Wintershock
35 Ciúmes, mal humor e frustração
Notas iniciais

Ainda no dia 4 de Julho, depois de fugirem de Bruce Banner e Tony Stark, há dez quadras dali, Darcy, que ainda se encontrava ofegante, resolveu desabafar com Derek sobre o fato de que Bucky conhecia a Viúva Negra.
O soldado mencionou sobre isso no dia anterior.
— Derek, você leu alguma coisa da Viúva Negra nos arquivos que ela vazou na internet quando a SHIELD caiu? – Ela perguntava, com dificuldades de respirar.
— Sim, algumas coisas, por quê? – O rapaz também tentava respirar, já que correram tanto que nem sabiam mais onde estavam.
— Ela e o Bucky se conhecem. – Foi direta, e a resposta não surpreendeu seu amigo.
— Isso é inesperado, mas não impossível.
— Eu pesquisei algumas coisas... e criei uma teoria meio maluca na minha cabeça... – Redarguia, com uma feição triste.
— Que teoria?
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— Que o Soldado Invernal e a Viúva Negra foram amantes.
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— E por quê...!? – Os olhos do rapaz se alargaram, perplexos.
— Alguns dias atrás, ele me disse que conhecia uma mulher, mas não se recordava de muitas coisas dela, apenas que teve uma missão onde foi ordenado para assassiná-la, mas há algumas semanas, quando perguntei se ele teve algum relacionamento antes ou depois da guerra, Bucky revelou que houve uma operação conjunta do grupo dele com o dela. Então, quando refleti a respeito, pensei que pudesse ser a Viúva Negra. – A garota olhava pra cima, com o dedo no queixo, como se tivesse decifrado um enigma.
— Mas que teoria mais louca! Não tem pé e nem cabeça! Essas são as únicas evidências que você tem do relacionamento deles?
— Sim.
— Então acho improvável. – O rapaz colocava as mãos atrás do pescoço, andando em linha reta, dando um passo de cada vez.
— Eu não sei... estou com essa impressão... acho que essa teoria é bem certeira.
— Não é mais fácil perguntar diretamente a ele? – Derek fez uma careta óbvia.
— Ah sim, você acha que eu sou descarada de perguntar uma coisa dessas!? Você não entende que vai ficar muito na cara que eu estou bisbilhotando a vida dele!? – Ela revirou os olhos.
— Não quer que ele descubra que você se apaixonou por ele! Isso sim! – O tom de Derek era de cinismo e a garota sentiu uma imensa vontade de plantar um cascudo em sua orelha.
— Cala a boca, ou eu juro por deus que vou ligar para a Stephanie e mandar ela encontrar com a gente daqui a dez minutos.
— Você tá louca!? Por que ela viria até aqui em tão pouco tempo!?
— Por que a casa dela é aqui do lado!
— O QUÊ!? VOCÊ TÁ ME ZOANDO NÉ? DARCY LEWIS, VOCÊ TÁ ZOANDO COMIGO!!? – O rapaz já começava a ter uma crise de pânico, fazendo a estudante rir como louca.
— Não... espera, não vou ligar pra ela, se acalma... não quero que você tenha um AVC aqui no meio da rua! – Quanto mais tentava se controlar, mais a garota ria, a ponto de sentir sua barriga doer e ficar sem ar.
— Eu vou me vingar... imagine se de repente, o seu precioso soldadinho descobrir que a garota maluca com quem divide apartamento, está apaixonada por ele!? – Derek a ameaçava, com uma careta assustadora, mas no mesmo instante, Darcy voltou a si.
— Eu prometo me comportar... se você se comportar também... – Seu tom de voz agora era outro. Tinha tanto medo de que James descobrisse qualquer coisa, que até suas brincadeiras com um amigo teriam de ser controladas.
— Fica esperta...
— Não me ameace... – Ela revidou, com o olhar lançando lasers.
— Agora falando sério, Darcy... Não deixe pra amanhã o que você pode desfazer agora... acaba logo com essa paixão maluca e sem futuro, antes que isso termine mal.
