Wintershock

72 O Blip após cinco anos


22 de Abril de 2023...

O universo ainda tentava se reerguer com metade de todos os seres vivos que se desintegraram no estalar de dedos da manopla do infinito conduzido por Thanos.

Os Vingadores travaram uma batalha decisiva contra o exército do titã da linha do tempo de 2014, disposto a destroçar aquele universo até a sua última molécula.

Felizmente, os maiores heróis da terra obtiveram êxito e conseguiram reverter o genocídio em massa de cem por cento de todo o universo...

O estalar de dedos gerou uma intensa onda de luz ofuscante por todo o continente, deixando o planeta terra em estado total de alerta, mas...

Todas as pessoas que se desintegraram no estalar de dedos em 2018...

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Surgiram do nada, totalmente reintegradas e nos mesmos lugares de onde viraram poeira...

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Aquilo pegou a todos os seres vivos do universo de surpresa...

Ninguém esperava que o tal genocídio pudesse ser desfeito, mas de alguma forma, as coisas que antes já estavam caóticas pela falta da metade da população mundial, se tornaram ainda mais apavorantes com o reaparecimento de todos... repentinamente...

A instalação dos Vingadores no norte do estado de Nova York ficara completamente destruída por conta da batalha contra Thanos.

Os escombros podiam ser vislumbrados de longe...

A guerra terminara, com a derrota do titã e seu exército, mas com duas baixas...

Natasha Romanoff e Tony Stark...

Os Vingadores e os Guardiões da Galáxia se uniram naquele momento tão conturbado...

Todos se encontravam cercados pelo exército do rei T’Challa, o exército de asgardianos liderados por Valquíria e os magos liderados por Wong.

Ninguém esperava a morte do Homem de Ferro... todos foram pegos de surpresa, com exceção de Stephen Strange.

Porém, naquele momento, precisavam arrumar uma forma de devolverem as joias do infinito para os seus locais de origem.

O grupo composto pelos Vingadores e os Guardiões da Galáxia bolava um plano para cumprirem o mais importante dos objetivos...

Que as joias do infinito retornassem para o tempo exato de onde foram tiradas...

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Enquanto isso, do outro lado dos Estados Unidos, na costa oeste, mais precisamente em Los Angeles – Califórnia...

As pessoas se reintegravam efemeramente na frente das demais, causando um conflito de grandes proporções.

Todas as pessoas que voltaram a vida com o novo estalar de dedos da manopla do infinito, principalmente nas grandes metrópoles, geraram grande desordem e tudo estava de pernas para o ar...

Em Santa Mônica, mais uma pessoa se reintegrava das cinzas...

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Darcy Katherine Lewis...

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A doutora ressurgia, literalmente das cinzas, dentro de um cômodo fechado, escuro e completamente empoeirado...

Seu apartamento de cinco anos atrás...

A garota olhava ao redor, completamente assustada, não entendendo absolutamente nada do que estava acontecendo...

Onde estava...? O que havia acontecido...? Por que estava ali...?

Tudo soou como num piscar de olhos...

Não havia nada no local... apenas um ambiente fechado e sem móveis...

Ela constatava que aquele era seu apartamento, mas...

O que havia acontecido afinal? Por que todos os móveis haviam desaparecido do nada?

Parecia que ninguém pisava ali durante anos por conta do aspecto abandonado...

— Ooh meu Deus, o que está acontecendo...!? – Ela olhava para suas mãos, se lembrando que tinha virado poeira... como poderia estar de volta?

A primeira coisa que pensou, foi em abrir a porta da sacada do apartamento...

E foi o que ela fez...

Quando a cientista atravessou a entrada, contemplou Santa Mônica...

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Totalmente desordenada, com muitas pessoas no meio da rua, perdidas, confusas e gritando.

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Aquele local estava uma bagunça por inteiro...

Ela precisava sair dali e averiguar o que de fato estava acontecendo.

A garota olhou para a porta, mas sabia que estava trancada, então a primeira coisa que passou em sua mente, foi atravessar o parapeito do apartamento e ir andando até pular pela cobertura de uma das portas do prédio, já que aquele era o primeiro andar.

