Wishes And Dreams
43 Capítulo 43 Everything About You!?
Notas iniciais
Ok, parei, boa leitura deusas ;D
Meus olhos estavam ficando embaçados, não queria chorar, mas sabia que era inevitável, principalmente quando seu mundo começa a desabar bem na sua frente. Eu não sabia para onde estava indo, e no começo realmente achei que não faria diferença, mas agora estava começando a me assustar. Era cedo, mas onde eu estava parecia que não era atingido pela luz do sol, era uma rua escura, deserta, exceto por uma casinha mal acabada no meio do nada, que deveria servir de moradia para os sem teto, e um lugar estranho, que por fora aparentava abandonado, e esse seria o veredicto se não houvesse carros estacionados do lado de fora. Aquele lugar me deu arrepios assim que o avistei. Era uma pequena estalagem, diria que de madeira, mas não acho que teria sobrevivido intacta às tempestades se essa fosse sua base, por tanto devia ser algum tijolo fajuto. As luzes estavam todas apagadas, ou melhor, as janelas e a porta estavam cobertas por uma lona preta, provavelmente para espantar pessoas curiosas e indesejadas como eu. O pior não era isso, o pior é que não dava para saber o que era aquele lugar, muito menos quem o freqüentava, pois, por mais que sua aparência fosse sombria, os carros estacionados variavam muito, tanto de preço quanto de qualidade. Não sabia se era o certo a fazer, mas de repente uma onda de curiosidade e raiva me tomou e eu decidi estacionar. Afinal o que poderia me acontecer? Eles me roubarem? Me seqüestrarem? Se o que quiserem for dinheiro, duvido que vão conseguir muito vindo de mim. Se quiserem meu corpo... Ah, quem vai querer meu corpo? Mano, se eu fui trocada por uma tabua, sem duvidaé porque a coisa esta precária aqui.
Enfim, não custava nada arriscar e dependendo eu até poderia fazer alguns amiguinhos... Ok, isso não, mas... Ok, calei a boca. Estacionei o carro, peguei minha bolsa e de repente arrependi-me de ter descido. Eu poderia falar o que for. Fingir que sou forte e destemida, mas a verdade é que estou morrendo de medo e me sentindo a maior cuzona. Mas agora estou aqui, e só me resta entrar. Para adentrar o local era preciso subir dois degraus, e assim que coloquei meus pés neles, os mesmos rangeram. Se eu fiquei assustada? Imagina! O pior parecia estar por vim. Havia de tudo naquele chão de madeira velho e acabado, desde roupas, acessórios e animais, até... Sangue? Sim, sem duvidas, até sangue. O cheiro provindo daquele lugar me dava dor de cabeça, mas era uma dor de cabeça melhor do que a que eu estava agora pouco, era algo que apesar de me deixar tonta no inicio, eu já estava me adaptando. Então, ao invés de ficar parada ao pé da escada resolvi entrar, e o barulho que meus sapatos proporcionavam me deixava ainda mais assustada, eles arrastavam ao chão, que em resposta, rangia e tremia. Aquele lugar não tinha jeito de ser seguro, ah isso nem um pouco, e também não parecia ser conhecido por muitos... Também, quem é o idiota que ruma para uma rua desconhecida,que nem se quer consta no mapa, e que para o GP’s é coberta de mato? Meus dedos estavam trêmulos quando resolvi girar a maçaneta, mas fingi não me importar. Assim que abri a porta, um bafo quente e fedorento me atingiu, era bem pior do que o de fora, e ardia meus olhos. Quando consegui enfim secá-los e me acostumar um pouco com o odor, percebi que ali, eu era o centro das atenções, e não era algo que eu pretendia. Apenas homens e bebidas, era isso que tinha ali. Poderia dizer que era um bar de estrada aquilo, e de fato era o que parecia. Passei os olhos pelo local, e apenas o que encontrei foram: um canto com pedaços de madeira provavelmente provindos da quebra de alguns móveis em alguma