Willst du ein Geheimnis erfahren
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Era uma calma tarde do primeiro sábado de março daquele ano. A brisa gélida invernal já ficava mais amena àquele ponto; não se via a grossa camada de neve cobrindo as calçadas, ruas e telhados, e algumas flores primaveris, até então tímidas, começavam ao poucos a colorir a cidade de Berlim. Havia um silêncio reconfortante pairando pelas ruas, interrompidos apenas pelas vozes alegres das crianças que aproveitavam alguns raios de sol nos parques.
E, claro, por aquele som que o pequeno austríaco vinha ouvindo havia semanas.
Chama-se Roderich Edelstein e havia se mudado para a Alemanha fazia menos de três meses. Desde a morte do pai, no fim do ano, a mãe, Anneliese, planejava sair definitivamente da Áustria; Trabalhava em Berlim, mas voltava para Viena todos os dias, onde o marido e o filho viviam. Agora que Dominik não estaria mais presente para lhe dar a certeza que Roderich estava seguro, ela não podia deixá-lo para trás, nem mesmo sob os cuidados de quem ela mais confiava da família Edelstein. Ela só tinha a ele, e ele, somente a ela.
Para Roderich, a mudança não foi dolorida. Era uma criança de 12 anos, solitária e não muito sociável, magnificamente talentosa em música, principalmente no piano e violino – apesar de que ainda estivesse aprendendo o último -, e se dedicava aos dois instrumentos nos momentos em que supostamente estaria com algum amigo, desde os 5 anos. A mudança também fazia com que uma pequena chama de esperança surgisse dentro dele quanto a isso, haja vista que uma grande amiga de Anneliese, Adelheid Zwingli, provinda da Suíça, se mudara havia alguns anos para Berlim e tinha dois filhos: Vash, da mesma idade que Roderich, e Lilian, de apenas três anos.
Suas previsões foram certas. Após o fim da mudança, receberam uma visita dos três, e o que começara com um silêncio constrangedor terminou com súplicas às mães para que pudessem brincar mais um pouco. O austríaco era tímido demais para iniciar uma conversa, enquanto o suíço era sério na mesma proporção, mas Lilian, que mal e mal sabia articular pequenas palavras, foi a principal responsável por fazer a amizade entre os dois garotinhos surgir. Vivia estendendo as mãozinhas para Roderich, e entre uma brincadeira e outra, avistou um machucado nos dedos do mesmo, o que ele explicou, de uma forma simples, ser por causa do violino. Tal fato chamou a atenção de Vash, que também tocava o instrumento, e não pode conter a curiosidade perante o assunto. Dalí então, uma conversa sobre violinos terminara com as três crianças correndo pelos jardins da casa, e quando menos esperavam, já tinham um ao outro como melhores amigos.
Foi então que, pouco tempo depois, Roderich, que já havia se contentado com a ideia de que Vash seria o único amigo que faria na Alemanha e não imaginava que outra pessoa surgiria em sua vida, viu que se enganara em proporções inimagináveis.
O suíço que lhe indicara aquela escola de música. Ficava próximo ao colégio em que estudava, em uma grande e antiga casa, extremamente bem cuidada e agradável, propriedade de um simpático senhor. O pequeno austríaco não precisou insistir muito, e tão logo chegara à Berlim, já retomara suas aulas de piano e violino, três vezes por semana. Sentia-se bem naqueles momentos, e toda sua timidez desvanecia ao que seus dedos pequeninos tocavam as teclas brancas e pretas, todavia, o mesmo não acontecia com as cordas do violino, estranhamente. Sentia o corpo inteiro tremer, principalmente as mãos, sua respiração ficava entrecortada, e evitava o tanto quanto podia tocar o instrumento na frente dos outros. Não sabia ao certo as razões, mas a mãe supunha que era o fato de que Roderich sentia-se seguro ao tocar o piano apenas porque ela o ensinara, e o mesmo aconteceria em relação ao violino, não fosse a morte do pai, que o instruía, mas não chegou a terminar o feito.
