Wintershock
34 O aniversário de Steve Rogers
Notas iniciais

Era feriado de 4 de Julho nos Estados Unidos.
A independência da América. Uma data importante para o país e também...
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Aniversário de Steven Grant Rogers...
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O país se encontrava em plena festa e aquele feriado era marcado por desfiles, fogos de artifício, e muitas celebrações em todos os estados.
Steve e Sam agora estavam em Woodbridge em Nova Jersey, uma cidade ao lado de Nova York, praticamente na divisa entre os dois estados.
O país parou por um dia, já que era feriado, então, o Capitão não conseguiria prosseguir na missão de busca por seu velho amigo, já que nada funcionava, por ser uma data festiva.
O loiro se encontrava com os olhos fixos do outro lado da margem do rio Arthur Kill, que ligava a cidade à ilha de Staten em Nova York... Aquela ilha era separada do Brooklyn e apenas uma ponte as unia...
Sua antiga casa...
— Hey, cara, tudo bem...? – Sam se aproximou, tocando seu ombro, levemente.
— Sim... só estou um pouco... pensativo... – Steve replicou, ainda submerso na imagem a frente.
A dupla andava por uma calçada que possuía alguns bancos de frente para o rio. Os dois resolveram parar no local enquanto caminhavam naquela manhã.
O dia estava ensolarado, no auge do verão americano.
— Você realmente não quer dar uma pausa na missão hoje...? É seu aniversário e acho que você merece algum divertimento. O que acha? – O Falcão insistia, pela terceira vez naquele dia, em convencer o Capitão América a comemorar os seus...
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96 anos de idade...
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— Não tenho motivos pra comemorar... – O tom de voz de Steve era melancólico. O país estava em festa, mas ele não, mesmo sendo seu aniversário.
E o mais irônico era estar ali... tão perto de sua casa...
— Acho que seria melhor do que ficarmos aqui, olhando pro outro lado de Nova York, não acha? – Sam insistia e Steve sorriu singelamente para o amigo.
— Você quer ir...? Até Nova York? Basta cruzarmos uma ponte e estaremos lá. – A falsa empolgação não camuflaria o sorriso sorumbático do Capitão.
— É mesmo...? E onde devíamos ir primeiro? Na Estátua da Liberdade? – Sam passou a dar corda, no ímpeto de animar seu amigo.
— Bem... acho que é um péssimo lugar pra visitar no feriado... – Steve tentava disfarçar o quanto estava triste naquela data. Todos os americanos tinham tantos motivos para comemorar... mas não podia dizer o mesmo...
— E que tal o Brooklyn? Faz muito tempo que você não visita o lugar, certo?
Toda vez que o nome “Brooklyn” era dito, qualquer lembrança o arremetia à Bucky. Não era fácil saber que seu melhor amigo estava por aí, desmemoriado, ou talvez tenha sido pego pela HYDRA e ele nem sabia por onde começar para resgatá-lo...
— Ok, cara... então acho que a gente devia passar em Manhattan, o que acha? – Sam tentou ser irônico e Steve lhe lançou um olhar cínico.
— Sério...? Quer que eu esbarre no Stark? – A voz de Steve mudou, pois sabia que o objetivo do Falcão era animá-lo, já que qualquer coisa dita sobre Tony Stark tirava a tensão que o loiro carregava, distraindo-o.
O Homem de Ferro, aquela altura do campeonato, fazia o Capitão América rir, porque se recordava da rivalidade desnecessária entre ambos na batalha de Nova York.
— Qual é o problema? Não é melhor você passar lá e conversar com ele? O cara te liga o tempo todo e você só o ignora. Seria uma baita surpresa se aparecesse na Torre dele, não acha?
— Não, não acho... Eu te disse antes, que queria me concentrar nessa missão, e que só depois decidiríamos sobre Nova York, lembra?
— Sim, mas você não deu uma data exata... – O rapaz sorria de canto, cinicamente. A finalidade era convencê-lo ir até o Homem de Ferro e pausar a missão de encontrar Bucky Barnes, já que desde que começaram a ir atrás de pistas do Soldado Invernal, o Capitão se mantinha tenso, sem relaxar um segundo sequer.