E foi o que Darcy fez...

Era arriscado, mas em meio aquela situação caótica, precisava sair dali imediatamente...

A doutora estava vestida com trajes muito informais... short jeans e regata, além de estar descalça.

Quando a mesma conseguiu pular pela porta do prédio, logo começou a correr e cruzou o portão principal.

Ela percebia que tudo estava pelos ares, com pessoas no meio das ruas, atônitas e causando grande confusão...

Darcy olhou para os lados e pensou em procurar um telefone público, para que pudesse ligar para seus pais e amigos, já que não tinha nada além de...

Dez dólares no bolso de seu short...

— Droga... – Tudo estava um caos e precisava agir rápido...

Então, a primeira ideia que teve foi de correr para uma lan house que havia a algumas quadras dali.

A cientista correu sem parar, por cinco minutos e quando chegou ao local, percebeu que havia muitas pessoas aglomeradas, com o mesmo objetivo que ela...

Usar a internet para se comunicar e entender o que estava acontecendo.

Ela atravessou a multidão, empurrando todos em sua frente e então, se dirigiu ao balcão...

A atendente estava assustada com a movimentação violenta no local.

— Hey, garota, me vende quinze minutos, por favor! – Darcy exigia em alto tom, enquanto a atendente do não sabia o que fazer com o tumulto assustador no recinto.

— Todos os computadores estão ocupados, senhora! Não temos mais horários! – Era notável o olhar aterrorizado dela, que não sabia o que fazer naquele momento.

— O que aconteceu afinal!? – A cientista precisava de respostas. Tudo estava confuso e as pessoas na rua não falavam coisa com coisa.

— Senhora, a única coisa que posso te dizer é que metade das pessoas do planeta desapareceram repentinamente há cinco anos e agora... parece que todos ressurgiram de nada.

— O QUÊ!? CINCO ANOS!??? VOCÊ ESTÁ DIZENDO QUE CINCO ANOS SE PASSARAM!?

— Sim... estamos em 2023...

Darcy não podia acreditava no que estava ouvindo... cinco anos? O que tinha acontecido afinal?

— Garota, você pode pelo menos me emprestar o seu telefone? Preciso ligar para uma pessoa. É urgente.

— Se eu fizer isso, vou ter que emprestar para os outros que estão na fila. Eu sinto muito!

A doutora revirou os olhos... não era possível que diante de todo aquele caos, não podia sequer se comunicar com ninguém...

— Por favor... eu preciso saber se todos estão bem. Vai levar só dois minutos. Eu prometo.

A atendente suspirou... mas resolveu ceder, um tanto relutante.

— Certo, mas não demore...

E então, Darcy pegou o telefone da mão da garota e procurou um lugar menos barulhento.

As pessoas aos arredores pediam a atendente para emprestar seu telefone também e a garota não sabia o que fazer.

Do outro lado, Darcy discava um número...

O certo era ligar para seus pais e amigos, mas... a única pessoa que vinha em sua mente naquele momento e que deveria contatar era...

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Jane Foster...

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Ela sabia o número da astrofísica de cor, mas não tinha ideia se a mesma atenderia...

Depois de muitas tentativas, a doutora não obteve êxito...

Mas... Darcy resolveu tentar o número da casa dos pais de Jane... poderia ser improvável que ela estivesse lá, mas era melhor do que não tentar nada.

E então, depois de alguns segundos...

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Alô!?

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— Jane, sou eu, Darcy!

Darcy!? Ah meu Deus, você está bem!? – A astrofísica gritava do outro da linha.

— Jane, o que tá acontecendo!? Eu estava no meu apartamento, quando de repente, vi pessoas virando poeira, até que eu mesma também virei poeira e -e -e depois... — Ela estava assustada e apavorada, que sequer sabia como continuar.

Se acalme. Fale pausadamente.

— Eu voltei... do nada meu apartamento estava vazio e havia pessoas nas ruas gritando! Tudo está uma verdadeira confusão...! O que está acontecendo com o mundo!? Isso é alguma ameaçava alienígena!?

