With You I'm Born Again
12 Guess High School
P.O.V James
Compras? Elas só podiam estar brincando!
Entramos em uma loja de roupas e Giovana puxa meu braço.
– Temos que arrumar um nome pra você... — ela diz num tom de deboche.
Encaro-a.
– Eu não vou fazer isso. — cruzo os braços. Se ela estava pensando que eu iria me vestir de menina para entrar numa escola para garotas, estava muito enganada.
– Você quer completar a missão, ou não?
– Quero, mas... — ela puxa meu braço antes que pudesse completar a frase. Hesito um pouco, mas acabo cedendo. Afinal, era Giovana.
Andamos até uma ala de Jeans femininos e enquanto Giovana mexia nas calças, sentei em uma cadeira que se encontrava no canto da loja.
Ouço Beatriz e Logan discutindo e esboço um sorriso. Uma mulher na casa dos 30 se senta ao meu lado.
Seus cabelos eram num tom avermelhado e sua pele era um pouco pálida. Seus olhos eram azuis como safira e seus lábios estavam fechados em uma linha reta.
Ela sorri gentilmente e devolvo um sorriso forçado.
Volto meu olhar para Giovana, que agora estava com duas calças ns mão esquerda e uma blusa vermelha na outra. Suspirei. Não estava a fim de virar uma "mulher"
– Vocês formam um belo casal! — a mulher diz olhando em meus olhos. Apesar de sua idade, ela era bonita. Conhecia-a de algum lugar.
– Obrigado. — sorrio.
– Me chamo Edith.
– James. — digo enquanto ela me fitava.
– Disso eu já sabia. – seu tom era doce. Encarei-a por alguns segundos enquanto procurava em minha mente aonde tinha visto o rosto da moça. Edith? Ai meus deuses.
– Mãe?
– Porque você sempre demora pra me reconhecer? – Afrodite pergunta.
Sorrio sem graça. Ela abre os braços e me abraça tão forte que quase fiquei sem ar.
– O que você está fazendo aqui? – Olhei para Giovana que nos fitava como quem diz “Porque meu namorado está abraçando uma senhora?”
– Bom... – Minha mãe começa a dizer. – Quando Dionísio descobriu sobre você e seus amigos, ele endoidou.
Soltei um riso abafado.
– Então ele foi ao Olimpo e fez seu show de sempre. Percebemos que Apolo não estava lá e ficamos sabendo do sonho daquele menino... Matheus? – ela pergunta e assenti. – E foi ai que eu me ofereci pra vir ajuda-los.
– James? – Giovana se aproxima. – Quem é essa?
– Essa é...
– A mãe dele, Afrodite. – ela se levanta e estende sua mão para Giovana, que estava paralisada.
– P-prazer s-senhora. – Giovana tentava dizer. – Com licença.
Ela dá meia-volta e vai à procura de Beatriz.
– Ela é linda. – Minha mãe diz, com um sorriso enorme no rosto.
– Eu sei.
Ficamos em um silêncio constrangedor. A ultima vez que vira minha mãe, fora na batalha com Cronos, quando minha irmã Silena morreu.
– E então? – ela volta a dizer – porque estão numa loja de roupas?
Explico tudo. Deixei de fora o fato de que o Gordo Xexelento havia batido em minha namorada. Quando terminei de contar, ela sorri.
– Vocês querem ajuda? Sabe, pra escolher as roupas?
Assenti. Não era todo dia que a deusa do amor nos ajudava.
Ela se levantou e começou a caminhar.
– Mãe? – digo. Ela para e se vira. – Bem que podia me ajudar com Giovana, né?
Ela riu enquanto balançava a cabeça e foi ao encontro de Giovana.
Fiquei zanzando pela loja, até encontrar Matheus e Percy. Eles estavam conversando com uma atendente loira. Aproximei-me.
– Então, vocês querem virar meninas? – A atendente mordiscou o lábio inferior, segurando o riso.
– Não! – Matheus esbraveja. – Não é isso. Só queremos saber como as mu...
– Hey, meninos! Giovana está nos chamando! – menti e puxei-os pelo braço para um canto.
– Cadê ela? – Percy pergunta e dou um tapa de leve em sua cabeça. – Ai!
– O que vocês estavam fazendo? – pergunto.
– Estávamos apenas pedindo uma opinião feminina, oras. – Percy esfregava o cabelo, no local em que eu havia batido.
– Minha mãe está aqui.
