Wings
1 Capítulo único
Notas iniciais
Essa é a história de um anjo que por acidente veio morar entre os humanos.
Porém o anjo não imaginava o motivo de sua existência e desconhecia por completo a sua história. Esse anjo chamava-se Misuzu.
A história dos homens e dos anjos se mistura desde o início dos tempos, nunca soubemos ao certo qual foi o ponto de partida desta história. Mas tentarei contar a pequena parte que eu conheço.
Misuzu nasceu na pequena cidade de Hyogo, no distrito de Kasumi. Sua mãe falacera enquanto ela ainda era um bebê. Seu pai era muito jovem na época e, temendo não suportar o fardo de cuidar dela sozinho, transferiu essa responsabilidade à sua cunhada, Kamio Haruko, desaparecendo logo em seguida.
A jovem Haruko não sabia bem como cuidar de um bebê e esforçou-se muito para conseguir cumprir essa tarefa.
É assim que começa a história desse anjo na terra. Pelo menos nessa vida...
'Toda a vez que olho o céu eu sinto me assim... Livre...'
Esse pensamento povoava a mente da pequena Misuzu. Seus sonhos, seus desejos e vontades... Tudo era relacionado ao céu.
' Um dia abrirei minhas asas e voarei por esse céu azul...'
Quanto tempo mais esse pequeno anjo viverá entre os homens? Quanto tempo mais seu frágil corpo irá aguentar?
Misuzu sofria de uma estranha doença. Passou por diversos médicos, fez muitos exames, mas ninguém conseguiu diagnosticá-la.
'Quando eu tiver asas visitarei minha mãe...'
Estava deitada próximo ao deck. Olhava para o céu com sua mão estendida, aberta. Por entre seus dedos ela observava as nuvens. As vezes, fechava seus olhos e se via voando pelo céu azul, sentia o vento batendo levemente em seu rosto. Olhava para o lado e via as gaivotas tentando encontrar comida no chão.
Misuzu tinha apenas 7 anos, mas já possuia uma compreensão muito além das pessoas à sua volta. Mas ela não tinha amigos. Isso não era seu direito.
'Queria brincar com alguém...' — seus olhos encheram-se de lágrimas
Sua misteriosa doença a impedia de ter amigos. Sempre que se apegava a alguém ela tinha uma crise nervosa, chorava desesperada. Depois passava dias catatônica. Haruko passou a evitar que Misuzu se relacionasse com outras crianças, evitando que ela sofresse ainda mais. Inclusive ela mesma evitava se apegar demais à garotinha.
Misuzu teria uma grande provação ainda. Mas naquele dia ela iria ter uma pequena felicidade.
Ela caminhava pela areia branca da praia quando viu ao longe um garoto procurando conchas na praia. Ela correu em direção do menino, com a esperança de fazer um amigo.
-Oiii! — Gritava, Misuzu, toda feliz. — Oiii! Você está fazendo o que?
O menino levantou-se e fitou a garotinha loira que parou em sua frente, tentando recuperar o ar.
- Procurando conchas... Quero uma bem bonita para dar para minha mãe. — respondeu o garoto.
- Eu ajudo você então! — prontamente Misuzu abaixou-se e começou a escavar a areia com as pequenas mãos.
O garoto olhava curioso para aquela menina estranha. Não a conhecia mas de imediato achou-a bonitinha.
- Qual é o seu nome? — perguntou Misuzu, olhando para ele com seus enormes olhos azuis.
- Yukito. E você, como se chama?
- Misuzu. — levantou-se e estendeu sua mão cheia de areia, para que Yukito a segurasse. Ele olhou por um instante e a segurou com um sorriso no rosto.
Os dois passaram a tarde toda remexendo a areia da praia, criando assim uma montanha de conchas para escolherem.
— E essa? — Misuzu segurando uma concha pequena.
- Tá quebrada, não vê? — Yukito disse com de desaprovação.
- Ah... E essa? — sorrindo.
'Nossa, queria que ele fosse meu amigo... Poderíamos brincar assim todos os dias...'
- Misuzu?! Temos que ir! — no deck, Haruko gritava para ela.
- Já vou! Hey, Yukito, você vai voltar amanhã? — virando -se para o garoto.
- Sim! Já que não achei nenhuma concha linda... — olhou com ar de tristeza.
- Vamos, Misuzu! Apresse-se!
- Tchau, Yukito. Amanhã eu volto aqui.
Quando ela se afastava, Yukito pegou uma concha e chamou:
- Misuzu, espere!
Ela parou e viu ele se aproximando correndo. Parou na sua frente e com os olhos cheios de lágrimas disse:
- Essa aqui é para você. Lembre-se de mim, certo?
- Certo... — não entendendo muito bem. — Mas guarde você, esta concha. Lembre-se de mim.
- Hã? — Estranhando a reação da menina. Olhou para a pequena concha branca em sua mão. Uma lágrima escorre por seu rosto.
- Até amanhã! — ouviu Misuzu gritando, longe.
Yukito abre os olhos. Olha para o teto branco do seu quarto.
'Novamente, este sonho... Por quê?'
Teria sido um sonho? Ele se levanta, abre uma gaveta no seu criado-mudo e de lá retira uma pequena concha branca. Enquanto ele observa a concha ele pensa na história que sua mãe lhe contou quando era pequeno. Naquela época, ela já estava doente e o preparava para a sua missão.
'Tenho que partir.'
Levantou e começou a se preparar para o início de sua jornada. Guardou essa concha na mala.
Quando os anjos e os homens se encontram, não muito o que se dizer ou fazer. Se algum de nós tivermos a rara oportunidade de trazermos a felicidade à um anjo, não devemos deixar essa chance escapar.
Pois suas vidas são breves, efêmeras diante do tempo. Todas as vidas são curtas diante à imensidão do céu...
'Misuzu, prometo procurar a mais bela concha na praia com você...'
'Yukito, prometo que um dia, vou te levar para voar comigo'
Notas finais
Domo aregatou!
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