— Tô sabendo... – A garota não tinha qualquer controle de seus sentimentos, mas o mais sensato seria freá-los de todas as formas possíveis, existentes e inexistentes.
E então, um casal passou na frente dos dois, abraçadinhos, trocando beijos e palavras românticas...
Darcy e Derek fizeram uma cara de nojo.
Manhattan, 4 de Julho, 10:45 da manhã, 31 graus.
— Admiro a disposição que esses adolescentes têm de namorar no sol quente... – E então, a garota saiu andando, procurando pela lógica de se apaixonar por alguém. Era tão ridículo e indigno.
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No apartamento, Bucky lia sobre as notícias do dia no jornal que Darcy era assinante.
O jornal inteiro falava sobre o feriado de 4 de Julho e todos os eventos que ocorreriam na cidade e em todo o país.
Era um tanto estranho e ao mesmo nostálgico estar naquela data... Algumas das recordações que recobrou, eram de Steve, antes de se tornar o Capitão América...
As festas de aniversário que costumava ter, quando criança e como a vida do pequeno garoto franzino e de saúde frágil não era nada fácil.
E mais uma vez, os pensamentos do sargento se passavam em torno de Steve... Por onde estava, o que fazia, como estava sendo o seu aniversário...
Aos poucos, o soldado parecia recuperar parte do sentimento de amizade e companheirismo... mas tudo ainda era muito pré-maturo...
James suspirou, um pouco desanimado e olhou para o lado de fora da sacada. O dia estava ensolarado e muito quente... não se recordava do verão americano em seu auge... de certa forma, por ser um homem que passou décadas no gelo, o calor lhe incomodava em todos os sentidos...
E quando se recordava de todos as missões no inverno... seu pensamento lhe guiava para a figura mais importante daquela época...
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Natalia Alianovna Romanova...
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A Viúva Negra, com quem trabalhou por um tempo, em missões e colaborações conjuntas...
Sem entender como e por quê, ambos se tornaram íntimos um tempo depois... mas nada que pudesse ser tolerado por seus superiores e muito menos considerado como algo que tivesse um futuro...
Não era apenas uma atração mútua, mas uma paixão avassaladora, tirânica e subversiva...
Não conseguia lembrar de tudo o que viveram juntos, mas estava certo que não foi nada trivial e sem importância, porém...
Em seu estado atual, não conseguia considerar suas memórias com ela tão relevantes... foi algo forte, entretanto passageiro e não fazia parte de seus planos restabelecer tal vínculo novamente. Esperava que ela fizesse o mesmo, já que quando se reencontraram em Washington, absolutamente nada de seus passados ocultos vieram à tona.
Tudo o que sua mente divagava, era em como seria confortante voltar para o mundo, se dando uma segunda chance, embora fosse praticamente impossível.
Bucky não conseguia pensar num futuro normal. Não cogitava essa possibilidade, mas depois de passar um tempo com Darcy Katherine Lewis, secretamente desenvolveu tal anseio.
Tinha pretensão de pagar sua dívida com o mundo... Saldar seu débito com os Estados Unidos de alguma forma, por conta dos imensos estragos que a HYDRA lhe obrigou a fazer....
E quando pensava nisso, notava o quão sortuda a estudante era...
Ela era jovem, bonita, inteligente, feliz, tinha hobbies estranhos, uma casa, um trabalho, estava se formando, seus pais estavam vivos, tinha muitos amigos, e não possuía cicatrizes ao longo de sua história...
James também ansiava uma vida semelhante à dela...
Aprender a viver no mundo moderno a ponto de se sentir familiarizado com tudo, sem grandes dificuldades, exatamente como Darcy...
Depois do que descobrira no dia anterior, sentia como se tudo o que tivesse vivido com Katherine Blanc em 1941, fosse uma espécie de profecia...
Acreditar em destino era realmente algo patético...?
