Winter, O Golfinho - 03
11 Capitulo 11
Acordei cedo com um chamado de que um tubarão havia encalhado próximo a enseada onde muitos banhistas iam durante o verão, me desesperei achando que alguém havia sido atacado, mas pelo relato da testemunha, não havia ninguém naquela parte e os moradores locais havia isolado a área por causa dos curiosos e da mídia, corri para colocar meu uniforme e já liguei para Hazel e ela estava preparando a ambulância com a equipe de resgate para animais como da espécie dele e os outros já estavam preparando um tanque mais afastado para que ninguém corresse nenhum tipo de riso, nem pro animal, nem para os visitantes e muito menos para nós mesmos afinal de contas era um filhote de tubarão branco.
Corremos com a equipe até onde o animal estava e com dificuldade, pois ele se debatia muito o retiramos da enseada e o levamos para o hospital marinho, como era um peixe o caminhão tinha que ser mais bem adaptado do que para um mamífero e todos tomavam total cuidado pra não ser mordido por acidente.
Assim que chegamos ao aquário começamos a administrar os medicamentos para os ferimentos no animal e verificar se ele estava apto o suficiente para voltar à vida marinha e aquilo me emocionava e muito.
Fiz uma palestra para a escola primaria da Flórida que estava estudando animais marinhos na aula de biologia e o tubarão tinha sido a inspiração para alguns, procurei desmentir os muitos mitos sobre ele, mas continuei pedindo para que todos os alunos tomassem todo o cuidado quando fossem nadar em áreas com risco de ataque e caso vissem algum animal como ele ou atacado por ele que era pra chamar a gente.
Encerrei a palestra e todos começaram a se retirar e guardei todos os registros e documentos que eu tinha usado para ensinar aquelas crianças e adolescentes como os animais se comportavam na vida marinha e finalizei com o vídeo do resgate e com as informações sobre Hope que estava “de quarentena” segundo meus estudos e de Hazel ela daria a luz aos filhotes no qual ainda não sabíamos o que era apesar do ultra-som e estávamos de plantão e revezamos no monitoramento dela e de Winter e sorri com a novidade.
—- Olá Sawyer – disse alguém próximo a minha mesa e eu olhei para trás enquanto fechava minha mochila e vi uma garota morena clara com os cabelos negros até a cintura, ao olhar pra ela me veio a imagem de uma índia na mente e eu ajeitei a mochila nas minhas costas e encarei a garota que sorria abertamente.
—- Fui voluntaria aqui quando tínhamos 14 anos, não se lembra de mim? – disse a garota animada com isso.
Balancei a cabeça negativamente, não me recordava de ninguém como ela na minha adolescência.
—- Eu me voluntariei por sua causa e da Winter, sou eu a Suzy você mostrou a Winter para o meu avô.
—- Me desculpe Suzy eu realmente não me lembro de você e menos ainda do seu avô – murmurei e vi Hazel me chamar pelo vidro da sala onde eu estava dando a palestra e pedi licença a Suzy e sai rapidamente dali.
—- Quem era a moça? – questionou Hazel olhando a garota que agora conversava com uma moça ruiva.
—- Não faço a mínima idéia – sussurrei subindo para o hospital marinho a área era restrita tanto por causa dos animais e também do risco de alguém se ferir ou contaminar os animais doentes que tinham ali.
Enquanto Hazel preparava Winter para uma apresentação, fui verificar Hope que parecia estar cansada, afinal de contas os filhotes de golfinho costumavam nascerem grandes e os dela seriam enormes e a examinei com todo o cuidado e olhei para Hazel que preparava Winter e ela me encarou e sorriu e eu ri.
—- Tudo certo por aqui e aí? – disse ela abrindo a escotilha para soltar Winter para o lago, lá era mais aberto para ela poder se exercitar e o publico poderia ver ela sem se aglomerar e nada parecido e sorri com isso.
—- Hope e os filhotes estão ótimos, ainda não é hora de conhecer eles não é Hope? – falei e ela assobiou.
