Wintershock

19 Gripada às três da manhã


Notas iniciais
Oi gente, tudo certo? Trago mais um capítulo pra vocês, nível ‘iti-malia’, mostrando a relação entre Bucky e Darcy se estreitando cada vez mais. Ignorem os erros, pq sempre escapa um ou outro. Imagens extra desse capítulo no wintershock.tumblr.com Divirtam-se.

Em mais uma noite incerta, repleta de pensamentos horríveis, lembranças desconexas e insônia, Bucky seguia para um bar que costumava frequentar nas madrugas em que sua crise de ansiedade aparecia.

Ele já estava fazendo isso a bastante tempo.

Darcy não sabia, mas ele secretamente saia por volta de meia-noite, para extravasar.

Um dos bares que frequentava, havia pessoas tão estranhas quanto ele. Às vezes se sentia tão tenso, que gastava sua energia jogando sinuca, bebendo uísque e... Fumando...

Provavelmente o Sargento Bucky Barnes, na década de 40, bebia socialmente com os amigos e tragava alguns cigarros vez ou outra, pois sua mente e corpo mantiveram alguma memória sobre tais hábitos.

Jack Daniel’s era uma de suas bebidas favoritas, mesmo não ficando bêbado, já que era um super soldado.

Sobre a sinuca, mesmo deduzindo que não jogava há décadas, sua habilidade apenas estava adormecida.

E isso podia ser usado para benefício próprio, pois dinheiro era apostado ali e o soldado conseguia altas quantias, apenas para não depender de Darcy caso precisasse de algo.

Era um tanto estranho saber que ele tinha uma fonte de renda fazendo tais coisas.

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Era exatamente 3:12 da manhã e James decidiu ir embora.

Precisava tentar dormir um pouco... sua mente precisava de descanso.

Ele já estava traçando um plano para descobrir onde estava um dos depósitos ocultos da HYDRA no Estados Unidos, apenas para furtar algumas armas e escondê-las, no ímpeto de realizar sua futura vingança e ir atrás de pistas sobre um certo objeto que era de extrema importância em sua vida.

Um caderno com palavras-chave...

Ele sabia que havia um código para acordar o Soldado Invernal, e precisaria ir atrás de quem o tinha.

Quando saiu de Washington com Darcy, um agente soletrou tais palavras... E como ele havia tido acesso a isso...? era um completo mistério...

Obviamente Bucky não diria nada de seus planos à Darcy e sabia que o dia de partir chegaria. Não queria preocupa-la, mas também não queria se sentir em débito com ela. Faria algo que pudesse recompensá-la um dia, embora não soubesse o quê.

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Quando Bucky abriu a porta do apartamento, silenciosamente, na intenção de não fazer sequer um ruído e acordar Darcy, teve uma surpresa.

As luzes do apartamento estavam apagadas, mas a TV estava ligada e sua luz iluminava a sala.

Estava escuro...

Darcy se encontrava sentada no sofá, assistindo a um filme e completamente coberta num edredom.

Mas não estava frio para que a mesma estivesse tão coberta...

A garota virou o rosto, lentamente e o fitou por algum tempo, com os olhos semiabertos e lacrimejantes, o nariz extremamente vermelho, assim como suas bochechas.

Ela estava segurando uma caixa de lenços de papel.

Bucky logo percebeu que a estudante não parecia muito bem e então resolveu se aproximar, para saber se ela ok.

E aí, Elsa...? – A estudante o cumprimentou.

— Quem...? – E mais uma vez Bucky não entendia bulhufas do que a mesma dizia.

— A Rainha da Neve... Você não assistiu Frozen? Deixei na lista de filmes pra você.

— Lewis... Pare de ser sarcástica... isso me irrita.

— Ok... Me desculpe estar na sala esse horário e atrapalhar o seu plano de fingir que eu não sei que você sai quase todas as noites e volta de madrugada... – A voz da estudante estava um pouco mais grave e rouca do que o comum.

Bucky não esperava que ela tivesse descoberto sobre suas saídas a noite, porém, não se preocupou se a mesma soubesse. Talvez, uma hora ela descobriria, de qualquer jeito.

— Me desculpe por não contar... Mas você costuma ter um sono pesado, então estou um pouco surpreso que tenha descoberto.

— Eu descobri há dias... Mas isso também não importa... – E então, a estudante pegava mais um lenço de papel e assoava o nariz com muita força.

