Winter Flowers
2 Uma ferida aberta
Notas iniciais
Uma ferida aberta
Narrador Onisciente
Degel estava deitado em sua cama no dia seguinte Albafica ainda passou pela madrugada e o disse que Kardia levou a maior bronca de seu pai, tio e até de seu irmão, já era tarde quase noite no dia seguinte e de fato seu pai cumprira o que prometeu deixou-o sem comida e com apenas um suco que Albafica e Doroteia levaram escondidos. Suspirou entristecido lembrando-se das duras palavras de Kardia e vários pensamentos negativos rodavam sua mente naquele momento.
"E se ele me maltratar" fora uma das coisas que pensou "E se nas nossas núpcias ele..." O ruivo levantou-se rapidamente balançando a cabeça querendo não pensar nisso, o que era quase impossível já que em menos de uma semana estariam sobre o mesmo teto. E Degel totalmente a mercê de Kardia.
— Degel, posso entrar?
— Sim.
Albafica entrou no quarto vendo como seu primo estava, Degel ficara boa parte da noite chorando e agora seus olhos estavam um pouco inchados e com olheiras. Vestia desajeitadamente uma blusa de manga longa amarela e uma calça de moletom marrom.
— Como você está? Tio Krest ficou de olho em mim para que eu não te trouxesse nada, desculpa — Albafica sentou na cama ao lado de Degel com a cabeça baixa, vestia uma espécie de legging branca que ia até seus joelhos e um blusão azul claro que mais caberia dois de si dentro.
— Tudo bem, não se preocupe comigo, não quero que se prejudique por minha causa — O ruivo sorriu docemente para seu primo e tocou-lhe o rosto.
— Tio Krest disse que já está tudo pronto para o seu casamento e Kardia deixou tudo para você decidir quais serão as flores e as cores da decoração.
Degel suspirou, sentia-se dentro de um circo — Acho que em relação a flores ninguém teria dúvidas — Tocou o colar que ainda estava em seu pescoço — Agora as cores eu gostaria de azul, branco e alguns detalhes de dourado.
O ruivo falou entrando no jogo das duas famílias, não queria se casar até pensou que daria certo logo que viu Kardia mas depois de ouvir aquelas palavras desistiu que teria uma vida feliz ao seu lado.
— De, vai ficar tudo bem, é como eu disse ontem amor é um sentimento que vem com o tempo. Não fique triste.
O ruivo abraçou seu primo — Degel, acabou a tortura, venha comer — Lugonis surgiu na porta sorrindo.
— Papai, ainda bem que veio.
— Obrigado tio Lugonis — Degel o abraçou e seguiu para a cozinha passando direto por seu pai que nem o olhou, chegando lá Dorotéia o recebeu, era claro que a senhora não havia visto o que aconteceu então decidiu não contar.
— Então meu bem — Começou a senhora — Eu vi seu noivo ontem, é um homem encantador não acha?
— É, ele é muito bonito, realmente faz o estereótipo de quase todos os gregos — Degel disse pegando um pedaço da torta de morango que Dorotéia havia deixado na mesa.
— Vai me contar o que conversou com ele? — Albafica entrou na cozinha sorrindo sentando ao lado de Degel pegando também um pedaço da torta.
— Ele me deu esse colar, perguntou as coisas que eu gostava de fazer e depois disse que estava nervoso quanto ao nosso casamento.
— E papai fez uma brincadeira com os dois enquanto falava de meu casamento com Manigold — Albafica percebendo que o primo estava ficando triste decidiu mudar o rumo da conversa.
— O que ele disse?
— Que Degel já estará com a barriga grande quando eu e Manigold nos casarmos.
Dorotéia não segurou o riso enquanto Degel revirava os olhos cedendo a uma risada — Lugonis não toma jeito mesmo — Disse a senhora entre os risos.
***
Kardia estava sentado enquanto falavam mais e mais coisas do casamento era manhã e faltavam apenas três dias para a cerimônia mais comentada do mundo, suspirou pensando em como seria ficar com Degel sobre o mesmo teto, como seria se de fato os dois conseguissem ter um ou mais filhos.
