Windows Soul

1 Window's Soul - Capítulo Único


Notas iniciais
Mais uma oneshot, mes amis.Eu realmente gosto de escrever essas histórias dramáticas, é minha segunda oneshot, mais uma death fic.A história está bem dramática, não me perguntem de onde eu tirei isso porque nem eu sei. Digo, acho que não estou nesse estado de espírito. Sabe, drama total. Não, não.Enfim, espero que leiam, que gostem e deixem-me reviews, ok? *-*

- Quantas vezes vou precisar dizer para que entenda?

Aquilo doía. Apertava meu coração, despedaçava meus sentimentos, enchia meus olhos de lágrimas. Eu não queria que fosse assim. Eu não devia ter alimentado as esperanças. Ele me disse no início, me disse para não apostar minhas fichas nele, me disse para não me apaixonar perdidamente, nunca, por ninguém, nem por ele mesmo. Ele só estava procurando companhia para alguns dias, estava passando longe de romances, mas por mais claro que ele me dissesse eu continuei seguindo meu coração e ignorando a razão.

Minha mãe sempre me dissera que o amor é como uma rosa: é perfeito e bonito, mas você deve podar os espinhos e tem que saber segurá-lo nas mãos sem se machucar. Eu segurei minha rosa com força, sem me importar das feridas que ela faria em minhas mãos e só agora posso sentir o gosto do sangue das feridas.

- Desde o início, você sabia que o que sempre quis foi diversão. Eu não estava à procura de uma paixão, Jessie, nunca estive.

- Mas você disse que gostava de mim! – meu rosto estava molhado e meus olhos estavam cansados, minha boca estava seca e todo meu corpo doía. – Você me fez pensar que se apaixonaria por mim assim como eu me apaixonei por você! Você...

- Você é muito ingênua, Jessie. – ele cortou minha fala com sua voz rouca. – Você acredita de mais nos sonhos.

- O problema é comigo? Eu que sou babaca, não é? Você quer alguém mais madura, alguém mais mulher. Não é? – eu soluçava e derramava mais uma lágrima a cada frase dita.

Ver o rosto dele tão inexpressivo me afligia de uma forma perturbadora. Como eu pude? Como eu me deixei levar pela atmosfera gostosa que ele exalava e não enxerguei o que seus olhos castanhos realmente me mostravam? Por que fui tão idiota? Por que estou me culpando? Por que continuo me fazendo perguntas mentais que me machucam como facadas? Por que tenho esse sentimento de querer continuar segurando a venda sobre meus olhos?

- Jessie. – ele chamou levantando meu queixo com um dedo me olhando nos olhos com sinceridade. – Quem tem um problema aqui sou eu. Eu me machuquei uma vez, por isso decidi levar essa vida a partir do dia em que quebraram meu coração. Ele foi colado, mas ele continua com rachaduras. Por isso não quero que se machuque também. Você é uma garota linda, tem um futuro pela frente, não deixe que sua estrada mude o rumo por causa de uma pedra no sapato que lhe atrapalha. Eu sou a pedra. Eu vou partir e deixar você viver.

- Não terei vida sem você por perto. – apertei os olhos enquanto mais uma lágrima quente escorria.

- Essa é a coisa mais idiota que você pode dizer.

- Não é não. Você é minha vida, Zac.

- Você está sendo idiota.

- Eu sou idiota! – gritei.

Ele ficou me encarando durante os segundos seguintes, me fazendo me sentir pior, mais ridícula ainda. Eu estava sentindo o coração apertado, angustiado dentro do peito. Minha cabeça doía de tão confusa que estava. Puxei o ar para os meus pulmões numa tentativa falha de me acalmar.

- Jessie, é melhor você ir. – ele se levantou e dirigiu-se até a porta, abrindo-a e esperando que eu saísse.

Limpei as lágrimas das bochechas, coloquei uma mecha de cabelo para trás da orelha, levantei-me e encolhi em meu casaco. Saí sem dizer mais nada. A dor era tamanha que eu não conseguia pensar direito em nada. Nem mesmo sei como conseguia caminhar, o frio do corredor vazio nem ajudava, eu só queria sair dali o quanto antes.

Enquanto caminhava na rua deserta iluminada pelos postes de luz, milhões de coisas me vinham à cabeça. Eu pensava e repensava naquela idéia louca que tomava conta dos meus pensamentos. Mas talvez fosse minha única escolha para sair desse inferno que minha vida tem sido desde a morte da minha família. Perdi minha mãe e meu irmão, meus únicos parentes, num acidente de carro há dois anos. Meu trabalho de bibliotecária não me fazia feliz e meu salário era uma merda. Minha única amiga era uma colega de trabalho, Hannah, que tem quarenta anos, mas continua solteira e sem filhos.

Eu não quero que minha vida tome o mesmo rumo que a de Hannah tomou. Aliás, eu quero mesmo continuar a viver? Eu tenho motivos para isso? Viver? Eu terei forças o suficiente para recomeçar do zero?

Não, eu não quero. Não, eu não tenho. Não, eu não terei.

Mas tirar sua própria vida por causa de um cara é a coisa mais babaca que você pode fazer. Uma voz dizia pra mim. Mas sua vida é uma merda, ela não vale a pena ser vivida. Outra voz dizia. Ambas estavam certas, mas eu não sabia qual delas ouvir.

Entrei em casa, tranquei a porta e larguei as chaves na mesa. Olhei meu reflexo no espelho da sala, eu estava realmente horrível. Meu cabelo estava desgrenhado, alguns cachos grudaram no rosto molhado, meus olhos estavam vermelhos e minha maquiagem borrada.

Fui até a cozinha buscar um copo d’água e lavei o rosto no banheiro antes de ir para o quarto.

Minha cama ficava encostada à janela, subi e sentei-me no parapeito enrolada em meu cobertor. Encostei minha cabeça no vidro e fiquei quieta observando o asfalto lá em baixo. Estava no quarto andar, era alto o suficiente para fazer o estrago que precisava ser feito. Eu só precisava juntar o resto de coragem restante em mim para me jogar dali. Era uma tarefa fácil, mas que não teria volta.

Ainda precisei pensar novamente no que estava prestes a fazer. Eu tinha certeza que queria, mas algo me fazia recuar, algo que não deixei que tomasse conta. Era minha decisão e já estava feita, eu não seria covarde mais uma vez, eu não desistiria.

Abri a janela e deixei o vento frio chicotear meu rosto com violência. Estava bem mais frio agora que tinha deixado meu casaco de lado e estava abandonando meu cobertor também. Passei uma perna para cima do parapeito e depois a outra. Estava em pé na janela, sentindo frio e me segurando para que o vento não me jogasse para baixo no momento errado.

Não havia Lua no céu, a noite estava escura e gelada como bafo de demônio do gelo. Meu coração estava acelerado, e eu me surpreendi por ele ainda estar batendo. Em meio a tanto tumulto, ele estava tão amassado e quebrado que pensei que ele não executaria mais tão bem sua função de órgão.

O barulhinho do relógio quebrou o silêncio. Era então meia-noite, rua vazia e silenciosa, ninguém apareceria para me impedir, ninguém veria meu corpo cair.

Deixei minhas mãos deslizarem e saírem do lugar em que se agarravam. O vento forte passou mais uma vez pelo meu corpo trazendo um arrepio na espinha. Fechei os olhos, respirei fundo pela última vez, pedi perdão ao erro que estava cometendo e saltei.

Notas finais
Então? Quem leu, por favor, não custa deixar um review pequenininho! Só para que eu saiba que alguém foi bom o bastante comigo e leu a história, certo? :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!