Wir Sterben Niemals Aus

1 Wir Sterben Niemals Aus


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Amor excessivo

Na música

Limites excessivos

Invictos

Muitos pensamentos

E palavras intermináveis

E eu espero que não terminem

Tão cedo

Wir Sterben Niemals Aus – Tokio Hotel.

Acordei com o som daquele monstro chamado despertador, aquela coisa irritante não parava de apitar. Tive que me levantar e ir até o outro lado do quarto desligar, essa era uma tática que eu mantia a algum tempo, nada de despertador ao lado da cama. Eu estava perdendo a hora muitas vezes, desligava e ia dormir de novo. E chegar atrasada no trabalho que pagava suas aulas de balé não era legal.

Fui para um banho rápido numa água tão fria que estava quase morrendo congelada, eu precisava despertar, fiquei até tarde ontem preenchendo currículos e preparando a aula de hoje para meus bebês (minhas alunas).

Escolhi uma roupa simples, uma calça jeans escura com uma blusa de manga cumprida já que estávamos no fim do outono e normalmente é frio. Logo seria o inverno, estava ansiosa por ele, ansiava por neve, chocolate quente, livros em frente à lareira o cheiro de romance no ar.

Desci para tomar café no fazendo o máximo de silêncio possível, eu não queria companhia. Fiz panquecas com mel, sinceramente eu me superei hoje, estava divino! Eu acho que o cheiro delicioso acordou Loren. Loren era minha “irmã”, era filha do meu padrasto Jordan.

— Não acredito que você só fez panquecas para você Deborah, depois eu que sou a egoísta dessa família.

- Bom dia para você também Loren – ignorei o que ela disse, eu não era egoísta, nem sabia que essa garota estava em casa, afinal, hoje era sábado e ela nunca dorme em casa sexta a noite.

- Péssimo dia, minha cabeça está estourando, fale baixo.

- Bom, estou indo então, assim não te incomodo mais. – eu fazia de tudo para ser mais educada possível com ela, não gostava de arrumar confusão aqui, não estava mais na França, não tinha mais vovó para me defender.

Olhei no relógio antes de sair e já eram 09:00, eu estava bastante atrasada. Corri pelas ruas trombando nas pessoas e recebendo palavras indelicadas em resposta. A corrida para chegar ao metrô quase que não valeu a pena, eu praticamente me joguei entre as portas, infelizmente tive que dar meu lugar para um senhor que tinha a aparência cansada, ou seja, fui em pé até a estação mais perto da academia, que ficava do outro lado de Berlin.

Quando desci do metrô eu tinha quase certeza de que estava muito atrasada, eu tinha que esta na academia as 11:00 e demorei quase duas horas pra chegar onde estou que não é perto da Academia. Ainda por cima vou ter que fazer o resto do percurso a pé, não tenho dinheiro para pagar um ônibus, já que ultimamente minha mãe não me dá mais nem um centavo para minha educação artística. Bom, sem reclamações, pior do que esta não pode ficar. Acho.

Pus meus fones no ouvido e fui andando ligeira a caminho da Academia. Quando estava em frente a ela olhei no relógio, eram exatamente 11:15, bom 15 minutos a menos que semana passada.

Passei pela recepcionista, mas quando estava mais na frente voltei de ré ao perceber quem estava sentada em frente ao computador, minha chefa Jana. Olhei pra ela que respondeu minha pergunta muda.

- Tive que despedir Monica, — Monica era a antiga recepcionista — estamos passando por maus bocados, não vamos conseguir manter todos os funcionários...

- Meu Deus, e agora? Há algo que eu possa fazer por você? — perguntei rezando que ela dissesse não, tudo que eu menos precisava era de trabalhar de graça.

-Infelizmente não – suspirei aliviada internamente. — Até alguns professores terão que ser despedidos. Vamos ter que juntar algumas turmas, teremos que tirar as estagiarias, e as professoras menos experientes. – o que ela estava querendo dizer com menos experientes eu era menos experiente. Arregalei os olhos para ela, eu seria despedida? – Sim Deba, isso inclui você, desculpe, mas não temos mais condições de manter suas aulas.

Senti meu queixo tremendo, meus olhos marejando eu estou um pouco engasgada também. Meu Deus, se é que você existe, eu lhe suplico não me deixe chorar. A coisa que eu mais odeio no mundo é que chorar na frente dos outros, não gosto de aparentar ser fraca.