— Eu... não acho que seja a hora... me desculpe... devo estar te deixando preocupado demais... – A feição do loiro era de culpa... Não queria dar trabalho a seu novo amigo, que sempre o seguia com convicção e plena confiança.
O Falcão se aproximou e tocou o ombro dele novamente.
— Não se sinta pressionado e nem fique preocupado comigo. Hoje é seu aniversário, então só achei que merecia ter alguma distração no meio disso tudo, mas se não se sente confortável, não tem problema... então... posso fazer uma última sugestão...?
— Vá em frente... – O Capitão esboçou um meio sorriso.
— A gente pode pelo menos ir naquele parque de diversões aqui perto? Um sorvete cairia bem. – Sam replicava, entusiasmado.
— Ok, tudo bem... você venceu... mas precisamos ir disfarçados. Não quero que ninguém me reconheça.
— Você quem manda!
Os dois riram e decidiram sair daquele lugar.
No final, Steve não se sentia preparado para cruzar a ponte em sua frente e partir para Nova York.
Tudo o que ele precisava naquele momento era esquecer de seus problemas, e Sam estava ali para ajudá-lo.
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— Seus tios estão bem, Derek?
— Sim. Foi ótimo passar esses dias aqui em Nova York, mas vou demorar pra voltar, então eu estarei aqui quando precisar.
Derek estava em Nova York para coletar materiais e pesquisas para seu trabalho de conclusão de curso, e passaria mais alguns dias na capital.
Ele se encontrou com Darcy e ambos passavam a manhã juntos, no feriado de 4 de Julho.
Nova York estava agitada naquele dia.
A dupla seguia para uma cafeteria que tinha o melhor bolo de chocolate da região de Manhattan.
— Vem, vamos tirar uma selfie! – O rapaz se aproximou da amiga, e ambos tiraram uma foto juntos, apenas para guardar de lembrança.
— Eu tô com tanta fome, que poderia comer um dinossauro. – A garota confessava, enquanto abria a porta da cafeteria.
— Eu também. – E então, os dois entraram na cafeteria, se sentaram numa mesa e fizeram seus pedidos.
Um tempo depois, a garçonete trouxe os pedidos, enquanto falavam sobre diversos assuntos.
— Você podia ir em casa de vez em quando também... Sabe que sinto sua falta às vezes... – Darcy bebia seu café na xícara de porcelana, garfando um pedaço do bolo de chocolate logo em seguida.
— Você está de brincadeira!? Acha mesmo que vou te visitar com o seu hóspede lá!? – Derek se referia ao Soldado Invernal.
— Hey, não fale assim! Tenho certeza que você ia gostar dele! O Bucky é uma ótima pessoa.
— Eu não duvido, mas você não pode se esquecer que ele é um soldado treinado por duas instituições espiãs que tocaram o terror no mundo.
— Mas ele está em processo de recuperação, e sua natureza é pacata. Seu único problema foi ter a mente bagunçada pelos malditos cientistas da HYDRA.
— Você disse que vai leva-lo pra Willowdale na sua apresentação do TCC? Tem certeza disso?
— Sim. Meus pais vão sair em mais uma de suas viagens longas a trabalho, então não terei problemas.
— Seus pais não voltam pra sua formatura?
— Só pra formatura...
— Entendi... mas devia ter cuidado... – O rapaz terminava de tomar seu café.
Ambos estavam sentados ao lado da janela, e logo pelo começo da manhã podiam observar a movimentação naquela parte de Manhattan por causa do feriado, mesmo sendo um dos lugares mais calmos do bairro.
A cafeteria se encontrava pouco movimentada, já que a maioria das pessoas se concentrava nos festivais e desfiles que ocorreriam ao longo do dia.
— E a Stephanie? Não vai vê-la? – A garota exibia um sorriso petulante, porque toda vez que mencionava sobre a loirinha, Derek começava a tremer.
— Claro que não! Por que eu deveria!?
— Porque se você não for, ela vai te visitar em Willowdale. Eu a encontrei há poucos dias e ela disse que queria passar uns dias lá. – Darcy começava a degustar outro pedaço do maravilhoso bolo de chocolate.
— Sem chance! Eu não quero ver essa garota! Ficamos muito tempo sem nos ver e consegui desencanar, mas se eu a encontrar, pode ser que todo o meu emocional desmorone de vez! – O rapaz entrava em pânico por causa de seu maldito amor platônico.