Ela estava vestida com um moletom escuro com planetas bordados na altura do peito, calça de moletom cinza e meias com estampas de dinossauro. Seu cabelo estava preso num coque frouxo, quase desfazendo, com vários fios soltos.

— Está com frio...? – Bucky perguntava, não entendendo porque a mesma estava enrolada em um edredom, sendo que fazia 20 graus lá fora.

— Sim e com uma baita gripe, então, não chegue perto de mim...

— Eu não pego gripe...

— Ah, claro... Pra quem passou tanto tempo congelado, é meio que impossível pegar uma gripe, ahahaahaha... — Quando ela percebeu, tal comentário insensível já havia saído.

Darcy arregalou os olhos e exibiu uma feição de assombro.

— Me descul-

— Eu não vou ficar com raiva, pode deixar.

Seus olhos focaram nela, à espreita, nas sombras da sala.

A luz de alguns prédios entrava pela sacada que se encontrava aberta.

Seu cabelo escuro e delicadamente desgrenhado, contornava seu rosto...

Darcy vislumbrava o azul dos olhos dele, e James correspondia, olhando fixamente para ela, em silêncio...

Flashes de memórias divididas em minúsculos fragmentos sobrevinham à sua mente. Desde que bateu os olhos nela pela primeira vez, tinha a intensa sensação de que a conhecia, mas não conseguia se recordar de onde...

As memórias que pareciam ter a respeito dela, eram como memórias de um sonho intenso que não conseguia se lembrar quando acordava, mesmo se esforçando muito para que as imagens viessem à sua mente...

O aspecto sério do soldado causava um misto de dúvidas e a estudante não sabia o que ele pensava quando a fitava daquela forma.

O que se passava em sua mente afinal?

— Por que está me olhando assim? – Darcy estava um pouco alarmada, pois não tinha ideia no que ele estava pensando enquanto a olhava tão intensamente. Será que eram as suas roupas de adolescente largada? Será que ela estava parecendo um zumbi com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade?

— Essa é a primeira vez que te vejo tão fragilizada... Só isso... – A voz calma e inexpressiva ainda arrancava certa desconfiança nela.

— Me desculpa, mas eu não acredito... Espero que não esteja pensamento em várias formas de cometer homicídio com uma reles garota gripada e descabelada, porque se for, eu espero que os meus germes te contaminem a tempo de você desistir dessa ideia...

Darcy afirmava, num tom áspero, mas Bucky já não levava a sério nada do que a estudante dizia, sempre interpretando suas falas como piadas que quebrassem seu mal humor.

Ele esboçou um sorriso singelo e se aproximou novamente dela, sentando ao seu lado no sofá.

— Você não vai me perguntar onde eu estava e o que fazia? – Indagou-a, divertidamente.

— Eu não... Temo que a resposta seja que você estivesse enchendo a cara com alguma mulher em um boteco aqui perto... – Ela retorquia, com a voz um pouco rouca e algumas palavras travadas, por conta do nariz entupido.

— Eu não fico bêbado, então não tem porque encher a cara, mas e se fosse? – Contestou, curioso com a resposta dela.

— Se for, eu não tenho nada a ver com isso... Só não quero mulheres batendo na minha porta te procurando, então não dê o meu endereço. – A garota retorquiu, um pouco irritada, enquanto mantinha seu olhar fixo no teto.

Bucky quis rir, mas se segurou.

Darcy Lewis era uma pessoa extremamente interessante. Ela conseguia arrancar sua atenção e fazê-lo se esquecer de sua vida amaldiçoada, por longos minutos.

Agora que estava perto dela, conseguia inspirar profundamente seu aroma, e de repente se viu cheio de uma particularidade que apreciava demasiadamente nela.

Aquele cheiro de chantilly e baunilha que só ela tinha, mas agora misturado com um frescor cítrico, pois a garota esperava seu chá de limão com mel esfriar na xícara que se encontrava em cima do pratinho na mesa de centro da sala, ao lado de alguns medicamentos para gripe.

Aquele cheiro era brilhante, levemente cítrico e doce, assim como ela... Algo extremamente afável... Tudo o que ele não era...

Não sabia se tinha perdido o olfato por muito tempo, mas o fato era que não inalava uma fragrância tão extraordinária depois de tanto tempo... Darcy tinha um perfume natural extasiante... E toda vez que estavam muito próximos, sempre se sentia submerso por sua essência...

A garota pegou a xícara com chá e se encolheu em seu edredom.