Soltamos Winter na água e eu geralmente nadava com ela, mas hoje estava com uma preocupação.
Uma nova treinadora entrou naquela semana estava acompanhando Winter quando eu não podia fazer isso e pude ver que as duas estavam virando grandes amigas e sorri, Winter era uma boa golfinho.
Naquele final de tarde após a apresentação Winter parecia preocupada com alguma coisa e aquilo não era bom, a única vez que a vi daquele jeito foi quando a golfinho surda Panamá havia falecido e acho que era isso que estava me preocupando, resolvi ficar no aquário naquele dia com ela, Hope e os filhotes e Hazel.
—- O que a Winter tem? – questionou Taylor a nova treinadora de Winter e eu peguei uma toalha para me secar e dei de ombros, não saberia explicar a uma novata o que poderia ser o comportamento de Winter.
—- Chama a Hazel pra mim? Preciso conversar com ela – falei indo na direção do tanque de Hope e Winter me acompanhou e ficou próxima a comporta transparente e ambas ficaram se encarando e eu suspirei.
Quando Hazel chegou examinamos Hope e por enquanto ela estava bem então juntamos ela com Winter, mas por precaução resolvemos pegar algumas amostras de sangue de Hope e procurar fazer um novo ultra – som para monitorar os filhotes e Hazel reclamou que a porta de acesso ao hospital estava com defeito.
Descemos até o museu onde conversaríamos novamente com a equipe já que teríamos que ficar espertos, pois naquela semana os filhotes de Hope provavelmente nasceriam e todos estavam reclamando do tubarão no qual colocaram o nome de “Trevor”, mas todos ali o chamavam de “terror” colocava medo em todos, eu não o tinha examinado e muito menos Hazel estávamos focados no nascimento dos golfinhos então acabamos contratando mais dois veterinários marinhos e três biólogos para nos ajudar com os animais que chegavam ao aquário e pedir para alguém vir fazer a manutenção das portas e das escotilhas, naquele mesmo dia Taylor havia reclamado que qualquer um abriria a porta de acesso ao “Lago Winter”.
De repente Taylor que tinha descido conosco olhou para o aquário atrás da gente e arregalou os olhos e Hazel e eu acompanhamos seu olhar e vimos que Hope estava nadando em círculos acompanhada por Winter e vimos uma enorme mancha de sangue surgir na água e alguém gritou e Hazel e eu saímos correndo para socorrer Hope que estava em trabalho de parto, mas a porta tinha travado e Hazel gritava para tentarmos ir de alguma forma até o hospital marinho para socorrer ligamos o walk — talk para que os outros monitorassem Hope e Winter pelo vidro enquanto Hazel e eu tentávamos a outra entrada para o andar do hospital e quando conseguimos Winter gritava na superfície e percebemos que um filhote havia saído e o outro estava com dificuldade, Hazel correu para providenciar uma maca para pegar o filhote e eu pulei no tanque para puxar Hope para tentar retirar o filhote que ao invés de nascer primeiro a cauda como o primeiro havia nascido ele estava de cabeça para baixo por isso a dificuldade em nascer, precisei assiscar e peguei o canivete que Kyle havia me dado e gritei pra Hazel me ajudar com esse procedimento.
—- Não tem o que fazer! Vou precisar fazer uma cesárea de emergência sem anestesia! O filhote vai morrer!
—- A Hope pode morrer de hemorragia! – gritou Hazel e nos encaramos e corremos para pegar Hope que parecia cansada e Winter tentava erguer o filhote que tinha nascido para respirar na superfície enquanto Hazel e eu puxávamos Hope para a bancada de treinamento e arrisquei cortando a barriga de Hope para poder retirar o filhote que parecia não conseguir respirar e me desesperei, Hazel chorava e tentava amenizar o corte com algumas ataduras enquanto eu tentava reanimar o filhote inerte em meus braços.
