Winter Again
9 Capítulo 9: Winter Solstice Fourth Act
Notas iniciais
Capítulo 9: Winter Solstice Fourth Act
Francis
Quando saltei do carro a chuva grossa que havia começado meia-hora antes havia se tornado uma garoa fina, quase invisível.Como combinado estacionei o carro em frente a loja de penhor e fui caminhando até cafeteria, as ruas estavam quase desertas, exceto por um carro, ou outro que passava e pelo caminhões da entrega de jornais.O sol ainda nem havia aparecido.
Sinceramente, desconhecia que cafeterias abriam às cinco horas da manhã, mas havia sido aquela hora que Ibrahim havia marcado.Para alguém como ele a cidade parecia estar de portas sempre abertas.Fazia muito tempo desde o nosso último encontro, quando ele me pediu para que o entregasse os endereços de Tony Stark e Sam Wilson.Depois daquilo as cartas misteriosas começaram a chegar até Bucky.E ele que já não andava bem, parecia ter enlouquecido de vez, insano como nos seus primeiros dias no QG .
O cheiro do café misturado, ao do chocolate e ao do creme invadiu meu nariz assim que abri a porta.O local estaria vazio se não fosse pelo homem de ombros largos e terno cinza escuro no fundo do local e pela garota sonolenta no balcão.Ibrahim não parecia ter notado minha chegada, o bolinho que ele levava a boca parecia distraí-lo de maneira incomum.
–Sr. Ibrahim?!- Chamei ao me aproximar.
–Francis!- Exclamou como se estivesse surpreso por me encontrar ali.-Bom dia, vamos sentando.
–Bom dia.
–Local agradável, não é mesmo?- Ele dizia enquanto eu tomava assento.-O café não é dos piores, mas o muffin é o melhor que já comi.Deveria experimentar.
–Não gosto de doces no café da manhã.-O homem só me deu um sorriso sem dentes.
–Você tem certeza que é americano, Francis?- Disse em tom de brincadeira me dando a sensação de que éramos velhos amigos.Aquela velha conhecida sensação de mal-estar me dominou.
–O que o senhor deseja?- Perguntei tentando apressar o final daquele encontro.
Ibrahim só sorria enquanto levava sua xícara a boca.Por um segundo cogitei a ideia de sair dali e deixá-lo com seu sorrisinho idiota, mas aquilo seria uma péssima ideia.Respirei fundo e continuei esperando que ele me respondesse.
–Eu tenho um presentinho para o nosso amigo, o Soldado Invernal.- Ele falou, finalmente, pousando a mão sobre envelope pardo e chamando minha atenção para sua existência.
–Isso é sério?- Desconfiei.
–Eu sei...eu sei...Minha culpa por ter feito o nosso amigo de idiota pelos últimos dois anos, mas foi irresistível...Você não sabe como foi divertido vê-lo correndo de um lado pro outro.
Você foi cruel, isso sim.
–Essa pista é real?- Perguntei.
–Não é exatamente uma pista.- Disse bebericando mais um pouco do seu café antes de continuar.- Instruções seria a palavra certa.
–Instruções.- Repeti franzindo a testa.
–Instruções que farão o Sargento James Barnes saber exatamente onde Serena Stanton está.- Ibrahim falava calmamente, como quem conversava sobre um filme que acabará de assistir.-E o que nós fizemos dela.- Aquilo revirou meu estômago.- Posso dizer que ela esta espetacular.
Meus olhos arregalaram no mesmo instante.
–O que você quer dizer com "Ela está espetacular"?
–Você vai ver, Francis, vai ver.- Disse com uma sombra de sorriso nos lábios.- Mas para isso você precisa fazer com que isso chega até o Soldado Invernal.- Batendo levemente os dedos indicador e médio no envelope em cima da mesa.-De preferência até o começo da noite.
Quando saí da cafeteria o vento frio chicoteava meu rosto sem piedade, o vai e vem de pessoas ainda era pequeno.Verifiquei a hora no visor do celular ainda não eram nem 5:40 pm. Podia tomar um café da manhã com ovos bacon e o café amargo de uma lanchonete decadente, mas aquilo só serviu para me deixar mais enjoado...Ou podia ser efeito do envelope no bolso interno do meu casaco.
Bucky
Quando garrafa de vodka bateu no chão em carpetado não sobrava mais que resquícios de seu conteúdo.Eu andava a dois longos anos bebendo demais?E daí?Quem se importava?Quem se importava se eu andava misturando álcool com tranquilizantes?Oh claro, os Vingadores, eles se importavam demais até.As batidas frequentes ao meu quarto eram uma amostra de toda aquela preocupação.As conversas com Steve idem.Tudo para lembrar a merda que a minha vida andava desde o dia que a Hydra levará Serena.
Sim, eu andava bem amargo.
Mas quem se importava, mesmo?
Vi o dia raiar, nada incomum, nada que eu já não tivesse feito.Nem sempre os tranquilizantes eram a solução.Havia me entregado, sim, desde que li aquela mensagem escrita no chão empoeirado daquela fábrica velha.Se as pistas falsas da Hydra me deixavam perdido, sem elas parecia que todas as portas haviam se fechado de uma única vez para mim.Aquelas pistas podiam não me levar a lugar algum, mas ajudavam, de alguma forma, a me manter focado.Resistente.E a meses eu as havia parado de receber a meses, e eu não sabia o que fazer.