O brilho da TV era forte e passava um filme que Bucky não fazia ideia.

Darcy inalava o vapor de seu chá e sentia suas narinas sendo descongestionadas, ainda que momentaneamente.

E ao serem liberadas, ela notou algo diferente...

O leve cheiro de cigarro, que obviamente não vinha dela.

Ela virou o rosto bruscamente e olhou desconfiada para o soldado.

— Você fuma?

— Sim. De vez em quando. – Respondia despreocupado.

— É sério?

— Sim.

— Desde quando?

— Não me recordo.

— Mas você tem 97 anos e idosos não podem fumar...

— Agora você me vê como um idoso?

— Só estou dizendo isso pela sua saúde.

— Você sabe que meu DNA foi modificado quando me tornei o Soldado Invernal. Você leu os meus arquivos, então por que essa preocupação?

— Sim, mas... Ah, esquece... Você não é meu avô mesmo... – A garota fazia uma careta engraçada.

— Só faltou dizer que faz parte do grupo Straight Edge... – O soldado jogava uma ‘piada’ para ela, mencionando uma subcultura que defende a total e perene abstinência em relação a entorpecentes.

— Oi? Você que pensa... Eu não fumo, não cheiro, não injeto, mas amo glúten e sódio, mesmo sabendo que vão me matar... E eu bebo de vez em quando, então eu não tenho muita moral pra te cobrar... – A garota resolveu saborear seu chá quente, repleto de limão e mel. Deliciosamente a combinação perfeita para analgésicos e antitérmicos.

— Não imagino você bebendo... – Mesmo que Darcy fosse uma pessoa moderna, ele a via como uma menininha um pouco mimada e conservadora demais para estar com uma lata de cerveja na mão.

— Vodka e energético misturados era o que eu mais bebia nas festinhas da faculdade, sabe...?

O soldado ficou um pouco surpreso com o que ela dizia. Essa mistura de vodka com energético era extremamente perigosa para o coração.

— Você sabe que misturar essas duas bebidas dá o mesmo efeito da cocaína?

Darcy arregalou os olhos e se engasgou com seu chá, a ponto de tossir como louca e ficar ainda mais vermelha.

— Tá brincando!? – A estudante contestava, assustada.

— Não estou brincando...

— Céus... O que eu tava fazendo com a minha vida...!? – Se perguntava, totalmente assombrada.

Era um tanto estranho a garota reagir daquela forma. Ela parecia tão bem informada sobre tudo...

James desviou seus olhos para a TV e ficou em silêncio, prestando muita atenção no filme.

Uma cena de três pessoas em várias partes de uma casa escura, fazendo um ritual de exorcismo numa mulher que tinha a feição de um monstro e parecia estar possuída.

Era um filme perturbador e que não entendia o contexto, pois já estava passando na TV há um tempo.

O soldado atentou para a tranquilidade de Darcy ao ver tais cenas, como se fosse algo totalmente trivial.

Aliás, que mulher no mundo que estivesse gripada iria assistir a um filme de terror às três da manhã, no escuro e sozinha?

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Só Darcy Lewis.

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— Por que gosta tanto de filmes de terror? Essas coisas não te assustam?

— Não, por quê? Te assustam?

— Não. – Respondeu, normalmente.

— Você sabe que eu não sou uma pessoa muito normal. – Ela ponderava seriamente, como se ele tivesse a obrigação de ter se acostumado com sua forma de vida.

— Esses filmes não me afetam, pois vivi na pele coisas bem piores que essas.

— Ah é!? Me conte quando foi que você lutou contra um demônio. Aí talvez eu concorde com você. – Darcy respondeu, totalmente ácida. Não admitia que ninguém falasse que seus filmes de terror não eram nada.

Principalmente quando esse filme era Invocação do Mal e foi uma febre em 2013.

Mas um pouco incomodada com as recentes palavras do sargento, a garota pegou o chinelo em cima do tapete e jogou na direção de um dos botões da TV Led de 40 polegadas, no ímpeto de trocar de canal.

Uma ação super normal... todo mundo fazia aquilo...

— Você quer que eu pegue o controle remoto? – Bucky estava desacreditado das ações bizarras da estudante.

— Não, acho mais fácil jogar o chinelo no botão da TV pra trocar o canal. – Redarguiu, sarcástica.

Quando pegou o controle, a garota apanhou outro lenço da caixa rapidamente e espirrou, sentindo o rio de coriza irritar seu nariz mais uma vez.