Enquanto vagava por seus pensamentos, foi tirado de seu frenesi pelo barulho da porta.
Darcy finalmente chegava...
Ele a observou cruzar a porta, com um semblante severo.
A garota parecia mal-humorada.
E sem dizer uma palavra, ela apenas jogou sua mochila em cima da escrivaninha, retirando seus óculos em seguida, colocando no mesmo local.
A estudante passou por ele, ignorando-o, como se o mesmo nem estivesse ali.
— Algum problema? – James indagou-a, sem entender o comportamento suspeito. Darcy não costumava agir daquele jeito. Era incomum.
— Preciso te perguntar algo. – Ela foi direta e sua voz soou mais grave que o normal.
— Pergunte... – O sargento estava um pouco assustado com aquele comportamento.
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— Você conhece mesmo a Natasha Romanoff?
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— Sim... Eu não te disse isso a uns dias atrás?
— Desde quando vocês se conhecem? – Darcy o encarou, severamente.
— Desde muito tempo...
— Quanto tempo? – Insistiu, deixando o soldado desconfiado.
— Por que está perguntando sobre ela?
— Curiosidade, apenas... – Ela virou de costas, indo direto para a cozinha.
— Torno a perguntar por quê... – O sargento continuava sem entender.
— Só queria saber... não é nada demais...
— Tem certeza...? – Ele franziu o cenho, observando que os gestos dela pareciam mais endurecidos, externando raiva.
— Tenho... – O tom de voz da garota ecoou falsamente calmo.
O soldado ficou em silêncio, mirando os gestos da estudante, que parecia emburrada por algum motivo que desconhecia.
Ela abriu a geladeira e pegou uma jarra de água, batendo a porta com muita força logo depois.
Ao julgar por sua expressão, algo a tirou do sério, mas ainda não sabia o quê.
Mas enquanto ele analisava a linguagem corporal dela, Darcy o contestou novamente, com ainda mais agressividade.
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— Ela era a garota que foi ‘quase’ a sua namorada, não é?
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O sargento a fitou, confuso. Por que ela estava mencionando a conversa que tiveram há semanas atrás?
— Saí com muitas mulheres antes da guerra, mas depois que virei o Soldado Invernal, eu e a Viúva nos conhecemos e vivemos um relacionamento íntimo e conturbado, mas como você sabe disso? – Ele a contestou um tanto assustado. Desde quando Darcy sabia sobre aquela fase de sua vida com a ex-agente da SHIELD?
— Então... ela foi mesmo sua namorada...?
— Não diria namorada, mas sim amante...
— Então ela é-
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— Sim, a Natalia foi minha amante...
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Darcy sentiu um gigante aperto no estômago ao ouvir o nome ‘Natalia’... Era assim que ela se chamava? Seu nome real era Natalia?
Céus... o que era aquela maldita sensação dolorosa que lhe fazia ter a impressão de que seu coração estava sendo esmagado dentro do peito? E a sinistra queimação e formigamento em seus braços e pernas? E a porcaria do efeito de “mariposas” no estômago? Sim, porque borboletas eram seres muito bonitos pra caracterizarem a desgraça de alguém que estava apaixonado.
A garota sentia seu corpo não corresponder muito bem aos comandos que seu cérebro lhe dava, e ela deixou o copo cair no chão, quebrando-o...
Os cacos voaram por várias partes...
O barulho fez com que James se levantasse de onde estava e corresse para ajudá-la, averiguando se a mesma não tinha se cortado.
— Você está bem? – Contestou-a, preocupado. Não entendia o interesse repentino em seu relacionamento com a Viúva Negra... aquilo era estranho e suspeito...
— Estou ótima, e você? – Ela sorriu, maquiavelicamente, fingindo indiferença.
Bucky a fitou, perplexo. O que estava acontecendo com ela?
O soldado observou o copo quebrado e uma Darcy muito ranzinza...
O que ele tinha feito de tão errado?
