With Me

2 Capítulo 2


Notas iniciais
That's it! Segundo capítulo, espero que gostem :)

DPOV


– Você não apareceu... E eu passei a noite no cemitério, pensando que algo tinha acontecido com você... Mas então na manhã seguinte você foi atrás de mim e me disse... todas aquelas coisas – falei, balançando a cabeça em uma tentativa estúpida de espantar todas aquelas lembranças, dolorosas demais para serem verbalizadas. – Eu não quis acreditar, eu me recusava! Mas você foi embora, sem mais nem uma palavra, e... No dia seguinte, você se casou, e tudo estava perdido. E menos de duas semanas depois... – Eu não podia mais continuar. Tinha passado tanto tempo sem falar, ou ao menos pensar sobre isso, e agora não estava pronto para me lembrar de como tinha sido ter de encarar a destruição de tudo o que era mais importante para mim.


– Era tudo mentira... Eu menti Damon! – disse, abraçando seus joelhos como costumava fazer quando ficava desolada. – Eles me fizeram dizer aquilo! Eu não queria.

– Eles quem Charlie?

– O conselho, meus pais... Todos eles... – exclamou entre lágrimas e soluços que agora vinham sem parar. – George me viu sair naquela noite. Ele me seguiu e nos ouviu dizer que estávamos deixando a cidade. Depois que você entrou, ele me agarrou na floresta. Estava furioso, e me levou até meu pai, que por sua vez chamou todos os outros. Eu não entendi por que isso devia respeito a eles! Que diferença faria se eu ficava ou se iria embora?! Eu não entendo...

“Ainda era noite quando seu pai decidiu que me manter trancada na casa dos Lockwood até o casamento era a melhor opção. Mas Jonathan convenceu o conselho de que, pelo bem da sua sanidade, eu deveria encontrá-lo, e me despedir. Mas nenhuma daquelas palavras era minha, realmente. Foi só um texto, decorado e bem interpretado... Eu não queria dizer nada daquilo, eu não queria! George me levou até o cemitério, e depois me arrastou para sua casa. Eu me casei algumas horas depois, mas era visível para qualquer um que quisesse ver o quão infeliz eu estava... Mas é claro que nenhum deles queria ver... Durante toda a primeira semana, eu não dei sossego a eles... Tentei fugir diversas vezes, mas nunca ia mais longe do que os limites do jardim dos fundos. Meus pais se preocupavam com a possível anulação do casamento se este não fosse consumado logo, mas George nunca se mostrava impaciente comigo. Ele era sempre amável, gentil, e nunca perdera a paciência comigo, mesmo quando eu era tão rude...

“Bom, até o mais paciente dos homens tem um estopim, e... Não houve nada que eu pudesse ter feito para impedir. Ele estava diferente, nervoso, impaciente. Queria filhos, herdeiros, e queria logo! Eu não aguentava mais. Chorava todas as noites e era... Argh!

"Então eu tentei novamente. Daquela vez, meu plano tinha tudo para dar certo. Estávamos sozinhos em casa, os empregados já dormiam e George estava deveras bêbado para conseguir correr atrás de mim.
Cheguei mais longe dessa vez, mas não o suficiente... Era tarde da noite e não havia viva alma na rua para quem eu pudesse pedir por socorro enquanto ele vinha atrás de mim, tomado pela fúria, aumentada pelo álcool... Entrei na floresta, lutando para relembrar nossos atalhos e trilhas, porque eu sabia que se chegasse até você... Sabia que me protegeria." disse com um sorriso doce e sereno.

– Mas George era mais rápido, e mais forte, eu não podia correr dele, e quando me alcançou...

“Eu não me lembro do que aconteceu exatamente. Só o que me lembro é de acordar novamente em meu quarto, confusa, com uma dor de cabeça terrível e muita, muita fome...”

– O que aconteceu? E-eu não entendo... – falei, me virando para olhá-la, completamente confuso com a história que contava. Isso explicava como ela morrera, mas não como acordara, em transição.

– Minha mãe era uma mulher inteligente – disse. – Esperta o suficiente para saber os perigos de viver em uma cidade cheia de vampiros. E, apesar de tudo, ela prezava pela família, ou pelo menos foi do que tentou me convencer... Ela acrescentava uma pequena quantidade de sangue de vampiro nas tortas que levava para mim todos os dias, e quando acordei, ela me obrigou a me alimentar – explicou, desviando seu olhar para o chão, acompanhando com os olhos os padrões dos veios na madeira do taco em um ato nervoso e desconfortável. – Ela pretendia que ninguém soubesse. George se sentia arrependido o suficiente para guardar esse segredo, mas meu pai e os membros do conselho descobriram e insistiram que eu deveria morrer...

“Particularmente, eu concordava. Minha vida tinha se tornado um verdadeiro inferno. Eles não me deixariam ver você, nem me aproximar de novo, e se tudo se resumisse à solidão e sede, então morrer era minha melhor opção... Mas minha mãe não deixou que fizessem isso. Ela procurou uma bruxa, e conseguiu convencê-la a fazer um feitiço que me deixaria adormecida, apenas por um algum tempo... Eu ainda estaria viva, só... dormindo.”