— Não é melhor você dormir? Não parece bem para ficar aqui assistindo filmes de terror... – O sargento sugeriu, um pouco preocupado.

— Eu dormi tanto que acordei cansada de dormir, e deu vontade de voltar a dormir pra descansar, mas desisti e vim descansar um pouco antes de voltar a dormir. – Replicou seriamente e Bucky resolveu colocar a mão na testa dela no mesmo instante.

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Darcy estava com febre.

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— Você está quente.

— Eu sei. Já tomei o antitérmico. — Ela sentia dores fracas no corpo e estava levemente febril.

— Não está se sentindo fraca? Quem tem febre não consegue ficar sentado...

— Eu deitei na cama pra dormir, mas logo chegaram os mosquitos apostando corrida de Hornet no meu ouvido, e então desisti.

Bucky suspirou. Parece que quando Darcy ficava doente, suas piadas eram piores e ela também dava respostas bem afiadas.

— Certo... Então se você não se importa, posso escolher outro canal para assistir algo melhor?

— Sim, mas não estou a fim de ver pornografia no Animal Planet, ok? – Fungou, um tanto fanha e ríspida e com o nariz extremamente congestionado.

O soldado balançou a cabeça e procurou por um canal de musicais que assistia vez ou outra quando estava sozinho.

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DISNEY CHANNEL...

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Os olhos de Darcy se alargaram em surpresa.

— Oi...!? Disney!? Você gosta desse canal...? – Indagava um tanto desacreditada.

— Sim... Há algumas coisas interessantes.

— Tá de brincadeira, né!?

— Acho que me lembra o passado. Só isso.

— Aah, por favor, vou te apresentar filmes bem melhores que esses.

— Filmes melhores? Como aquele que você estava assistindo?

Darcy o encarou, irritada, com uma expressão grosseira, observando-o por um tempo.

A pele alva da estudante se encontrava avermelhada e olheiras eram evidentes. Seu aspecto, de fato, mostrava que a gripe havia lhe derrubado em cheio.

— Ok, não vou dizer mais nada... – E então o soldado se levantou e foi até a prateleira de livros, como se estivesse procurando algo para ler.

E então, seus olhos focaram num livro que se encontrava na parte de cima da prateleira, em meio à tantos outros.

Ele retirou o livro e analisou a capa.

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O que é 50 tons de cinza?

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A expressão de Darcy congelou.

Um segundo.

Dois... Três... Quatro...

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Hah...?

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— A Stephanie não tinha levado a porcaria do livro embora!?? – A voz da garota era de raiva.

Imediatamente a mesma lançou seu edredom para longe e logo foi levantando do sofá.

Bucky estranhou aquela reação.

— De todos os livros que podia ter fuçado, você foi pegar justo esse!? – Darcy o cercou completamente, no ímpeto de tomar o livro de sua mão.

— Achei interessante a capa.

— Olha só, isso não é para menores de idade! – Em meio à piada, Darcy tentava pegar o livro, mas...

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Ele o ergueu para o alto com a mão direita, no mesmo instante.

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A cara de Darcy fechou e a mesma esbanjou uma feição de puro ódio.

— Me dá esse livro agora... – Ordenou, prestes a voar em cima dele.

— Por quê? O que tem demais nele? – O sargento não entendia a reação da estudante e queria compreender a razão por trás de sua raiva.

— Nada demais. Apenas me entregue o livro, agora!

Bucky arqueou uma sobrancelha e achou sua atitude muito estranha.

Foi então que resolveu abrir o livro no meio e ler um trecho.

Darcy arregalou os olhos.

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"Estará pronta para mim logo, — ele diz. Movendo seus tentadores dedos devagar, dentro e fora, eu empurro para ele elevando os quadris. — Você é uma garota gulosa, — ele me repreende baixinho, e seu polegar circunda o meu clitóris e em seguida, pressiona para baixo."

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Darcy ficou azul.

Depois ficou verde.

E por fim, ficou vermelha, mas não sabia se era de vergonha ou raiva.

De todos os lugares que ele podia ter lido, tinha que ser um diálogo de sexo entre os retardados dos protagonistas?

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DEVOLVE A PORCARIA DO LIVRO, AGORA!!! – Ela gritou, totalmente desafinada e alcançando níveis que as cantoras sopranos mais habilidosas teriam inveja, tentando tomar o livro a força da mão dele, mas sem êxito, pois Bucky era muito mais alto e o mesmo fez questão de levantá-lo de novo com a mão direita, para que a estudante não derrubasse.