- Posso pelo menos despedir dos meus bebês?

- Na verdade, eu iria te pedir um favor, hoje dê sua última aula a elas, afinal vocês merecem isso e também eu ainda não resolvi em que turma eu vou pô-las. – fez uma careta. Eu só assenti e sai em disparada em direção a minha sala.

- Tia Deba! – Sarah, uma das minhas alunas preferidas, veio correndo em minha direção com lágrimas nos olhos, pelo visto eu era a única que ainda não sabia que iria ser despedida.

- Sarah, meu amor, como você está querida? – perguntei retribuindo o abraço dela com força. Não vou conseguir viver sem meus alunos.

- Tia, você vai deixar a gente? – desta vez quem perguntou foi Ralf, o único garoto da turma.

- Nunca meus queridos, a Tia só não vai mais dar aulas pra vocês. – deixei um sorriso fraco sair em meus lábios. Ouvi um “ah” choroso de todas as outras em resposta. – Que isso gente? Vão desanimar só por que eu não vou dar mais aulas pra vocês? Esqueceram que foram vocês mesmos que me disseram que um dia vão ser iguais a mim? Eu já passei por isso também, e não desisti, olhem como eu danço agora?

Ouvi um soluço baixo vindo de Sarah, abaixei até ficar do seu tamanho e a abracei, com uma das mãos chamei os outros alunos e vieram todos num abraço em conjunto, fechei os olhos tentando prender as lágrimas que insistiam em querer sair.

- Bom, vamos começar a aula e vamos aproveitar bastante que é a última. – Pus uma musica Heartless — The Fray. Não era uma música própria para balé, mas servia. – Quero ver todo mundo dançando conforme a música, o passo que vocês quiserem, mas tem que está no ritmo.

E assim a aula passou rapidamente, normalmente eu iria fazer aula agora, mas como não tenho mais como pagar fui para casa, a caminho passei em frente a uma barraquinha de churros que estavam gritando meu nome pedindo para comprar um, mas não, não podia comprar. Não por dinheiro, tá também por dinheiro, mas o principal motivo era que eu tinha problemas com meu peso. Não podia engordar por causa do balé, se bem que agora nem tinha problema mais né, de qualquer modo não comprei. Não acho que deveria.

Fui para a estação de metrô e, por sorte, dessa vez conseguir ir sentada. Tinha um gordo velho e gosmento sentado que estava me olhando de modo estranho, feio e sujo. Fiquei com um pouco de medo, não estava conseguindo ignorá-lo então pus meus fones liguei meu mp3 e pus no volume máximo e esperei pacientemente que chegasse a estação próxima a minha casa.

Depois de descer do metrô fui andando o mais lentamente possível, a coisa que eu mais odeio durante o dia é estar na minha casa, eu fazia de tudo para ficar na rua o dia inteiro, infelizmente hoje não seria possível.

Pus a chave na fechadura e abri a porta sem fazer barulho, se ninguém soubesse que cheguei poderia ir para o meu quarto e ler algum livro em sossego. Infelizmente o resultado que tive ao fazer isso foi triste, e deprimente.

Ao abrir a porta em silêncio meu padrasto e sua mais nova amante que estavam no sofá não ouviram que tinha alguém entrando e não puderam esconder. Foi horrível presenciar aquela cena, foi doloroso. Apesar de a minha mãe me tratar do jeito que trata, eu a amo e ela sempre vai ser minha mãe, e eu nunca quis e nunca vou querer vê-la sofrer.

- O que você está fazendo aqui a essa hora Deborah? – Jordan disse me chingando como se eu tivesse feito algo muito errado.

- Agora eu não posso mais entrar em minha própria casa? O que você esta fazendo com essa mulher no sofá da casa da minha mãe?

- Julia vá embora – ele disse ignorando o que eu tinha acabado de falar.

- Mas Jordan...

- Mas nada, eu já disse pra ir embora – ele interrompeu bruscamente a garota. Enquanto falava ele terminava de por suas roupas. Quando virou para olhar pra mim viu que aquela menina ainda estava lá – O que você ainda está fazendo aqui? – ele perguntou com tanta raiva que até eu fiquei com medo, a menina saiu correndo pela porta e fechou com força.

