Windstorm
4 Strange Things Will Happen
Notas iniciais
— Hum... Isso é estranho... — comentou Brian.
Ele e Adam estavam examinando a cena do crime, tentando achar qualquer evidência que pudesse reduzir o número de suspeitos.
— O que é estranho? — perguntou Adam.
— Não tem nada aqui. — respondeu o técnico. — Quer dizer, nenhuma bolsa ou mochila, nem nada. Também não foi achado nenhum objeto junto ao corpo, segundo os policiais. Não acha estranho que uma garota de dezesseis anos ande sem o celular?
— Tem razão. É estranho. — concordou o detetive, que examinava o rastro de sangue deixado pelo corpo. — O assassino deve ter levado qualquer coisa que estivesse com ela.
— É, provavelmente...
— Ei, olhe isso. — Adam chamou, alguns minutos depois. Brian foi até ele, que já havia saído do vestiário e estava no meio do ginásio. — O rastro deixado segue até aqui. Depois desaparece completamente. Sem deixar nem sinal.
— Parece que nosso assassino teve bastante tempo para cuidar de qualquer detalhe que pudesse incriminá-lo. Não estamos lidando com qualquer um. — concluiu Brian, ligeiramente preocupado.
Nesse momento, Lauren entrou no ginásio.
— Vocês dois. Preciso que venham ver uma coisa!
Ela os levou até o corpo. Lauren estava examinando-o há algumas horas, mas agora ele estava coberto por uma lona.
— Conversei com o legista local. Ele havia examinado o corpo por alto mais cedo. Parece que Rose levou uma coronhada na cabeça. — disse Lauren.
— O que tem isso? — perguntou Adam.
— Bem, Neal achou que isso a tivesse matado. Por isso achou estranho que a garota estivesse tão lívida.
— Acho que não estamos acompanhando seu raciocínio, Thomas. — falou Brian.
— Lividez indica que a garota foi morta no local em que foi encontrada. Se a coronhada a tivesse matado e ela tivesse sido arrastada até o armário de vassouras, ela não estaria assim. Também não haveria motivo para todos esses cortes em sua pele. Então, examinando com mais cuidado eu percebi... — ela descobriu o corpo. — Isso.
Ela apontou para a boca da garota. De início nenhum dos dois conseguiu ver nada, mas olhando com atenção, perceberam que os cantos da boca estavam marcados.
— Ela foi amordaçada. As mãos e os pés também foram amarrados. — explicou Lauren. — A coronhada que levou na cabeça não foi suficiente para matá-la, por isso, ela foi amordaçada e arrastada até o armário de vassouras do vestiário. E os cortes... — Lauren indicou os inúmeros machucados na pele da garota. — Quem quer que tenha feito isso, queria que ela sofresse antes de matá-la.
— Como um gato, que brinca com o rato, antes de devorá-lo. — Adam disse, mais para si mesmo do que para os outros.
— Mas, os cortes foram a causa da morte? — perguntou Brian.
— Não. — começou Lauren. — Ela morreu com um ferimento de bala. — a legista indicou o buraco no tórax da garota.
— O assassino devia odiá-la muito. — concluiu Brian.
— Lauren, você checou os bolsos dela? — questionou Adam.
— Não. A polícia local disse que não tinham encontrado nada, então, não achei importante... — ela se explicou, mas Adam já não estava mais ouvindo. Ele verificou cada bolso da garota.
— Aqui tem alguma coisa... — Era um pedaço de papel. Um guardanapo amassado. Adam o desembolou. Não tinha nada, apenas uma mancha do que ele pensou ser guacamole. Ele bufou. — Nada de importante. Vamos embora.
O guardanapo caiu no chão. Brian abaixou-se a pegou-o discretamente, enquanto Lauren e Adam encaminhavam-se para a saída. Durante sua vida profissional, ele havia aprendido a nunca desprezar evidências, por mais que não pareçam evidências. O técnico saiu da sala, logo atrás dos companheiros de equipe.
O xerife esperava por eles do lado de fora.