— Bem... Não é nenhuma surpresa que o século 21 é bem mais avançado sexualmente do que o anterior, mas não tinha ideia que existia algo assim... Acho que estou chocado...

Darcy via descaradamente o deboche do soldado, coberto pela sombra de um meio sorriso, totalmente petulante.

A garota respirou fundo e contou mentalmente até três.

— Eu estou pedindo educadamente... Me devolva o livro... – O tom de voz agora era mais calmo e ponderado.

— Por que você tem um livro desses? Não sabia que se interessava por esse tipo de literatura.

— Por favor... – Ela insistiu, serenamente.

— Acho que descobri um lado oculto seu, não é mesmo...? – O escárnio do sargento já passava dos limites.

— Esse livro é da minha amiga Stephanie. O peguei para fazer uma resenha para um trabalho da faculdade sobre os piores autores contemporâneos.

— Isso é uma desculpa? – Ele não acreditava nela.

— É a verdade. É um livro emprestado. Minha amiga veio aqui uns meses atrás e deve ter deixado na minha prateleira só pra me trollar.

— Você realmente quer que eu acredite nisso?

Um, dois, três, quatro segundos...

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VOCÊ ACHA QUE EU IRIA GRITAR COM VOCÊ SE NÃO FOSSE!? VAI PRO INFERNO, JAMES!!!

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E então, a garota deu as costas para ele, no intuito de sair dali mas acabou tropeçando no pé da poltrona no canto da sala, caindo de joelhos no chão.

No mesmo instante, Bucky correu para ajudá-la, mas a estudante lançou um olhar mortífero, com lasers, igual ao do Superman.

O soldado recuou, como se seus instintos alertassem perigo máximo.

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Seu psicopata nazi-soviético de uma figa...

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A entoação da voz de Darcy era sombria... E seu semblante era horripilante.

Ele nunca a viu daquela forma antes e ficou um tanto assustado. Até mesmo alguém tão empática e bem-humorada como Darcy Lewis podia ser tão aterrorizante quando provocada?

— Me desculpe. Estou colocando o livro de volta na prateleira.

Foi então, que ainda de joelhos, a garota começou a chorar.

Sim, a chorar...

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UM CORAÇÃO PARTIDO A GENTE AGUENTA, MAS UM CORAÇÃO PARTIDO, COM TPM E GRIPE JÁ DEMAIS!!!

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Bucky fazia uma cara de espanto.

Do que ela estava falando?

Eu já superei, ROBERT THOMPSON!!! Solteiro não é um estado civil, é um estado de paz!!!

Mais pontos de interrogação na face do soldado.

— Lewis... Do que você está falando...? – Ele perguntava, mas um tanto impreciso.

EU NÃO AGUENTO ESSA VIDA!!! QUERO VOLTAR PARA OS TESTÍCULOS DO MEU PAI EM FORMA DE ESPERMATOZOIDE E SER JOGADA NA PRIVADA!!!

— Céus... A febre está fazendo ela delirar... – Bucky ponderava, não sabendo exatamente o que fazer para ela se acalmar.

— Darcy... Você quer que eu te ajude a se levantar...? – O sargento tentava se aproximar, mas não sabia se era o certo a se fazer naquele momento.

A VERDADE É QUE QUANDO A VIDA FECHA UMA PORTA, MEU DEDO SEMPRE VAI ESTAR LÁ!!!

Resolvendo ignorar todos os seus sentidos de que não devia se aproximar, o soldado rapidamente a segurou pelo braço, ajudando a estudante a se levantar, enquanto ela chorava descontroladamente e balbuciava palavras que ele não tinha a menor ideia.

— Só de pensar que o fim do mundo seria no ano 2000... Por que não acabou...? Me diz, Bucky, por quê...!? – Contestou, como se ele tivesse que saber as respostas de suas perguntas sem pé e nem cabeça.

— Lewis... Eu não entendo nada do que você diz... – Ele ajudava a garota a andar, enquanto a mesma mancava por causa dos joelhos recém-machucados.

Ele a ajudou a se sentar, mas foi interrompido pelo barulho de um espirro.

Quando Bucky a mirou frontalmente, a garota estava com o nariz ainda mais vermelho e muitas lágrimas escorrendo. Será que ela estava se sentindo tão mal quanto expressava?

— Você se machucou? Como estão seus joelhos? – Expressava preocupação.

