Wintershock
52 Insinuações, revelações e decisões imprevistas
Notas iniciais

Finalmente havia amanhecido e James não conseguiu dormir.
Depois da noite passada ao lado de Darcy, da dança e de tudo o que tinha acontecido entre os dois, o soldado falhou até em cochilar.
Não era como se estivesse com insônia por conta de seus traumas dolorosos... era uma insônia diferente, e o motivo se chamava Darcy Katherine Lewis...
Não se recordava de se sentir tão tenso, ansioso e apreensivo. A garota estava lhe deixando louco, em todos os sentidos.
O relógio marcava sete da manhã e a estudante ainda dormia.
Um pouco preocupado, Bucky resolveu averiguar se estava tudo bem com ela, já que a mesma com certeza acordaria de ressaca.
O sargento girou a maçaneta da porta do quarto da estudante e a encontrou deitada de lado, de frente para a parede e de costas para a porta.
James vislumbrou uma das cenas mais lindas que já vira em toda a sua vida...
Os primeiros raios solares da manhã entravam pela beirada das cortinas da janela, tocando a pele alva da garota, que se encontrava nua sob seu edredom.
Ele observou-a atentamente... reparando perfeitamente nas costas nuas da estagiária e nos cabelos ondulados repousados primorosamente em sua pele...
Na noite anterior, ele a deixou em sua cama, e a garota provavelmente, ainda bêbada, se despiu... por algum motivo que ele não entendia...
Bucky não tinha ideia que Darcy dormia sem roupa, e a tentação de tocá-la e sentir a textura de sua pele, começou a rodear fortemente sua mente...
No entanto, teria de se segurar... Não era fácil, mas por ora, estava conformado apenas em contemplá-la em sua forma íngreme e pura...
Lindamente linda...
O sargento decidiu deixa-la ali, repousando, e então, resolveu sair do quarto.
Mas antes, deu uma última espiada, como se quisesse guardar aquela linda cena em sua mente e eternizá-la...
A esplêndida imagem dos raios solares recaindo sobre a pele alva e os cabelos castanhos, realçando ainda mais o seu brilho, ficaria para sempre gravado em sua cabeça.
O Soldado Invernal estava convencido de que migrou do inverno para a primavera, por que...
Estava apaixonado...
Ele sorriu ternamente, satisfeito e enfim saiu do quarto.
Darcy continuou dormindo...
.
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Algumas horas se passaram e a estudante abriu os olhos...
O sol estalava do lado de fora e ela podia ouvir o barulho dos carros e da movimentação.
Quando Darcy deu por si que já era de dia, a garota pulou instantaneamente da cama.
— Que horas são!? – Ela levantou, vendo que o relógio marcava três da tarde, mas tomou um susto quando percebeu que...
Estava nua...
— Oi...? – A estudante ficou em choque. Por que estava nua debaixo do edredom? O que aconteceu?
Ela tirou seu vestido e ficou nua debaixo das cobertas? Por quê...? De qualquer forma, não havia como cobrar lógica de uma pessoa embriagada, ainda que essa pessoa fosse si mesma.
Darcy não se recordava de muitas coisas, mas se lembrava de ter tirado seu vestido e ficado nua, já que estava calor naquela madrugada... mas... o que tinha acontecido naquela madrugada...?
Alguns flashes de memória preencheram sua mente e a estudante se recordou de ter dançado com o sargento na sala do apartamento.
Ela arregalou os olhos... não tinha certeza do que havia acontecido entre ambos, já que quando estava bêbada, perdia as estribeiras e agia como uma louca.
Quando se perguntava o que a sua ‘eu’ embriagada fez, a garota se praguejava mentalmente...
Será que ela e Bucky... chegaram naquele estágio? Mas não conseguia se recordar e aquilo estava lhe deixando maluca.
— Céus... eu me odeio...
Então, sem certeza de nada, a estagiária apenas se levantou, tomou um banho, e se vestiu, já que teria coisas a fazer naquele dia, pois em breve viajaria para Willowdale.