— Não sei porque você tem tanto medo assim... se você desencanou, não era pra estar nervoso desse jeito. – A estudante o rodeava com os olhos.
— Isso é porque... A Steph foi a grande paixão da minha vida... e eu não quero me iludir! Estou sendo racional e você devia fazer o mesmo! Vai ficar suspirando pelo sargento Barnes até quando!? Até ele cair fora da sua vida sem dizer adeus!?
Darcy arregalou os olhos e tapou a boca do rapaz no mesmo instante.
— Fica quieto!!! Para de falar o nome dele tão alto!
— Então pare de mencionar a Steph o tempo todo!
— Idiota... – Ela revirou os olhos.
— Idiota é você... – Derek também revirou os olhos, em total desaprovação. Pareciam duas crianças brigando, e isso porque Kimberly sequer foi citada na conversa.
Em meio ao desentendimento dos dois, uma dupla incomum entrava na cafeteria.
Derek arregalou os olhos quando se deu conta de quem acabara de entrar no local, já a estudante se encontrava imersa na imagem e no sabor irresistível de seu bolo, quando...
Avistou as tais pessoas e automaticamente começou a se engasgar...
Dando um piripaque...
Sua tosse foi tão alta, que chamou a atenção das poucas pessoas ali, inclusive da dupla que recentemente havia chegado ao local...
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Tony Stark e Bruce Banner.
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Os dois olharam para a garota, um pouco curiosos e ao mesmo tempo incomodados.
Ambos esboçaram uma feição pasma, importunados pela tosse desesperada da estudante, que parecia estar morrendo engasgada.
A cara de perplexidade de ambos, mostrava o quão importuno tudo aquilo estava sendo.
Darcy começou a entrar em pânico quando percebeu que Bruce Banner a olhava um tanto intrigado.
Derek se aproximou e começou a dar tapas nas costas dela, mas a estudante estava mais preocupada em achar seus óculos escuros e coloca-los imediatamente, no ímpeto de não ser reconhecida por um certo cientista que secretamente podia virar o gigante esmeralda.
E tudo porque a estudante deixou que um lindo acidente acontecesse com uma pesquisa do cientista, dentro da Universidade de Culver...
— Darcy, disfarça... porque se você sair correndo agora, vai ficar muito na cara que está fugindo. – Derek sussurrava baixo no ouvido dela, tentando acalmá-la.
— Eu conheço essa menina... Mas não estou lembrando... – Bruce comentava com Tony, atentando para a cena da garota desesperada em parar de tossir.
— Vem cá, a gente veio aqui pra tomar café ou pra ver uma garota tendo um ataque de esquizofrenia porque viu a gente entrar? – O Homem de Ferro soltava suas piadas grossas, pouco interessado na reação das pessoas quando o viam. Já era normal muitas mulheres se comportarem daquela forma bem antes de se tornar o Homem de Ferro.
— Não, Tony... Eu conheço essa garota... – O cientista atentava para fisionomia da estudante enquanto caminhava lentos passos em direção a ela, completamente desconfiado.
— Darcy, sujou... Vamos ter que correr mesmo, porque ele já está vindo até aqui... – O rapaz cochichava discretamente.
— Jura!? – Darcy olhou com raiva para Derek, puxou seus óculos escuros, os colocando desastradamente nos olhos e então...
— Quando eu contar até três a gente corre, fechado...? – le sussurrou, tentando disfarçar ao máximo.
— Fechado... Cof, cof... – Ela ainda tentava parar de tossir.
— Um... Dois... TRÊS! – E então...
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A dupla correu o mais rápido que podia, com Derek abrindo a porta da cafeteria rápido como um foguete.
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Os dois saíram correndo, como o diabo fugindo da cruz...
Ambos nem olharam pra trás, e muito menos se incomodaram em chamar atenção das poucas pessoas que se encontravam ao redor.
Já Banner e Tony observavam a cena... pasmos o suficiente pra perguntarem a si mesmos o que foi aquilo...
— Você... tem ideia do que acabou de acontecer aqui...? – Tony indagava o cientista.
— Não, mas... era pra ter acontecido o contrário, afinal, o Homem de Ferro acabou de cruzar a porta da cafeteria e os dois saíram correndo...? – Banner não compreendia porque os dois jovens correram dali, como se estivessem fugindo...