Darcy... tudo o que eu posso te dizer é que a mais ou menos uma hora, um brilho ofuscante se espalhou por todos os cantos do continente americano e que tudo voltou ao normal... eu também não entendi nada...!

— Você virou poeira!?

Eu vim para Medford passar um tempo com meus pais e quando toda essa loucura aconteceu, eu estava dormindo... Não vi nada em minha frente, mas quando acordei, estava sozinha aqui... Meus pais não estão em canto nenhum, então é bem provável que eu tenha virado poeira também.

— Céus, Jane! Será que está tudo bem com eles!?

Eu não sei... estou tão confusa quanto você, mas pelo que estou vendo no noticiário na TV, parece que metade da humanidade desapareceu há cinco anos e reapareceu do nada agora. Basicamente, isso é tudo o que eu sei.

— Como isso é possível!?

Não tenho ideia... Eu liguei para o Erik e ele está vindo pra cá.

— Eu preciso me encontrar com vocês também!

O Erik deve chegar em algumas horas. Vamos para o laboratório em Michigan, mas não consegui comprar passagens de avião porque todos os aeroportos estão interditados.

— Se é alguma ameaça alienígena, eu quero saber! Eu vou até Oregon! Me espere aí!

Certo... Vamos nos reunir pra irmos atrás de algumas pessoas. O Erik disse que alguns amigos astrofísicos da universidade de Culver ligados ao governo vão nos esperar em Michigan.

— Eu estou na Califórnia e como Oregon é aqui do lado, devo chegar rápido. Apenas me espere!

Darcy, está perigoso transitar por aí sozinha. O mundo está de pernas pro ar!

— Eu vou alugar um carro... quer dizer... sei lá, pegar uma carona ou ir de ônibus, mas por favor, eu preciso ir com vocês! Preciso saber o que aconteceu!

Ok... mas tome cuidado!

— Pode deixar!

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Depois de cinco horas, os três se encontraram em Medford – Oregon, na casa dos pais de Jane, que também haviam se desintegrado no estalo.

Darcy conseguiu entrar em contato com Kimberly... a loira foi uma das vítimas, assim como seus pais...

Todos voltaram a vida...

Já Derek e Steph, que haviam sobrevivido, estavam eufóricos porque as duas estavam vivas.

Antes de chegar em Oregon, Darcy retirou algo valioso de um cofre que alugou num armazém em Los Angeles...

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Um taser potente... que ficou ali por cinco anos seguidos...

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Se sairia com os astrofísicos para descobrir sobre uma ameaça global alienígena, teria de estar bem equipada.

E então, finalmente...

Jane, Erik e Darcy se reuniram, depois de muitos anos...

Como nos velhos tempos.

Erik explicava o que sabia, sendo que o cientista também havia virado poeira no estalo.

— Um ser chamado Thanos conseguiu dizimar metade de todas as criaturas do universo e isso há cinco anos. Mas pelo que entendi, parece que alguém conseguiu desfazer isso, já que todos retornaram.

— Meu Deus... isso é surreal...! É por isso que quando virei poeira eu estava no meu apartamento e quando voltei, não havia mais nada lá! – Darcy ainda não conseguia acreditar no que ouvira. Era tudo muito insano e inacreditável.

— Como isso aconteceu...? – Jane andava de um lado para o outro, com as mãos na cabeça.

— Não tenho ideia... mas as poucas informações que tenho é que os Vingadores estavam lá para impedir. – O astrofísico explicava, observando Jane surtando e Darcy encostada na parede, segurando seu taser.

— Mas como os Vingadores poderiam fazer algo? Eles não tinham se separado? – Darcy o questionava, no entanto, isso era uma informação de 2018... e estavam em 2023.

— Eu não tenho ideia do que aconteceu nesses cinco anos, mas... – Erik olhou para o lado, e uma emissora de TV fazia a cobertura de todos os acontecimentos sobre o retorno de mais de 3,4 bilhões de pessoas no planeta terra.

Os três prestavam atenção no noticiário que mostrava a vista aérea da base dos Vingadores no norte do estado de Nova York...

