Wintershock

71 Uma transição abrangendo o universo


Nakia observava Shuri indo na maior cara de pau atrás de Darcy Lewis.

Aquela princesa travessa não conhecia limites... mas não se intrometeria, pois tinha coisas mais importantes para pensar do que ficar de babá da irmã de seu rei.

Ela se afastou, sentando numa mesa distante.

Do outro lado da lanchonete, Kim e Darcy sentavam numa mesa com o letreiro da lanchonete de fundo e ao lado da janela, depois de fazerem seus pedidos para a garçonete no balcão.

Kim comia um pacote de doritos enquanto esperava.

Já Darcy, rolava o feed do Instagram em seu smartphone, com uma expressão entediada no rosto.

Teria de viajar pra Washington a noite, mas não estava com paciência... seria uma longa semana de trabalho no meio daquelas víboras peçonhentas...

E diferente da doutora Darcy Lewis, Kimberly que trabalhava numa produtora em Santa Mônica, estava feliz e realizada.

As duas discutiam sobre a série que maratonaram no dia anterior, até que...

Uma garota surgiu na frente delas...

Do nada...

.

Oi, será que posso me sentar?

.

Era uma menina negra, bem estilosa e jovem...

Ela estava com os cabelos presos num coque alto, uma camiseta preta, short e botas escuras.

Darcy não entendia porque a mesma lhe fitava um tanto risonha...

— Desculpe, nós te conhecemos? – Kim a indagou, tentando entender porque uma jovem tão bem afeiçoada brotava do nada ali, pedindo pra se sentar com elas.

— Aah, que indelicadeza de minha parte... eu devia me apresentar primeiro... Meu nome é Shuri e gostaria de parabenizar a senhorita Lewis pelo excelente artigo científico que escreveu sobre topografia e clima de algumas regiões da África. – A garota sorria animadamente, e a doutora arqueava uma sobrancelha, desconfiada.

— Esse artigo foi escrito a dois anos atrás...

— Ainda assim, foi excelente! É muito válido quando um americano consegue captar a essência da realidade do continente africano, então, meus parabéns, e... Aah, eu adoro doritos, então será que posso pegar um pouco? – A garota pedia, educadamente uma parte do salgadinho e Kim não se importou nem um pouco.

A loira empurrava o pacote na direção da princesa, sem restrições.

Darcy estreitou o olhar. Depois de tantos anos trabalhando no departamento de estado, ela sempre desconfiava das pessoas... não importava quem fosse.

Shuri se sentou à mesa e agarrou o pacote de salgadinho.

— Uau, eu amo quando venho pra Los Angeles e posso comer todas essas porcarias! – A garota mastigava o salgadinho com brilho nos olhos, ocasionando feições perplexas nas duas.

— Você não é daqui, certo...? – Kim fazia tal pergunta, com uma expressão estranha no rosto, já que a garota chegava ali do nada, dizendo que gostou de um artigo que sua amiga havia escrito e depois pedindo um pouco de seu doritos.

Será que ela era alguma stalker?

— Sou de Wakanda.

— Wakanda!? A nação tecnologicamente desenvolvida do continente africano!? – Darcy deu um pulo da cadeira no mesmo instante.

— Sim... – Shuri continuava comendo doritos, despreocupadamente.

— Uau, você é uma habitante de lá!? Posso fazer algumas perguntas!? – A doutora já pegava um bloquinho de anotações e uma caneta de sua mochila. Não perderia a oportunidade de entrevistar uma moradora daquele país, que somente poucas pessoas tinham acesso.

— O que você quer saber...? – A princesa sorria de canto, ousadamente. Conseguiu completar a primeira etapa da missão, que era fazer Darcy se interessar pela conversa.

Já Kim, continuava achando tudo aquilo muito estranho, mas resolveu não contestar.

Ela observava a aparência da garota e seus trajes... eram um tanto incomuns para alguém que morava na África, mas como a mesma citou Wakanda, então fazia um pouco de sentido...

A loira atentou para o que estava escrito na camiseta preta da garota.

Uma hashtag...

.

#DARCKY

.

O que aquilo significava?

— O que significa essa hashtag na sua camiseta? – Kim a questionava, estranhando aquela escrita.

— Aah... é de uma série de tv... – Replicava ironicamente.

— Que série?

— É de Wakanda. Vocês não conhecem... – Ela deu uma piscadinha e um sorriso aventureiro brotou em seus lábios.

Porém no meio do diálogo, o telefone de Kimberly começou a tocar.

Quando a loira olhou para o visor, sorriu animada e ternamente satisfeita...

Darcy revirou os olhos. Com certeza era o crush...

— Eu vou lá fora atender a ligação, então vocês podem continuar sem mim. – E então, imediatamente a loira se levantou e correu para fora da lanchonete.

Nakia que ainda estava ali, observando Shuri, sacudia a cabeça...

Até onde a princesa travessa iria com suas brincadeiras?

Quando Kimberly se retirou dali, a garota olhou fixamente nos olhos de Darcy, analisando-a por inteiro.