— Não foi você que disse que conhecia a garota? Será que ela não te reconheceu?
— Como assim me reconheceu? – Banner arqueou uma sobrancelha.
— Ela deve saber que você é o Hulk e ficou assustada. É normal, deve acontecer o tempo todo, não acha? – O bilionário tirou os óculos escuros, indo para o balcão, como se a cena grotesca de antes não fosse nada demais.
— Agora que você falou... acho que deve ser isso, mas ainda assim... por que não consigo me lembrar de onde eu a conheço?
A dúvida estava lançada, mas Tony não se importou, afinal...
Era normal que os homens esquecessem facilmente o rosto das mulheres.
A dupla fez o pedido e se sentaram em frente ao balcão para esperar.
— Ainda bem que a gente saiu um pouco da caverna nesse feriado... Estava precisando... – O bilionário esticava os braços, alongando-se.
— Não vai sair com a Pepper hoje?
— É ruim hein... A senhorita Potts desligou o telefone na minha cara ontem à noite. – O semblante de Tony nublou, quando se recordou de mais um dos discursos autoritários e moralistas da loira, puxando a orelha do mesmo em relação à sua saúde.
— Não sei como ela tem paciência de aturar você... – Banner era sempre sincero e na maioria das vezes, defendia Pepper na maior cara dura, pois estava de acordo com o que a mesma dizia o tempo todo para o gênio das Indústrias Stark.
— Não gosto desse seu complô com ela... É sempre dois contra um... estou sempre em desvantagem.
— Claro... ela é uma mulher que te ama e se importa com você de verdade. Devia valorizar isso.
— Ah, vamos parar de falar da minha vida amorosa e vamos falar da sua... – Os olhos do Stark o miraram, cinicamente.
— Minha vida amorosa? E desde quando eu tenho uma? – Banner soltou uma gargalhada discreta. Amava quando Tony surgia com piadas fora de hora.
— Você nunca considerou ligar pra Beth Ross depois de todos esses anos...? Se bem que, com um pai mala daqueles, é difícil ter ânimo de correr atrás, certo?
— Tony... A Beth e eu não nos falamos há muito tempo e eu não considero ir atrás dela. Não tem porquê falarmos sobre isso, além do mais, estou muito concentrado no nosso trabalho, então não quero continuar essa conversa sem pé e nem cabeça.
— Não teve nenhuma mulher que te chamou atenção em todos esses anos?
— Não. Vamos mudar de assunto?
— Não. – Tony protestou, pirracento.
— Olha, hoje é feriado de 4 de Julho e... – O cientista ficou em silêncio, fazendo uma cara de assustado.
— O que foi? – O Homem de Ferro não entendia a expressão do amigo.
— Hoje é 4 de Julho, Tony!
— E...?
— É aniversário do Steve! – Banner conclamou, surpreendido por ter se esquecido de um fato tão importante.
— Sério...? Nada clichê... – O bilionário ironizava, desdenhando do fato de a data de nascimento do Capitão América ser justamente a mesma data da independência dos Estados Unidos.
— Temos que ligar pra ele!
— Correção: Você vai ligar pra ele. Me deixa fora disso. – O Homem de Ferro colocava seus típicos óculos escuros chamativos, expressando indiferença sobre o aniversário de seu... desafeto...
— Ah, para com isso, Tony! Vamos ligar pra ele e mostrar alguma consideração! Como você quer que ele venha até a Torre se está sempre sendo mal-educado e sarcástico? Você acha que ele não percebe o seu tom de voz desdenhoso ao telefone?
— Eu liguei pra ele mil vezes e não tive retorno. Por que deveria ligar pra desejar feliz aniversário?
— Porque se quiser ver a equipe reunida outra vez e descobrir a localização do cetro, precisamos ir atrás dele! Insista... Talvez ele te atenda hoje! – O cientista persistia, mas o bilionário não estava a fim.
— Por que você não tenta...? É feriado, então hoje você faz as honras. – Tony revirou os olhos.
— De jeito nenhum! Você tem que ligar!
— Mas-
— Sem mas, Tony. Liga pra ele agora.
O Homem de Ferro fez um bico, lançando um olhar teimoso na direção dele.