— Eu não sei, porque estou sentindo tantas coisas juntas... Talvez tenha me machucado.

— Deixe-me ver... – E então, ele segurou o pé esquerdo da garota e deslizou o moletom largo pelo tornozelo, até chegar ao joelho.

Estava vermelho e um pouco ralado, assim como o joelho direito.

— Vou pegar a sua caixa de primeiros socorros.

— Bucky... Não precisa... É só um machucadinho bobo...

— Mas-

— Não se preocupe... – Assegurava, agora um pouco mais calma.

O soldado se sentiu um pouco arrependido de ter feito uma brincadeira de mal gosto na hora errada, mas não tinha ideia de que a mesma reagiria daquela forma.

— Me desculpe pelo livro... Não achei que algo assim iria te deixar tão mal... Você sempre foi muito alto-astral e bem humorada, então eu-

— Tudo bem... É só uma fase... Eu estou me acalmando e amanhã vou estar normal... Eu acho...

Darcy estava com o coque desfazendo e seus fios já se encontravam quase soltos.

Chorosa, com o nariz escorrendo e descabelada...

Diante disso, Bucky deu a volta, ficando atrás dela, apenas para puxar o elástico de seu cabelo e deixar os longos fios castanhos soltos.

Darcy ficou paralisada. A estudante não esperava por aquele gesto tão gentil.

Ele puxou cuidadosamente os fios castanhos, ordenando-os para deixa-los arrumados.

A garota ficou tão chocada que nem percebeu que seu nariz já estava escorrendo há um tempão.

Um tanto desconsertada, ela pegou um lenço da caixa e assoou o nariz pela milionésima vez naquele dia.

Quando James terminou de arrumar seu cabelo, o mesmo inclinou a cabeça e passou a observá-la atentamente, que já se encontrava encolhida no sofá.

— Há alguma coisa que você precisa e que posso fazer para te ajudar...?

— Aah... Bem... Mesmo sendo quase quatro da manhã, eu estou com fome... – A garota tentava esconder a vermelhidão de seu acanhamento, mas o sargento jamais desconfiaria, pois seu rosto já estava muito vermelho antes, por causa da gripe e de sua crise de tosse.

— Você quer que eu cozinhe pra você?

— Não... Mas pode me ajudar a fazer chocolate quente? – Ela piscou lentamente, quase fazendo a expressão do gato de botas.

— Sim... – Ele aceitava, apenas para não a irritar de novo.

Darcy sorriu satisfeita, como de costume.

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A garota saiu da cozinha, carregando duas canecas de chocolate quente, e chegando na sala ela entregou uma para ele.

O soldado se sentiu um pouco ridículo, segurando o chocolate quente numa xícara.

A estudante sentava ao seu lado e colocava no mesmo canal onde estava passando Invocação do Mal, que àquela hora já havia acabado e dado lugar a Anjos da Noite.

Bucky observava a caneca. O chocolate quente tinha muitos marshmallows, que ele fazia questão de mexer com uma colher, deixando-os derreter antes de tomar um gole.

Estava extremamente quente... E doce... Não conseguia se lembrar da última vez que ele tinha tomado algo parecido com chocolate quente. O sabor era familiar e sabia que tinha experimentado aquela bebida muitas vezes na década de 40... Era o sussurro de uma memória esquecida...

Darcy focou no filme, segurando sua xícara para baixo e inclinando-se para beber logo em seguida. Ela adorava chocolate quente com marshmallows.

Ao seu lado, Bucky analisava a garota... Como ela conseguia estar doente e tomar chocolate quente enquanto se entretinha com um filme tão facilmente?

— Você conhece esse filme?

— Sim. Eu vi no cinema com Derek. É muito bom.

— Você gosta tanto assim de filmes?

— Sou cinéfila. – A garota respondia no automático.

— E o que significa ser cinéfila? — Bucky não reconhecia aquela palavra em seu vocabulário.

— Uma pessoa que ama cinema.

— Entendi... – Ele ainda observava curiosamente suas expressões, tentando entender um pouco mais de sua personalidade.

Seus olhos percorreram por todos os detalhes da estudante naquele momento. Desde o brilho suave que a pele dela parecia irradiar, até uma mecha de seus cabelos que pousava lentamente na frente de seus olhos concentrados nas imagens iluminadas da TV.

Ambos eram tão diferentes... E não sabia se a invejava ou se sentia aliviado por não ser tão excêntrico.