—- Acorda! Acorda! Acorda por favor! – gritei para o filhote e Hazel me encarou surpresa e rapidamente o filhote se debateu e começou a nadar o soltei dentro da água e corremos ao socorro de Hope que parecia estar tendo uma hemorragia, os outros veterinários e biólogos ajudaram com isso e Hazel e eu fomos examinar os filhotes que pareciam pequenos, mas graças a nossos esforços estavam bem e saudáveis.
—- Já pensou nos nomes? – disse Hazel cansada depois de cuidarmos do corte que fiz em Hope e eu estava na água alimentando os filhotes que estavam separados de Winter que tentava se comunicar com Hope.
—- Bom, não sei olhe para eles e me diga você – falei passando uma mamadeira para Hazel que sorriu.
—- O que são? – questionou ela acariciando o pequeno filhote que mamava avidamente em sua mão.
—- São um casal de gêmeos – falei sorrindo e ajeitando a mamadeira na boca do segundo filhote e ela riu.
—- Mel e Sawyer – disse ela e eu a encarei boquiaberto ela riu acariciando o filhote que parecia feliz.
—- Vai mesmo dar seu apelido pro golfinho e o meu nome? – murmurei e ela sorriu e eu ri alto disso tudo.
Depois de um parto extremamente difícil ficou a questão de o que faríamos com os filhotes quando crescessem, mas isso demoraria um tempinho então ficamos ali cuidando daqueles bebês golfinhos.
Quando encerrei o expediente daquele dia, ao invés e ir para casa fui até o barco onde Hazel e Reed ainda moravam, Clay ainda tentava convencer os dois a morarem na casa onde ele vivia, mas era difícil decidir.
Caminhei próximo ao deck e Ruffus parecia tentar me afastar de qualquer jeito da beirada do mesmo.
Estranhei e olhei para a água que parecia meio turva e se movia de um jeito estranho, mas continuei meu caminho e acabei encontrando com Hazel sentada na parte alta do barco onde vivia e olhava para o nada.
—- Hazel – murmurei e ela se assustou comigo e derrubou sua corrente de tartaruga marinha no mar, mas não se importou apenas se virou para mim e sorriu e se sentou no chão com cara de cansada, mas aliviada.
—- É engraçado a gente participar juntos de algo tão extraordinário como o nascimento dos gêmeos – falei.
—- Verdade, nunca pensei que passaria por algo daquele tipo a adrenalina, o medo e o alivio nossa – disse.
—- Vou sentir saudade deles quando forem crescidos – murmurei pensando no futuro daqueles filhotes.
—- Também vou sentir falta deles... São saudáveis e precisam ter uma vida marinha de verdade – disse ela.
—- Hope será uma mãe zelosa e a Winter uma tia pra lá de carinhosa com eles – falei e Hazel sorriu com isso
—- Sawyer mudando de assunto se pudesse voltar no tempo e mudar qualquer coisa e mudar uma coisa ou outra, mas o resultado sempre ser igual acha que valeria a pena? – murmurou Hazel me encarando séria.
—- Não sei como dizer isso, mas acho que o que eu queria que mudasse uma única coisa, mas se for pra ter o mesmo resultado do que eu tenho agora acho que eu não mudaria nada do que eu já tenho agora – falei.
—- O que você teria mudado? – disse Hazel interessada no que eu realmente mudaria no passado e eu ri.
—- Espero que não se ofenda ou pense besteira, mas essa é a única coisa que eu queria que mudasse – falei.
—- Fala – disse ela e eu respirei fundo, eu era um cara de 20 anos e não mais um adolescente de 14 anos.
—- Lembra quando a Panamá morreu e você veio pra cá chorar por causa da morte dela? – murmurei baixo.
—- Sim e começou a chover e te fiz uma pergunta parecida com a que eu fiz agora – disse Hazel sorrindo.
—- Acho que eu teria te beijado naquele dia, apesar do momento triste, a chuva e a gente aqui fazia sentido.
Antes mesmo que Hazel pudesse responder a minha pergunta começou a cair à maior chuva e corremos para o aquário para fechar alguns lugares e também para ver como Hope, Winter, Mel e Sawyer estavam.