Percy arregala os olhos e Matheus engasga. Não sei o porquê dá surpresa de Percy. Ele já a viu várias vezes.
Corri para onde Giovana estava, e a encontrei sentada numa cadeira junto com minha mãe enquanto elas riam e conversavam como se fossem amigas a tempo. No chão, encontravam-se seis sacos de viagem e algumas sacolas de roupa.
– Já podemos ir? — pergunto pigarreando e as duas rapidamente cessam a conversa e se levantam.
– Claro! Sua mãe nos ajudou com algumas coisas... – Ela sorri. — Cadê a Bêa? E o Loggie?
Olho para Percy, que assente e vai á procura dos dois.
– Quem é seu amigo, Jay? – Afrodite pergunta.
– M-matheus. – ele pragueja e estende as mãos. – Prazer!
– O prazer é todo meu, querido. – Eles se cumprimentam com o tradicional aperto de mão.
Após 5 longos minutos de um silêncio constrangedor, Percy, Bêa e Loggie aparecem.
– Podemos ir agora? – pergunto, relaxando meus músculos.
– Acho melhor vocês se trocarem aqui... – Beatriz diz.
Giovana e Minha mãe concordam e vamos para os provatórios.
A atendente loira nos acompanhou novamente. As meninas nos entregaram algumas sacolas e entramos no provador. Abri a sacola e ri. Havia uma peruca de cabelos cacheados na cor castanha, uma jaqueta preta, um Jeans e uma regata azul escuro. Elas só podiam estar brincando comigo!
Vesti-me sem dificuldade. Só me compliquei na hora de por os Jeans, porque estavam muitos apertados, mas fora isso, tudo certo.
Ouço um “Merda” vindo da cabine do lado e reconheço a voz de Percy. Sorri ao imaginar ele de menina.
– Eu odeio vocês! – disse num tom alto o suficiente para as meninas ouvirem.
– Já estão prontos? – Giovana pergunta e deduzo que ela se segurava para não rir.
– Sim! – respondemos em uníssono.
– Então saiam!
Ouvi a porta de uma cabine sendo aberta. Era a de Matheus. Depois a de Logan, a de Percy e então abri a minha.
Olhei para os meninos e comecei a rir sem parar. Matheus era ruivo, e usava uma regata branca com um colete preto por cima. Logan era moreno e usava um vestido vermelho. Percy era loiro – o que combinou com seus olhos — e usava uma blusa de botão amarela.
Olhei-me no espelho e descobri que não estava muito diferente deles.
– Estão lindas! – Beatriz recupera o ar e se controla para não rir novamente. – Até pareço um homem diante de vocês.
– Você não é! – esbravejo.
– Sério que vamos ter que ir assim? – Matheus pergunta desconfortável.
– Bom, eu posso dar uma ajudinha. – Minha mãe sorria.
Rapidamente entendemos o recado. Pegamos as sacolas e as bolsas de viagem e num piscar de olhos estávamos na Guess.
Estava com uma baita dor de cabeça. Já disse que odeio quando ela faz isso?
– Obrigado. – digo de olhos fechados na expectativa de amenizar a dor.
– Bom, acho que meu trabalho está feito aqui. – Afrodite sorri, satisfeita.
Ela se despede de todos e me dá um abraço apertado novamente. Depois desaparece deixando um rastro de poeira dourada.
– Sua mãe é tão... Uau! – Os olhos de Gio brilhavam.
– Estão prontos? – Matheus diz e todos nós assentimos.
Olhei para frente e vi os grandes portões pretos da escola. Caminhamos até a portaria.
– Pois não? – uma voz feminina disse no interfone.
Beatriz pigarra.
– Queremos nos matricular.
– Um minuto, por favor.
Ficamos em silêncio. Alguns minutos depois, a voz voltou a dizer.
– Nomes, por favor?
– Beatriz, Giovana... – ela começou a dizer, mas parou. HAVIAMOS SE ESQUECIDO DOS NOMES!
– Luana – Giovana aponta pro Logan. – Mayra – aponta pro Math. – Pattie – Aponta pra Percy e finalmente aponta pra mim. – Julia.
Julia? Sério?
– Tudo bem, vocês são maiores de idade?
Olhamos pro Matheus.
– Eu só faço 18 mês que vem! – ele levanta as mãos.
Giovana aperta os olhos e suspira.
– Não!
– Hum... Podem entrar. – Ouvimos o portão ser destrancado e entramos.