Completamente destruída...

— O que aconteceu lá!? – Darcy contestou, perplexa e atônita.

— Eu não sei, mas precisamos descobrir. – Jane roía as unhas, tamanho nervosismo.

— E vamos chegar lá do nada!? Não acham que o mundo inteiro cercou aquele lugar pra descobrir!? – A cientista política indagou, sem saber o que de fato deviam fazer.

— Se a base deles está destruída, então isso significa que foram eles que conseguiram desfazer esse estrago!? – Jane especulou, tentando entender.

— Em vez de ficarmos aqui com essa especulação, vamos até lá descobrir tudo isso e perguntarmos para eles. – Erik sugeria e as duas não entendiam como poderiam chegar até o norte de Nova York com o mundo mergulhado num completo caos.

— Erik... vamos levar dias pra chegar até lá de carro... – Darcy sabia que seria quase 3 mil milhas até a instalação dos Vingadores em Nova York.

— Eu já acionei um amigo meu, e ele vai nos levar até lá de jatinho.

— É sério!? – Jane e Darcy gritaram, em uníssono.

— Preparem-se, porque em algumas horas, vamos cruzar todos os Estados Unidos voando.

— Eu já estou pronta... – A cientista política alisava seu lindo taser, a única coisa que havia restado de seus itens pessoais...

Ela perdeu seu apartamento, seus móveis, pertences pessoais e até o emprego, mas ao menos o seu companheiro de todas horas estava ali...

Erik e Jane reviraram os olhos em resposta...

Darcy nunca deixaria de ser aquela menina sem noção, até mesmo nos piores momentos...

.

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Depois de muitas horas, finalmente Erik, Jane e Darcy desembarcaram no exato lugar onde ficava a instalação dos Vingadores...

Chegando lá, os três observam o local em ruínas...

— O que aconteceu aqui...? – Jane se aproximava, assombrada pelo cenário de terror...

Erik e Darcy se encontravam com os olhos arregalados... o lugar estava tão devastado, que não era possível saber se havia sobreviventes ali.

Os três andaram em lentos passos, mas...

Algumas pessoas surgiram dos escombros...

Mulheres negras, com uniformes vermelhos, segurando lanças.

Erik e Jane paralisaram no mesmo instante...

Já Darcy, arregalou os olhos, recuou para trás e levantou as mãos para cima.

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Hey, tudo bem, somos americanos!

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Jane olhava para trás, perplexa. A cientista política fez a mesma coisa em Londres, anos atrás.

Desde quando dizer sua nacionalidade ajudava naquelas horas?

— Quem são vocês e o que querem aqui? – Uma delas inquiriu, em voz alta, com a lança apontada na direção dos três.

— Viemos aqui para saber o que aconteceu... – Jane respondeu receosamente, mas as mulheres aproximaram ainda mais suas lanças depois de ouvirem a astrofísica.

— Todos que chegaram aqui, disseram a mesma coisa! Agora deem o fora! – Aquela que parecia ser a líder do grupo, bradou, numa posição ameaçadora.

— Por favor, somos amigos do Thor e viemos aqui atrás dele! – Dessa vez, era Erik que entrava na frente, tentando amenizar a situação.

— Amigos do deus do trovão?

— Sim... será que você não pode chama-lo!? – Jane pedia educadamente, fazendo com que as mulheres que trajavam aquelas roupas estranhas, abaixassem as lanças.

Darcy suspirou aliviada... pensou que viraria churrasquinho no espeto.

A líder do grupo, falava num aparelho de escuta, mas os três não sabiam se ela de fato estava avisando alguém sobre a chegada deles, ou se morreriam ali mesmo, só por terem aparecido no local.

Depois de um minuto, a mulher parecia ter sido notificada por alguém na escuta.

— Qual é o nome de vocês?

— Erik Selvig, Jane Foster e Darcy Lewis. – O cientista respondia, temendo que fossem impedidos de prosseguir.

A mulher recebeu uma resposta e por fim, abaixou sua lança completamente, mas com uma feição um tanto desconfiada.