Mas o garoto amava tocar; O peso em seu ombro era reconfortante, as dores nas pontas dos dedos sequer eram sentidas e aquele som lhe acalmava como a voz de Dominik fazia. Por conta disso, o diretor não viu problema nenhum em permitir que Roderich treinasse o quanto achasse necessário em uma das salas desocupadas durante a semana – uma vez que em casa ele não dispunha de todo material necessário – e, por que não, no grande e belo auditório durante os sábados, quase sempre desocupado e onde Roderich mais gostava de ficar.
Tinha-se um horário certo para adentrá-lo, e Roderich sempre chegava alguns minutos mais cedo, pretendendo evitar atrasos. Não havia alunos ou muitos funcionários àquela hora, apesar de ele sempre ter sentido algo lhe observando enquanto tocava – “Devo estar apenas cismado por não ter ninguém” –, e o silencio era absoluto, inquebrável.
Bem, pelo menos era o que o austríaco achava.
Tudo começou quando certo dia chegara mais cedo que o normal e, pela primeira vez, não havia o costumeiro silêncio. O som vinha do auditório, difícil de distinguir bem, mas era leve, agradável e com uma capacidade tremenda de deixar Roderich inquieto. Flauta. Nunca ouvira alguém aprendendo o instrumento durante as aulas, e quem quer que estivesse ali, nunca saia pela porta da frente — havia duas, uma frontal e outra traseira, a qual dava em uma escadaria rumo ao sótão; Roderich se perguntava sempre como a pessoa em questão conseguia sair, uma vez que, devido o silêncio, presumia que ninguém ficasse lá -, e aquilo o intrigava e perseguia por semanas, até o sábado em questão.
Chegara novamente cedo, e aquela seria a quinta vez que ouvia a flauta. Reconheceu a música que era tocada em questão de segundos, não conseguindo conter os dedos formando os acordes no ar; Uma de suas favoritas de Mozart, K. 622, Klarinettenkonzert, que, apesar de ser tocada originalmente com clarinete, soava igualmente bem em flauta. Ansiava por entrar e ouvir melhor, mas a porta do auditório ficava trancada, e ele só podia se sentar em frente a ela até a mulher responsável pelas chaves a abrir. A música parava exatamente 5 minutos antes de ele entrar, sempre.
Quando entrou, olhou cuidadosamente fileira por fileira das cadeiras, tencionando encontrar algo ou alguém, mas não sendo bem sucedido na tarefa. Olhou nos cantos mais improváveis, atrás das cortinas, entre os instrumentos... absolutamente nada. Suspirou desapontado, mas tentou ignorar, subindo no palco e se sentando na borda deste. Abriu a caixa, ajeitando o violino entre seu queixo e o ombro, e então ele parou: esquecera o arco.
Não podia acreditar. Nunca esquecera seus materiais, mas justamente naquele dia em que havia perdido alguns minutos procurando alguém em vão, ele o fizera. Se amaldiçoou mentalmente, olhando ao redor na esperança de achar algum arco perdido, mas então se lembrou de algo que ouvira algumas semanas atrás. Algum outro aluno havia esquecido um de seus materiais e recorrera ao dono da loja em busca de ajuda, e o mesmo lhe informou que, sempre que precisassem, o sótão estaria aberto, repleto de caixas onde muito provavelmente estariam as coisas que necessitassem. Roderich olhou para a porta, e sentiu o coração acelerar; nunca tentara abrir, e talvez ele tivesse uma grande chance de encontrar algo a mais.
Deixou o violino sobre o palco e desceu, as pernas bambas. Caminhou em direção à porta escura, respirando fundo antes de pousar a mão na maçaneta, mas sacudiu a cabeça antes de girá-la, “Não seja idiota, Roderich, você só está procurando o arco e nada mais. E talvez ela esteja trancada.”. E, mais uma vez, ele estava errado.