Passamos por uma espécie de parque, onde meninas de aproximadamente 10, 11 anos brincavam. Quando nos viram, ficaram nos fitando. Agradeci por elas não me fazerem usar um salto, pois o caminho de pedra era todo esburacado.
Depois de algum tempo andando, uma mulher que vestia um uniforme azul escuro parou á nossa frente.
– Beatriz, Giovana, Julia, Luana, Mayra e Pattie?
– Os próprios. – Matheus diz em uma voz fina e mordo o lábio inferior para conter o riso.
A mulher nos encarou por um tempo.
– Me acompanhem.
Acompanhamos a moça até uma sala que se encontrava perto dos banheiros e dos bebedouros. Uma menina loira bebia água. Sua pele era pálida e seus olhos eram cinzentos como os de Annabeth. Ela nos viu e sorriu gentilmente, acenando com a cabeça.
– Amanda! – uma menina de cabelos cacheados aparece em seu lado e puxa seu braço.
– Larissa! – A menina, Amanda a repreende e volta a nos olhar. A morena logo entende e sorri para nós. Devolvo o sorriso.
– Entrem. – A moça diz, abrindo a porta vermelha.
P.O.V Matheus (Vulgo Mayra)
Entramos um de cada vez e sentamos em um banco que estava no canto da sala. Não iriam caber todos, então eu e Percy ficamos de pé.
A cadeira que estava atrás da mesa virou-se e foi tipo aqueles filmes de espiões. Uma mulher com um cabelo acinzentado nos fitou. Seu óculo estava na ponta do nariz e ela rapidamente o levanta com o indicador.
– Olá crianças! – seu sorriso era assustador.
– Olá! – Beatriz diz, simpaticamente. Fiquei fitando o chão por um momento e nem ouvi mais o que se acontecia dentro da sala. Minha mente começou a trabalhar.
Aquela menina lá fora havia chamado sua amiga de Amanda? Será a nossa Amanda? Não! Claro que não. Existem milhares de Amandas espalhadas pelo mundo. E qualquer uma podia ser a nossa. Inclusive aquela.
Sou tirado de meus devaneios quando ouço a velha dizer.
– Desculpe, mas se não tiver um adulto responsáveis por vocês, não poderão ficar na minha escola.
O que? Eu tinha me trocado, virado mulher, trocado meu nome pra Mayra para aquela velha dizer que não podíamos estudar lá? Estralo meus dedos e ouço James sussurrar “Deixa comigo”.
Ele se levanta rapidamente e se aproxima da mesa da velha. Apoia as mãos na mesa e aproxima seu rosto com o da mulher. Ele olha nos olhos dela e sussurra:
– Acho que tem algo errado. Poderia nos arrumar uma vaga aqui? – ele afina um pouco a voz. A mulher ainda o fitava confusa e depois de um tempo voltou a mexer no computador.
– Você tem razão! Eu estava errada. Então, as seis vão se matricular? – ela diz e James nos olha, orgulhoso.
– Sim, nós seis. – Ele volta a encará-la. – Se for possível podemos ficar no mesmo corredor que a Amanda Becker?
A mulher se confunde novamente e assente. Pega algo em uma gaveta em sua mesa e entrega a James. Ele se vira para nós e sorri vitorioso. Levanta a mão e deixa visível um chaveiro que continha 4 chaves.
Levantamo-nos e saímos da sala. Fomos guiados pelas “plaquinhas” que indicavam tudo. Chegamos ao corredor de nossos quartos e me aproximei de uma porta. Tinha um tablet em cada porta com os nomes das estudantes. Li em um: Pattie e Larissa. Cutuco o Percy e ele sorri.
– Até mais! – ele entra no quarto. Vou lendo um por um.
Logan ficou com a Bêa e antes deles entrarem, deram um beijo rápido.
– Eu beijei uma garota. – Beatriz diz nos fazendo rir. Eles entram em seu quarto rapidamente.
Giovana e James. Eles sorriem e entram no quarto rapidamente.
Por fim, leio meu nome – Matheus vulgo Mayra – em uma porta e entro.
Vejo uma menina apenas com um short e um sutiã deitada na cama. Meu rosto corou. Era a Amanda que havíamos visto no bebedouro.
Ela me vê e se levanta rapidamente.
– Olá! – ela sorri.
– Oi. – digo sem graça. Estendo minha mão. – Mayra Parker.
– Amanda Becker. – Ela aperta minha mão. Havia achado nossa Amanda.
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