— Vocês podem entrar, já que Thor alegou que os conhece, mas evitem fazer perguntas e serem inconvenientes, pois o clima do grupo não é dos melhores.

— Pode nos dizer o que aconteceu? – Erik a indagava, apreensivo.

— Essa batalha tirou a vida de dois Vingadores. Todos estão se preparando para o funeral.

— Qual deles...?

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Natasha Romanoff e Tony Stark.

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Os três arregalaram os olhos no mesmo instante.

Não imaginavam que o Homem de Ferro e a Viúva Negra tinham morrido durante a batalha.

Então, depois de longos minutos, os três entraram no local, que estava cercado pelas Dora Milaje.

A líder delas, Okoye, os conduziu até o que havia restado das instalações.

Mas no meio de toda aquela destruição, havia um prédio que parecia não ter sido construído ali.

Mais tarde, eles vieram a descobrir que o tal prédio era do Doutor Hank Pym, que trabalhava junto com sua filha e esposa na reconstrução de um novo dispositivo quântico para que Steve Rogers pudesse viajar no tempo e devolver as joias do infinito aos seus respectivos lugares, assim como o mjolnir.

Jane e Erik se juntaram a família de Hank Pym, porque os astrofísicos também lidavam com física quântica.

O encontro entre Jane e Thor foi inevitável, e ambos não sabiam exatamente o que dizer um ao outro, já que o término do relacionamento entre os dois foi um verdadeiro desastre...

Quando o deus do trovão cruzou a porta do laboratório, cumprimentou Darcy e Erik, mas quando chegou em Jane...

— Oi... Jane... quanto tempo... – O loiro se dirigiu a astrofísica, timidamente...

O asgardiano estava um tanto diferente... além de ter uma estatura maior, estava repleto de ferimentos no rosto.

A cientista não se atentou para isso, mas ficou apreensiva ao vê-lo tão desgastado...

— Thor... o que aconteceu...? – Ela se aproximou, o analisando completamente.

— Não te contaram...? – Ele sorriu, temeroso por vê-la depois de tanto tempo... era como se seu psicológico não estivesse preparado.

— Sim, mas... você está bem...? – Jane mostrava compadecimento através do olhar... e Thor não gostava de vê-la lançar aquele tipo de expressão de piedade em sua direção.

— Eu estou ótimo... – Tentava disfarçar, mas a astrofísica sabia que o deus do trovão estava mentindo.

— Será que podemos conversar...? – Ela requeria, educadamente ao asgardiano... sentia que ele não fosse mais o mesmo... Thor parecia tão...

Frágil...

— Ah, tudo bem, podemos conversar sim... vamos para outro lugar. – E então, o loiro pediu para que Jane o seguisse e assim ela fez.

Quando chegaram na porta, passaram por Scott Lang, que olhou para o rosto dela e logo se lembrou de quando todos estavam estudando as joias...

“A ex-namorada de Thor...” – Ele pensava...

O dois saíram da sala, e o engenheiro elétrico chegava até onde Hank e Hope estavam.

— Aquela não é a ex-namorada do Thor? – O Homem Formiga indagou-os, mas a resposta veio de outras pessoas que ele não conhecia.

— Ela é sim. Você a conhece? – Darcy, que estava do outro lado do laboratório, perguntava.

— Só de vista, mas... quem são vocês? – Scott não sabia quem eram aqueles que estavam ao lado de Hope.

Porém, a Vespa o respondeu no mesmo instante.

— Esse é o Doutor Erik Selvig e essa é a Doutora Darcy Lewis. Eles trabalham juntos com Jane Foster.

— Aah, entendi... muito prazer em conhece-los... – Scott os cumprimentava.

— O prazer é todo nosso. – Erik respondia de volta, educadamente.

— Vem cá, será que tem alguma máquina de café expresso por aqui? – Darcy, que estava um pouco entediada com tudo relacionado à física quântica, a qual não entendia muita coisa, perguntava repentinamente.

Não sabia quanto tempo ficariam ali... A maior parte dos Vingadores estava aguardando notícias de Pepper Potts sobre o horário do funeral de Tony Stark.