A cientista achou aquilo um pouco... estranho...

— Por que está me olhando dessa forma?

— Sabe... você é mais bonita pessoalmente do que por fotos. – Afirmou, com uma feição firme e descontraída.

Já Darcy, achava suas falas... sinceras demais...

— Bem, eu não sei o porquê desse comentário, mas já vou avisando que sou heterossexual e-

— Não, não... Não é por isso que estou te olhando desse jeito!

— E é por quê...?

— Sabe... eu tenho um amigo que é muito a fim de você, então esse é o motivo real de estar aqui, nesse exato momento. — A garota finalizou, deixando a doutora com um ponto de interrogação na face.

Porém, dois segundos depois, após ouvir tais palavras, tão diretas e sinceras, Darcy apenas começou a rir.

Aquela garota tinha quantos anos? Parecia ser tão ingênua, mas ao mesmo tempo era tão atrevida, e ela admirava aquilo, já que também era assim alguns anos atrás.

— Desculpe, mas você pode dizer ao seu amigo que não estou interessada em relacionamentos? – A cientista olhava a movimentação do lado de fora pela janela da lanchonete, o que fez com que também prestasse atenção em Kimberly, que esbanjava uma expressão totalmente apaixonada ao falar com o crush ao telefone.

Céus... A loira começaria a namorar em breve e ela ficaria sozinha? Derek e Stephanie se casariam em pouco tempo, então seria a única solteirona no grupo?

— Olha, com todo o respeito, mas não devia se iludir com sua melhor amiga. Quando ela estiver namorando, vai te abandonar... – Shuri afirmava, interrompendo os pensamentos de Darcy sobre sua solteirice.

— Uau... você é bem realista... qual conselho você me daria então?

— Quer mesmo um conselho?

— Sim...

— Não aceite conselhos. – E então, a princesa de Wakanda piscou novamente, sorridente.

Darcy franziu o cenho e inclinou a cabeça, não entendendo aonde aquela menina queria chegar.

— Acho que agora tenho que concordar com você. – A doutora estava cheia de conselhos, principalmente amorosos, que lhe diziam pra abrir seu coração novamente e esquecer os homens de seu passado.

— Me diz uma coisa, Darcy.... já esteve apaixonada antes? – A garota perguntava repentinamente, tentando colher o máximo de informações que pudesse, apenas para juntar com tudo o que Bucky havia relatado sobre ela, e então, pudesse traçar um plano genial para fazer com que os dois se reencontrassem...

— Sim. Foram as piores épocas da minha vida... – A cientista se recordava do tanto de lágrimas que derramou por seus ex-amores...

.

Dava pra encher uma piscina...

.

— Por quê? O amor é uma arte... – A princesa revelava o que achava sobre o assunto.

— Ah sim, a arte de ser trouxa eu domino... mas você diz isso porque nunca deve ter se apaixonado antes.

— Bem, dizem por aí que quando o amor morre, nascem as poesias...

— Ou os filmes de terror... – A cientista completava, e suas palavras fizeram Shuri soltar um riso alto.

— Você é uma figura...! Exatamente como me disseram! – A garota escorava os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos, observando Darcy atentamente, com um lindo sorriso no rosto.

E aquilo causava certo desconforto na doutora, que olhou para os cantos diversas vezes.

— Bem, você disse que um amigo seu está a fim de mim e que esse era o motivo de estar aqui, então a pergunta que tenho para te fazer é... Quem é esse seu amigo? – A cientista a indagou, tentando entender porque estavam tendo aquele diálogo estranho.

— Eu responderei essa pergunta no final, mas antes, poderia me dizer sobre seu último relacionamento?

Oi? Quem aquela garotinha pensava que era pra desviar de sua pergunta com outra pergunta tão petulante?

— Não. Isso é algo muito pessoal pra se dizer a uma estranha que acabei de conhecer.

— Por quê? Tem medo de ficar mexida por se recordar de coisas que não quer lembrar? – Shuri a provocava descaradamente e Darcy ficava perplexa diante de tanto atrevimento.

— Hey! Não fale como se você soubesse de alguma coisa! – A cientista apontava para a garota, com um semblante abismado.

— E se eu dissesse que sei...? – Shuri arqueava as sobrancelhas freneticamente, com um sorriso sórdido nos lábios.

— Céus, quem é você!? Não me diga que algum ex-namorado meu te mandou até aqui!? – Ela estava prestes a se levantar e ir embora. Aquela garota estava começando a lhe assustar.

.

Não, ele não sabe que estou aqui...

.

Shuri articulou as palavras com seriedade naquele instante e aquilo fez o estômago de Darcy dar piruetas de nervosismo.

De quem ela estava falando?

— Olha, eu levei tudo na brincadeira até agora, mas não estou conseguindo mais. Você chegou aqui do nada e agora estamos falando de meus relacionamentos do passado, como se você soubesse o que aconteceu na minha vida amorosa, então eu quero saber por que está aqui. Me diga a verdade.

— Darcy... por que não correu atrás do amor da sua vida depois que ele te deixou? – A princesa respondia à pergunta de Darcy com outra pergunta.