Hazel recebeu uma ligação de outro aquário e também de um fornecedor e se afastou de mim e fui me sentar próximo ao tanque onde Winter estava com Hope que havíamos colocado com ela e os filhotes deixamos as barricadas abertas para que elas e os filhotes tivessem mais espaço para nadar e suspirei.
—- Como estão os filhotes? – disse Reed olhando para os filhotes nadando na água com Hope e Winter.
—- Eles estão bem, Hope infelizmente pelo parto complicado não poderá ter mais filhotes e eles em algum momento serão soltos na natureza – murmurei enquanto via eles brincando entre si e sorri com a cena.
—- Alguma coisa me diz que não está aqui somente para monitorar Winter e Hope e nem pelos filhotes.
—- Reed, acho que fiz uma grande besteira e olha que eu sabia que isso podia acontecer e mesmo assim fiz.
—- Em que sentido foi essa besteira? – questionou Reed se sentando do meu lado e eu encarei os golfinhos.
—- Quando eu voltei há quase seis meses atrás eu reencontrei a Hazel e ela tava completamente diferente das minhas memórias e recentemente alguma coisa mudou no meu coração e comecei a me questionar sobre isso, sobre ela ter mudado e eu também e principalmente como isso poderia afetar nossa amizade.
—- Sabe o que eu penso sobre isso Sawyer? – disse o velho homem acariciando um dos filhotes que veio até a borda e lhe pediu carinho e rapidamente saiu dali entrando no outro tanque juntamente com Hope e Winter, provavelmente indo dormir, pois os golfinhos eram muito novos e Hope parecia cansada do dia.
Suspirei e encarei Reed que parecia pensar bem nas palavras para dizer para mim, então esperei e esperei.
—- O amor de vocês dois pela Winter os uniu como nunca antes, mas agora com o tempo essa união de vocês dois precisa ficar ainda mais clara, digo mudar de alguma forma ou evoluir essa união entre vocês.
—- O que quer dizer com isso Reed? – falei encarando o velho homem que se levantou com dificuldade e riu
—- O amor de você por Winter é recíproco certo? – disse ele e assenti e ele riu como se tivesse algo obvio.
—- Isso é meio óbvio de se dizer, todos percebem isso, até mesmo um cego veria isso ao olhar para vocês.
—- Mas agora Sawyer quem precisa perceber esse amor que uniu você e Hazel modificou com o passar dos anos, mas pelo que pude perceber é um segredo no qual apenas você e ela compartilham com os golfinhos
O encarei sem entender o que ele quis dizer, comecei a achar que Reed estava começando a caducar.
—- Desculpe se soou meio confuso, mas o que eu quis realmente dizer é que o segredo que vocês dois guardam com esses golfinhos é o amor que vocês dois sentem um pelo outro – disse ele se afastando dali.
—- Essa é a besteira que eu fiz hoje Reed – murmurei e o homem parou no meio do caminho e me encarou.
—- Acho que Hazel não sente isso por mim – murmurei e coloquei as mãos no rosto envergonhado por isso.
—- Acho que é você que ainda não se deu conta do que é realmente recíproco – disse ele me deixando só.
Dormi no sofá-cama de meu escritório naquela noite, estava fugindo de Hazel e preocupado com o que minha mãe perguntaria, eu não saberia como esconder segredos dela então procurei ficar longe delas.
Mas essa fuga não durou muito tempo, antes mesmo de eu terminar de passar o café na sala de reuniões Hazel apareceu lá com um vestido rosa claro e o cabelo com tranças e varias coisas debaixo dos braços.
—- Bom dia, como estão os gêmeos? – disse ela surpresa comigo ali e eu apenas lhe passei uma xícara de café fumegante e me sentei o mais longe possível dela e evitei seus olhos cor de avelã e respirei fundo.
—- Estão muito bem, Hope os amamentou mais cedo e estou preparando um reforço, afinal são dois.