O clima estava muito pesado... ainda mais depois de saber como toda aquela tragédia envolvendo o titã Thanos havia acontecido em 2018.

— Lá embaixo, no térreo, tem uma cozinha coletiva. Mas tome cuidado pra não fazer tanto barulho, porque parte do grupo está descansando... foi um dia muito penoso para os Vingadores. – Hope orientava Darcy a ser o mais silenciosa possível.

— Desculpe a intromissão, mas quem mais está por aqui?

— Bem... eu não os conheço direito... as pessoas que estão aqui são os dois magos, o rei T’Challa e sua irmã e os principais Vingadores e Guardiões da Galáxia. Isso é tudo o que eu sei. – Hope replicava, tirando parte das dúvidas de Darcy.

— Guardiões da Galáxia? – Questionava, sem entender.

— Eu também não sei muito sobre eles...

— Garota, tome cuidado se esbarrar num guaxinim. Ele é o mais perigoso dos Guardiões da Galáxia. – Scott completava, alertando a garota.

— Guaxinim!? Céus, tem um guaxinim aqui!? Isso é sério!? – Os olhos de Darcy brilharam.

— Seríssimo... se eu fosse você, nem saia daqui. Devia ficar com a gente, que somos o grupo mais normal desse prédio. – Scott dava a tender que o mais sensato a se fazer era em manter-se longe de todos e permanecer no laboratório somente com a família Pym.

— Scott, pare de assustá-la. – Janet o repreendia com um sorriso.

— Em vez de ficar enchendo os ouvidos da moça sobre as pessoas que estão no prédio, porque não vai chamar o Doutor Banner para averiguar o que fizemos nesse novo dispositivo quântico!? – Dessa vez era Hank Pym que repreendia Scott.

Já era tão habitual...

— Você até agora não me agradeceu por ter te trazido de volta, Hank... – Scott lançava um olhar insinuante para o pai de Hope.

— Eu agradeço a você... e ao resto dos Vingadores que fizeram todo o trabalho em conjunto. Agora vá chamar o Doutor Banner. – O Doutor Pym não tinha paciência com o engenheiro, como de costume.

Quando Darcy ouviu “Doutor Banner” ser mencionado duas vezes, logo pensou em correr dali.

Mesmo depois de todos aqueles anos, a garota tinha um imenso receio de vê-lo em sua frente, ainda mais porque sequer cumpriu a promessa de que pagaria sua pesquisa arruinada, em 260 vezes sem juros.

— Gente, eu tô indo procurar a máquina de café então. Eu volto mais tarde... – Darcy saia do laboratório, tentando disfarçar que na verdade, não queria mais voltar ali e dar de cara com o Doutor Banner.

Ela fechou a porta, olhou para os dois lados e logo começou a correr na direção do corredor.

O melhor a se fazer era convencer Jane de que não devessem ficar muito tempo ali, já que parte do mistério envolvendo o que havia acontecido no planeta fora esclarecido por todos com quem conversaram naquele prédio.

Então, a cientista desceu até o térreo pelo elevador, sempre olhando para todos os lados, temendo encontrar com Bruce Banner.

Depois de andar alguns metros, finalmente a garota encontrava a tal cozinha.

Mas para a sua surpresa, havia pessoas ali...

Doutor Estranho, Wong, Shuri e um garoto com um traje vermelho...

Darcy pensou em dar meia volta quando avistou a princesa de Wakanda, mas, ao virar para trás, deu de cara com um alguém, cuja aparência era completamente diferente de tudo o que já vira em sua vida, e então, ela gritou por instinto...

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AAAAAAAAH!!!

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Darcy tropeçou no próprio pé e levou um tombo, caindo de bunda no chão, na frente daquele... ser... de antenas...

Oiiiiii!!! – O ser a cumprimentou, um tanto sorridente.

Mas outra pessoa estranha surgiu por trás, repreendendo-a.

— Mantis, eu já falei pra você não aparecer atrás das pessoas de surpresa. Essa sua cara medonha pode matar alguém de susto. – Um homem bombado, de pele cinza e tatuagens vermelhas dizia, observando a garota caída no chão, que se encontrava com os olhos esbugalhados, os fitando, numa mistura de medo, assombro e pânico.

