Winter Hill
1 The Hunt
Notas iniciais
Foi postada também no wattpad e no socialspirit. Qualquer coisa, é só procurarem pelo meu perfil @97sfairy nessas duas plataformas.
É isso. Espero que gostem :)) bjuu
O vampiro estava faminto.
Sua gengiva coçava como o inferno e suas presas tornavam-se cada vez mais visíveis e afiadas. As orbes vermelhas flutuavam pela escuridão e o corpo alto e forte parecia entrar em uma espécie de combustão, a respiração pesada misturado-se com os sons fantasmagóricos da própria floresta. O vulto preto esbarrava em folhas e esmagava os galhos com uma rapidez sobrenatural enquanto cortava caminho pela mata. Estava sem rumo, vagando por aí como um fantasma, alimentando-se por aqui e por ali, porém em muita pouca quantidade.
Precisava enterrar suas presas em alguém.
Com a falta disso, seu organismo passou a apresentar alguns sinais de fraqueza. O vampiro agora movia-se de forma não tão imperceptível, mas ainda sim rápido demais para que pudessem capta-lo a olho nu. Seu corpo ainda mantinha a estrutura de sempre e para quem estava há quase duas semanas sem se alimentar, seu estado não se encontrava tão precário assim.
O interior do vampiro apenas borbulhava violentamente, ansioso.
Não demorou muito para que a criatura avistasse a placa do outro lado da cerca, que separava a floresta de uma pequena cidade. O letreiro sujo informava o lugar o qual tinha ido parar.
Winter Hill.
Deduziu que demoraria no máximo cinco minutos para alcançar uma daquelas casas e causar um belo estrago.
Gostaria de manter algum humano e fazê-lo de prisioneiro depois que estivesse devidamente alimentado, só por diversão, mas lembrou-se que agora encontrava-se em um terreno desconhecido. Não podia simplesmente sair mantando uma família inteira, por mais que quisesse. Estaria, de certa forma, encrencado. Então apenas contentaria-se com algum local em que pudesse se trancafiar durante o dia. Não planejava ir a nenhum lugar mesmo.
E ele mal podia esperar para iniciar sua caçada.
xx
O vampiro andava em passos firmes e apressados. Seu corpo era parcialmente engolido pela sombra das árvores conforme deslizava pelos becos entre as casas.
Havia uma quantidade significativa de prédios abandonados e com obras inacabadas em Winter Hill. Um dos bancos possuía seus caixas eletrônicos quebrados e o vidro do estabelecimento estilhaçado pelo chão, igualmente abandonado. Não parecia haver muitos hospitais ou comércio forte, assemelhando-se levemente a uma cidade fantasma. Folhas de jornal flutuavam pelas ruas, sendo levadas pelo vento uivante, enquanto a luz âmbar de alguns postes piscava repetidamente. Algumas casas encontravam-se em estado deplorável, com janelas arrebentadas e paredes apodrecidas. Não sabia se haviam pessoas ali morando, mas imaginou a situação miserável em que se encontravam. No entanto, bem ao lado, haviam aquelas que possuíam chaminés e jardins extremamente bem cuidados, com direito a chafarizes e estátuas, variando entre gárgulas e anjos, num constraste evidente.
— Humanos... — Resmungou. Não suportava essa raça. Com isso em mente, passou a sortear a família que receberia sua grande visita surpresa aquela noite.
Os cheiros intensificavam a medida que seu corpo movia-se sorrateiramente pelas entradas, parando alguns segundos para analisar cada aroma e supor alguma diferença de idade entre eles. Quanto mais novo, mais fresco.
Queria proporcionar a si mesmo um banquete daqueles bem caprichados porque, oras, ele merecia! A criatura era incapaz de contar o tempo em que permaneceu vagando por estradas e áreas de pouco conjunto habitacional, desfrutando apenas da vida bucólica e sentindo-se um tanto sozinho. Dormia praticamente o dia inteiro e à noite caminhava alguns quilômetros até sua fonte de alimento, nem sempre obtendo sucesso durante o processo de busca. Mesmo que estar só nunca tivesse sido um problema, o vampiro concluiu que seus dias passaram a ficar chatos demais. Sem nenhuma diversão. Nenhuma tragicidade.