Jordan foi andando até mim e me pegou pelo pescoço e foi me empurrando ate a parede mais próxima, que não era muito longe, nisso meus olhos estavam tão arregalados que estavam quase saindo pra fora. O que deu nesse cara? Ele estava apertando com muita força, levei minhas mãos até as suas que apertavam meu pescoço numa tentativa inútil de me soltar.

- Escuta aqui garota, o que você viu aqui não pode sair daqui, se não eu vou desgraçar sua vida tanto que você vai se arrepender eternamente.

- Você acha que eu tenho medo de você? – perguntei com o estoque de ar que me restava. Ele deu um sorriso de lado e me apertou mais forte. Ouvimos o som de alguém andando próximo à porta de casa e começando a abri-la, ele me soltou rapidamente e foi pra perto da televisão ligou-a e quando estava indo no sofá sentar minha mãe entrou e sorriu docemente para ele aproximou e o beijou nos lábios ele pôs as mãos nas costas da minha mãe e foi descendo até a bunda, aquilo pra mim foi a gota d’água.

— Como você tem coragem? A poucos minutos essas mãos estavam em outra garota. — Ele olhou por trás da minha mão com os olhos faiscando de raiva. Minha mãe virou pra mim com os olhos estreitos, como se desconfiasse que eu estivesse tramando algo.

- O que você quer dizer com isso Deborah?

- Quero dizer que esse seu maridinho estava te traindo a pouco e eu vi tudo.

- Deborah, o que aconteceu com você minha filha, que ódio é esse que você tem por mim? O que deu em você pra tentar destruir um casamento com esse com uma mentira dessa? – disse aquele idiota. Olhando pra mim com um sorriso de escárnio por trás da minha mãe.

- Não. Me. Chame. De. Filha. – disse pausadamente com o dedo apontado pra ele e com lágrimas caindo dos olhos, pois eu tinha absoluta certeza que minha mãe ia ficar do lado dele.

- Deborah essa é a última vez que você tenta me por contra Jordan – eu não disse? – Eu não estou agüentando mais isso, ou você esta chingando nossa família ou esta pedindo dinheiro – ela jogou a bolsa no sofá com força. — Nem o esforço de se dar bem conosco você tem. Se for pra continuar assim eu não quero você aqui. – é impressão minha ou ela está me expulsando?

- O que você está dizendo mamãe? – minhas mãos estavam tremendo.

- Ela quer dizer que nós não queremos mais você aqui. – eu pensei que tinha perguntado a minha mão, mas estava tão desesperada que não me incomodei em responde-lo.

- E pra onde que eu vou?

- Se vira. Não era você que era doida pra voltar pra França e morar com sua avó? Então, vai.

- Não tenho dinheiro.

- Sim você tem, você acha que eu não sei que você junta dinheiro a anos pra comprar um apartamento? Bom, ai esta seu dinheiro.

- Mãe lá não tem nada, não é suficiente pra comprar uma passagem nem pra asa do avião. – eu disse com a voz tremida, ela estava mesmo falando sério?

-O que você ainda está fazendo aqui Deborah?

Eu não tinha tempo para fazer as malas, depois que eu achar um lugar pra dormir eu volto aqui e busco. Eu só peguei uma a bolsa que estava na mesa e sai de casa, sem saber pra onde ir, onde dormir, eu só sai. Sem dinheiro, sem nada fui andando para o lugar mais distante que pudesse ir.

Meu peito estava doendo de tanto chorar, meu coração estava apertado, não estava conseguindo raciocinar direito. Olhei para os lados tentando perceber onde os meus pés tinham me levado, eu estava numa pracinha antiga. Eu vinha muito aqui quando era só eu e minha mãe. Lembrar dela me fez chorar ainda mais. Porque isso estava acontecendo comigo?

Sentei num banco velho que tinha lá e fiquei pelo que me pareceu horas. Só chorando e pensando em como minha vida estava uma merda, eu não tinha onde dormir estava com uma fome do cão e ainda por cima estava sozinha.

Estava ventando a algum tempo, até que começou a chover forte, as coisas não podiam ficar pior. Pelo menos eu não mais tomar banho pensei sarcástica. Depois do que me pareceram horas senti alguém sentando ao meu lado. Nem virei pra ver quem era, só continuei chorando e soltando pequenos soluços, tirei meus cachos louros e molhados dos olhos e continuei olhando para frente.

- Está tudo bem com você?

Notas finais
E ai gostaram??Me digam Por Favor :*:*