir da advocacia … só temos de – Bill – O Ryan é capaz de tudo. – Agarrou-a. Isa – Mas… — Calou-se. Tom – Se calhar sempre podemos ver em Frankfurt. – Opinou. Eu – Vamos para Frankfurt e… vemos se encontramos alguma coisa. – Disse a medo. Isa – Isto só pode ser um pesadelo. – Soluçou deslizando. Bill – Tu ficas aqui. – Pegou nela ao colo. – A Selena precisa de ti. Isa – Não. – Fraquejou. Bill – Eu já venho. – Foram para o quarto. Eu – Então… — Olhei para Tom que mexia nas mãos com nervosismo. – Vamos para Frankfurt… — Ele olhou-me. – Tom… Selena – Avó! – Saiu do quarto. – Tenho fome. Julia – Anda para a cozinha. – Puxou-a. Vi Tom a observar Selena. Sorriu palidamente. Voltou a olhar-me vagamente. Tom – Sabe se lá onde eles podem estar neste momento Sara. Eu – Não deve ser difícil encontrá-los. – Tentei tranquilizar. – Não devem ter ido para muito longe. Tom – Não sei. – Bufou e encostou-se ao sofá. Fechou os olhos e levou as mãos aos bolsos do casaco. Bill voltou a entrar na sala. Sentou-se novamente e fitou-nos em silêncio. Eu- Como está ela? Bill- Não te interessa! Eu- Posso já não ser amiga dela, mas ainda tenho sentimentos, coisa que tu ultimamente tens esquecido, eu não sou de pedra Bill, eu sinto, e sei exactamente pelo que ela está a passar, e só não me desmancho em lágrimas, porque quero resolver isto depressa, e sei perfeitamente que a Isa não está com cabeça para passar por isto! — Respirei fundo e vi os olhos dos dois postos em mim — Sugestões para os encontrarmos!? Tom – Frankfurt. – Balbuciou. Bill – Então eu vou a Frankfurt e — Tom – Vamos. – Corrigiu. – Eu também vou. Eu – Eu também. – Relancei. Tom – Se calhar não é boa ideia irmos todos. Eu – Tu e o Bill sozinhos? – Arqueei o sobrolho. Bill- Que remédio! Eu- Desculpem, mas eu não quero nenhum de vocês morto! Tom- Sara- pegou nas minhas mãos — O Jonh, está sozinho em casa! Eu- Ele pode ir para casa da tua mãe ou da minha! Tom- Tu queres manda-lo para Berlim em tempo de aulas!? Bill- Já para não falar que a minha mãe morria se soubesse disto! Tom- Minha mãe! Para ela tu abandonaste-a tal como fizeste à tua namorada, sem deixar um adeus sequer! Eu- Desculpa Bill mas o Tom tem razão, a tua mãe não te perdoa! Tom – Nem tens de pedir desculpa a esse animal. Bill – Tudo isto começou por causa de ti. – Olhou Tom fulminante. Tom – Por mim? – Soltou uma gargalhada. – Deixa-me rir. Bill – Se não tivesses a mania que eras esperto e se tivesses assumido algo teu, nada disto, mas mesmo nada, tinha acontecido. – Tom ia falar mas Bill interrompeu. – Mas ainda bem que aconteceu, porque assim conseguimos ver como realmente as pessoas são. Tom – Eu vou procurá-los. – Levantou-se. Bill – Ah, espera então… — Abanou a cabeça e olhou o irmão gozão. – Avise que eu fui procurar o Ryan. Julia – Claro. Selena – Vão procurar o Ryan? oO Bill – Ouve, tu não arrelies ninguém ouviste? Selena – Até parece. – Olhou-nos assustada. Bill – Não diga que fui para Frankfurt. Julia – Mas não vais passar a noite cá. Bill – Continuo a procurar o Ryan. Isa – Vais para Frankfurt? – Encostou-se à ombreira da porta. Bill – Vou procurar o – Isa – Em Frankfurt. – Consentiu. Selena – Mas porquê? – A sua voz esganiçou-se. – Ele de certeza que está bem. Isa – Sabes de alguma coisa Selena? Selena – Não. Bill – De certeza? Eu – É importante. Selena – Sei tanto como vocês. – Saiu da entrada. Tom – Ela deve saber de alguma coisa. Bill – Fala com a Selena – Isa – Eu falo com quem me apetecer. Boa viagem. – Seguiu Selena. Bill- Adeus!- vai a dar um beijo a Isa, mas ela afasta os lábios acabando por Bill lhe dar um beijo na face. Tom- Vamos!?- disse já impaciente. Eu- Espera Tom! Bill- Cuida de ti! — pegou no casaco nas chaves e na carteira e saiu. Eu- Toma conta de ti!- olhei-a.- Minha menina!- disse num sussurro, fechando a porta. Eu- Vão levar os dois carros? Bill- Sim cada um vai no seu! Eu- Menos mal! Tom- Anda , ainda tenho a que deixar em casa!- entrámos no carro, e Bill seguia Tom. Tom- Já sabes que tens o Jonh à tua espera! Eu- Eu sei!- olhei a janela- Ela está mesmo mal! Tom- Foi ela que quis esta vida! Eu- Tudo por causa de maus entendidos passados! Eu não devia ter ficado contigo! Tom- Não digas asneiras! Eu- É verdade, eu prendi-te, tu foste praticamente obrigado a ficar comigo!- deixei cair uma lágrima, pela primeira vez naquele dia estava a chorar. Tom- Nunca mais repitas isso Sara, eu quis ficar contigo, aliás eu quero ficar contigo! Tenho orgulho em ti, como estás a conseguir ser tão forte, como estás a lidar com a situação! Eu- Eu só quero a minha filha bem e ao meu lado! Tom- Eu vou trazer-ta! — Pegou na minha mão e beijou-a. Eu- Parece que chegámos! Tom- Quero despedir-me do meu filho! Eu- Ele vem aí!- Jonh vinha a subir a rua de nossa casa, saímos do carro e Bill também. Jonh- Mãe, a Ally? Tom- Johnathan, diz a verdade, não sabes dela? Jonh- Já te disse que não sei! Quem é o sujeito? — diz apontando para Bill. Eu- Bill Kaulitz, pai do Ryan!