Darcy sentia uma leve dor de cabeça e seu aspecto estava péssimo... era notório algumas olheiras, então teria de usar óculos escuros naquela tarde.
O sol estalava do lado de fora, mas o apartamento estava completamente escuro, com todas as cortinas fechadas. Parecia de noite...
Sem ter certeza se Bucky estaria ali, ela resolveu fazer o máximo de silêncio e sair de fininho. Precisava urgentemente de café para despertar e ajudar na ressaca, mas teria de procurar uma cafeteria, já que não queria ir para a cozinha e fazer barulho, mostrando que estava acordada.
A estudante abriu levemente a porta do quarto e espiou pela beirada.
Percebendo o silêncio, ela resolveu sair, e andando na ponta dos pés para não fazer nenhum ruído...
Caminhando em direção a porta da sala, a garota estava pronta para sair, porém...
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— Aonde você pensa que vai...?
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A voz do soldado que vinha da cozinha, interrompeu sua fuga do apartamento.
“Céus... eu não acredito...!” — Pensava, devastada por dentro ao imaginar o que podia ter acontecido na noite anterior e a reação dele no dia seguinte.
James a observou saindo do apartamento, com uma blusa preta, calça jeans, all star, os cabelos soltos, um boné preto e óculos escuros.
Por um momento, Bucky quis rir... era notável o quanto a estudante estava de ressaca e constrangida a ponto de tentar sair dali sem chamar a atenção dele.
Ela disfarçou, assobiando, pronta para dizer algo, mas naquele momento Darcy não conseguia raciocinar direito...
Era difícil pensar e até mesmo falar qualquer coisa, ainda mais quando o sargento a encarava daquela forma, tão cínica e ao mesmo tempo misteriosa.
O semblante divertidamente insolente estava nítido...
Suas expressões faciais, costumavam ser fracas e discretas. Foram anos de treinamento para apagar qualquer sentimento lhe fizesse exprimir qualquer tipo de feição empática, mas agora...
Ele parecia um homem cheio de emoções, e todos podiam ver claramente... principalmente Darcy.
— Eu estou com um pouco de dor de cabeça, então estou saindo pra tomar café e resolver algumas coisas, então... até mais tarde...! – Ela se virou, ignorando qualquer tipo de reação que ele pudesse ter.
Mas Bucky a impediu de sair, pegando em seu pulso.
Darcy sentiu uma forte compressão no estômago quando vislumbrou a mão metálica lhe agarrando.
— Precisamos conversar... – A voz dele soou um tanto emblemática e a garota arregalou os olhos.
“Céus... o que ele tem pra conversar comigo!? O que eu fiz de errado!?” – Pensava, já se desesperando.
Ela virou o rosto lentamente e o encarou...
Com medo...
— Bucky... seja lá o que fizemos na noite passada, eu não me lembro e desde já te peço desculpas... – A estudante replicava, com muito receio e temor.
A feição do soldado obscureceu e seus olhos a rodearam, expressando frieza...
— Você está pedindo desculpas depois de tudo o que aconteceu...? Você acha que o que fizemos foi um erro...? – Seu tom de voz fluiu severo e indiferente. Parecia o Soldado Invernal falando.
— Aah... você pode me dizer o que fizemos...? – Implorou, num tom choroso.
— Você não se lembra...?
— Não...
O soldado ficou em silêncio, fitando-a com muita seriedade.
— Nós... fizemos... – Ele ia completar a frase, mas Darcy o interrompeu, aos berros.
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— AI MEU DEUS, NÓS TRANSAMOS!!? CÉUS!!! EU NÃO ACREDITOOOOOO!!!
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A estagiária desprendeu o pulso da mão de metal e começou a andar na direção da cozinha, jogando o boné pro alto...
Desesperada...
James a olhou um tanto desacreditado... Por que ela estava gritando desvairadamente enquanto segurava a cabeça e andava de um lado pro outro...?
Era obvio que Darcy parecia estar entrando em parafuso por conta da noite passada...