— Kardia! — Leyla a esposa de Hakurei gritou na inútil tentativa de chamar atenção de seu sobrinho, revirou os olhos vendo que o mesmo voava longe e gritou mais alto — KARDIA!!! Está me ouvindo!!?
— Aí tia Leyla, também não precisa gritar!
— Como eu ia dizendo, no salão você vai entrar pela direita enquanto seu noivo entra pela esquerda quando se encontrarem no centro em cima do tapete vermelho você vai colocar a coroa de flores brancas nele e ele vai colocar a coroa vermelha em você. Depois disso você vai pegar a mão dele e o conduzir até o altar onde o mestres de cerimônias vai passar a faixa vermelha em suas mãos, entendeu? — Kardia assentiu entediado e depois virou o rosto.
— Kardia... — Sua tia sentou-se a seu lado pegando sua mão — Eu entendo que não queira se casar com quem acabou de conhecer, mas eu quero que entenda, isso é pelo bem das duas famílias. Olha, conheci Degel quando viemos a primeira vez selar o acordo, ele é uma pessoa maravilhosa, muito atencioso e conversador, você vai sem dúvidas ser muito amado por ele e muito bem cuidado, e não pense que me engana eu sei que toda essa sua birra é por causa daquela modelo.
Kardia a encarou incrédulo, como sua tia sabia sobre Calvera— Mas...
— Não não não, escute-me, trate-o bem, aquela mulher não te ama, por que segundo o que eu obriguei Manigold a falar ela realmente não gosta de você. E Degel, ele sim vai amar você meu bem. Agora vamos voltar ao que interessa, seu casamento.
Kardia realmente passou a pensar em Degel, decidiu não desafiar sua tia quanto a Calvera deixaria esse assunto de lado por enquanto.
— Então o que a tia Leyla tava te falando? — Manigold perguntou concentrado em um jogo de tênis virtual que jogava na enorme tv da sala de jogos na nova casa de Kardia.
— O mesmo que ela vai falar pra você em breve, que babaquice, seu casamento deveria ser junto com o meu, já que eu não tenho como escapar mesmo.
Manigold riu da cara de seu irmão e voltou para o jogo — Tenho certeza que você gostou dele.
— Acho que vai ser bom ter um virgem gemendo meu nome na hora do sexo. Vou me aproveitar muito dele.
— Você é um idiota...
— Você também não está muito longe de ser um idiota, pensa que eu não vi que você não tirava o olho das curvas do Albafica?
Manigold pausou o jogo e voou em cima de Kardia iniciando uma briga de mentira — Vocês são duas crianças — Ouviram a voz de Shion na porta.
— Olha quem resolver dar o ar de sua graça — Brincou Manigold fazendo uma reverência sendo seguido por Kardia nessa brincadeira.
— Então primo, conheceu seu noivo? — Kardia Perguntou vendo que Shion virou o rosto abrindo o leque que estava em suas mãos e seguindo para a porta sem nada falar, Shion era o único homem capaz de engravidar de toda a família Halston atualmente e como tal deveria seguir as regras e se casar com um homem rico e no caso seu noivo já fora escolhido.
— Eu ofendi ele? — Kardia perguntou e Manigold apenas deu de ombros também não entendendo a reação de seu primo.
— Não, não me ofendeu, apenas acho injusto o que falou, se aproveitar do garoto? Ele também é como eu "uma aberração" como dizem as pessoas por aí a fora, sabe como foi minha vida, a dele não foi diferente! Com certeza ele sofreu, para hoje poder agradar um idiota, retardado como você! E ainda te conceder um filho, que por Deus, eu vou orar todas as noites pra que não puxe um sádico como você! — Shion tinha lágrimas nos olhos, colocou o leque a frente de seu rosto e saiu pela porta que por pouco entrara, parando apenas por ter ouvido as terríveis palavras de Kardia. Correu até o quarto onde ficaria por pouco tempo e lá passou o resto do dia.
Continua...
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