–Não está meio cedo para isso?- Ouvi uma voz feminina me perguntar.-Ou seria tarde demais?
Olhei por cima do ombro e vi Maisie Dale me encarando com aquele já velho esboço de desgosto no rosto.
–Tanto faz.- Disse simplesmente, dando de ombros.
–Dois anos.- Ela falou, meus olhos arderam e aquela sensação dolorida na minha garganta fez uma aparição especial.
–Não precisa me lembrar, eu sei exatamente quanto tempo faz.-Devolvi num tom seco, mas nem isso fez com que ela desistisse de se aproximar, e sentar-se ao meu lado num dos dois degraus que ficava em frente a grande parede de vidro.-Eu conto cada dia.
O silêncio se estabeleceu enquanto via as árvores do lado fora serem agitarem pela força do vento e serem encharcadas pela chuva, que de vacilante passou a ser torrencial.Dale estava imóvel observando as gotas de água batiam com força contra o vidro temperado.
–Você acha que se ela voltasse hoje iria gostar de te ver assim?- Maisie e suas perguntas incomodas, mas as respostas eram piores.
–Ela iria odiar.- Minha voz saiu como sem força, quase como se eu não a usasse.
Serena odiava meus momentos de auto-piedade, e principalmente, quando eles eram regados a vodka.Bêbado e auto-piedoso era uma combinação das piores.Contudo, eu nem tinha ideia quando ela voltaria.E se...Não, não, aquele tipo de pensamento sempre afastaria.
–Eu não sei mais o que fazer.- Admiti quebrando o silêncio que havia se estabelecido novamente.-Não sei mais por onde procurar...Eu não sei mais o que fazer.
–Que tal parando de beber tanto, parando com os remédios para dormir e escutando mais a gente?- Sugeriu.
–Coisas demais para uma cara bêbado a essa hora da manhã.-Era para ser uma brincadeira, mas a entonação saiu estranha.
–Não, coisas demais para esse Bucky que resolveu passar últimos tempos mais sentindo pena de si mesmo, do que reagindo.Você virou um estranho aqui dentro, nos tratando como inimigos.-Maisie disse.-Como o Clint que faz o possível e o impossível para tentar descobrir alguma pista.
–Mas nem o impossível parece ser o suficiente agora.- Disse pouco antes de esvaziar os resquícios da garrafa.
–Você é sempre assim...- Ela falou e arqueei as sobrancelhas.-Sarcástico, agressivo e insuportável.
Rolei os olhos, lá íamos nós de novo.
–Tudo bem, eu vou pedir desculpas pelas grosserias e tratar de ser bonzinho daqui para frente.- Recitei.
Maisie bufou, ela queria uma regeneração completa, mas ambos sabíamos que eu não estava nem perto daquilo.
–Não é isso...Ou melhor, não é só isso...
–Nunca é só isso...- Retruquei seco.
–A gente só quer que você reaja, Bucky.- Ela disse com uma falsa calma na voz.
–Eu tento todos os dias...Agora se você me der licença.- Falei levantando.
–Bucky...- Sinceramente não tinha mais saco para aquele tipo de conversa.
Sem hesitar me encaminhei para fora da sala, indo direto para o meu quarto.Naquele momento era o lugar mais seguro.Sem pensar duas vezes apanhei o frasco de comprimidos na gaveta da pia, mastiguei alguns antes de me atirar na cama, cheirando a suor e álcool.
Meu sono quando não eram atormentados por pesadelos, era como uma grande tela preta diante dos meus olhos.Fechava os olhos e algumas horas depois acordava, sem ao menos ter lembrar em que momento havia adormecido.E naquele final de tarde foi exatamente daquela forma, minha cabeça pesava uma tonelada.Talvez, eu realmente precisasse parar com aqueles remédios...
O quarto só não estava na mais completa escuridão por causa das luzes externas que passavam pela porta entreaberta da varanda.O inverno estava chegando, os dias ficavam cada vez mais curtos.Tudo que eu conseguia ver naquela penumbra era o contorno dos móveis e objetos do quarto.Encarei o nada por alguns segundos, sentindo minha cabeça completamente vazia...Ou quase isso, o rosto de Serena estava sempre lá.
Quando acendi o abajur que ficava no criado-mudo ao lado da cama a primeira coisa em que meus olhos bateram foram no relógio, que marcava 5:42 pm.Logo em seguida meus olhos se arregalaram num susto, sentei na cama um segundo depois.Eu não lembrava daquele envelope pardo em cima da mesinha.
Segundos depois o envelope jazia ao meu lado na cama, em quanto ávido eu lia as instruções escritas no papel.Li e reli um bom número de vezes, tentando identificar se aquilo poderia ser mais um dos jogos da Hydra.Mas haviam as instruções e elas eram detalhadas demais.Com nome da rua onde haveria um Honda Civic a minha espera, no GPS do carro estava registrado endereço onde eu haveria está antes das 10 horas da noite.Nas "pistas" anteriores só constavam os nomes das cidades, e mais nada.Daquela vez parecia diferente, ou tinha que ser, quase real.
Precisava ser, já faziam dois anos.
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