Notas iniciais
Bom, como vocês podem ver, não sou muito boa com títulos, mas agora a história da Melody vai começar de verdade, espero que gostem

Eu sempre gostei das noites, mas não das estreladas e com a lua, gosto das noites escuras, por que as vezes acho que é isso que eu sou. Incompleta. Daqui a algumas horas meu avô vai entrar pela porta do meu quarto e me levar pro aeroporto, minha vida só vai de mal a pior, mas acho que posso tentar me animar lendo algo da minha mãe..

30 de maio de 2009
Querido diário...
Hoje é meu aniversário, todas as minhas amigas foram visitar suas famílias porque estamos em um feriado escolar e como sempre eu fiquei aqui. Sozinha. A algum tempo eu estou gostando de um garoto, mas ele é meio complicado, sei do passado dele mas não sei como e nem o que, alguma coisa nele me atraí, todas as noites eu me imagino com ele e com um possível futuro que poderíamos ter juntos. Ele é muito lindo. O dia está no fim, e mais uma vez vou ser a única a me dar parabéns, então, parabéns pra mim...
– Musa.

Fecho o diário e vou até a janela, e a noite continua como eu gosto.

– Parabéns mãe.. — Digo pro céu, sentindo a brisa em meu rosto — Você não faz ideia de como eu e você somos parecidas nesse sentido.. eu.. amo você e o papai muito — Sinto uma lágrima escorrendo do meu rosto, mas a enxugo depressa. Não gosto de chorar. — Me deseje sorte amanhã, e eu prometo.. — Fecho os olhos e cruzo os dedos — eu vou encontrar vocês.

Depois disso eu fui dormir, eu sempre tenho sonhos, e a maioria deles é com meus pais, acho que mesmo não os conhecendo, eles são meus melhores amigos, porque é quando durmo que consigo conversar com eles... eu sou uma garota estranha e sozinha.
Não como muito de manhã, e a despedida do meu avô foi rápida.. acho que agora sem ele, eu vou ter mais problemas com meus sentimentos, ele nunca foi muito afetuoso mas cuidou de mim quando eu mais precisei, não sei se isso é amor mas acho que devo muito a ele. A vista de um avião é fascinante , por um momento me permiti fechar os olhos e imaginar se era assim que minha mãe se sentia quando voava, mas afastei esse pensamento rapidamente, me abaixei e comecei a procurar minha bolsinha com meu Ipod, e foi quando esbarrei e finalmente me dei conta da pessoa sentada ao meu lado
– ah.. desculpa — Dou um aceno de cabeça rápido e volto a me esconder sobre o boné do meu pai
– Tudo bem — Era um garoto, não quis manter o contato visual por muito tempo mas ele parecia bonito. Ele da um meio sorriso — Ah.. desculpe, meu nome é Lian — Ele estende a mão mas eu apenas dou um aceno com a cabeça
– Melody.
Ele começa a me encarar com o meio sorriso ainda no rosto, mas depois de um tempo da uma risada fraca, como se fosse uma piada interna e vira pra frente. Depois disso não nos falamos mais.
Com de mais de 2 horas de voo o avião aterriza nas terras de magix, mas eu tinha esquecido de ligar pra escola e pedir que um acompanhante viesse me buscar.
–Legal. Além de todos os meus problemas com falta de senso de direção, estou sozinha em um lugar que não conheço.. — Falo em meus pensamentos enquanto estou sentada no banco da rodoviária esperando um táxi.
Noto uma garotinha correndo atrás de uma borboleta, a mãe percebe que ela já foi longe de mais e vai até ela. Engraçado. Será que se eu fugisse atrás de uma borboleta alguém se preocuparia se eu fui longe de mais? Afasto esses pensamentos e me concentro na música que ouço, guardo o boné do meu pai na mochila e fico só com a touca, e é quando o táxi passa na minha frente e eu não vejo por estar distraída. Ótimo.

– Droga.. — Murmuro e volto a olhar no cartão de horário quando o outro irá passar, e é quando alguém toca no meu ombro

– Vejo que não está num bom dia — Lian, o cara do avião que usava uma camisa de botão aberta, jeans, cabelos loiros em um bagunçado charmoso e mantinha o meio sorriso no rosto
– É tão óbvio assim.. — Falo baixo.. mais pra mim do que pra ele, e então vou andando de volta pro começo do aeroporto sem olhar muito pra ele
– Espera! — Ele me alcança e finalmente dou uma olhada rápida em seus olhos. Azuis. — Se quiser eu posso te dar uma carona — Dou uma risada fraca
– Claro.. — Falo de uma forma sarcástica — Você chega de viajem e já tem um carro esperando por você — Volto a andar — Mas não, eu vou sozinha
Ele me alcança novamente mas dessa vez continua segurando meu braço, não consigo sustentar o olhar mas sinto que ele continua me encarando com o tal sorriso
– Quem é você.. — Ela mais afirma do que pergunta enquanto continua com a encarada
– Já disse. Melody, e estou atrasada — Tiro meu braço de sua mão e me preparo pra continuar andando
– Você vai pra alféa não é? — Ele afasta o cabelo dos olhos e vejo os músculos dos seus braços se tensionando. Ele é forte.
– Como sabe?
– Li no panfleto que você estava segurando — Ah, sim, o panfleto com o endereço , nome da escola, e como chegar lá, que por acaso não estava me ajudando em nada — Eu vou estudar lá perto , posso te deixar lá

Ah, claro, mais um bonitinho da fonte rubra que deixa as garotas com o que sonhar a noite

– Não obrigada eu prefiro ir sozinha — Olho de volta pro ponto de táxi. Porque quando se precisa de algo ele some?
– Eu insisto — Ele me olha sorrido novamente e pega no meu braço — E além do mais — Ele aponta pro ponto de táxi — O próximo só vem daqui umas duas horas
– Ta.. — Cedo — O que você dirige?
– Entende de carros? — Ele sorri novamente e volta a andar em direção ao estacionamento
– Da pro gasto — O sigo e ele ri do que eu falo
– "Da pro gasto" — Ele repete com humor — Bom, então eu acho que vai ficar decepcionada, mas antes — Ele para no estacionamento e se vira pra mim — Suas malas já foram enviadas pra escola, não é?
– E o senhor perfeição adivinha de novo — Falo com ironia e cruzo os braços
Ele ri e me olha de um jeito estranho. Outra vez.
– Quem é você.. — Ele repete e continua andando
– Acho que você tem sérios problemas com perguntas que já sabe a resposta
Ele para na frente de uma moto. MOTO. (dois lugares = contato corporal desnecessário)
– Você disse que dirigia — Parei na frente dele sem ousar montar naquilo
– Não sei se os seus conhecimentos automobilísticos são mais precários do que eu pensava — e coloca o capacete e sorri de novo — Mas motos são dirigíveis também — Ele pisca e da duas aceleradas
– O termo correto é Pilotar — Corrijo
– Que tal a gente pular a parte em que eu te olho maravilhado de novo, faço a pergunta que te irrita, e que demonstra que quero te ver de novo — Ele me olha pelo canto dos olhos e eu reviro os meus — E eu te dou uma carona?
Subo na moto e grudo minhas mãos no meu assento. Ele ri.
– Se estiver com medo, já sabe o que fazer — Ele liga a moto e em nenhum momento do trajeto eu envolvo sua cintura
Querido. Estamos em guerra. Coisas piores me assustam.

Notas finais
Gostaram?!?! Mereço reviews? - Lina