De novo...

— O dia que eu correr atrás de um homem é porque ele roubou a minha mochila. Agora responda por que está aqui, ou vou acabar perdendo a paciência. – A cientista batia na mesa, exigindo que aquela garota misteriosa lhe dissesse a verdade.

— Ok, a resposta está na minha camiseta, que fiz em homenagem a vocês dois. – E então, Shuri se levantou e esticou a peça de roupa com as pontas dos dedos de ambas as mãos, para que Darcy pudesse ler.

A cientista leu com atenção...

.

DARCKY? O que aquilo significava?

.

— Pense... – A princesa esperava que ela sacasse logo de cara, mas demorou alguns segundos para que Darcy entendesse o real significado, até que então...

A doutora arregalou os olhos...

Depois ficou boquiaberta...

Depois tapou a boca com as duas mãos...

Depois levou as mãos na cabeça...

E finalmente balbuciou algumas palavras desconexas...

— Oh, céus... você não...

— Sim... – Shuri sorriu satisfeita quando Darcy finalmente entendeu a referência, até que...

.

.

O Kendricky te mandou atrás de mim!? Mas que ousadia!!!

.

.

A cientista começou a se descabelar, e a princesa franziu o cenho, totalmente desacreditada.

— Não!!! Quem é Kendricky!? – Ela gritou de volta, revoltada. Como assim Darcy não tinha entendido que o final ‘CKY’ era de outra pessoa?

— Kendricky é o meu ex da época da faculdade! Meu primeiro namorado! Não é dele que você está falando!? – Darcy estava confusa e Shuri resolveu escancarar com a verdade.

.

NÃO!!! É DARCKY DE DARCY + BUCKY E NÃO KENDRICKY!!! – A princesa gritou de volta, e Nakia, que ainda estava do outro lado, começava a rir da cara dela.

.

— Até que está sendo divertido! – Ela observava tudo em silêncio, tomando um café expresso tranquilamente na mesa, no fundo da lanchonete.

Quando a garota mencionou “Bucky” na frase, Darcy sentiu um impetuoso frio na barriga lhe submergir...

Ela simplesmente não conseguiu dizer nada diante do choque, porque esperava ouvir qualquer outro nome, menos aquele...

A princesa observava a reação espantada da cientista, que naquele momento, exprimia certa melancolia no olhar.

Mas em frações de segundos, ela chacoalhou a cabeça e resolveu dizer algo.

— Você está enganada... eu não tive um relacionamento com ele... acho que deve estar se confundindo.

— Eu não estou. Vocês tiveram algo real! Eu sei!

— Como pode ter tanta certeza? Aliás, como você sabe sobre o Bucky!? Quem é você afinal?

Aquela era a deixa que Nakia precisava para expor a identidade da princesinha travessa e então, do outro lado da lanchonete, ela se levantou, caminhou em lentos passos e entrou na conversa.

— Ela é Shuri, princesa de Wakanda e irmã mais nova do Rei T’Challa. – Afirmou com certa imponência na voz, fazendo Darcy arquear as sobrancelhas.

— O quê...? Quer dizer que todo esse tempo eu estava falando com alguém da realeza!?

— Relaxa... isso acontece direto... – E então, a princesa sorriu travessamente.

— Ooh céus... e eu serei presa por isso!?

— Sim! Vou te levar para uma fazenda no interior de Wakanda pra fazer trabalho forçado ao lado do Lobo Branco! Vocês vão morar numa cabana em frente ao rio e aí podem aproveitar e se casar, constituírem uma família e-

Nakia deu um tapa na nuca de Shuri, interrompendo sua fala.

— AI! Por que me bateu!?

— Pare de assustar a moça com suas brincadeiras. — Repreendia a princesa, que naquele momento, vislumbrou perplexidade nos olhos arregalados de Darcy.

— Olha, relaxa! Agora que você já sabe que eu estou aqui por causa do Bucky, será que podemos ter uma conversa normal!? Eu preciso falar com você sobre ele! – A princesa a rogava, quase ajoelhando para que a doutora lhe ouvisse.

Darcy ainda não acreditava no que estava ouvindo...

Aquela garota estava ali por causa de Bucky Barnes?

— E porque temos que falar sobre ele? Eu não o vejo a quatro anos. Não temos mais nada a ver um com o outro. – Replicava, indigesta, porque de fato, não estava interessada em falar sobre nada que tivesse relação com o sargento.

— Ouça... eu sei exatamente tudo o que aconteceu entre vocês. Ele me disse.

— E por que ele te diria? Aliás, como você o encontrou...? Espere... a tal batalha no aeroporto de Berlin foi onde rolou um embate entre seu irmão e o grupo do Capitão América, certo!? Foi ali que tudo começou!?

— Sim!

— Mas todos estão foragidos...

— O sargento Barnes está em Wakanda, aos cuidados de meu irmão.

— E por quê...?

— É uma longa história, mas vou te explicar.

Darcy analisou a garota por um instante e logo deduziu que o melhor a se fazer era se manter afastada de tudo aquilo.