— É melhor eu limpar esses cacos do chão... – A estudante virou o rosto, procurando a vassoura mais próxima da cozinha, mas foi impedida de continuar.
— Hey... Você é mesmo uma desleixada. – Bucky a repreendeu repentinamente, e aquilo fez com que um ponto de interrogação ficasse estampado em sua face.
— Desleixada por quê!?
— Porque não presta atenção em nada.
— Claro que eu presto!
— Não, você anda muito desatenta ultimamente.
— Não ando não! – Replicava, como uma criancinha birrenta.
E antes que pudesse voltar a discutir com o soldado, ela apenas o observou se agachar em sua frente e rapidamente começar a amarrar seu tênis, cujo cadarço se encontrava solto.
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Aquilo fez o coração dela falhar várias batidas...
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Céus... até mesmo uma simples amarrada no cadarço de seu tênis, fazia seu coração disparar daquela forma? Estar apaixonado era uma verdadeira maldição.
Ela quebrou o silêncio, com a primeira frase que veio em sua mente.
— Os últimos serão os primeiros... a se ferrarem!
— O quê...? – James contestava tal frase, confuso.
— Nada... – Ela apoiava as mãos na pia, esperando que ele acabasse de amarrar seu tênis.
“Ótimo... Respiro ciúmes. Expiro ironia...” – Pensava, com raiva de si mesma.
Quando o sargento terminou de fazer um laço firme em seu tênis, o mesmo se levantou e a defrontou no mesmo instante.
Darcy estava com uma feição aborrecida em sua face. Suas sobrancelhas franzidas, os lábios comprimidos, os olhos azuis fixos na janela da cozinha... Tudo indicava que por alguma razão, ele parecia ter feito algo errado...
Só não sabia o quê...
Mas mesmo naquelas circunstâncias...
A estudante estava linda naquela posição, de frente para ele. O cabelo emoldurando seu rosto e os olhos focados na visão da janela da cozinha.
Aquilo fez seu coração bater um pouco mais forte em seu peito... não estava sendo fácil ficar tão perto dela e não sentir tais efeitos.
— Não vai me contar por que está com raiva? – James tentava ler aquelas expressões faciais, mas mesmo com sua incrível destreza de espião, não conseguia.
— Eu não estou com raiva... – Darcy manteve seus olhos na direção da janela.
— Convivemos muitas semanas juntos, então é meio obvio notar que parece ter algo te incomodando...
— Você tem razão... tem algo me incomodando e eu vou te dizer o que é. – Ela tirou as mãos que antes estavam apoiadas na pia da cozinha e se aproximou dele.
A estudante cruzou os braços e desferiu um olhar letal na direção do sargento.
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— Eu perdi os ingressos do quarto lote do show do Radiohead...
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Ela piscou várias vezes, séria, enquanto o fitava firmemente...
Claro, porque se tinha uma banda com letras bizarras que caracterizassem sua personalidade excêntrica, essa banda era Radiohead...
A expressão de Bucky foi de surpresa...
Darcy e suas maluquices inesperadas...
— Eu não tenho ideia do que você está falando...
— Eu já imaginava. – Ela o encarava rigorosamente.
— Você me deixa muito fora de órbita com essas coisas e sei que faz de propósito...
— Acredite, não faço.
— Então você diz essas coisas só pra me deixar confuso enquanto se sente vitoriosa por ser uma garota da modernidade que cita vários termos que um velho como eu não entenderia?
— Talvez eu esteja me vingando... – Ela sugeriu, enquanto revirava os olhos.
— E o que fiz de tão errado pra se vingar de mim? – Replicava, tentando jogar o joguinho dela.
— Nada... vocês homens não enxergam o obvio... – A expressão da garota era uma mistura de frustração com derrota, cinismo, sarcasmo, raiva... estava tudo acumulado em seu pobre e sofredor coração.
— Bem... eu não sei exatamente o que fiz pra te deixar chateada, mas seja como for, peço desculpas...
— Desculpas, tsc... – Ainda com os braços cruzados, a garota suspirou e virou o rosto para o lado, fechando os olhos.