— Não tô gostando desse tom, hein... Tá sendo influenciado pela Pepper...
— Que ótimo saber que estou aprendendo com ela. Agora liga de uma vez. – Bruce insistiu, ficando em cima, e Tony... tirou o telefone de bolso a contragosto.
Ele suspirou... impaciente.
— Que droga, Banner... se ele não atender, eu desisto, entendeu?
— Ele vai atender. Agora para de reclamar. – O cientista virou para o balcão na direção do garçom, pegando a bandeja com os pedidos dos dois.
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No parque de diversões na companhia de Sam, Steve sentiu o telefone vibrar no bolso de sua calça.
O Capitão América e o Falcão se encontravam disfarçados como sempre...
Boné e óculos de aviador, além dos básicos trajes que se resumiam à camiseta, calça jeans e tênis.
Quando o loiro tirou o telefone do bolso, leu o nome no visor.
“Stark”.
Ele suspirou, um pouco irrequieto... mas não tinha jeito... Todos no mundo sabiam que ele fazia aniversário naquela data, então não tinha desculpa pra não atender, afinal, tirava aquele dia de folga meio que forçado, obviamente.
— Alô?
— Que milagre! Ele atendeu! Ouviu, Banner!? O Capicolé atendeu!
— Stark... será que dá pra parar de me chamar assim? Saí do gelo há mais de dois anos, então, não sou mais um... picolé... – Steve tentava aleatoriamente descontrair, o que ocasionou certa surpresa no Homem de Ferro atrás da linha.
— Por quê? O picolé derreteu!? E virou o quê agora? – Steve apenas ouvia a risada do bilionário.
— Doce de jiló... Vai, fala logo o que você quer... – Não tinha paciência com Tony Stark e seu sarcasmo fora de hora.
— Você não tem mesmo senso de humor, hein? Mas vou te dar uma chance de aprender comigo... Quando é que você pode vir até Nova York pra gente... você sabe... discutir sobre aquele plano que te falei a algumas semanas atrás? – Tony ia sempre direto ao ponto, mas quando pensou em responder, ouviu outra voz ao fundo, gritando com o bilionário.
Parecia ser a voz de Banner, já que tudo o que conseguiu ouvir foi: “Você é um idiota! Para de ser insensível! Não foi pra isso que pedi pra ligar pra ele! Por que você sempre estraga tudo?”
— Stark, ainda está aí...? – O loiro não entendia bulhufas do que a dupla por trás da linha falava.
— Ah... foi mal, Capico- quer dizer... Steve... Olha, na verdade eu liguei pra te desejar um feliz aniversário... é isso... – O tom de voz de Tony Stark havia mudado, de algo cômico para um tom ponderado e civilizado.
O Capitão América não acreditava no que estava ouvindo.
— Tony... Você bebeu...? – O loiro deixou uma risada discreta escapar e aquilo deixou o bilionário perplexamente irritado.
— Eu não fico bêbado há anos, Rogers... — E do outro lado da linha, era possível ouvir um Doutor Banner rindo desvairadamente da cara do Homem de Ferro.
— Sério, vocês vão ficar aí fazendo essa algazarra comigo na linha? – O Capitão ficava impressionado em como Banner e Stark se davam bem e aquilo lembrava sua antiga relação com Bucky.
— Não, Steve! Eu liguei pra você várias vezes! Por que não retornou!? – Finalmente o real caráter de Tony tinha a tona.
— Porque... eu estou em outra missão agora. Me desculpe por não retornar as ligações...
— Sei... mas será que não tem um tempo pra vir até aqui!?
— Eu vou... Eu prometo... me dê só uns dias pra resolver algumas questões...
— Ótimo, então... quando você vier aqui, te darei seu presente de aniversário, e... Quantos anos você está fazendo mesmo...? – Tony já estava formulando uma piada ácida, porque sabia que o Capitão América tinha quase 100 anos de idade.
— Bem... é só você pegar os meus arquivos e conferir o meu ano de nascimento. – O tom de voz de Steve era divertido. Por mais que ele e o Homem de Ferro tivessem suas diferenças, era impossível não rir quando conversavam, seja lá qual fosse o assunto.
— Diz aí, vai!?
— Vou ficar aguardando sua ligação daqui há uns dias então... – O Capitão desconversava.