A porta emperrava ao abrir, e ele precisou forçá-la um pouco, mas conseguiu. O corredor não tinha nada senão uma escada em espiral e um pouco de poeira, manchada por marcas de pés e dedos. Avançou temeroso, tomando cuidado para não fazer barulho, e foi subindo degrau por degrau, aos poucos avistando uma sala repleta de armários e caixas, cada qual com o nome daquilo que guardavam, iluminada pelos raios de sol que transpassavam uma janela não muito grande. Havia um piano antigo no canto com algumas partituras em cima, uma estante repleta de livros sobre música ao lado, e alguns cadernos espalhados pelo chão, os quais Roderich teve que se conter ao máximo para não abrir. Olhou ao redor, tentando achar somente a caixa de arcos – ou pelo menos era disso que ele tentava se convencer – e ele a achou, claro. Só não esperava que estivesse tão alta.
A estatura de Roderich nunca o ajudou, e aquele momento não seria uma exceção. Esticou-se o quanto podia, até a dor na ponta dos pés se tornar insuportável, mas de nada adiantou. Olhou ao redor a procura de algo em que pudesse subir e avistou uma pequena caixa de madeira vazia perto dos cadernos, levando-a até onde precisava e subindo. Era baixa demais. Continuou se esticando, as bochechas começando a ficar vermelhas de irritação, e ele persistiria por mais um tempo, não fosse um risada que cortou o silêncio da sala.
– Não vai desistir, baixinho? – um garoto surgiu por trás de algumas caixas, fazendo com que Roderich se assustasse e perdesse o equilíbrio, só não caindo no chão porque o outro o segurou a tempo. – Beruhige dich¹! Kesese, eu sei que eu sou incrível, mas não era para se impressionar tanto! — Roderich estava estático, sem conseguir desprender os olhos dos do outro. Eram vermelhos. O outro garoto sorria, as bochechas rosadas contrastando com a pele extremamente alva. Também não desviava os olhos dos violáceos. Colocou-o de pé novamente, ajeitando sua roupa. –Pff, por pouco, huh? Deixa que eu pego para você!
– Q-Quem é você? – Roderich o observava subindo na caixinha e pegando a de arcos, as bochechas também coradas.
– Gilbert, Gilbert Beilschmidt, o incrível e único! E você, violinista de Mozart, quem é? – Ele riu, segurando a caixa na frente dele. Roderich a abriu, procurando um arco que parecesse com o seu, mas antes o olhou, confuso.
– Como sabe que eu gosto de Mozart e toco violino? – a vermelhidão no rosto do albino ficou visível.
– A-Ah... você está pegando um arco, só pode tocar violino! E você é austríaco, claro que gosta de Mozart.
– Eu podia estar pegando outra coisa, não é a única caixa dali. E como sabe que sou austríaco?
– E-Eu... eu sou incrível, eu sei das coisas! E você não me disse seu nome ainda! — ele guardou a caixa, indo até o lugar de onde tinha saído e voltando com algo nas mãos.
– E-Entschuldigung², me chamo Roderich Edelstein... Espere, é você que toca flauta?!
– Shh, fale baixo! É meu segredo, ninguém sabe, só o vovô Fritz, claro, afinal ele é dono da escola!
– Você é neto do Sr. Friedrich?! – Ele fez que sim com a cabeça, sorridente. –Oh... Mas por que faz isso escondido?
– Uhm... Eu não quero que saibam, já riram de mim na escola por isso... – ele abaixou os olhos por uns segundos, mas logo voltou a sorrir. – M-Mas é inveja do meu talento, certeza! E você, por que esconde? Você toca muito bem!
–É meu segredo também... Fico nervoso demais, não consigo tocar direito... Mas por que riram? Não me parecia mal...
– Falaram que era coisa de menina, mas... eu amo tocar, sempre lembro do vovô Fritz e do meu pai quando faço! E quer dizer que você fica escutando escondido? Kesese...
Roderich corou ainda mais – O-Ora, você também fica!
– Q-Quem disse?!
– Você mesmo! Sabia do arco e perguntou por que eu tocava escondido, além de que você nunca sai pela porta da frente, e a traseira só leva até aqui!
– N-Nem tenho motivos para me esconde aqui, todo mundo precisa saber que sou incrível! – Ele puxou o arco da mão do austríaco e saiu correndo pelas escadas com Roderich atrás. – E eu nem gosto de violino! É tão simples...!
– Devolva isso! E se é tão simples, por que não toca?