Ela demorou muito tempo para arrancar o soldado de sua mente, e agora, todo aquele sofrimento poderia retornar se simplesmente cedesse e ouvisse qualquer coisa sobre ele.

— Me desculpe por ter sido hostil, princesa. Eu não tinha ideia que estava falando com alguém da realeza, mas com todo o respeito, prefiro não ouvir o que tem pra me dizer. Eu não tenho absolutamente mais nenhum vínculo com o James, então não há motivos pra continuarmos essa conversa. – Os olhos da cientista desviaram para o chão, funestos. Seu humor mudava drasticamente quando Bucky era mencionado em algum diálogo.

— Mas é muito importante para a recuperação dele! Por favor, me ouça!

— Recuperação? Do que está falando?

— A mente dele está quase completamente reparada... eu quebrei seu código mental e o redefini...! – A princesa afirmava, com palavras simples, para que a mesma pudesse entender.

— Do que você está falando? Como assim o redefiniu?

— Eu o reprogramei... iniciamos uma reabilitação para remover os danos causados pelas lavagens cerebrais que a HYDRA fez ao longo dos anos.

Darcy estava assustada com tudo o que a garota revelava.

— E isso é possível?

— Sim... O sargento Barnes é um homem quase cem por cento normal. – A princesa sorriu, ao perceber que o semblante de Darcy pareceu ter amenizado depois de dizer que Bucky estava se recuperando.

A cientista a mirou, fixamente... estava um tanto sobressaltada por todas aquelas revelações, ainda que não quisesse ouvir...

Sua reação foi espontânea, porque mesmo não desejando saber mais nada relacionado ao soldado, era um alívio descobrir que James pudesse se recuperar e se tornar um homem normal de novo.

— Como você foi capaz de fazer isso...? — Darcy a questionou, sem entender exatamente como alguém tão jovem como ela era capaz de redefinir a mente de um homem do nível do sargento.

— Shuri lidera toda a divisão científica e tecnológica de Wakanda. — Nakia enfatizava a posição da garota, para que a doutora entendesse o motivo de a mesma ter êxito em redefinir a mente do soldado.

— Então você é uma cientista?

— Sim... e posso te explicar como consegui fazer isso.

— Bem, eu estou... ouvindo... — Por mais que não quisesse saber sobre James, naquele momento, Darcy de fato mostrava interesse.

Como era possível restabelecê-lo depois de tudo o que a HYDRA fez com sua mente? Ela estava realmente curiosa sobre o processo.

— Para que o sargento Barnes fosse purificado de sua antiga programação, ele teve de retornar ao estágio criogênico, e usando bio-scanners mais sofisticados, criamos uma representação digital da mente dele. Testamos o processo para evitar danificá-lo e então removemos suas lavagens cerebrais.

— Integralmente ou parcialmente? – Darcy a indagou, completamente atenta as palavras da garota, mas ao mesmo tempo, receosa.

— Parcialmente, mas digamos que oitenta por cento de toda a base foi reconstruída. Parte da programação dele está ligada principalmente a algumas palavras-chave, e resolvemos usar um algoritmo de reinicialização, de modo que a programação da HYDRA foi quase toda destruída, mas sem remover suas memórias.

A cientista estava impressionada... de fato, Wakanda era uma nação tecnologicamente surpreendente... conseguir reestabelecer a mente de um ex-assassino que sofreu diversas lavagens cerebrais, era uma tarefa quase impossível.

— E qual foi o resultado...? — Depois de ouvir toda a explicação da princesa, Darcy não conseguiu evitar seu interesse sobre como James estava atualmente.

— O resultado é um homem vivendo normalmente num lugar pacífico, longe de guerras, trabalhando numa fazenda e aproveitando toda a calmaria que sua mente agora lhe proporciona, como se jamais tivesse passado por todo o sofrimento que a HYDRA lhe incumbiu. – Shuri concluiu, com um sorriso plácido.

E dois segundos depois, Darcy suspirou levemente... aliviada...

Era como se um peso gigante saísse de seus ombros... e nem mesmo entendia o porquê, já que tinha certeza que nada sobre a vida do sargento lhe afetaria.

James Buchanan Barnes estava curado de seu passado com a HYDRA... ela nunca acreditaria se não tivesse ouvido tais palavras da princesa de Wakanda.

Shuri observava o semblante da doutora, que mostrava leveza... mas poucos segundos depois, tal expressão era encoberta novamente por algo denso, resultando em...

Olhos azuis cansados...

— Eu fico muito feliz por ele, porque sei o quanto foi difícil passar por todo o sofrimento de ter a mente alterada por uma organização tão sórdida como a HYDRA, mas, como lhe adverti anteriormente, eu e ele não temos mais nada a ver um com outro, então acho que devemos encerrar essa conversa. — A cientista exibia certa aspereza em sua voz. Não estava disposta a abrir a guarda para nada que envolvesse o soldado. Ela simplesmente se recusava.