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— Você quer então que eu me ajoelhe e implore o seu perdão, boneca...?
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Darcy sentiu uma fisgada no coração.
“Ooh... céus...”
Quando a estudante virou o rosto e seus olhos encontraram os dele, lá estava o soldado, exprimindo uma feição inocente e encantadoramente angelical enquanto piscava lentamente...
Os lindos olhos azuis a observavam, em silêncio...
A visão entorpecente dele, inflamava suas acepções...
Os batimentos cardíacos de Darcy estavam em sua garganta...
Ela não soube o que falar... seu embaraço era incrivelmente possante.
A garota observava Bucky Barnes, naquela linda expressão, dizendo que se ajoelharia para se redimir com ela...
Então, a primeira coisa que ela fez, foi tirar o boné da cabeça do soldado e dizer o que veio em sua mente logo em seguida...
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— É muito injusto que seu cabelo seja mais bonito que o meu....
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Oi?
Darcy achava o cabelo do soldado mais bonito que o dela?
James quis rir, mas se conteve... A estudante sempre agia de modo peculiar naquelas horas, e ele simplesmente amava aquilo.
Bucky a fitou, segurando seu boné na mão direita...
Já ela, vislumbrava os cabelos dele, sendo realçados pelo brilho dos raios solares que entravam pela janela...
Enquanto a contemplava, ela apenas sentiu o aroma sutil de seu xampu, loção de barba e alguma colônia refrescante que lhe lembrava ferro e eletricidade...
Aquele perfume mesclado a fez querer rastejar para dentro de sua camiseta...
E era bem incrível em como seus sentidos trabalhavam disparados naquele instante... como se não bastasse ser atingida fatalmente pela visão majestosa daquela expressão magnífica, ela ainda se via presa dentro da fragrância magnetizante que emanava da pele do sargento e também ao charme viril que o mesmo esbanjava invisivelmente ao vislumbrar o braço humano, se sentindo atraída pelas veias de seu antebraço...
Darcy tinha certeza que tais pensamentos só a tornavam ainda mais patética. Céus, como seus desejos eram ridículos...
Mas diante de tal elogio, o sargento resolveu responde-la.
— Acho que o seu cabelo é muito bonito também... e não concordo que o meu seja melhor que o seu. – Na verdade, ele queria dizer que o cabelo dela era lindo, mas estava receoso que a garota interpretasse errado e isso não podia acontecer...
— Bem... será que eu poderia conferir?
— Como assim?
— Vire de costas. – Aquilo era uma desculpa para que ele não percebesse o rubor que tentava subir por suas bochechas. Não havia outra forma de se desvencilhar... quer dizer, havia, mas a garota estava em transe e não conseguia raciocinar direito.
— Por quê quer que eu vire de costas?
— Pra eu analisar o seu cabelo.
— Lewis... isso é... um pouco estranho... – Bucky retorquia, completamente desconfiado.
— Estranho é você e o deus do trovão terem essas madeixas lindas e invejáveis e nós mulheres sermos oprimidas por causa disso.
— Mas-
— Ah, deixa que eu faço...
E então, a garota o rodeou, se colocando atrás dele.
Como James era alto, ela teve de esticar suas pernas e ficar na ponta dos pés.
As mãos da estudante tocaram as mechas escuras do soldado...
Ele sentiu uma reviravolta no estômago... Darcy estava mesmo fazendo aquilo?
O toque dela enviou uma corrente elétrica alucinante ao seu corpo. Era algo que não sentia a décadas... A sensação era emocionante e aterrorizante ao mesmo tempo...
Bucky exalou uma respiração profunda e tentou neutralizar a tensão em seu corpo, mas era difícil...
A garota simplesmente começou a pentear seu cabelo com os dedos.
— Eu não disse? Seu cabelo é tão macio quanto eu pensava! Estou com inveja! – Ela protestava, ao mesmo tempo em que se encontrava imensamente nervosa por tentar fugir daquelas sensações e também porque de fato os cabelos dele eram incrivelmente sedosos.