As pessoas com o qual teve contato o viam como um ser vil e asqueroso. Precisava voltar a agir como tal. Não aguentava mais ansiar como um louco a volta dos velhos tempos. Queria sangue, gritos, sustos e gemidos, pouco importando se seriam de dor ou prazer. Queria saciar sua maldita fome. Explorar cada sensação e sentir seu corpo arder em excitação.
Para o vampiro, a melhor parte era definitivamente aquela em que os humanos percebiam o estrago feito. Ele adorava contemplar o desespero alheio e o consequente estado de pânico, parando para observar cada pedido de socorro com brilho e admiração no olhar. Gostava de assisti-los implorarem, pedirem misericórdia e apelarem às orações, até que não os sobrasse força para mais nada. Até que seus corpos virassem apenas matéria vazia sobre o carpete.
Absolutamente nenhum pedido sequer fazia o vampiro abdicar de seu prazer momentâneo. Ver o estado miserável daquelas pessoas era seu maior entretenimento.
Então, não pensou duas vezes quando sentiu um cheiro que fez sua boca salivar e sua gengiva voltar a coçar loucamente. Grunhiu, andando até uma casa com as luzes completamente apagadas.
Era sempre divertido pega-los dormindo.
Não demorou mais que dez segundos para que conseguisse entrar, passando pela cozinha e tomando rumo pelo corredor em passos dolorosamente lentos. Seu corpo ansiava demais por aquilo.
Esticou as mãos e com as unhas afiadas, passou arranhando toda a extensão da parede, rompendo com o silêncio ao emitir um som imensamente agonizante. Parou apenas quando já estava em frente ao quarto de sua primeira vítima.
Os dois pontos vermelhos brilhavam no meio da escuridão, mirando o garoto que ressonava tranquilamente em sua cama.
Ele mal esperava para poder provar daquele que dormia de forma tão ingênua. Sendo assim, o vampiro ergueu o dedo indicador na direção daquele rosto, sua unha afiada arrastando-se suavemente pela bochecha e traçando lentamente um caminho até o pescoço do jovem.
O garoto mal teve tempo de reagir quando o vampiro imediatamente abocanhou a pele daquela região, cravando suas presas e sugando todo o líquido quente.
Seu corpo simplesmente amoleceu com o prazer que aquele simples ato o proporcionou. Como sentiu falta daquela sensação.
Do outro lado, os olhos do garoto encontravam-se arregalados de pavor. Estava tão chocado que não conseguia sequer gritar.
Mas logo logo não seria mais preciso. Estaria morto mesmo.
Com esse pensamento, o vampiro sorriu sádico, chupando o garoto com mais força. Um grunhido de agonia ecoou pelo quarto quando o jovem sentiu o sangue correr com mais velocidade pela veia daquela região.
O rosto empalidecia gradativamente e a criatura o encarava com admiração. Aquela transição sempre o fascinara.
Finalmente afastou seus lábios do pescoço, agora lambendo as últimas gotículas de sangue que insistiam em vazar pelos dois furos. Estava devidamente saciado.
Mas ainda não era suficiente.
Sabia que não o restava muito tempo, então não tardou ao rasgar a blusa do pijama, arranhando sua pele grosseiramente, sujando o peitoral alheio de sangue.
O garoto gemeu de dor.
A criatura lambeu os lábios com aquela cena. O jovem deitado em sua cama, carregando um semblante de pavor, completamente sujo de sangue.
Tão bonito. Tão vulnerável.
E extremamente delicioso.
Não esperou quando fincou as unhas em sua pele, perfurando-a e fazendo o garoto arquear as costas. O grito de dor soou alto pelo quarto, acordando seus pais que prontamente ligaram as luzes da casa, porém agora já era tarde demais. Estava completamente fraco.
Morreria em poucos segundos.
O vampiro sorriu sádico e prolongou sua dor, fazendo o sangue espirrar em cada vez mais quantidade dos furos causados por suas unhas. Contou até três e esperou o garoto simplesmente parar de relutar.
Então os pais entraram no quarto.
— Filho! — A mãe correu até o garoto no estado miserável em que se encontrava, sacudindo-o. — Acorda, pelo amor de deus! Filho!
Nada adiantaria. O garoto já não estava no mesmo plano que eles.
E o vampiro apenas os observava com um sorriso torto, escondido entre as sombras.
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