— Será que vocês podem fazer silêncio...!? Esse barulho está incomodando! – Do outro lado, o Doutor Stephen Strange bradava, impaciente.

— Espera aí... aquela ali é quem eu tô pensando...? – A princesa de Wakanda estreitava os olhos, focalizando a pessoa que estava caída na frente de Drax e Mantis.

Darcy engoliu em seco. A voz era de Shuri... e era óbvio que a mesma estava se referindo a ela naquele momento.

A doutora fechou os olhos, balbuciando palavras obscenas para si mesma...

Drax e Mantis continuaram a observando, curiosos.

Mas quem correu para socorrere-la, foi...

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Peter Parker...

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— Moça, você tá bem...? – O garoto se aproximou rapidamente e estendeu a mão... porém, quando o Peter olhou para a cientista, logo se recordou...

Que ela era aquela mulher que encontrou na cafeteria, em 2018 e que carregava alguns arquivos dos Vingadores numa pasta.

O garoto arregalou os olhos, surpreendido...

E Darcy também...

— Você é mesmo o Aranhazinha do Queens! – Ela apontou para ele, e no mesmo instante, Peter cobriu o rosto com a máscara nanotecnológica do Homem Aranha, para que ela não visse seu rosto.

— V-v-você tá enganada, moça! Eu não sou aquele garoto não! – O Homem Aranha redarguia, se afastando no mesmo instante, não percebendo que apenas se entregava ao mencionar ‘não sou aquele garoto não’, tamanha ingenuidade e nervosismo por descobrirem sua identidade.

— Aranha, deixa de ser idiota! Ela é super confiável pra guardar segredos, não é mesmo, Doutora Lewis!? – Shuri atravessava o corredor, empurrando o Homem Aranha com força na parede.

Wong e Strange observavam a cena, revirando os olhos...

— Crianças... – O Doutor Estranho resmungava enquanto terminava de tomar uma xícara de chá.

— Essa menina é sua amiga...? – Mantis perguntava para Shuri, enquanto Peter Parker se mandava dali.

— Quase isso... é que nós temos um grande amigo em comum, não é mesmo, Darcy!? – Os olhos da princesa brilhavam, ao mencionar o tal ‘amigo em comum’.

— Amigo em comum!? Claro que não, ela tá delirando! – Darcy desmentia Shuri, enquanto a observava naqueles trajes tão... diferentes...

— Ele está aqui!!! – A voz da princesa soava eufórica e estridente, se referindo a presença de Bucky Barnes ali.

A garota mostrava todo o entusiasmo ao saber que seu casal favorito estava tão perto, finalmente, ainda que não devesse ficar tão contente por causa das baixas que a guerra deixara e o clima de luto.

— Ele quem...? — Darcy revirava os olhos, num tom de voz indiferente e desdenhoso. Sabia que ela se referia ao sargento, mas a cientista não estava nem um pouco interessada se o soldado estava ali ou não.

— Uau... quando disse que o esqueceu, você realmente estava falando a verdade, não é!? – A princesa replicava, desanimada e decepcionada ao mesmo tempo.

— Bem, eu espero não o encontrar, mas se por azar do destino isso acontecer, eu vou fingir que não o vi. – A doutora deu de ombros, causando desconforto em Shuri, que ficava boquiaberta com sua decisão.

— Isso é cruel, Darcy!

— Cruel é você virar poeira e depois descobrir que perdeu seu apartamento, seus móveis, seu emprego e agora não tem onde cair morta! – Ela rebateu, num tom funesto e sombrio enquanto segurava o taser, apontando para cima.

Mantis e Drax recuaram para trás, pois a doutora emanava uma aura sinistra e ameaçadora...

O olhar de Darcy queimava de modo colérico...

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Bucky Barnes que não cruzasse o seu caminho... ou ele conheceria toda a fúria de seu taser...

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Do outro lado, Steve e Sam entravam no prédio, para averiguar como estava o andamento da construção do novo dispositivo quântico, mas...

