Mãe – Acabei de chegar, sim? Não te livras de mim tão facilmente.

Eu – Escuta. – Deixei cair as malas à bruta no chão – Estamos a passar uma fase complicada, espero que não –

Mãe – O que é que se passa? – Foi para a cozinha. – Não cozinhaste Rita! O que comeste?

Eu – Ainda não comi. – Encolhi os ombros.

Mãe – És mãe e nem de ti própria sabes cuidar. – Olhei-a indignada.

Eu – Ficas no quarto do costume. – Levei as coisas para o quarto de hóspedes.

Mãe – O que queres comer? – Voltei a ir ter com ela à cozinha e suspirei.

Eu – Por favor. Ainda agora chegaste. – Puxei-a para a sala. – Achas que foi boa ideia deixares o pai sozinho?

Mãe – Não está sozinho. Estam lá os teus tios.

Eu – Não era preciso vires.

Mãe – Olha para mim. – Agarrou o meu rosto e olhou-me delicadamente. – Tu não estás bem. – Abanou a cabeça – O que aconteceu?

Eu – Longa história.

Mãe – Tenciono ficar aqui. – Sorriu.

Eu – O Ryan namora com a irmã. – Respondi tentando conter as lágrimas.

Mãe – Com a Selena? – Pareceu um tanto espantada e incrédula.

Eu – Com a Ally. A filha do Tom e da Sara. – Chorei novamente.

Mãe – O quê? – Arregalou os olhos.

Eu – Eles conhecem-se. Eles amam-se. O Ryan não me fala. O Tom ontem esteve aqui –

Mãe – Esse sujeito esteve na TUA casa? – Quase gritou. – Tu deixaste? O que é que te queria? Não quer ficar com o Ryan pois não? O pai do Ryan é o Bill! – Gritou.

Eu – Sabes perfeitamente que o Ryan é filho do Tom. – Lamentei-me.

Mãe – Ele falou alguma coisa sobre o assunto passado?

Eu – Não. – Abonancei-me.

Mãe – Oh minha filha. – Abraçou-me. – Tu não mereces. – Sussurrou. – Se voltássemos a tempos atrás, eu não me opinaria ao facto de estares grávida.

Eu – Não existe \" se\" mãe. – Quebrei o abraço.

Mãe – Como estás do acidente?

Eu – Óptima. – Fitei os pés.

Mãe – Do caso do Ryan trata-mos depois. – Puxou-me até ao quarto. – Agora deitas-te. – Fez-me deitar na cama. – Eu vou preparar umas torradas para comeres. – Tentei levantar-me, mas em vão.

Eu – Passa-me ao menos o telefone. – Pedi. – Estou à espera de uma chamada. Admiti.

Mãe – Toma. – Deu-mo. – Vou preparar o teu almoço. – Saiu do quarto encostando a porta.


Selena– A Petra vai passar este fim-de-semana a Berlim mamã. Também podíamos ir.

Eu – Er… talvez um dia Selena. – Entrámos em casa. – Ryan! – Chamei.

Uma rapariga saiu de cima do sofá, arqueei o sobrolho e só depois vi que Ryan saía de lá também.

Eu – Ryan?

Selena – Está quase nua. – Arregalou os olhos.

Eu – O que vem a ser isto? – Tapei os olhos à mais nova.

- Eu vou embora. – A rapariga avisou. – Adeus Ryan. – Saiu vestindo-se pelo caminho.

Eu – Ryan Taylor. – Mordi o lábio inferior para não lhe gritar. – 13 anos! Tu tens 13 anos! Não 15 ou 16! – Fiz ar firme- O que te passou pela cabeça?

Mike – Sexo é sexo. – Vestiu a camisola e desalinhou o cabelo com um simples abanar de cabeça.

Eu – Sexo é sexo. Mas não com a tua idade!

Selena – O Ryan – Riu-se – O Ryan queria fazer aquelas coisas que fazem na televisão na sala. – Riu de novo – Vou contar ao pai.

Ryan – Cala-te pita! – Provocou. – Abres a boca e nunca mais vês as tuas bonecas nojentas! – Ameaçou.

Selena – Ouviste o que ele me disse? – Olhou-me.

Eu – Oh, por favor. – Revirei os olhos.

Ryan – Humilhaste-me perante a rapariga.

Eu – Eu? – Ri-me. – Podias ao menos ter ido para o quarto não?

Ryan – Apeteceu-me na sala.

Eu – Não sejas respondão!

Ryan – Whatever. – Revirou os olhos.

Eu – Não tens idade nem maturidade suficiente para iniciares a tua vida sexual.

Ryan – Só tens de enfiar a —

Eu – RYAN!

Ele riu-se e foi para o quarto dando um carolo à irmã.


\" Tom – Só tens que… te deixar levar. – Fixou os meus lábios e sorriu inclinando-se para mim. – Como se o teu corpo… fosse autónomo. – Juntou os lábios aos meus, então, formámos um . Os meus olhos cerraram-se. Envolvi o seu pescoço com os braços e deixei-me levar por turbilhões de emoções.\"

- Ela está a dormir há quando tempo? – Vozes sinistras rodeavam a minha mente. Era incapaz de abrir os olhos e encarar a realidade. Talvez por falta de coragem. Sim, eu estava totalmente e irrevogavelmente sem energia para encarar novamente o mundo. Só queria continuar a dormir. A dormir. Queria continuar no meu mundo. Onde fui feliz.

