Eu- Calma!! – Senti-me quebrar.

Bill- Calma!? Calma é o que menos sinto neste momento!!

Eu- Achas que isto não me afecta? Aliás afecta-nos a todos!!- pus-me em frente a ele.

Bill- Que mal fiz eu para passar por isto outra vez!?

Eu- Tu não estás a passar outra vez, eles é que renasceram na nossa vida!!

Bill- Não podemos renascer algo que nunca morreu!!-Gritou.

Afastei-me sentando-me no chão à sua frente.

«Quero morrer»

Olhei a sua feição magoada e desiludida.

Morri. Agora tinha a certeza que estava morta por dentro, nada dentro de mim existia, apenas uma mágoa e algo extremamente doloroso.

Esperança? O que é isso?

Morri. Posso dizer mil vezes que morri. Morri. Estou morta. Não sinto nada. Não oiço nada. Não vejo. Morri.

Eu- Eu…-Levantei-me pegando nas minhas coisas — Vou embora…-Murmurei num tom rouco, num tom apenas audível aos deuses.

Afinal de contas estava morta.

Bill agarrou-me o braço olhando-me perdido.

Bill- Desculpa…-Tentou falar — Por ter gritado contigo.

Assenti e saí do escritório caminhando até um lugar indefinido.

Sentia-me incompreendida, já nada me prendia aqui.

E para quê prender?

- Vais fazer assistência até Arizona? — Deparei-me no aeroporto sem motivo algum.

Eu- Vou — Apertei o último botão da farda e guardei as minhas coisas no cacifo.

- É para ficares lá 3 dias. – Encolhi os ombros e caminhei até ao avião.

Entrei. Verificaram os passageiros por mim.

Era a primeira vez que iria viajar para longe sem dizer nada a Bill. Mas… estava irritada, nervosa, frustrada e acima de tudo… vazia.

O avião descolou. Suspirei.

- Então?

Olhei para o lado vendo Emma a olhar para mim com a mão na cintura.

Eu- Desculpa — Recompus-me.

Emma- Preciso da tua ajuda para a zona vip.

Eu- Ok – Fui com ela até ao lugar pretendido.

5 horas…

Há 5 horas que estava no mesmo avião, há 5horas que não dava sinal de vida. Há 300 minutos que… não vivia.

- Olhe — Um homem com um aspecto medonho puxou-me pelo braço e mostrou-me algo… diferente. –Tic-tac-tic-tac –Gozou mostrando o indicador de tal aparelho.

Arregalei os olhos ficando apática.

Eu- Mas… — Os outros três homens que estavam perto deste sujeito riram-se mostrando mais aparelhos iguais. – Como é que –

- Schh –O individuo sobrepôs o indicador repugnante sobre os meus lábios. – O tempo está a contar… querida. – Soltei-me.

Eu- O que… -Tremeliquei.

- É giro não é? – Soltou uma gargalhada seca.

Afastei-me indo até à cabine, marquei a medo o número do alarme fazendo todo o avião sobressaltar de pânico.

Emma- O que estás a fazer? – Indagou confusa.

Eu- Ali! -Apontei para trás dela demonstrando diversos seres agora levantados e com armas em várias direcções.

Emma- Vai avisar rápido o capitão. – Pediu continuando perplexa.

Obedeci. Corri até ao piloto e informei-o.

- Avisa as forças maiores, pede ajuda.

Eu- Não há rede… devem ter bloqueado.

Senti um gatilho ser activado junto da minha cabeça. Paralisei tentando não fazer qualquer tipo de movimento.

- Querida, está bem quietinha -Passou a mão pelos meus cabelos e puxou-me para trás.

Silêncio.

-Escuto, o que se passa capitão? – Uma voz soou em espécie de linha.

- Atentado terrorista ao voo 354 para Arizona –

Antes que pudesse dizer algo, um barulho ecoou junto de mim, algo relativamente vermelho, algo quente espalhou-se por todo o comando do avião.

Passei os dedos pela cara olhando-os. Sangue.

Caí no chão. Agora algo mais do que sangue escorria-me pela cara. Lágrimas gordas, bastante gordas brotavam pelo meu rosto.

Um mar de sangue parecia querer apoderar-se do compartimento de voo.

- Sabes pilotar a merda de um avião? – Olhou-me puxando o cadáver para o chão.

Encolhi-me.

- Oh morena -Puxou-me pelos cabelos olhando-me nos olhos — Não chores pelo teu amigo, daqui a nada és tu. -Riu-se empurrando-me para o corredor do avião. – Alguém daqui sabe pilotar um avião?

Olhei Emma que se encontrava sentada no meio do corredor. Também chorava.

- Preciso de alguém que pilote até Arizona! — Gritou num tom imperial.

Novamente o silêncio.

«Oh como eu odeio o silêncio.»

- Quanto tempo falta para chegarmos a Arizona?

Emma- Estamos quase — A voz esganiçou-se.