— Darcy... eu tive uma longa conversa com ele sobre você e ele me revelou coisas tão surpreendentes... você sabia que parte da recuperação dele, se deve a você?

Darcy franziu o cenho no mesmo instante.

— A mim? Por quê?

— O amor e a pouca esperança que ele ainda tinha de te reencontrar, foram cruciais para que o tratamento tivesse êxito... quer dizer, ele não está esperando nada em troca, nem ansiando um futuro ao seu lado, mas... é nítido que o sargento Barnes ainda te ama e isso foi imprescindível para sua recuperação.

Darcy sentiu um nó na garganta e um arrepio agudo na espinha. Não estava acreditando que seu corpo reagiria daquela forma diante de tantas palavras sobre o soldado. Não era possível... mas...

Sua mente gritava para manter a razão e não ceder as malditas investidas de seu coração idiota.

— Ele te contou tudo...? — Inquiriu da princesa, com uma expressão enfadonha no rosto.

— Sim...

— Ele disse que foi embora e só deixou um bilhete...?

— Bem, foi uma escolha difícil, mas pelo contexto do ocorrido, tudo o que ele queria era te manter segura.

Darcy riu em resposta.

Era óbvio que ele nunca saberia o quanto ela sofreu por ele... James havia fugido para longe...

— Princesa... posso contar a minha versão agora?

Nakia sorriu ao contemplar a visão de uma mulher magoada em sua frente. Ela tinha passado por experiências árduas ao lado de T'Challa também, então já imaginava que nem tudo entre ela e o sargento eram flores.

— Sim, pode contar sua versão. Sou todo ouvidos. — Shuri sorriu e ambas se sentaram novamente.

Nakia as acompanhou.

— A minha vida não foi muito fácil depois que ele partiu. Não fizemos promessas e nem planos concretos juntos, porque ele me deixou pouco tempo depois que nós... nos entendemos...

— Como foi sua vida depois disso...?

— Me entreguei à bebida, sofri de insônia, não conseguia me concentrar em mais nada e virei um zumbi... literalmente... mas o pior foi quando me meti em dois acidentes de carro, e em um deles, eu quase morri.

Shuri arregalou os olhos.

— Céus...

— Então eu te pergunto... se eu tivesse morrido, qual seria a desculpa que ele me daria sobre me manter segura?

— Acho que ele quis dizer que a manteria segura da HYDRA e de sua mente que se encontrava caótica. O sargento Barnes me disse que quase a matou asfixiada por diversas vezes.

— Mas eu pensei que nós enfrentaríamos todos os problemas juntos... ele me iludiu e depois foi embora, então como posso simplesmente ignorar todos os danos que a partida dele me causou? — Darcy a questionava seriamente, e embora Shuri fosse um gênio em questões que envolvessem ciência e tecnologia, talvez não tivesse a mesma destreza quando se tratava de assuntos sobre amor, desilusões amorosas, mágoa e coisas do gênero, afinal, ela ainda era muito jovem para entender...

— Não há como ignorar as coisas ruins que você passou e eu lamento muito por tudo isso, mas... eu vim aqui, esperando que a garota ao qual ouvi tanto à respeito, fosse se sensibilizar por saber que o homem que a ama está finalmente curado e desimpedido de tudo que antes os separavam, mas... acho que me enganei, não é...? – Shuri replicava, um pouco triste.

— Sim, você se enganou, princesa. Sinto muito, mas eu não tenho o menor interesse em recuperar meu antigo vínculo com ele. Demorei anos pra parar de sofrer e não posso jogar todo o trabalho que tive em esquecê-lo, pelos ares.

Shuri exibiu uma expressão melancolicamente triste.

Já Nakia, sorriu.

— E aí, princesa? Convencida agora? Podemos ir?

— Poxa, Nakia! Você realmente disse que ela jamais aceitaria o sargento de volta e acertou em cheio!

— Você nunca passou por uma decepção amorosa. É muito jovem pra entender o que os adultos passam.

— Você tá jogando indireta pro meu irmão, é...? — A princesa estreitou o olhar, desconfiada.

— Claro que não...

Darcy ouvia a tal conversa, não entendendo absolutamente nada do que as mesmas diziam.

— Bem, peço desculpas pelo atrevimento da Shuri, senhorita Lewis. Ela não vai voltar a incomodá-la outra vez, não é...? — Nakia insinuava, olhando com uma feição fechada para a princesa.

— Eu não posso prometer nada... — A garota deu de ombros.

Kimberly voltava para dentro da lanchonete, segurando seu smartphone enquanto exibia uma fisionomia apaixonada.

Darcy percebeu e logo revirou os olhos... de novo...

Era assim que ela parecia quando estava apaixonada por James há quatro anos? Que patético...

— Uau, vejo que a conversa rendeu! — A loira chegava a mesa onde as três estavam sentadas.

— E como rendeu... — Shuri ainda estava triste, com os braços cruzado em cima da mesa, numa posição derrotada.

— Bem, então será que agora podemos conversar sobre Wakanda? Eu tenho algumas perguntas pra fazer, já que respondi as suas! — Darcy pegava o bloquinho com uma caneta novamente, exibindo um sorriso travesso.