—- Otimo – disse ela bebericando o café rapidamente e permanecemos por alguns minutos em silencio.
Quando abri a janela o perfume que Hazel usava estava bagunçando meus pensamentos Ruffus apareceu ali e me assustou fazendo derramar o café na ultima blusa minha mesmo que eu tinha ali no Clearwater.
—- Ruffus! Pelicano maluco! – gritei afastando a blusa com o café quente de meu peitoral e Hazel riu alto.
—- Nossa qual é a dele? – disse Hazel fechando a janela e ele foi para cima do muro do hospital marinho.
—- Não faço a mínima idéia, ontem ele tentou me afastar do deck quando estava indo até a sua casa – falei.
—- Por quê? – questionou Hazel pegando uma toalha para mim e uma blusa de uniforme, retirei a blusa ali mesmo com o olhar fixado de Hazel em meu peitoral e limpei a sujeira do café e vesti o uniforme rapidamente e olhamos pela janela para onde aquele pássaro maluco estava e ficamos em silencio.
—- Ele deve ter perdido o restante de juízo que ele tinha – murmurei abrindo novamente as janelas da sala.
—- Não que ele tenha tanto juízo assim para perder – disse Hazel e vimos ele ir na direção das docas onde o deck que eu passava para ir a casa de Hazel ficava e nos olhamos e resolvemos ir atrás daquele pássaro.
Ruffus pareceu se desesperar com nossa ida atrás dele, pois tentava de todas as formas nos retirar dali, mas Hazel e eu o afastamos e olhamos para a água turma que se movia de um jeito estranho no local.
—- O que é que ele ta tentando esconder? – questionei segurando ele e aquele bico papudo que se debatia.
—- Tem alguma coisa na água – disse Hazel se aproximando do deck que de repente a água mudou e pulou um enorme tubarão branco fazendo Hazel cair para trás e gritar bem alto, soltei o pelicano e corri na direção dela já que com o peso do tubarão o deck havia se quebrado e ela iria cair dentro da água.
Puxei Hazel que havia se cortado nas madeiras e acabei me cortando num dos pregos daquele local o que acabou atiçando ainda mais o tubarão que veio pra cima da gente, mas Ruffus entrou no meio para tentar nos salvar e no meio disso tudo acabou que teve uma das asas mordicadas pelo tubarão e grasnou alto.
-- Ruffus! – gritamos juntos e o puxamos para longe dali e mesmo ambos sangrando corremos para o hospital marinho para socorrer Ruffus que reclamava de dor e tentava nos bicar por causa da disso.
Hazel e eu corremos para a sala de cirurgia e começamos a operação para conter a hemorragia no pelicano maluco e todos do aquário vieram correndo para a sala de cirurgia provavelmente preocupados com o mascote do hospital e com a gente que estávamos feridos por debaixo daquela roupa azul Royal.
Depois que terminamos de conter a hemorragia de Ruffus esperamos ele voltar da anestesia e começamos nós mesmos a nos fazer os curativos, os equipamentos que usávamos ali não eram tão diferentes dos que usavam nos humanos nos hospitais, apesar dos cortes superficiais Hazel e eu precisamos de alguns pontos.
—- Acho que ele estava tentando evitar que algo pior acontecesse – murmurei quando Hazel terminava os pontos na parte de trás de meu braço, onde um prego de ferro do deck havia entrado, quando terminou finalizei os curativos que fiz na perna dela onde as madeiras do deck haviam fincado com ataduras e sorrimos um pro outro.
—- Pelo menos isso não foi feito pelos dentes do tubarão – disse ela e encaramos Ruffus que havia acordado
—- Pronto senhor segurança de docas, vai ficar aqui dentro do aquário pelos próximos dias até sua asa cicatrizar – disse Hazel retirando aquele pássaro maluco da maca e eu fui higienizando a sala de cirurgia.
—- Santo cristo! Porque está essa sangria toda aqui?! – disse Dr. MacCarty assustado com quantidade de sangue que havia no chão, era bastante já que por aquele corredor Hazel, Ruffus e eu passamos feridos.