briga; pequenas mesas redondas imundas e cobertas de cervejas; homens de todo o tipo, baixos, altos, magrelos, gordos, loiros, morenos, ruivos, trajes sofisticados e largados, mas todos com um copo de bebida na mão e provavelmente tentando se afogar em suas magoas, em seus conflitos internos, em sua vida mal determinada. Ficava claro que independente da classe, todos ali procuravam na bebida algo que não encontravam em suas vidas, e em seus olhos era possível ver a raiva, a angustia, a tristeza e a desilusão através da vermelhidão. Tudo parecia tão assustador e sombrio naquele local, principalmente pelo balconista velho e sujo que me olhava como se fosse me devorar. Em um canto daquele local, dois homens começaram a discutir, mas parecia que ninguém dava muita importância, pareciam todos acostumados com aquilo, menos eu... Olhando bem para aqueles dois homens, eu poderia jurar que reconhecia um deles. Aquele garoto, o do capuz preto que no dia do acidente perseguia a mim e a Anna. Não deixaria de reconhecer aquela boca e aquele jeito, aquela voz que agora mais rouca devido à bebida, e aqueles olhos que eu tivera a chance de ver da ultima vez... Esses transbordavam de raiva. Quem é ele? Quem é o garoto do capuz que nem ao menos sei o nome, que apenas sei ser o causador de parcialmente tudo o que me aconteceu desde que decidiu me perseguir. (http://www.miolao.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/001.jpg)
Precisava saber mais sobre este cara, o que ele queria de mim aquela noite, pois sinceramente, se ele quisesse apenas meu dinheiro ou meu carro poderia ter simplesmente pegado, mas ele me conhecia, e agora eu precisava saber quem ele era, como sabia sobre mim, e se ainda se lembrava do que me fez, e para isso, precisava que ele sobrevivesse, e não havia outra forma de fazer isso se não me intrometer.
- Er, com licença... – disse baixo, e percebi que minha voz estava tremula, ela mostrava o quanto estava com medo. Se quisesse mesmo alguma informação iria precisar melhorar meu teatro. – Hey, por favor, largue ele! – gritei. Mas apenas o que consegui foi dois olhares furiosos em cima de mim.
- Quem é essa, Andrew? – o homem barbudo que tinha suas mãos no pescoço do garoto do capuz perguntou. Andrew, então esse era seu nome... O garoto me observou confuso, a principio achei que havia me reconhecido, depois percebi que ele estava apenas avaliando suas oportunidades de se safar dessa... Ele não poderia simplesmente estragar tudo, então eu resolvi falar.
- Sou a prima dele, e sei que ele deve ter feito algo muito sério, e realmente entendo isso, mas preciso dele para ir embora, então, será que pode liberá-lo somente enquanto eu estiver aqui? – perguntei educadamente enquanto os dois avaliavam minhas palavras.
- Ok, mas olha aqui Andrew, da próxima tu não me escapa, quero o dinheiro, e é bom você ter ele na próxima, se não, não haverá prima que o salve. – o velho diz e Andrew revira os olhos. – Ótimo! – diz largando o garoto no chão e dando meia volta.
- Porque fez isso? – perguntou o garoto que agora, avaliando-o de perto, aparentava pouco mais de 17 anos. Ele tinha a testa ainda enrugada, e me observava como se eu fosse um bicho de sete cabeças. Seus olhos eram castanhos, mas agora estavam muito vermelhos, e eu poderia dizer que era devido à bebida. Ele tinha a barba por fazer e fedia álcool. Aposto como se eu riscasse um fósforo em qualquer lugar daquela espelunca, tudo pegava fogo. Ele me olhava ainda curioso, eu não havia respondido a sua pergunta.
Seus cabelos tinham um tom castanho bem claro, quase loiro, e estava sujo, assim como todo ele. Suas roupas imundas e em suas mãos apenas um copo de qualquer coisa que acabara de pegar com o balconista esquisito.