A estagiária o provocou da pior forma possível no fim da dança... sua eu embriagada o atiçou e logo depois lhe jogou um balde de água gelada...
Bucky queria vingança por aquele puxa e empurra... morde e assopra...
— Bem... você parecia muito decidida quando... nós... você sabe... – O sargento não terminou a frase, insinuando coisas... seu eu interior estava rindo, embora não demonstrasse...
E lá estava a estudante... fazendo uma terrível careta, boquiaberta e chorosa, com as mãos na cabeça.
— Eu não me lembro de nada! Céus, e agora? Bucky e agora!? – Darcy suplicava por uma resposta que lhe acalmasse, mas tudo o que o sargento lhe deu foi...
Um sorriso petulante de canto...
— Não foi tão ruim assim... seu desempenho foi ótimo, mas me diga... com quem você aprendeu a fazer aqueles movimentos...? Com o Robert...? – O soldado sugeria, audaciosamente, deixando a garota vermelha como um pimentão...
De vergonha e raiva por citar Robert...
— O-o-o-o quê...!? Eu fiz o quê...!? Ah meu Deus, eu não me lembro! Céus, EU NÃO ME LEMBROOOOOOOOOOOO!!! – A garota caia no chão, desnorteada enquanto tentava se recordar da noite anterior.
— Por que está tão desesperada? Foi tão ruim assim passar a noite comigo...? – James continuava lhe provocando, insinuando coisas que não fizeram, apenas para se vingar e contemplar as expressões desoladas da estudante.
— EU NÃO ME LEMBROOOOO!!! – A estagiária começou a socar a mesa da cozinha e a chutar o ar, birrenta, de fato prestes a chorar...
Não estava em seus planos dormir com Bucky Barnes daquela forma...
Não daquela forma...
— Por que está gritando? Por acaso seria uma grande tragédia se nós tivéssemos transado de verdade? – O sargento contestou-a, um tanto decepcionado com o comportamento dela.
Mas Darcy parou e ficou imóvel como uma estátua quando ouviu “se tivéssemos transado de verdade”.
— Então... nós não... fizemos...? – Ela o fitou com medo por trás dos óculos, com o rosto completamente vermelho.
— Não... – Bucky fez questão de enfatizar muito bem aquele “não”.
Não tinha ideia que Darcy se sentiria tão arrasada por pensar que os dois tivessem chegado naquele estágio.
A estudante suspirou de alívio e aquilo o irritou profundamente...
Sem entender o porquê, a garota apenas atentou para a expressão de impaciência e aborrecimento do sargento.
— Olha, você tem que entender que quando eu bebo, eu perco a noção de tudo. É como se tivesse uma outra pessoa dentro de mim... uma outra personalidade sem noção que faz tudo de forma irresponsável e deixa toda as consequências pra mim no dia seguinte!
— Então, por que você bebeu se sabe que faz coisas das quais se arrepende quando está bêbada?
— Por quê eu bebi...? Bem... é que... eu... Aah, sim, eu bebi porque estava muito nervosa ontem, naquele evento! O Doutor Banner estava lá, Natasha Romanoff e o Capitão América! Fizeram uma festa de boas-vindas pra ele e fui obrigada a participar! Nesse rolo todo, ainda conheci o Homem de Ferro que me puxou pra pista de dança e depois mandou eu dançar com o Capitão, daí a gente dançou por um tempo e-
A garota não conseguiu terminar, porque o soldado a interrompeu, incrédulo...
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— Você dançou com dois homens ontem, antes de chegar em casa!?
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— Sim... – Ela redarguiu, um tanto desconfortável e não entendia porque James passou a olhá-la estranhamente...
Bucky começou a encarar com um olhar feroz, tão colérico que mostrava irritação e decepção, mas a questão era... por quê...?
O sargento sentiu como se tivesse sido passado para trás. Darcy dançou com dois Vingadores e um deles era o seu melhor amigo... alguém tão melhor do que ele em todos os sentidos...