—- Desculpe pelo susto Dr. MacCarty, tivemos um acidente com um pelicano e um tubarão nas docas por isso essa sujeira toda – disse Lily uma de nossas novas voluntarias e eu apareci ali e ele ficou aliviado.
—- Me diz que o Ruffus está bem – disse ele preocupado e eu assenti o levando para ver o pelicano e ele riu.
—- O tubarão mordeu vocês também? – disse ele notando meu braço e perna de Hazel enfaixados e eu ri.
—- Vocês dois são loucos, avisaram a guarda costeira? Esse bicho pode morder algum banhista e eu terei que voltar mais cedo das minhas férias para refazer um braço ou uma perna comidos por um peixe gordo.
Hazel e eu rimos e avisamos a guarda costeira que mandou um comunicado as praias da redondeza e quando fui ver o tubarão que tínhamos resgatado naquele dia, prestei mais atenção e entendi o que houve
—- Acho que estamos cercados de raridade mesmo – falei indo em direção a Hazel que conversava com Reed que foi até lá preocupado conosco e Dr. Clay disse que estava a caminho, também preocupado.
—- O que quer dizer com isso? – disse Reed que havia dito mais cedo que ele e outros pescadores reformariam os decks e a docas depois do acidente, ambas estavam podres e isso só piorou a situação.
—- Era a mãe do tubarão que resgatamos, não tem outra explicação – falei seriamente e todos ali riram.
—- Ele já está recuperado, vou colocar uma roupa de mergulho e vamos devolver ele pra mãe louca dele.
Fomos eu, Hazel e os outros para o tanque onde o tubarão filhote estava e começamos o processo de retirada do animal, mas antes de terminarmos de colocar ele na maca para ele se debateu e derrubou Hazel para dentro da água a rabada que ele deu acertou o rosto dela e ela caiu desacordada no tanque.
—- Hazel! – gritei pulando dentro do tanque a puxando de lá com o braço que ela tinha costurado e senti os pontos se repuxarem nisso o tubarão caiu da maca em cima da gente e nadou para a lateral do tanque enquanto eu puxava Hazel desmaiada para longe dali e todos gritaram quando o animal voltou em nossa direção, joguei o corpo de Hazel para o outro lado e peguei o canivete que nunca saia de meu bolso e acertei o animal que estava vindo para nos atacar bati meu rosto na plataforma quando mergulhei para dar um soco no fucinho do animal e Hazel acordou e Taylor e os outros nos retiraram rapidamente da água
—- Tá tudo bem? Minha nossa levem — os para o hospital! – gritou Dr. MacCarty e Reed e Dr. Clay que tinha chegado chamaram uma ambulância e nos levaram dali, Hazel parecia confusa por causa da pancada e eu estava com um corte na mão por causa do canivete, o maxilar roxo por causa de ter batido o rosto na plataforma e com a mão deslocada por causa do soco que tinha dado no tubarão e saímos dali.
—- Minha mãe vai se desesperar quando ouvir que somos nós – falei para Hazel quando colocavam em nós um colar cervical e ela riu de olhos fechados, disse que se sentia um pouco tonta pela pancada do tubarão.
Hazel e eu depois de examinados ficamos por algumas horas no hospital para monitorarem se não teríamos tontura ou algo parecido, quando fomos dispensados Dr. Clay me levou pra casa e foi para a dele e levou Hazel junto com o pai, ela passaria a noite sob cuidados deles e eu fui pra casa com minha mãe.
—- Trouxe sorvete de flocos, creme e chocolate – disse ela me entregando um bowl verde água com os sorvetes agradeci e peguei com a mão boa já que a outra estava imobilizada com uma tala e eu tinha curativos no rosto e na mão por causa da pancada e do corte – minha mãe mediu minha temperatura, mas eu me sentia bem, casado por causa do parto de Hope e também pelo duplo acidente com tubarões.