- Só acho que poderia me agradecer já que se eu não tivesse feito isso você deveria estar a essa altura em algum lugar bem longe daqui... – disse ríspida, mas sem desviar os olhos do garoto que deu início a toda a parte ruim da minha vida, ou boa parte dela. Mas ele não me reconhecia, não mesmo.
- Não precisava de você, estava prestes a escapar. – disse virando um copo e batendo-o em seguida na mesa.
- Claro, me lembrarei disso, mas pelo que percebi, não o fez e agora me deve uma.
- Deve uma o que? Eu não pedi sua ajuda, portanto não devo nada! – disse ríspido e eu apenas sorri.
- Tudo bem... – digo e viro-me para o outro lado.
- Você não me parece estranha... – diz serio, e percebo seu olhar em cima de mim. Sera que... Droga! – Você não é a menina do... – ele para tentando se lembrar. Do show? Não! Não fui eu quem você perseguiu. – Ah, lembrei! Do posto de gasolina! – diz completando a frase. O olho um tanto confusa, e reviro os olhos. – Ta, talvez não seja de lá, mas sinto que te conheço...
- Que bom, deve ser algum favor que me devia e não cumpriu. – fingi uma risada, mas ele não viu graça, nem eu. — Tanto faz! – dou de ombros. Vejo que ele esta ficando tonto, acho que o suficiente para eu conseguir algumas respostas, então arrisco algo simples. – E então, Andrew, devendo muito? – pergunto lembrando-me do que o barbudo dissera há pouco.
- Que nada, esse povo imbecil que cobra o que não deve... Não me lembro de dizer meu nome a você... – diz estreitando os olhos.
- E não disse. – afirmo com a cabeça, e o vejo passar a mão pelo bolso, provavelmente atrás de sua arma, a qual, por um acaso, ainda está caída no canto do bar, devido à briga, ou coisa assim. – Fica tranqüilo, seu amigo barbudo que disse, e digamos que eu tenho uma memória muito boa. Me lembro de fatos e detalhes que raramente alguém lembraria. – digo agora forçando a barra. Estou disposta a sair daqui com respostas.
- Hum... – foi tudo o que saiu de seus lábios.
- Mas com o que você trabalha para ter tanta gente te pressionando? – pergunto fingindo estar distraída com minhas cutículas.
- Porque o interesse? – perguntou desconfiado.
- Ah, nada. É só que... Cá entre nós, se tu trabalha para alguém, sinto lhe informar, mas acho que não é bem remunerado. – Digo olhando suas roupas e barba por fazer.
- Digamos que eu receba de acordo com o plano. Se tudo der errado... Fodeu! E minhas ultimas encomendas não foram bem sucedidas. Todos “escaparam” por entre os dedos, por assim dizer. – disse bravo.
- E é por isso que você fica mofando aqui nesse lugar ridículo, e bebendo sem fim? – perguntei sarcástica.
- Talvez... – deu de ombros virando outro copo da bebida mais forte vendida.
Meu celular começou a tocar, eu sabia que ainda não havia feito nenhum progresso e de repente, comecei a sentir raiva.
- Não vai atender? – perguntou Andrew com a voz embargada.
- Não é importante. – digo finalizando a chamada de minha mãe. Provavelmente querendo dinheiro.
- Não parece que só eu fujo de algo por aqui hein... — zombou.
- Digamos que quem está me enchendo o saco é a mesma pessoa que só me liga para uma coisa: PEDIR DINHEIRO. – disse séria e revirei os olhos. Andrew de repente parece se lembrar de algo, pois deu um salto da cadeira e olhou espantado para o relógio.
- Que horas são? – perguntou incapaz de diferenciar os ponteiros.
- 12h? – arrisco e ele se espanta.
- Puta que pariu, ele vai me matar! – resmunga e resolvo provocar.
- Atrasado para um almoço romântico? – ele revira os olhos. – Se quiser posso te dar uma carona, estou de carro. – ofereço e ele aceita de imediato.
