Witch Hunt
3 Witch Hunt - Happy End
Notas iniciais
"Você tem apenas hoje para decidir de que lado está, ou então a própria igreja vai intervir nesse seu "romance"
As palavras de Miku não saiam de sua cabeça. Gakupo estava com a cabeça e com o coração dividido. Já tinha aceitado que Luka era uma bruxa, mas não sabia o que fazer sobre isso. Valeria o esforço acreditar que seu amor por ela era magia negra? Não, não valia. Teria que conversar com ela primeiro, apesar de ser uma idéia tão genuína.
— Desculpe o atraso. — Disse constrangido ao chegar no centro, vendo a jovem bruxa lhe esperar sentada na borda do chafariz em que se conheceram. — Acabei me perdendo com o relógio.
— Tudo bem, eu não estava esperando a tanto tempo. — Sorriu ao se levantar, andando animadamente em direção a ele. — Então, que lugar vai me mostrar hoje?
— O castelo. — Como sempre fazia, ofereceu seu braço a rosada que não tardou em aceitar.
Estava sem saber o que dizer e nem sabia como iniciar algum assunto. Felizmente conseguiu esconder o seu desconforto de Luka, ou pelo menos acha que escondeu. O importante é que ela não lhe perguntou sobre. Agradeceu mentalmente por isso, pois não demorou muito e ele pode escutar a mesma começar a cantarolar baixinho. Já conheceu várias garotas que cantavam bem, mas nenhuma se comparava a ela. Abriu um pequeno sorriso.
— Bem-vinda ao meu lar. — Assim que abriu a porta, o queixo de Luka novamente caiu. Era tão grande quanto o jardim. Havia várias pinturas nas paredes. Grandes janelas e cortinas de carmesim para combinar com os tapetes.
— É tão grande... Quantas pessoas vivem aqui? — Pergunto surpresa enquanto olhava a sua volta. Tinha tantas portas imensas, se perguntou quantos cômodos ali existiam.
— Inexplicavelmente apenas eu e meu pai. — Suspirou. — A dos cômodos que tem aqui são quartos de hóspedes. O restante são mais salões, sendo que o maior deles e mais usado é esse. — Em seguida, abriu a porta que estava na frente dos dois.
— Vocês realmente não economizaram espaço. — Comentou enquanto piscava algumas vezes para ter certeza que não estava sonhando.
— De fato. — Riu sozinho, dando os ombros. Estava começando a se acalmar em relação às palavras de Miku. Luka não parecia ser cruel como ela havia dito. Na realidade não tinha acredito bem nisso, apenas que ela é uma bruxa. — Teremos um baile hoje, você gostaria de vir?
— E-eu?! — Perguntou surpresa, o vendo assentir com a cabeça. — Melhor não, nem roupa para isso eu tenho... — Desviou o olhar.
— Seu vestido preto serve. Não vai ser um baile com motivos tão importantes, meu pai apenas quer fazer algumas trocas com reinos vizinhos. — Explicou enquanto gesticulava minimamente, tentando mostrar como realmente não era nada demais.
Mesmo com receio, Luka acabou aceitando. Gakupo decidiu que conversaria com ela sobre isso no baile – Quando estivessem a sós, claro.
Os dois acabaram por ficarem conversando no jardim. Coisas banais, nada de tão estressante. Isso bom para Gakupo, aquele clima tenso que estava sentindo pareceu simplesmente evaporar. Quando deu seis da tarde eles acabaram tendo que se despedir. Uma das criadas avisou que Gakupo tinha que se arrumar para o baile – que seria as 8 da noite – e Luka acabou voltando para casa.
[...]
Chegando ao baile, Luka ficou mais encantada ainda. O castelo estava todo aceso e a decoração era belíssima. Carruagens iam e vinham, saindo delas garotas deslumbrantes. Felizmente os vestidos delas não eram exagerados, ou então ela provavelmente ia se sentir um incômodo.
Encontrou Gakupo na frente do castelo, que assim que a viu logo abriu um sorriso.
— Está atrasada. — Riu, segurando delicadamente a sua mão.
— Olha quem fala... — Revirou os olhos, mas riu em seguida. Gentilmente, Gakupo começou a puxá-la para o salão que havia conhecido mais cedo. Vários casais já dançavam por la, e isso a desesperou ao notar as intenções do arroxeado. — Gakupo, eu não sei dançar.
— Não se preocupe, irei guiar você.
Em seguida, se posicionaram no centro do salão. Uma das mãos de Gakupo foram a cintura da rosada, fazendo a mesma corar com o seu toque. A outra segurava delicadamente a sua mão livre, pois a outra estava em seu ombro. Gakupo deu o primeiro passo, e não demorou para Luka pegar o jeito com a melodia, começando a dançar sem tanto auxílio do mesmo.
Aos poucos a música foi parando para o anúncio do jantar. Gakupo ia levar Luka a mesa, mas ela acabou parando abruptamente no meio do caminho e segurando com força a mão de Gakupo para não se afastar.
— Algum problema? — Pergunto confuso de cenho franzido.
— Não, só... — Soltou um pesado suspiro. — Eu... — Sentia as palavras presas em sua garganta, então apenas engoliu um seco. — Preciso te contar uma coisa. Duas, na verdade.
— Ahn? Então conte. — Se colocou na frente dela, encarando atentamente seus orbes róseos.
— Mas não aqui. — Completou largando as mãos deles, logo apertando com força e,às atras da costa. — Pode me levar a algum lugar em que possamos ficar sozinhos? — Os olhares de outras garotas já estavam a deixando meio perturbada. Sentia que elas ficavam julgando-a mentalmente.