Não era como se estivesse com ciúmes de Steve, mas só de imaginar que os dois estiveram juntos, era um tanto incômodo... desde que o loiro se tornou o Capitão América, o sargento tinha se tornado invisível para as mulheres.
Ele se recusava a entrar numa competição com Steve por Darcy, embora chegar a tais conclusões eram um completo absurdo, porém, o que podia fazer...?
Darcy lhe enlouquecia a cada dia...
— E como você se sentiu... depois de dançar com ele...? – Não conseguia disfarçar o quão incomodado estava por saber que a garota esteve com Steve na noite passada.
— Como me senti!? A-pa-vo-ra-da!!!!!!!! Eu nunca mais vou conseguir encarar o maior herói da américa de novo! Não vou voltar pro laboratório nunca mais! Amanhã mesmo vou pedir demissão pra Jane!
— Por que está tão nervosa depois de dançar com ele...? – Inquiriu, ainda muito irritado e também inseguro.
— Isso não é obvio!? Por sua causa! Você deixou claro que não quer que ele descubra sobre sua estadia aqui em Nova York! – Nesse momento, Darcy tirou os óculos, revelando um rosto inchado por causa da ressaca.
Bucky estreitou os olhos, franzindo o cenho. Ela estava mesmo dizendo a verdade?
— Você não tem que pensar assim... o Steve é muito compreensivo... – Tentava disfarçar o quão enciumado estava... era indigno, porém, inevitável...
— O que devemos fazer então? E se vocês se encontrarem por acidente!? Eu posso acabar sendo uma ponte mesmo sem querer, já que trabalho com Jane e ele está hospedado no laboratório!
— Eu preciso sair de Nova York... – O sargento mirou a sacada da sala. Mesmo com todo aquele turbilhão de sentimentos sobre Darcy, emaranhados em seu peito, sabia que em breve deveria partir...
E com Steve em Nova York, teria de adiantar sua saída dali...
A estagiária sentiu um abismo no estômago quando o ouviu dizer que precisaria sair de Nova York...
Ela não queria que o soldado fosse embora... sabia que não podia confundir tudo e deixar seus sentimentos por ele falarem mais alto do que a razão, mas se o motivo por trás de sua fuga da capital fosse Steve Rogers, a única saída que tinha era tirá-lo dali.
— Bucky... você não quer vir comigo pra Willowdale? Minha apresentação é em poucos dias... eu também estou de férias, então acho que podíamos juntar o útil ao agradável. O que acha...? – Ela sugeria, mas não tinha ideia se o sargento toparia.
James a mirou, um tanto confuso... jamais contaria seus planos de sair dos Estados Unidos e nem que estava fazendo isso por vingança e também para mantê-la segura, porém, não tinha escolha... Teria problemas se encontrasse com Steve. Teria de se manter longe dele, até que pudesse resolver sua vida... se é que conseguiria...
Viajar com ela era propício para aquela situação.
— Você está certa... isso é o melhor a se fazer....
Os olhos da estudante brilharam. Não imaginava que James aceitaria de imediato sua sugestão.
— Bem, eu estava agora mesmo indo me encontrar com Derek pra arrumar algumas coisas da viagem. Ele vai voltar para Willowdale hoje e de quebra vai levar alguns materiais meus no carro dele, para os meus colegas de TCC. Eu devo viajar daqui a dois dias.
— Quando é o seu TCC?
— Na sexta-feira agora.
— Certo... então devo partir com você daqui a dois dias.
— Você realmente vai? – Os olhinhos azuis brilhavam, de euforia.
— É uma boa fuga... Não posso mais ficar aqui, e você estava me devendo essa viagem, lembra? Prometeu que me levaria para a sua cidade natal. – James sorriu, singelamente, recordando da promessa boba que Darcy lhe fizera há semanas...
— Sim, é verdade... – Ela tinha se esquecido completamente.
— De qualquer forma, não posso continuar mais nessa cidade...