A porta fechou-se. Remexi-me. Ruídos continuavam a existir no quarto. Abri os olhos vendo Bill a arrumar algo em cima da secretária.

Eu – O que é que estás aqui a fazer? – Sobrepus o cotovelo sobre o colchão. Bill olhou-me de relance e veio até junto de mim.

Bill – Como estás? – Passou a mão pela minha testa. – A tua mãe disse que foi fazer algo para tu comeres e —

Eu – Eu sei tomar conta de mim. — protestei. Ele sorriu.

Bill – Eu sei.

Eu – Então parem de perguntar como estou! – Gritei num tom rouco. – Apenas, parem!

Bill – O que… aconteceu?

Eu – Nada. – Virei a cara e deixei-me cair sobre a almofada. Olhei o tecto tentando ignorar a sua presença.

Bill – Telefonaram. – Ignorei-o novamente. – Uma psicóloga. – Olhei-o. – Para ti?

Eu – Sim. – Disse rude.

Bill – Podias-me ter dito que estavas mal.

Eu – É preciso dizer? – Coloquei as mãos sobre o peito – Isto está tudo a acontecer. Mas claro, a Isa ia andar feliz. A Isa ia andar como se nada fosse. – Ironizei.

Bill – Não era bem isto que eu queria perguntar.

Eu – Claro…

Bill – O que é que foi?

Eu – Nada! – Levantei-me. – Olha para mim! – Pedi. – O que é que tu vês?

Bill – A Isa. – Disse confuso.

Eu – Só vês isso?

Bill – A mulher com quem casei. A mãe dos meus filhos. – Aproximou-se de mim. – Deslumbrante. – Agarrou a minha mão. – Magnífica. – Beijou-a. – Perfeita. – Inspirou junto do meu pescoço. – Sensível. – Passou os lábios sobre a minha pele. – Invejável. – Aproximou os lábios dos meus e olhou-os. – Sedutora. – Sorriu – E sobretudo… irresistível. – Beijou-me.

Eu- Alguma vez disses-te essas palavras de coração?- ele olha-me atonico.

Bill- Que foi que te deu?

Eu- Responde Bill, valeu a pena para ti passares estes anos comigo?

Bill- Mas será que vôs deu a todas para me chatearem hoje?

Eu- Desculpa!?

Bill- Nada!!- bufou e tirou uma tshirt da gaveta.

Eu- Eu sei que tu nunca esqueceste a outra, mas será que o dizes da boca para fora é verdadeiro?

Bill- Claro

Eu – Acho que… já estive mais perto de acreditar isso.

Bill – Eles estão a estragar o nosso relacionamento! Já reparaste isso? Já –

Eu – Se calhar, nós é que o estragámos.

Bill – Nós? – Arqueou o sobrolho.

Eu – Com as nossas atitudes. – Encolhi os ombros.

Bill – Sempre fomos uma família feliz. Conseguimos ultrapassar uma data de coisas juntos. Porque haveria de tudo acabar agora?

Eu – Ninguém falou em acabar Bill.

Bill – Ouve-me. – Agarrou as minhas mãos. – Eu não te quero perder por nada deste mundo. Fazes parte da minha vida agora. Eu fiz uma promessa, vou cumpri-la até morrer. Mesmo que… — Engoliu um seco. – Mesmo que isso custe a minha felicidade ou até mesmo a minha vida.

Eu – As promessas Bill… — Murmurei. – As promessas – Repeti de novo.

Bill – Consegui até agora não foi? – Esboçou um sorriso orgulhoso. – Nem foi assim tão difícil. Uns altos e baixos, mas tudo se resolveu.

Eu – Foi.

Bill – Então. Não é agora que as coisas vão piorar. – Puxou-me para si e acarinhou-me. – Tudo bem de novo?


Eu – Acho que sim. – Apertei a sua camisa e inalei o seu odor. – Está… tudo bem.


[Ally]


-Posso!!

Eu-Quantas vezes é que eu ja disse que não quero ver ninguem!!

- Mana, pensava que era exclusivo!!

Eu- Jonathan, entra e fecha a porta!!

Jonh- A coisa ta preta, chamaste-me Jonhathan!!

Eu- Eu quero vê-lo!!- abracei o meu irmão que me afagou os cabelos.

Jonh- Eu vou ajudar-te!!

Eu- Como!?

Jonh- Já te esqueces-te que aqui o super homem consegue tudo?- dei-lhe um murro no ombro e sentamonos na cama.

Eu- Que pensas fazer?

Jonh- Sabes eu hoje conheci alguem muito interessante!!

Eu- Jonh, eu aqui de rastos e tu vens-me falar das tuas curtes!?

Jonh- Não é nenhuma curte, se bem que nao me importava, conheces alguma Selena!?

Eu- Não posso! Voces tão a tramar o quê?

Jonh- Ela vai falar com o Ryan e depois diz-me alguma coisa!!

Eu- Como é que a descobriste?

Jonh- Simples, eu já tinha pensado nela e ela pelos vistos teve a mesma ideias, por isso acabamos por nos encontrar a perguntar um pelo outro