— Acho que você está delirando... – Bucky tentava entender como as coisas chegaram naquela situação... tão... estranha...
O sargento sentia as unhas da garota arranhando suavemente seu couro cabeludo... o arrepio agudo eriçava sua pele, estremecendo-o...
As mãos gentis da estudante acariciavam delicadamente as suas madeixas escuras e aquele toque compassivo estava lhe deixando louco...
Então, o sargento virou-se rapidamente de frente para ela, pegando em suas mãos.
Darcy ficou atônita com a reação dele...
Aquilo não era uma brincadeira como esperava que James pensasse... era apenas uma forma desesperada de fugir dos efeitos que ele lhe causava e não o deixar perceber que na verdade, ela estava atordoada com tudo... mas principalmente pelo fato de saber que ele e Natasha Romanoff foram amantes...
Porém, Darcy escolheu a pior forma de encobrir seu embaraço...
Bucky segurou as mãos da garota e a fitou com uma expressão confusa.
Darcy estava tão perto... e a seu completo alcance...
Ela era absolutamente linda e a vontade de tocá-la de outra forma estava pulsando em seu cérebro, como um batimento cardíaco...
O pensamento de se inclinar e agarrar a cintura dela com suas mãos, no ímpeto de puxá-la para mais perto enquanto capturasse e beijasse aqueles lábios róseos, era enlouquecedor...
Tal delírio o deixava tonto...
Mas...
O soldado abaixou a cabeça, incapaz de manter contato visual por mais de dois segundos...
Ele soltou as mãos femininas no mesmo instante...
— Nós... esquecemos de pegar os cacos do copo quebrado no chão... – Replicou, freando seus impulsos.
— Ah, é mesmo...!
— Eu vou limpar pra você. – Bucky saia da cozinha, a procura dos itens que limpariam todo aquele vidro no chão.
O soldado se praguejava por ter caído em mais um frenesi envolvendo a estudante.
Já Darcy, o observava por trás... Ela tentava não fixar seu olhar, porém não conseguia... o soldado ficava irresistível naqueles trajes... e o jeans que ele usava, valorizava totalmente a parte de trás... acentuando o contorno da sua bunda... tão arredondada... tão musculosa... tão semelhante a uma maçã suculenta...
A garota suspirou, cochichando baixinho pra si mesma...
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— Eu quero morder...
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Mas se recordava que aquela linda bunda jamais seria sua... ela provavelmente já tinha dona, e se chamava Natasha Romanoff.
Uma carranca infernal brotou em sua face quando se lembrou daquele triste fato.
Quando Bucky voltou para limpar os cacos de vidro, a encontrou com uma expressão sombria...
Ele a encarou atentamente...
Darcy Lewis parecia ser tão bipolar em algumas ocasiões.
— Você está nervosa com o seu TCC...? – A pergunta inocente do sargento apenas fez com que a estudante revirasse os olhos e bufasse.
— Não... Hoje eu estou tão calma que se alguém me tirar do sério, sou capaz de jogar ela de uma ponte. – E então, a garota saiu da cozinha, jogando o boné dele em cima da poltrona ao lado da sacada na sala, e rumou para seu quarto, deixando James no vácuo.
Quando bateu a porta, Darcy olhou pela janela, focando na primeira coisa em sua frente, que era a janela do vizinho do prédio ao lado, mas... não era aquilo que a mesma prestava atenção e sim dois fatos incômodos.
Natasha Romanoff era ex-agente da SHIELD e uma Vingadora.
Ela era linda, inteligente, habilidosa, interessante, misteriosa, experiente, amiga do melhor amigo de Bucky Barnes, e com certeza possuía várias outras qualidades que fariam aquela lista se tornar imensa...
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“Ótimo... agora terei que disputar contra uma Vingadora? Eu não tenho a menor chance!” – Pensava, sentindo-se extremamente patética.
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