— Claro! — Disse prontamente, percebendo que aquela era a chance perfeita. — Eu também quero falar a sós com você.
Após isso, começou a guiá-la pelo castelo, chegando até um tipo de porta dos fundos que dava ao jardim. Como a área que normalmente ficavam estava meio longe, se sentaram num banco de mármore que estava por ali.
— É uma coisa muito importante, mas decidi que você merecia saber. — Disse olhando para baixo, não tendo coragem de olhar nos olhos dele. — Argh, não sei como falar isso! — Resmungou, fechando os olhos com força. Suspirou novamente, unindo as mãos. — Por favor, não se assuste. Nunca faria nenhum mal a você. — Em seguida, uma chama começou a sair de suas mãos. — Sou uma bruxa... — Murmurou num tom quase inaudível.
Gakupo, que antes estava boquiaberto, apenas deu um pequeno sorriso. Luka tinha sido sincera com ele, não escondendo a sua verdadeira... Raça? Não, ela não era de outra raça. Era uma pessoa como ele. Assim que as chamas se desfizeram, a puxou para um abraço que acabou a surpreendendo.
— Não... Não está com raiva? — Perguntou confusa, apesar de continuar com medo por ter-lhe contado isso.
— Eu já sabia. — Disse tranquilamente, ouvindo ela lhe questionar nervosa. — Uma noviça me falou, ela andou observando você. Não faço a mínima idéia. — Respondeu assim que ouviu a mesma perguntar baixinho o por quê. — Ela disse que você estava usando a bruxaria para fazer eu me apaixonar por você.
Luka arregalou os olhos por um segundo, sentindo seu coração acelerar novamente. Se manteve imóvel, tentando digerir melhor o que havia acabado de ouvir.
— Você... Me ama? — Perguntou em seu ouvido, ficando ainda incerta sobre aquilo. Tinha quase certeza que ele iria tentar matá-la só por saber ser uma bruxa. Essa situação está bem diferente de sua simulação.
— Sim, estava querendo apenas ter certeza absoluta de que as palavras de quem me contou estar enfeitiçado serem mentiras sujas. — Deu um risinho sem humor, colocando seu queixo no ombro de Luka.
— Eu... — Sentiu Gakupo lhe soltar do abraço, a encarando ansioso pela resposta. — Eu também te amo... — Disse baixinho, voltando a olhar para o chão enquanto sentia as suas bochechas pegarem fogo. Por sorte não foi literalmente, já que quando descontrolava seus poderes isso acontecia as vezes.
Sem tempo para saber o que falar, Gakupo apenas a puxou para um beijo. No início foi apenas um encostar de lábios, mas logo pediu passagem com a língua. Não demorou muito e ela foi concedida. Suas línguas estavam em perfeita sincronia, era como se estivessem dançando naquele salão. Uma dança sem passos definidos, mas que satisfazia os dois.
— Você merece mais que isso. — Disse ao separar do beijo com os pulmões implorando por ar. — Não sou boa para você. Se a noviça que te falou sabe disso, mandaria me matarem assim que eu aparecesse por lá novamente. Minha vida deixou de ser aqui.
— Então eu irei com você para onde ela for. — Deu os ombros.
— Você não está falando em...
— Fugir com você? — A cortou, erguendo uma sobrancelha. — Sim, eu estou. Eles não te aceitam como bruxa, mas eu sim.
Luka soltou um suspiro, mas logo abraçou a sua cintura e escondeu o rosto em suas vestes.
— Não quero te causar problemas...
— Você não vai. — Estalou a língua, erguendo a cabeça da mesma colocando dois dedos em seu queixo, olhando nos seus olhos. — Eu posso até ter 100 problemas, mas você nunca será um deles.
Suas bochechas ruborizaram novamente. Desviar o olhar era inútil, então pode apenas assentir com a cabeça.
Para onde iriam não importava, apenas estavam em busca de um lugar em que aquele romance deixasse de ser proibido."
— E foi assim que o papai e a mamãe ficaram juntos. — Disse Gakupo ao garoto de 6 anos no seu colo.
— Você não cansa de contar essa história, não? — Ambos puderam escutar uma voz feminina na porta. Era Luka. A mesma soltou um riso abafado e se aproximou dos dois. — Vai acabar o cansando da história. — Disse se referindo ao mais novo.
— Não vou não! É uma história legal. — Disse risonho, se deitando sobre o colo do pai ainda meio elétrico.
— Tudo bem, mas é hora de dormir. — Deu um beijo silencioso na testa do menor, logo apagando a luz do quarto num estalar dos dedos. Literalmente.
— Mas não estou com sono... — Choramingou, fazendo um beicinho.
— Sua mãe está certa, Yuma. — Gakupo acariciou a sua cabeça, logo se levantando e o ajeitando na cama. O pequeno, Yuma, soltou um suspiro derrotado e se cobriu com o cobertor.
— Boa noite — Disseram Luka e Gakupo em uníssono, esperando a resposta do mesmo para poderem sair do quarto.
— Sabe — A rosada chamou a sua atenção. — Faz um tempo que o Yuma me pediu uma irmãzinha... — Soltou um curto riso malicioso.
— Me pergunto o que aconteceu com aquela garota tímida e indefesa. — Disse sarcasticamente, roubando um beijo apaixonado da mesma.
— Ah, ela ficou naquele reino. — Retrucou, fechando a porta do quarto ao entrarem para que Yuma não escutasse mais do que devia.
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