—- Sinto muito querido, sabe que admiro sua profissão, mas me apavoro quando os animais fazem isso, principalmente tubarões por causa das coisas que vejo passar nos noticiários – disse ela preocupada.
—- É um animal selvagem mãe, se até a Winter já me feriu no passado não seria diferente ainda mais com um tubarão – murmurei colocando um pouco de sorvete na boca e olhei o celular e perguntei a Hazel se ela estava bem, ela apenas me mandou um positivo e perguntou como eu estava, mandei um sorriso.
—- Sabe quando você e Hazel poderão voltar ao trabalho depois desse acidente? – perguntou ela e eu dei de ombros, Hazel e eu estávamos precisando de folga mesmo, mas não sabia que seria dessa forma.
—- Deixei os cuidados dos animais nas mãos dos novos biólogos e veterinários, assim que eu e Hazel ficarmos bem voltamos à ativa, estávamos precisando de folga mesmo – murmurei comendo sorvete.
Hazel Haskett
Depois do acidente com os tubarões foi à primeira vez em quase seis meses que Sawyer e eu ficamos separados por um período curto, depois que ele voltou dos estudos marinhos de Boston algumas coisas haviam mudado e percebi que o que sentia por ele na adolescência estava apenas adormecido, eu gostar dele mais que o necessário nunca foi realmente embora, do que agora voltou com muito mais força.
Fui ao hospital naquele final de tarde para pegar alguns medicamentos que ficaram na farmácia de lá e Lorraine se assustou quando me encontrou lá e veio preocupada na minha direção e eu me assustei.
—- Hazel?! Meu Deus o que aquele animal fez com seu rosto? Esta sentindo alguma coisa? – disse ela preocupada.
—- Oh, Loo, não não, vim apenas pegar alguns remédios que esqueci aqui ontem, estou bem não se preocupe.
—- Graças a Deus, quando o Dr. MacCarty disse que você tinha desmaiado e o Sawyer desceu o braço naquele tubarão minha nossa meu coração quase foi pro espaço, meu filho gosta mesmo de você Mel.
—- Esse não é mais meu apelido, pode me chamar de Hazel mesmo – murmurei e ela me olhou estranha.
—- Ele não te contou? Os golfinhos de Hope nasceram e são um casal, colocamos o nome de Mel e Sawyer.
—- Sawyer não dorme em casa há dias, parece estar fugindo ou escondendo alguma coisa de mim – disse.
—- Em que sentido? – perguntei quando a enfermeira me entregou meus medicamos e Lorraine me levou até o refeitório e me ofereceu chocolate quente, havia aprendido a tomar café por causa dos estudos da faculdade, mas aceitei o chocolate quente estava curiosa com a observação dela sobre o comportamento de Sawyer, mães tinham um sentido aguçado para o comportamento dos filhos isso era incrível e eu ri.
Mas o bipe de Lorraine começou a tocar e tivemos que adiar nossa conversa para outro dia e sai rapidamente dali, não antes de pegar um copo d’água para beber meus remédios a “rabada” que levei no rostocabeça do tubarão “Trevor” havia sido realmente forte... Se não fosse por Sawyer teria sido pior.
Peguei meu carro e fui para o aquário, queria ver como Hope, Winter e os filhotes, pensei em passar na casa de Sawyer, mas achei que seria estranho conversar sozinha com ele ainda mais na casa da mãe dele.
Mas quando cheguei no hospital marinho vi Sawyer com alguns papeis nas mãos em frente o tanque para onde havíamos transferido os filhotes juntamente com Winter já que Hope retiraria os pontos naquele dia.
Fiquei parada do outro lado apenas vendo Sawyer anotar algumas coisas e sempre olhar para os lados, parecia estar procurando alguém ou alguma coisa e movia a mão que havia deslocado para afastar o tubarão da gente e parecia incomodado com a tala, fiquei o olhando por vários minutos, até que uma garota morena clara apareceu ali andando decididamente na direção de um Sawyer totalmente distraído.
Fim do ponto de vista de Hazel Haskett
Fale com o autor