Ela era o dia... Ele era a noite...

Ele era o inverno e ela era o verão...

Mas mesmo que ela fosse a representação perfeita do verão, a garota sentia muito frio naquele exato momento e se encolhia ainda mais em seu edredom.

— Você está sentindo tanto frio assim?

— Sim. Eu teria ligado o aquecedor, se ele não tivesse pifado, então acho que não vou conseguir me livrar do frio tão cedo. – Ela sorriu, mas era evidente de que não se sentia nada bem.

Darcy era só uma pessoa normal... Que adoecia e sentia dores... Uma garota frágil e que carecia de cuidados.

Uma espécie de comiseração surgiu, coisa que não sentia por qualquer um, exceto por ela, naquele momento. Algo que nem ele entendia o porquê.

Diante de tudo isso, o soldado se aproximou dela, encurtando completamente a distância entre ambos.

Darcy virou para o lado e esboçou uma expressão de dúvida, tentando entender por que ele se aproximou tanto, se o mesmo havia deixado claro que não gostava de contatos físicos.

— Eu não adoeço e não estou com frio. Se você não tem um aquecedor, então posso ser um. – Bucky sugeriu, despreocupadamente.

Darcy piscou, várias vezes, tentando entender se ele tinha mesmo dito aquilo.

— O quê...? – A estudante indagava, surpreendida.

Ele a encarou, deliberadamente.

— Foi isso mesmo que você entendeu. – O sargento respondia, na lata.

— Por que você está me dizendo isso? Não está mesmo com planos maléficos de me matar, está...? – Darcy contestava, sempre muito desconfiada.

— Não. Você está...? – Redarguia, sarcástico, imitando-a quando o questionou sobre algo similar, logo quando chegou.

Desconfiada, mas considerando o frio intenso que sentia, a garota tocou o “dane-se”. Ela exigia que ele confiasse nela, mas por que nunca o contrário?

— Tá bom, eu acho que posso aguentar o frio do Soldado Invernal. – Ela sorriu e se aproximou ainda mais, encostando-se totalmente nele e puxando o edredom no intuito de cobri-lo também.

Aquilo era bem estranho para ele, mas não para ela. Darcy era uma pessoa que adorava ter contato humano, seja com quem fosse. A garota não fazia distinção de pessoas, e tão pouco faria dele também, mesmo sabendo que o mesmo era um ex-assassino.

Os dois dividiram o mesmo edredom. Era incomum e lhe incomodava, mas ao mesmo tempo era instigante e aconchegante. Darcy emanava um calor diferente de toda a temperatura que já sentiu.

— Sabe... Acho que você seria um excelente namorado e qualquer mulher iria adorar ter um relacionamento com você. – A estudante dizia tais palavras, totalmente despreocupada.

Muito próximo dela, o soldado suspirou um pouco irritado.

— Você não diz isso pra qualquer homem que se aproxima de você, diz?

— Só para os que merecem.

— E eu mereço?

— Sim. – Ela sorriu, doce, amena e carinhosamente pueril.

James revirou os olhos em resposta. Não estava acreditando que Darcy podia ser tão irresponsável afirmar aquilo e depois sorrir tão gentilmente para um homem como ele.

— Não faça isso com frequência... Pode ser mal interpretada.

— Não sou mal interpretada por dizer a verdade... Quer dizer... Às vezes... – Ela confessou, risonha.

— Eu espero que suas recentes palavras não tenham segundas intenções.

— E por que teriam? Tem algum problema dizer que você é um homem cortês, misterioso e bonito? Te incomoda ouvir isso?

Era ótimo para o seu ego ouvir aquilo, mas Bucky sabia ponderar sensatamente as palavras descuidadas dela.

— Você sabe que não é apropriado para uma garota jovem e solteira dizer isso para um homem quando estão a sós num apartamento, às quatro da manhã e dividindo o mesmo edredom, certo?

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Não vejo nada de errado... É só minha opinião... E opinião é que nem braço. Uns tem, outros não...

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No mesmo instante, Darcy o fitou frontalmente, com os olhos muito arregalados e boquiaberta... Diante da besteira que acabara de dizer mais uma vez e sem pensar.

— Meu Deus, Bucky... Me desculpa... Não foi minha intenção, eu juro! – A garota estava desesperada e envergonhada por ter dito tal frase, já que o Soldado Invernal tinha apenas um braço humano.

Darcy Lewis... uma garota que cometia gafes a todo momento.

