Without Rain...There Is No Rainbow.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Meu refrigerante estava pousado no socalco de uma rua escura e fria de Stratford, onde apenas a luz fraca dos candeeiros posicionados na berma da estrada a iluminava. Neste momento não sabia para onde iria. Talvez dormisse na rua naquela noite…e nas próximas. Mas uma coisa eu tinha a certeza, não voltaria para o orfanato.
“Será que uma rapariga com 16 anos consegue fazer a sua vida totalmente independente dos outros? Não importa Samantha…pára de pensar besteira, você vai tentar. “
Levantei-me e peguei meu refrigerante. Meus passos eram lentos pois meus pés começavam a doer. “Me diz, quem sai de algum sitio com a ideia que vai fugir na sua mente e não trás alguma coisa para colocar nos pés? Você é muito idiota Samantha. “
Caminhei um pouco mais e senti meu cabelo ficar húmido, tal como minha roupa…boa, estava chovendo.
– MAIS ALGUMA COISA ME PODE ACONTECER? – gritei um pouco irritada, mas depois dei uma pequena gargalhada vendo o que tinha acabado de fazer.
“Sou muito boba.” – pensei revirando os olhos.
De repente ouço um carro. Parecia andar devagar. O ruído do motor estava cada vez mais perto…quem fosse estava se aproximando. Não sabia se devia correr, mas provavelmente sim. Podia ser gente má ou… alguém me procurando. O QUÊ? ALGUÉM ME PROCURANDO! Como posso ser tão estúpida. Óbvio que o orfanato devia ter contactado a polícia para me encontrar…eu ia perder minha liberdade outra vez. Não que a tivesse tido por muito tempo. Corro…não corro. Se correr posso dar muito nas vistas e assim piorar as coisas. Com sorte quem for não me vai ver.
– Bom noite menina. Sou agente da guarda e prescisava que… – disse uma voz grossa tentando desviar minha atenção que agora estava numa montra de uma loja de sapatos. Não que eu gostasse de sapatos, porque eu NÃO gosto, mas sim porque pensei que talvez me fazendo despercebida o carro não iria parar.
“Tarde de mais para pensar Samantha…vamos à acção”. Foi então que dei por mim e estava correndo…cheia de dores nos pés, mas correndo pela minha liberdade. Uma liberdade que não era bem liberdade…porque eu iria ser uma fugitiva.
– DEVE SER ELA! – ouvi gritar o agente para o seu colega dando logo ordem que ele avançasse com o carro. Sim, eles estavam à minha procura.
“Pensa rápido garota, você não pode continuar correndo com os seus pés em ferida.”
Enquanto pensamentos rápidos me envadiam a mente e meus musculos faziam o possível para aguentar tanto esforço foi então que ouvi um barulho enorme seguido de uma explosão. O carro da polícia que me perseguia embateu contra um camião e explodiu. Eu estava assustada e minhas lágrimas iriam cair mais cedo ou mais tarde. As pessoas iriam cercar o local opinando sobre tudo e especulando sobre o que se passara. Eu não queria estar ali…porque talvez eu era a culpada. Me enfiei numa rua bastante a vários metros daquelo local. A ladearem a rua sem saída havia uma casa que não era habitável por sinal mas tinha a porta e as janelas fechadas com vários tijolos, o que fazia com que não pudesse entrar, tal como, uma casa branca onde supostamente vivia gente. Ao fundo da rua havia uma parede branca suja…onde adolescentes a utilizavam para fazer as suas pequenas criações, graffitis. À sua frente havia algumas caixas de cartão vazias…e dois grandes caixotes do lixo verdes.
Meus pés doiam tal como meu corpo, meus olhos estavam marejados e eu estava com medo e quando havia reparado tinha ido contra o caixote do lixo e feito um ENORME barulho. Senti passos e as luzes da casa que provavelmente era habitada acenderam-se. Fiquei sem reacção, não sabia o que fazer naquele momento.
“Porra de caixote.” — pensei.
Um rapaz com cabelo castanho que vestia uma sweat e uma calças de desporto e provavelmente com a mesma idade que eu, abriu a porta da casa e me viu.
– Quem é você e o que estava fazendo? – disse com um olhar um pouco desconfiado e sonolento.
– Não acha que está fazendo demasiadas perguntas? – retorqui eu. Eu não podia ser simpática para ele pois não o conhecia e ele também me abordou de uma forma um pouco estúpida.
– Desculpe, eu estava um pouco…não interessa. Eu estou sozinho em casa e quando ouvi o barulho que você fez, meu coração pulou. – disse dando uma pequena gargalhada. – Ei, mas o que aconteceu com você? – perguntou olhando para mim. Ele não era cego e por isso deve ter visto minha roupa suja, meus pés sanguentados e meu cabelo bagunçado.
– Não precisa de se explicar e…não aconteceu nada, ué. – respondi, olhando também para mim um pouco sem jeito.
“Samantha, o garoto não é mirolho.” – pensei
– Deixa eu te ajudar – disse vindo até mim – eu sei que se passou algo…você pode não contar para mim, mas você precisa de ajuda.
– Como sei que posso confiar em você?
– Eu não sei, porra. Você quer ajuda ou não? – disse ele um pouco irritado.
– Você está sendo bruto. E não, eu não preciso de ajuda, muito menos sua. KBYE ! – disse eu, elevando a voz e virando costas a ele.
Eu não podia ir, eu precisava de ajuda mesmo.
Ele correu um pouco até mim e agarrou meu braço.
– Desculpe, meu nome é Chaz. Venha, eu vou cuidar de você. – disse ele com um sorriso fofinho.
– Meu nome é Samantha. E sim, eu preciso mesmo de ajuda. – disse me virando para ele com um meio sorriso.
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