A dupla via Darcy Lewis no corredor, encarando Shuri com um olhar assombroso.

O Falcão quis rir...

— Não acha melhor avisá-lo...? – Sam sugeriu, e Steve o fitou com certo marasmo...

— Não... é melhor ele ser pego de surpresa...

.

.

Algumas horas depois, Darcy voltou ao laboratório e insistiu com Erik e Jane para que os três fossem embora, só que os astrofísicos participavam agora do processo de construção do novo dispositivo quântico, então, permaneceriam no prédio por mais algum tempo.

O funeral de Tony Stark seria no dia seguinte e todos os Vingadores participariam, então, os dois optaram por ficar ali até que Hank Pym e o Professor Hulk terminassem com o trabalho.

A cientista política não teria escolha a não ser esperar que os dois terminassem seu novo objetivo ali, e só depois todos pudessem ir para casa finalmente...

Aliás, que casa...? Darcy estava desempregada e tudo o que lhe restava era seu antigo apartamento em Nova York...

Teria de pensar em como reestruturar a sua vida, depois do tal... ‘Blip’...

A garota então resolveu passar as horas transitando pelo laboratório do Doutor Hank Pym, mas acabou saindo do prédio, apenas para averiguar toda a destruição em volta...

Eram tantos escombros... a batalha naquele lugar foi devastadora...

Um verdadeiro cenário triste, já que muitas pessoas haviam morrido, com o objetivo de trazer todos de volta...

Ela percebia que era como se pudesse ouvir os gritos daquela guerra, ecoarem no silêncio...

O local que servia como um cemitério... coberto com a poeira dos corpos de todos os inimigos dos Vingadores, lhe causava calafrios...

Darcy caminhava sobre as ruínas... e sabia que parte daquela terra havia se misturado com as cinzas do exército de Thanos...

A sensação mórbida e densa preenchia seus sentidos...

Ela também foi poeira... por cinco anos... e apenas ao se imaginar naquele aspecto, sentia um frio agudo por toda a sua espinha...

Apesar de tudo, o sol aparecia no alto do céu e aquecia sua pele em meio a pensamentos sombriamente lutuosos...

A doutora permaneceu caminhando entre os destroços ao redor do prédio... fitando o horizonte de ruínas em sua frente com a sensação de impotência...

Sequer sabia algo sobre as tais joias do infinito, mas o pouco que ouvira a respeito, lhe deixou completamente perplexa

Se alguém as unissem numa manopla, poderia causar uma catástrofe de grandes proporções, como aniquilar metade do universo... ou todo o universo...

Quando Darcy parava para entender a profundidade daquilo, começava a se sentir mal...

Estar no meio daquele cenário, repleto de tantos heróis que morreram e que voltaram a vida... que fizeram de tudo e arriscaram tudo por um bem maior, era muito estranho...

A doutora se sentia demasiadamente pequena no meio de todos eles... pensava que apenas voltou para uma forma anterior ao seu verdadeiro e inevitável destino...

A morte...

Um dia, seria poeira de novo... mas esperava que não acelerassem o processo novamente...

Quando a garota terminou de dar a volta no prédio, atravessando os escombros enquanto mirava o chão, notara a presença de alguém em sua frente...

Ao erguer o rosto e focar a visão... seu coração falhou várias batidas no mesmo instante...

Ela o fitou, com uma expressão assustada na face...

Estilhaços da história de ambos regressavam, reprimidos... entre lapsos de memória...

Mil razões corroíam os fragmentos daquela história inacabada...

Não era possível... o imenso fascínio que ainda existia e do desejo ardente, que insano persistia, ainda lhe dominarem inteiramente... descobrindo-a, encontrando-a e fazendo o tempo quase parar...

Ele estava de novo em sua frente... totalmente diferente de quando a deixou...

Ao observá-lo ali, Darcy alargou o olhar... perplexa e assustada...

Os lábios entreabriram, as mãos estremeceram e o coração disparava...

E tudo isso porque, depois de nove anos...

.

.

Bucky Barnes e Darcy Lewis, finalmente se reencontraram...

.

.