Um sorriso divertido floresceu nos lábios dele.

— Bem... Você diz o que pensa sem filtrar antes... A sua sinceridade é admirável.

— Me desculpe...

— Não peça desculpas, mas me prometa uma coisa...

— Sim, qualquer coisa... – Darcy cruzava os dedos de suas mãos.

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Não vá se apaixonar por mim...

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Bucky a alertou, numa espécie de aviso, proibindo-a de desenvolver sentimentos por ele, já que a relação de ambos tinha mudado muito desde que se conheceram em Washington DC.

Silêncio...

Mais silêncio...

.

*Cri, cri, cri, cri* — E os grilos podiam ser facilmente ouvidos.

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— É só isso...? – A garota fez cara de paisagem.

— Sim.

— Relaxa. Tenho bloqueio emocional com homens que não gostam de mim.

— Espero que cumpra sua promessa.

— Tranquilo... – Afirmou com indiferença. E então, a garota voltou sua atenção para a TV...

E ele também...

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.

O filme havia acabado, mas Darcy adormecia ao lado do soldado.

Bucky apoiava relaxadamente suas costas contra o sofá, sentindo o corpo da garota escorado no seu.

Embora fosse estranho a aproximação de ambos, aquilo não o incomodava. Ele realmente achava intrigante, e talvez esse fosse o problema.

Mesmo nas circunstâncias erradas em que se conheceram em Washington DC, intrinsicamente, houve uma espécie de atratividade instantânea de sua parte, ainda que inconsciente.

O sentimento adormecido de ter a necessidade imediata de proteger alguém... De modo territorial e feral... E isso talvez tenha acontecido pelo fato de ter a impressão de conhece-la de algum lugar, mas não sabia de onde... Aquilo estava lhe deixando louco...

A estranha sensação parecia crescer, na medida em que a conhecia ainda mais...

Aos poucos, a cabeça da estudante foi tombando lentamente para o lado, até encostar no pescoço dele.

Bucky se sentiu incomodado, mas resolveu puxá-la para mais perto, delicadamente, tentando não a machucar.

O rosto da garota encontrou a curva de seu pescoço, pressionando-o suavemente, a ponto de sentir a respiração dela batendo em sua pele.

Ele não conseguia tirar os olhos de Darcy...

Os primeiros raios de sol entravam pela sacada e recaiam sobre a pele alva e os cabelos castanhos, realçando ainda mais o seu brilho...

O soldado achou aquela imagem magnífica, e observava cada detalhe das mechas castanhas caídas em torno de seu belo rosto...

Por entre os fios tênues do vento... Da brisa da manhã que escorregava cada linha de seus cabelos... Ele se recordava do vórtice de seus sonhos com a pessoa que se parecia com Darcy...

Cada vez que a contemplava, sua visão tentava embaralhar seus sentidos e confundi-lo sobre as recordações que tinha da pessoa parecida com a estudante...

A garota se remexeu devagar, se achegando ainda mais sobre ele, e balbuciou algumas palavras.

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Eu preciso... pesquisar... na biblioteca...

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Bucky não entendia, mas se lembrava que a estudante vivia reclamando sobre um tal TCC e que precisava estudar e treinar para apresentações. Ela ia regularmente em bibliotecas e sempre lia vários livros, anotando tudo o que considerava relevante em vários papeis.

Darcy Lewis era uma universitária dedicada e possuía um grande conhecimento. Ele reconhecia isso.

Mas vendo o quão doente ela se encontrava e como estava tensa e sobrecarregada, o soldado resolveu coloca-la em sua cama, para que pudesse descansar.

Ela merecia repousar numa cama e travesseiros macios e não perto de seu braço de metal gelado, rígido e desconfortável.

Com muito cuidado, ele a pegou no colo, e a levou até seu quarto, colocando-a em sua cama, cautelosamente.

O toque feminino... de pérolas e cetim... Ainda podia ser sentido em sua pele...

Ele puxou o edredom e a cobriu, para mantê-la aquecida.

A expressão dela, embora estivesse adoecida, era confina...

Bucky virou de costas, com um singelo sorriso no rosto...

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Darcy tinha um sono pesado, mas ela o agradeceria mais tarde...

Notas finais
As coisas estão mudando aos poucos, vocês estão sentindo? Em breve teremos um baita sacode por parte de um deles... quem será que vai se apaixonar primeiro? Façam suas apostas, crianças 8D