— Ok... o que você quer saber? — Embora Shuri estivesse insatisfeita pela decisão de Darcy, a princesa responderia suas perguntas, afinal, foi ela quem chegou ali do nada, lhe fazendo tantas indagações descabidas.

A loira se juntou as três, e todas ficaram ali por três longas horas.

.

.

Uma semana se passou, Shuri voltou para Wakanda e muitos acontecimentos catastróficos aconteceram naquele tempo...

Os Vingadores se viram diante de uma grande ameaça universal e o grupo que antes já se encontrava dividido, agora enfrentava uma guerra, com metade da equipe em Titan e a outra metade chegando em Wakanda.

Bucky foi informado pelo rei T’Challa sobre Thanos, o titã que estava atrás das joias do infinito e em breve chegaria na terra atrás da joia do androide Visão.

O grupo de Steve partiu para Wakanda, com o objetivo de que Shuri conseguisse salvar o androide e assim, Wanda pudesse destruir a joia definitivamente, impedindo Thanos de consegui-la.

Finalmente, depois de muito tempo separados, Steve e James se reencontraram.

O Capitão (que já não carregava o América no nome, por ser um foragido do governo americano), cumprimentava seu melhor amigo.

— Como você está, Bucky?

— Ah, nada mal... pro fim do mundo... – E então, o soldado, que agora era chamado por Lobo Branco, sorriu, plenamente satisfeito, apesar da situação grave que a terra e o universo se encontrava.

— Vamos entrar. Precisamos encontrar Shuri. – T’Challa os acompanhava ao laboratório, onde o grupo de Design Wakandano, liderado pela princesa se encontrava reunido.

Passados alguns minutos, enquanto Visão era scaneado e analisado pela princesa, Bucky esperava do lado de fora do laboratório...

O soldado olhava pela imensa parede de vidro, avistando parte da natureza belíssima de Wakanda...

Ele amava aquele país... e se pudesse escolher onde passar o resto de sua vida, não pensaria duas vezes em dizer que aquele local era o mais adequado.

Perdido em seus próprios pensamentos sobre sua vida e talvez um futuro, se é que sobreviveriam aquela guerra, Steve Rogers entrou na sala.

— O que tanto você olha pra essa janela? – O loiro se aproximou e tocou o ombro do amigo.

— Nada demais... só estava observando a tranquilidade desse lugar incrível...

— Você realmente parece ter gostado muito daqui.

— Acho que encontrei o local ideal pra viver... – O sargento sorriu, mirando os olhos azuis do loiro, que naquele momento, se encontravam um tanto surpreendidos.

— Pensei que seu sonho era morar em Manhattan. – Steve se referia as suas antigas memórias com Bucky na década de 40.

— Isso já ficou para trás a muito tempo... e eu cheguei a viver em Manhattan por três meses...

— Sei... com a estagiária da Doutora Foster.

— Exato...

— Bem... por falar nela... – Steve mencionava Darcy novamente e James não entendeu quando o loiro tirou um smartphone de seu traje, do nada...

— Quero que veja um coisa. – O Capitão ergueu o aparelho na direção de seu amigo.

— Por quê está me dando isso? – Bucky arqueou uma sobrancelha. Aonde Steve queria chegar?

— É apenas um presente. – O loiro finalizou, com certo suspense no ar.

— Presente? Como assim?

— Eu achei que você... ia querer saber como estavam as pessoas que te ajudaram durante o seu refúgio em Nova York em 2014... – O Capitão sugeriu, deixando o sargento um pouco perplexo.

— Steve... Não estamos com clima pra isso. Você sabe...

— Apenas dê uma olhada... tenho certeza que a senhorita Lewis ainda é importante pra você e acho deve estar curioso em saber como ela está...

Bucky hesitou por um tempo... ele não tinha notícias de Darcy desde que a deixou em Willowdale durante sua formatura e era um pouco doloroso se recordar do que viveram juntos e da forma como teve de fugir e deixa-la para trás...

Mas o Lobo Branco resolveu ceder e pegou o aparelho da mão de seu melhor amigo...

— Ok, você venceu...

— Eu tenho certeza que você não vai se arrepender... – E então, Steve resolveu sair do local, deixando o soldado sozinho.

Ele suspirou profundamente antes de desbloquear o dispositivo...

Quando finalmente o fez, deu de cara com uma espécie de galeria de fotos da garota.

Era uma rede social chamada “Instagram”.

Haviam diversas fotos e vídeos dela... e Bucky estava surpreendido em perceber que Darcy não estava tão diferente de quando lhe deixou...

O sargento passou por várias fotos... sentindo seu coração aquecer diante de cada uma delas...

As feições eram as mesmas... o sorriso que ele tanto amava era o mesmo... e os olhos tão puros e cristalinos da garota, se encontravam lindos e penetrantes, tanto quanto antes...

Darcy Lewis aparentemente era a mesma pessoa... e ele ficava muito feliz em saber que ela estava muito bem...