As palavras do soldado lhe fizeram sentir sensações alarmantes por dentro. Se ele ia embora, então era pra sempre...?
— E o que pretende fazer depois...? Digo, agora que o Capitão América está em Nova York, você não vai mais voltar pra cá...? – Darcy o indagava num tom melancólico e o sargento conseguia sentir a tristeza dela...
Mas por que ela ficaria triste...?
— Eu ainda não decidi o que fazer, mas vamos falar sobre o futuro depois. Vou preparar tudo antes de partir, então não se preocupe. – Bucky virou de costas para ela, indo na direção da sala.
— Tudo bem então... – A estudante o observava, cabisbaixa... não tinha ideia do que o sargento estava planejando.
Percebendo a desanimação dela, James resolveu quebrar aquele clima triste.
— Me diga uma coisa... Por que você disse para aquela garota que eu era o seu par para o solstício de verão da sua faculdade? – O soldado se referia ao dia em que Darcy encontrou com Clarice nas escadas do prédio, sugerindo que ele seria seu acompanhante para uma tradicional festa do campus da universidade de Culver.
— Você viu como aquele ser gosmento te olhou!? Fiz aquilo pra te salvar!!!
— Me salvar...? Do quê...?
— Ela estava dando em cima de você na maior cara de pau! Como não percebeu isso!? – Retorquia, exasperada.
— Ela estava é...? – Ele sorriu de canto, divertidamente. Era bem engraçado observar as expressões faciais de Darcy quando mencionava sobre aquela garota.
— Eu odeio a Clarice com todas as minhas forças, mas ela é tão burra que qualquer frase difícil faz seus poucos neurônios eletrocutarem e fritarem seu cérebro, a ponto da massa encefálica escorrer como mingau por seu nariz!
Bucky meio que arregalou os olhos ao ouvir uma analogia tão nojenta...
— Não acha que está pegando pesado?
— Não!!! – Ela gritou, com as mãos na cintura.
— Por que você a odeia tanto assim!?
— Eu posso te dar uma lista com mil motivos. Quer ouvir?
— Não... – Replicou, um pouco assustado...
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Horas depois, Darcy se encontrava com Derek, deixando um material do TCC para que o rapaz levasse para seus colegas, em Willowdale, e em meio a isso, a garota comentava o fato de viajar com Bucky Barnes para sua cidade natal em dois dias.
— Eu preciso tirar ele daqui, Derek... O Capitão América não pode encontra-lo.
— Mas e seus pais!? Como vai leva-lo pra sua casa com eles lá!? – O rapaz a questionava, preocupado.
— Você acha que sou idiota? Meus pais saíram de viagem e só voltam pra minha formatura, então vai demorar alguns dias.
— Eles viajaram a trabalho?
— Sim... foram para a Noruega. Parece que meu pai conseguiu vender um grande imóvel de mais de cem anos em Oslo e vai trabalhar no pós-compra. – O pai de Darcy atuava no mercado imobiliário e sua mãe o acompanhava, por ser uma área onde podiam trabalhar à distância.
A consequência disso era que viajavam muito, mas às vezes ficavam meses em casa... a vida do casal oscilava de tempos em tempos.
— A sua sorte é que a casa dos seus pais é bem isolada e vocês não tem vizinhos, senão ia chover de gente perguntando sobre o seu ‘hóspede’. – Derek replicava, ainda um pouco perplexo pelo fato de sua amiga levar um ex-assassino para dentro da casa de sua família.
— Sim, eu sei... agora me conta a novidade... a Stephanie vai viajar com você mesmo ou você está mentindo pra mim!? – Darcy perguntava sobre o fato de sua amiga pegar uma carona com Derek para Willowdale, já que a mesma estava de férias.
Ela lançava um olhar malicioso para o amigo, que corou de constrangimento.
— É verdade... eu não imaginava que ela ia me procurar e pedir pra viajar pra lá... pensei que vocês iam juntas, mas ela disse que queria ir comigo, então não tive como recusar. – O rapaz estava imensamente feliz por finalmente estar sendo notado por seu ‘amor de infância’.