— Perai, diz aí quantos anos, Rogers!
E então, repentinamente, Banner tomou o telefone da mão de Tony e assumiu.
— Steve, feliz aniversário. Pode deixar que vou me certificar que o Tony tome o rivotril hoje, ok?
— Obrigado, Doutor Banner. É melhor tomar cuidado pra não virar o Hulk, porque o Stark deixa qualquer um espumando de raiva.
— Não vou virar o Hulk não. Já estou acostumado com esse ser humano nobre aqui. – E então, ele segurou o ombro do Homem de Ferro, que já se encontrava tirando a embalagem de seu café da manhã.
O cientista apertou o botão do viva-voz, mas Tony pegou o telefone de sua mão.
— Aí, Steve, estou comendo um croissant maravilhoso numa cafeteria aqui perto da torre. Se vier pra cá, eu te trago aqui, mas só se dizer quantos anos está fazendo hoje! – O bilionário insistia em saber a idade do loiro.
— Pensei que me convidaria pra comer Shawarma de novo...
— Ótima ideia! Já que o Thor também está aqui em Nova York, vamos fazer uma reuniãozinha e depois sair pra comer Shawarma.
— O Thor está em Nova York? Desde quando? – O loiro indagava, curioso sobre o asgardiano.
— Ele está morando com a namorada.
— Namorada? A astrofísica que trabalha com o Doutor Selvig? – Steve se encontrava extremamente curioso sobre Thor, afinal, ele era um ser de outro planeta e pela lógica, não deveria estar tão habituado a terra...
Não mais do que ele... um homem de outro tempo...
— Sim, ela mesma. O nome dela é Jane Foster! – Banner gritava do outro lado da linha.
— Interessante... – O Capitão sorriu, impressionado... quem diria que Thor, filho de Odin, com mais de 1500 anos de idade, namoraria primeiro do que ele, um super soldado da década de 40...
O mundo estava acabando mesmo...
— Vai vir pra Nova York comer shawarma com a gente!? Sim ou não!?
— Eu vou... eu prometo...
— Eu te ligo. Fique com esse celular ligado, entendeu!? – Tony Stark ordenava.
— Combinado então.
— Vamos ficar te esperando, Steve! – Banner gritava porque Tony não o deixou pegar o aparelho de volta.
— Até mais, rapazes. – E então, ele desligou.
Depois daquele diálogo estranho com Tony e Banner, Steve se sentiu incrivelmente mais leve.
Foram longos dias atrás de pistas que levassem a uma conclusão sobre a fuga do Soldado Invernal de Washington... Dias de tensão e tormento por não saber onde seu amigo de infância estava... Mas só ali e depois daquela ligação bizarra com os antigos companheiros da batalha de Nova York, que ele sentiu que o velho Steve Rogers voltava a assumir o controle...
— E aí...? Já combinou com seus amigos de ir pra Nova York? – Sam, que observava tudo de longe, se aproximou lentamente do loiro, feliz por notar que o mesmo parecia mais tranquilo.
— Eles não são meus amigos... – Steve sorriu, com uma feição ótima.
— Olha... se não são seus amigos, então estão bem perto de ser, não acha? – O rapaz também sorria, satisfeito por vê-lo melhor.
— Foram meus companheiros de batalha... apenas isso... – Steve fitou o céu... azul e tão cheio de nuvens, pensando no que Tony, Banner e Thor representavam para ele.
— E companheiros de batalha não são amigos? O que eu sou pra você então? – Sam cruzou os braços e franziu o cenho, exibindo uma falsa carranca.
— Você sabe que é meu amigo. Pare de ser tão exigente. – Steve se virou, olhando pra frente, para a montanha russa onde várias pessoas gritavam com os braços pra cima, se divertindo.
— É bom que eu seja mesmo, porque não me contento em ser apenas um companheiro de batalha, entendeu?
— Eu entendi, Sam... – E então, o loiro ajeitou o boné na cabeça e começou a andar na direção do brinquedo.
— Você vai mesmo na montanha russa? – O Falcão o indagou, pasmo.
— Eu vou... Você não vai?
— Só vou se você não vomitar.
— Fechado.
E então, a dupla rumou para o brinquedo.
Finalmente Steve se deu um descanso... No dia 4 de Julho... Seu aniversário...
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