.

Sua garota...

.

Havia um vídeo que reproduziu automaticamente, e nele, Darcy dançava uma música estranha.

Ele riu... Ela era tão excêntrica e autêntica... e o soldado apreciava demasiadamente tais qualidades...

Depois de navegar por muitas fotos e vídeos, lendo a legenda de cada uma delas, Bucky se deparou com uma foto onde a garota trajava uma roupa mais formal e possuía uma expressão séria e imponente.

Legenda: “Iniciando Doutorado em Ciência antropológica e histórica pela Universidade de Chicago”.

Então a sua linda e doce garota era agora uma Doutora...?

James estava orgulhoso dela...

Havia tantas fotos e vídeos de lugares, comidas, acessórios e livros... e poucas fotos dela mesma... o que não fazia sentido, porque ela era linda e sua beleza tinha de estar estampadas na maioria das fotos daquela galeria...

Mas nas poucas que haviam, mostravam uma Darcy nada diferente do que estava habituado.

Sua aparência parecia ter mudado muito pouco... ela estava com um aspecto mais adulto e com os cabelos mais escuros, além de uma franja mediana...

Linda... completamente linda... um verdadeiro anjo... era tão confortável contemplar seus belos olhos azuis turquesa que refletiam a tonalidade das cores do céu num dia de verão...

Bucky tinha a imensa vontade vê-la novamente... mas sabia que aquele desejo era um tanto egoísta...

Por mais que quisesse encontrar com Darcy pessoalmente, sabia que naquele momento isso não seria possível...

Talvez no futuro... mas o futuro era muito incerto, ainda mais agora, naquelas condições... com uma guerra de proporções incalculáveis chegando em Wakanda...

Então, o sargento resolveu esquecer tais desvairos e ir até onde Steve se encontrava naquele momento.

Ao localizar o Capitão, o sargento lhe devolveu o aparelho.

O loiro podia vislumbrar certa melancolia no olhar de seu amigo, mas ainda assim, o animaria, mesmo não sabendo o resultado da guerra contra o exército que se aproximava de Wakanda.

— Ela é uma garota incrível e merece alguém que cuide dela e a trate bem. – Steve o advertia, e Bucky apenas assentiu.

— Eu sei...

— A senhorita Lewis parece ser alguém muito especial, diferente de todas as outras, não é...?

— Ela é muito mais que especial... – O soldado replicava, observando o céu pelas paredes de vidro do corredor do prédio do laboratório, mas ambos foram interrompidos por Banner, que chamava o Capitão do outro lado.

— Steve! Precisamos que venha até aqui.

— Já estou indo... – O loiro então deixou o amigo sozinho novamente.

Porém, naquele momento, quando Bucky resolveu esperar do lado do oposto do corredor, deu de cara com...

Sam Wilson...

O Falcão o observou, com os olhos estreitos e uma feição um tanto... antipática...

Não era de hoje que a relação entre os dois era bastante conturbada...

Pareciam disputar o título de melhor amigo do Capitão América de forma involuntária...

— O que foi agora? – Bucky o questionou, estranhando aquele olhar de fúria em sua direção.

Os dois se encaravam.

— É por isso que eu te odeio. – Sam rebateu, com os braços cruzados, o analisando da cabeça aos pés.

— Isso não é uma novidade, mas qual é o novo motivo? – James revirou os olhos, querendo rir. Sam era tão patético...

— Você tinha que aparecer na vida da estagiária pra estragar tudo?

— Estragar o quê? – O sargento não entendia aquela indagação.

— Estragar um possível relacionamento entre o Capitão e ela. – O Falcão dizia tudo de modo descarado, apenas porque deduziu que aquela garota tão excêntrica havia chamado a atenção de Steve, na época em que se conheceram.

— Uau... agora a culpa é minha? Você não acha que deveria ser menos inconveniente, Sam...? – O Lobo Branco sorriu de canto, presunçoso e um tanto insolente.

— Se você e o Steve não fossem amigos... eu juro que já teria te socado. – O Falcão grunhiu em resposta.

— Se eu e ele não fôssemos amigos, talvez eu já teria te matado... – Bucky sorriu ainda mais largamente e totalmente sádico.

— E talvez eu não tivesse o desprazer de conhecer você... – Sam o olhou com aversão.

Não conseguia ficar perto daquele soldado nem um minuto sequer...

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Darcy voltou para seu apartamento uma semana depois de ter conhecido Shuri e Nakia.

A princesa havia voltado para Wakanda e Nakia ficou em Los Angeles, resolvendo algumas coisas a pedido de T'Challa.

A cientista estava sozinha em sua casa... Kimberly agora estava namorando, oficialmente, ou seja, a cientista estava sozinha de vez.

Ela ligou para Jane aquele dia. A astrofísica e Erik estavam engajados num novo projeto, porém...

As coisas não iam nada bem para Jane Foster, que se encontrava com alguns problemas de saúde, e ainda assim, sua fome por trabalho não diminuía em absolutamente nada.

Tantos anos se passaram e a Doutora Foster ainda era uma workaholic.