- É bom você ser muito boa no volante.
- Você nem imagina... – zombo
[...]
Não tirei o pé do acelerador desde o minuto em que entrei na pista, desviando dos carros como nunca, e nem sabia como. Andrew pediu que o deixasse em um casebre e assim o fiz, mas me assustei ao ver que quem quer que ele estivesse que encontrar, já o esperava, e o carro ao lado de fora não me era estranho, muito menos os homens que o cercava... Fortes, diferentes etnias, todos de preto e uma tatuagem no braço esquerdo. Andrew desceu ás pressas e sem olhar para trás pisei no acelerador e sai dali, tentando recordar de onde conhecia aquele carro e aqueles homens tatuados...
Precisava sair e ocupar a cabeça, ou acho que ficaria louca. Não sabia o que fazer, era muita informação e pouca digestão, então tudo acabava ficando acumulado e me pressionando. Não podia ir para casa, afinal, não tinha casa. Não tinha mais Jullie, Anna não volta tão cedo para casa, Justin... Bom, não sei á quem recorrer, as meninas estão no Brasil, Maria disse que viria, mas não é já, nem muito menos agora... Ally! Bom, ao menos que ela esteja com Ryan, acho que ela poderia me fazer companhia.
- Alice? – uma voz feminina perguntou do outro lado da linha.
- Hey Ally! Tudo bom? – perguntei colocando o telefone entre minha orelha e os ombros.
- Sim sumida, e você? – indagou. E eu? Minha vontade era de responder, nem eu sei, mas na verdade eu acho que não estava bem, mas afinal, para que eu direi isso? Preocupar minha amiga? Ah não, obrigada!
- Indo... E então está muito ocupada? — perguntei parando no semáforo.
- Não, na verdade não mesmo. – riu e eu ri sem animo.
- Quer dar uma volta? Você manda onde. – disse acelerando o carro no semáforo que havia ficado verde, antes que os carros começassem a buzinar.
- Nossa, perfeito! Estava precisando fazer umas comprinhas, logo, logo minhas aulas começam e preciso comprar o material.
- Ok, eu vou passar no hotel para me trocar e passo aí umas 15h, pode ser?
- Pode sim, sabe onde estou morando, né? – perguntou.
- Não, mas me manda o endereço por SMS que chego ai rapidinho. – brinquei.
- OK, beijos. – disse e finalizei a ligação.
Agora precisava me arrumar, colocar um sorriso no rosto e tentar passar pelo pente fino que Ally faria sobre mim em busca de “coisas estranhas”. Ainda tinha pelo menos umas 2h e sinceramente estava precisando dormir, estava simplesmente exausta. Acho que um cochilo já seria de alto ajuda, mas aqueles homens, aquela tatuagem, não saiam de minha cabeça, era impossível, eu tinha de me lembrar de onde os conhecia... Droga Alice, pense! E como num lampejo, uma imagem invadiu minha mente, era embaçada, mas não impossível de se entender...
Flashback on
- Preciso de vocês atrás daquele ordinário! Quero todo meu dinheiro de volta. – ele disse.
- Sim senhor, e se ele não tiver o dinheiro? – perguntou um homem todo de preto, alto e forte, que estava encostado em uma BMW preta. Ele tinha... Ele tinha a tatuagem. A tatuagem no braço esquerdo, aquele símbolo estranho, porém tão conhecido.
- Mate-o! – riu sombriamente e me escondi em meu quarto antes que ele percebesse que o espionava. Ele não podia saber... O medo me invadia, tinha medo DELE, e do que ele era capaz de fazer.
Flashback off
Não! Não pode ser! Isso é impossível, certo? Tem de ser impossível. Afinal, o que ele fazia aqui? O que ele queria? E por que aqui?
Notas finais
Seguinte, minhas aulas voltam semana que vem, portanto eu só vou postar se tiver reviews/recomendações ok? Ok!
Adoro vocês :**
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