— Alguma descoberta? — perguntou o policial.
— Sim. Algumas. — disse Lauren. — Faremos um relatório ainda hoje.
— Também precisaremos conversar com a família, o mais rápido possível. E aquela faxineira também. — acrescentou Adam.
— Tudo bem, eu chamarei todos aqui. — anuiu David Harris.
— Xerife, também tenho que comunicar a família de Rose a respeito da realização da autópsia. — declarou Lauren.
— Você precisa da autorização? — perguntou David.
— Na verdade, já pedi uma ordem judicial para isso. Mas gostaria de comunicá-los em pessoa.
— Tudo bem, vou chamá-los. — falou o xerife, um pouco sem graça. Ele se retirou da sala.
Vinte minutos depois, os três detetives londrinos estavam na pequena delegacia. Kimberly Fisher entrou na sala de interrogatórios. Adam logo percebeu que ela estava ansiosa.
— Kimberly, certo? — perguntou ele.
— Isso. Kimberly Fisher. — confirmou a moça, os olhos azuis passando pela sala nervosamente.
— Kimberly, não precisa ficar preocupada. Só gostaríamos de fazer algumas perguntas. — Lauren tentou acalmá-la, sob o olhar desaprovador de Adam.
— Bem, foi você que encontrou o corpo de Rosalie Wilson, certo? — indagou Adam.
— Sim, fui eu. — assentiu a moça.
— O que estava fazendo na escola àquela hora da manhã?
— Bem, eu sou a faxineira. Costumo fazer a limpeza da escola todos os dias de manhã, antes dos alunos chegarem e nos sábados também. — explicou Kim.
— Costuma? — repetiu Adam.
— É...
— O que meu colega quis dizer é que... Ahm, você deu a entender que não faz sempre dessa forma. — interveio Lauren.
— Na maioria das vezes, sim. Mas algumas vezes prefiro fazer a limpeza depois que os alunos vão embora, para ficar livre na manhã seguinte.
— E não foi o que aconteceu dessa vez? — questionou a legista.
— Na verdade, eu comecei a fazer a limpeza ontem. Até pedi a ajuda da minha irmã mais nova, Ella. Mas acabou a luz antes que eu pudesse terminar o serviço e...
— Espere, espere... — interrompeu Brian. — Você estava aqui ontem à noite? Com sua irmã?
— Sim.
— Poderia descrever em detalhes os acontecimentos, do momento em que começou a limpeza até quando encontrou o corpo da garota? — pediu Adam.
— Ahm, as aulas acabaram às quatro e minha irmã foi me procurar. Ela me perguntou quando eu terminaria o trabalho, se poderíamos ir ao cinema depois. Eu disse que, se ela me ajudasse, eu terminaria mais rápido e daria tempo de ver o filme. Então, quando começamos a fazer a limpeza eram mais ou menos cinco e meia, porque depois do fim das aulas ainda tem as atividades extra curriculares, os clubes e etc. Limpamos todas as salas de aula, a biblioteca e alguns banheiros, quando as luzes acabaram.
— Que horas eram? — perguntou Brian.
— Eu diria sete e meia, talvez oito. Já estava escuro, então, eu pedi a Ella para checar os fusíveis. Ela se encontrou com a Rose no meio do caminho, em um dos corredores.
— Espere... Sua irmã viu a Rosalie ontem à noite? — perguntou Adam, os olhos estreitos.
— Sim. As duas foram checar os fusíveis juntas. Ella disse que a Rose parecia um pouco assustada.
— O que mais sua irmã disse sobre isso? — perguntou Lauren.
— Pouco. Ella mandou a Rose me procurar. Um dos fios de eletricidade havia sido cortado e minha irmã teria que ficar esperando pelo eletricista.
— Então, Rose foi te avisar sobre isso? — Lauren tentava compreender a história de Kim.
— Não. — respondeu Kimberly, a voz falha.
— Como disse? — perguntou Adam.
— Não. Rose não conseguiu chegar até mim.
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