— Hmmm... acho que o cupido acertou a flecha dessa vez. – Darcy cutucava o rapaz com o cotovelo, insinuando que ele e Steph finalmente fossem se entender.
— Não viaja! Ela não gosta de mim!
— Então deixe isso claro pra ela, sua besta quadrada! Aproveite essa oportunidade e diga de uma vez por todas que a ama! Não existe momento melhor! Ela não vai ficar na casa dos seus pais!?
— Sim, mas como você pode ter tanta certeza que esse é o momento!?
— Cai na real, Derek... você podia ter feito isso há dez anos, e hoje vocês provavelmente estariam casados e morando juntos. A Steph é uma menina muito comportada, de família e extremamente romântica. Ela é a parceira ideal pra você!
— Ok, vamos parar de falar de mim, então me diga... e você e o sargento!? Quando vão se acertar!? – Ele tentava desconversar, citando a vida amorosa dela, pra que esquecesse a dele.
— Tá louco!? Acertar!? Você sabe que isso é impossível! – A estudante não cogitava aquela possibilidade, embora muitas coisas estranhas tivessem acontecido entre os dois nos últimos dias.
E ela também não contaria nada daquilo para Derek e muito menos para Kim. Eles com certeza surtariam se soubessem.
— Ultimamente estou dando mais conselhos que padre de novela mexicana, mas de qualquer forma, tome cuidado. Ele ainda é um procurado pelo governo.
— Eu já sei disso... – Ela revirou os olhos.
— É muito fácil prever seu futuro... suas burradas são clássicas. – O rapaz ria da cara da amiga. Darcy era patética, mas ele a amava mesmo assim.
— Desculpa Derek, mas as únicas previsões para o futuro em que acredito são os da Bíblia e dos Simpsons. – A garota cruzou os braços.
— Eu espero que Deus te mostre a enrascada que está se metendo com esse sargento...
— Ele já mostrou... – Darcy revirava os olhos mais uma vez.
— Bem, já está tarde, então eu vou indo nessa...! – O rapaz terminava de colocar algumas caixas no porta-malas.
— Diz pra Steph que vou leva-la na cachoeira depois do TCC!
— Pode deixar! Te espero no fim de semana, hein!? E por favor, não deixe aquela lhama da Kim aparecer na nossa formatura!
— A Kim ainda vai ser madrinha do seu casamento com a Stephanie, então pare de ser cruel com ela!
— Eu nunca vou chamar aquela jacaroa pro meu casamento, a não ser que seja pra servir as mesas! – Derek não gostava de Kim por motivos bem triviais, mas Darcy sempre estava ali para fazê-lo mudar de ideia.
— Vocês dois são tão idiotas... mas eu os amo... – E então, a garota abraçou o amigo, se despedindo.
— Comporte-se. – Ele replicou.
— Boa viagem, escoteiro. – E por fim, eles se despediram e Derek partiu.
Agora Darcy faria as malas para ir para Willowdale junto com Bucky, dentro de dois dias.
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No laboratório, Jane conversava com Erik e Thor sobre Darcy. A astrofísica planejava ir para a formatura da estagiária, já que a mesma convidou os três, semanas atrás, além de Helena, Andrew e Dylan, com a óbvia exceção de Nathan.
O deus do trovão se animou quando pensou que sairia de Nova York. Estava um pouco enjoado do cenário urbano.
Tony, Bruce, Steve, Natasha se reuniriam na torre dos Vingadores em breve. Clint Barton se juntaria ao grupo em algumas semanas.
A formação original dos Vingadores finalmente estava reunida e em breve todos sairiam a caça pelo cetro do Loki.
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Ainda nos Estados Unidos, Yelena Belova mantinha contato com agentes da HYDRA ligados a Barão von Strucker, o mais interessado em conseguir o Soldado Invernal de volta.
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A loira estava convicta que em breve, o Punho da HYDRA retornaria para o lugar de onde nunca devia ter saído...
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