– Eles a enterraram, como se estivesse realmente morta, e depois a esqueceram, como se nunca tivesse existido... Mas você acordou, e está aqui agora – interrompi, fazendo com que voltasse sua atenção se voltasse para mim novamente. Charlie assentiu, calmamente, os olhos ainda baixos, como se isso a deixasse triste, magoada com as pessoas que pensara que a amavam.

– Há quanto tempo acordou? – perguntei, terminando de entornar minha bebida. Charlotte fez o mesmo, mas com uma careta no final que me fez rir.

– Umas... Três horas, no máximo – respondeu simplesmente. – Tudo é tão estranho! A cidade cresceu tanto. Há... carros! É assim que se fala? E, quando as mulheres começaram a usar roupa intima para sair na rua?! – exclamou, dessa vez me fazendo rir de verdade. – É verdade! Encontrei isso em um dos quartos, e mal pude acreditar! Eu fiquei tão perdida, sua casa está em ruínas, eu não sabia por onde começar a procurar, nem o que fazer. Só cheguei até aqui por que duas garotas me disseram onde os Salvatore moravam. Na verdade, eu nem sabia se estavam vivos! Eu não sabia nem em que ano estávamos, e...

– Tudo bem, deve ser... Bem estranho, ver tudo assim tão mudado!

– Sabe o que é ainda mais estranho? O modo como aquela garota, Elena, agiu há pouco! – disse, sem esperar por uma resposta, mostrando que queria ir direto ao ponto. – E você não querer me dizer o porquê daquilo...

– Não é que eu não queira, é só que... É complicado – hesitei. Como eu podia dizer a ela o que acontecia entre Elena e eu? Ou ainda, o que acontecia entre Elena, Stefan, e eu? E ela ainda não sabia sobre Katherine, nem nada do que tinha acontecido nos anos que seguiram 1860.

– Ah, eu... Já entendi. – disse, desviando seu olhar para mim e depois baixando completamente a cabeça, agora sem fazer nada, apenas encarando o chão, sua expressão completamente compreensiva. – O fato de eu ter passado os últimos 150 anos morta em um caixão não quer dizer que você também tenha passado não é mesmo?

– Não, Charlie...

– Damon, tudo bem! Eu entendo que você tenha mudado, quer dizer... Você parece mais velho do que da ultima vez que eu te vi, quantos anos tinha quando...?

– Vinte e quatro. – respondi, entendendo rapidamente o que queria dizer.

– Viu? Eu entendo que nesse tempo você tenha... Me superado, esquecido... Você continuou vivendo, e é perfeitamente compreensível! – tagarelou, sua voz suave realmente trazendo compreensão e carinho, sem parecer esperar retribuição.

– Charlie eu... – murmurei, mas eu não sabia o que dizer. Ela tinha feito as suposições mais óbvias, mas que não podiam ser mais erradas! Eu não tinha simplesmente... Esquecido. Eu a amava de verdade, e amei, durante todo esse tempo! Então, por que eu não conseguia dizer nada disso agora?

– Damon, pode me explicar por que Elena entrou furiosa no Grill, bradando sobre uma, vadia loira? – ouvi Stefan dizer, o humor tingindo sua voz enquanto ele entrava na sala.

– Ah, Stefan, você se lembra...

– Char?! – Stefan me interrompeu, sua expressão congelada em uma felicidade autêntica e surpresa enquanto ele entrava no cômodo e vinha se postar à nossa frente.

– STEFAN! – exclamou ela, se levantando e correndo para abraçá-lo, nossa conversa momentaneamente esquecida. – Quando foi que ficou maior do que eu? – disse, sorrindo para ele, as lágrimas abandonando completamente seus olhos, substituídas por um sorriso que parecia não caber no rosto.

Ela sempre tinha sido ótima em esconder suas emoções, e uma mentirosa excepcional, então o animo com que olhava para Stefan, pouco mais de um palmo mais alto que ela, não me espantava nem um pouco.

– Quantos anos tem? Quer dizer... Você me entendeu!

– Dezessete. E você... Continua linda! Mas... Como foi que se transformou? Todos pensamos que tinha morrido! E Damon...

– Damon pode te explicar tudo. Eu estou cansada, preciso dormir um pouco... – disse, pegando um par de botas pretas de salto baixo perto do sofá que também pertenciam à Elena. – Diga a Elena que sinto muito por toda a confusão. Passo aqui mais tarde para dar um oi. Ou não... – disse, andando até o hall e abrindo a porta. Corri atrás dela, segurando seu braço enquanto descia as escadas da varanda.

– Vai me deixar de novo? – perguntei, forçando-a a se virar para me encarar.

– Você não sabe como se sentir, nem o que dizer. Precisa de um tempo para pensar, e como eu já disse, é perfeitamente compreensível. Mas enquanto isso, eu não posso ficar aqui – respondeu, me lançando um olhar gentil, mas decidido.

– E para onde vai?

– Eu não sei! Para casa, eu acho...

– A mansão dos Fell foi destruída... Charlie, você não tem para onde ir...

– Mas não posso ficar aqui! Damon, por favor... Precisa me deixar ir – pediu, a voz suplicante, os olhos marejados, como se ela simplesmente não pudesse mais aguentar aquilo.

Isso foi demais para mim. Se era o que ela queria, então eu não podia fazer nada se não soltar seu braço, e deixá-la desaparecer, correndo em um ritmo humano pela calçada...

Notas finais
E entãaao? O que estão achando? Reviews, por favor!