– Porque não gosto! – Ele chegou ao palco, ofegante, e viu o violino sobre ele. – Olhe só, acho que perderam!
– Não ouse, Gilbert... – Tarde demais. Gilbert já estava com o violino em mãos e sorria.
– Venha me pegar, Roddy!
A manhã se seguiu daquele jeito, e os dois só pararam ao que não tinham mais fôlego, com um Gilbert alegre e um Roderich irritado, ambos estirados no chão. Mas o austríaco nunca imaginou que ficar irritado como estava seria tão bom. Havia se esquecido do horário, e só foi embora quando Sr. Friedrich surgiu à porta, de inicio preocupado pelo fato de os garotos não terem saído, mas logo sorrindo com a imagem dos dois conversando; Gilbert sempre saía minutos depois de Roderich, indo almoçar com o avô, e durante o caminho inteiro falava do austríaco e em como tinha vontade de conhecê-lo, mas ao mesmo tempo não queria interrompê-lo enquanto tocava. Roderich só foi embora após ter feito uma proposta, a de que Gilbert não contasse a ninguém sobre o violino, e duas promessas, a de que ele não contaria sobre a flauta a ninguém e que continuaria a chegar cedo aos outros sábados.
Esta última fora feita muitas e muitas vezes, e sempre era cumprida, até que, próximo aos 7 meses desde que os dois se conheciam, por dois sábados seguidos Gilbert não viera. Não avisara o porquê e nem quando voltaria, e os dois chegaram a se ver certo dia da semana na rua, mas o albino fingiu prestar atenção em outra coisa de imediato. Aquilo preocupava Roderich, ao mesmo tempo em que o chateava e desmanchava aos poucos suas esperanças de que Gilbert permaneceria mesmo ao lado dele. Teria feito algo errado? Não que o alemão fosse tão importante assim, de forma alguma, só queria saber o que fez, ele dizia para si mesmo, afinal, Gilbert era... só uma pequena parte da vida dele...
Ainda assim, ele continuava a procurar por essa pequena parte todos os dias pela cidade e na escola de música, continuava a ir sempre ao sótão escondido nos intervalos das aulas, e chegava cedo todos os sábados na esperança de ouvir a flauta. Mas não havia sinal nenhum dele, e o entusiasmo que parecia ter surgido em Roderich nos últimos meses diminuía a cada dia mais. Foi então que tudo que ele esperava aconteceu no último sábado de setembro. Aliás, mais do que ele imaginava esperar.
Chegou no horário de sempre, com um resquício de esperança, mas nada ouviu. Entretanto, lá estava Sr. Friedrich, e ele permitiu que Roderich entrasse antes de seu horário, não sem antes ouvir o austríaco questionar a ausência de Gilbert. O homem apenas lhe sorriu, dizendo que logo o neto voltaria e explicaria, pois nem ele ao certo sabia o que acontecera.
Diferente dos outros sábados, ele não foi direto para o sótão, sequer olhou para a porta, e se sentou no palco, suspirando pesadamente. Tirou o violino do estojo e o posicionou corretamente, pensando no que tocar, optando pela mesma música que Gilbert tocou na flauta no dia em que os dois se conheceram – ao mesmo tempo em que decidiu ignorar o calor que tomava seu rosto ao se lembrar disso. E logo na primeira virada da música, ele ouviu a flauta, do mesmo jeito que ocorria na música. Vinha da porta do sótão, e lá estava ele, sentado de pernas cruzadas e olhos fechados, tão concentrado que Roderich fez questão de não interromper, continuando até a música acabar, o que foi seguido do sorriso de sempre do mais velho. E, céus, como o coração de Roderich se acelerou e o vermelho das bochechas se adensou com aquilo.
– Gilbert! P-Por que você não veio esses dias?
–Sentiu minha falta? – ele disse, caminhando até o palco e se sentando ao lado de Roderich, as bochechas avermelhadas. – Eu... precisava de um tempo para resolver umas coisas...
–Que coisas? – Roderich não conseguia conter a curiosidade olhando para ele. Gilbert também o olhava.