Darcy caminhou até a sacada de seu apartamento... o dia estava ensolarado...

Ela ouvia o vento soprando... suavemente... sentindo o sol ameno tocando sua pele... e nas vibrações da atmosfera, viajava...

Ela conseguia sentir o cheiro suave que provinha do oceano, há dois quarteirões dali...

A cientista amava a fragrância da maresia...

Aquela brisa refrescante da primavera em seu auge, meneava as longas madeixas castanhas... o clima estava tão perfeito na costa oeste dos Estados Unidos... porém...

As palavras da princesa de Wakanda, escavavam o horizonte de seus pensamentos a respeito de Bucky Barnes...

Não podia negar... seu estúpido coração ficou extremamente balançado depois das declarações de Shuri... mas ela ainda se recusava a se ajoelhar perante antigos sentimentos que trouxessem sua paixão pré-adolescente por ele de volta.

O que ela sentiu por James foi muito intenso, mas conseguiu ter total controle sobre tamanho desequilíbrio emocional depois de muito lutar contra si mesma, e não estava disposta a jogar o que conquistou para o alto, apenas porque o soldado ainda ansiava reencontrá-la um dia... tudo era muito incerto... e seu trabalho árduo em esquecê-lo não poderia simplesmente ser desfeito...

A cientista chacoalhou a cabeça, no desígnio de sair daquele frenesi inconveniente... se recusava a quebrar a fortaleza que construiu em si mesma e ceder sobre qualquer resquício de sentimento que envolvesse James Buchanan Barnes.

Ela suspirou, colocando suas emoções nos eixos, e dizendo pra si mesma para esquecer tudo aquilo.

Mas enquanto falava consigo mesma, ouviu seu telefone tocar.

No visor, Kimberly.

Ela atendeu imediatamente.

— Oi, Kim...?

Joaninha, tudo bem com você!!? — A voz de sua amiga era de desespero do outro lado da linha.

Darcy estranhou o tom de voz da loira.

— Sim, por quê?

Amiga, tá acontecendo uma coisa estranha aqui onde estou!

— O que tá acontecendo, Kim!?

Diversos acidentes de carro, um atrás do outro! Um avião também acabou de bater num prédio bem aqui do lado! Será que é um ataque terrorista!? — Kimberly estava atônita, assustada e não sabia o que fazer.

— Eu não estou te entendendo! Ataque terrorista!? Como assim!?

Kimberly ficou em silêncio por longos segundos e ela ouvia alguns ruídos estranhos.

— Kim!? Cadê você!? Kim!!?

Depois de um tempo, a loira gritava desesperada ao telefone.

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DARCY!!! AS PESSOAS ESTÃO VIRANDO POEIRA!!! AH MEU DEUS!!!

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— O quê!!? Do que você tá falando!!? Como assim virando poeira!? — Darcy a questionava, aflita e desesperada, até que se assustou ao ouvir um barulho ensurdecedor do outro lado de seu prédio, e sirenes do corpo de bombeiros logo depois.

A cientista esticou o pescoço para observar o que estava acontecendo e então...

Percebeu diversas pessoas que caminhavam na Avenida movimentada...

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Virarem cinzas...

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— Ooh meu Deus... — Ela sussurrou pra si mesma, completamente assustada...

Ao ver uma cena tão horripilante como aquela, suas pernas começaram a tremer...

Joaninha, você ainda está aí!? — Kim gritava do outro lado da linha.

— Kimberly! Está acontecendo a mesma coisa aqui! Meu Deus, as pessoas estão virando poeira!!!

O MUNDO ESTÁ ACABANDO!!? ISSO É O APOCALIPSE!!?

— COMO EU VOU SABER!!? — A garota correu e ligou a TV, para saber se aquele acontecimento apocalíptico estava acontecendo em outros lugares.

Quando sintonizou no primeiro canal de notícias que apareceu...

O noticiário cobria várias partes do país onde aquele fenômeno assombroso ocorria simultaneamente...

Ela lia na legenda que não era somente nos Estados Unidos, mas...

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No planeta inteiro...

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— Kim, isso está acontecendo no planeta inteiro!!! — Ela gritou com sua amiga, mas...

Não obteve resposta...

— KIMBERLY!? ESTÁ ME OUVINDO!?

Tudo o que a cientista ouvia era o barulho de pessoas correndo e muitos gritos...

— KIM, PELO AMOR DE DEUS, ME DIZ QUE VOCÊ ESTÁ AÍ!?

E mais uma vez, sem respostas, a cientista começou a tremer, achando que sua amiga havia se tornado cinzas, porém, no mesmo instante...

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Darcy começou a se sentir estranha...

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Uma sensação densa preencheu todos os seus sentidos... sua respiração estava pesada...

Algo estava acontecendo... mas não sabia o quê...

Quando a doutora olhou para suas mãos, percebeu...

Que as mesmas começaram a se desfazer... virando...

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Pó...

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Seus olhos alargaram efemeramente, mas já era tarde...

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Seu corpo se desfez completamente... em poeira...

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