– Coisas da minha cabeça... – a expressão de Roderich mudou para uma preocupada. – Não, não nesse sentido! Minha cabeça em si continua boa! São... bobeirinhas! Vamos falar de outra coisa! – Ele tentou mudar de assunto. Não queria contar que faltara por medo de que algo estivesse acontecendo com ele em relação à Roderich. “Não pode estar, de forma alguma! Eu não posso, i-Isso é errado, é o que dizem...!”foi o pensamento que perseguiu Gilbert durante aquelas semanas. Tentou evitar ver Roderich o quanto podia, mas, antes mesmo disso, já sentia falta do austríaco ao que só podia encontrá-lo aos sábados. Sentia falta das broncas, de ouvi-lo falar sobre os pais, dos raros sorrisos que conseguia tirar dele, de vê-lo tocar, dos olhos lilases, sempre tão brilhantes... Roderich fazia com que ele não se sentisse sozinho, com que ele não precisasse dizer em voz alta que era “incrível” – o que não era nada senão uma forma que Gilbert usava para se convencer de que ele não era tão horrendo quanto lhe diziam. Roderich fazia com que ele se sentisse imensamente bem, e ele não via como uma sensação tão boa como aquela que o mais novo o fazia sentir poderia ser errada.
– Okay... sobre o quê?
– Uhm... Que tal eu te ensinar flauta?! No próximo sábado você me ensina violino, e por aí vai! – ele sorria, empolgado.
– M-Mas eu não sei nada de flauta... nem tenho uma.
– Isso não é problema! Também não sei violino e nem tenho um.
– Então por que sempre disse que era fácil?
– Porque você fica bonitinho irritado. – ele puxou as bochechas do outro, ainda mais quentes.
– P-Pare com isso!
– Viu só?! Suas bochechas ficam da cor dos meus olhos! – ele riu, mas corava tanto quando o outro. – E então, aceita?
– Só se você soltar minha bochecha. – disse emburrado, e o albino a soltou rapidamente, sem parar de sorrir. – Certo, eu... aceito...
– Então vem! – Ele o puxou pela mão até o meio do palco, o entregando a flauta. – Pode usar o meu!
– Okay... — Ele segurou o instrumento, o posicionando nos lábios de modo a imitar o albino, que o observava, evidentemente corado, mas tentou disfarçar com uma risada.
– Você acabou de me dar um beijo indireto... – Roderich arregalou os olhos, prestes a tirar o instrumento da boca, mas Gilbert o impediu – Nein, agora já foi! Uhm... – ele tocou as mãos dele, a ajeitando conforme mostrava alguns acordes. – Agora assopre enquanto vai mexendo seus dedos, é fácil!
Os dois passaram o resto da tarde divididos entre treinar e conversar, juntamente com algumas brincadeiras por parte de Gilbert que Roderich sempre reprendia, mas ficava feliz em ter de volta. Ficaram muito além do horário, mas ele nunca parecia suficiente, e nenhum dos dois pareceu feliz quando Sr Friedrich abriu a porta do auditório, avisando que dali alguns minutos a mãe de Roderich chegaria e eles iriam embora. O austríaco fez menção de guardar suas coisas, mas Gilbert entrou no caminho.
–S-Só mais uma coisinha, Roddy, eu juro que é rápido, é um teste. Vai terminar antes de sua mãe chegar. – Ele parecia ansioso.
– Teste de quê?
– Para ver se eu posso continuar sendo seu professor, ora! – Ele riu, o puxando de volta para o lugar onde estavam. — Faça como se você fosse tocar. Mas feche os olhos. — Roderich parecia confuso, mas fez o que ele pediu. – A-Agora, afaste a flauta... – Ele o ajudou com isso, observando a cena por alguns segundos. Aproximava-se devagar, prendendo a respiração. – Isso... não abra os olhos...
E foi então que ambos sentiram o que inconscientemente ansiavam por sentir.
Roderich estava paralisado, os olhos arregalados, enquanto Gilbert tinha os seus fechados, as mãos tremulas segurando o braço do mais novo. Todavia, ambos tinham o coração acelerado, os rostos vermelhos e, principalmente, nenhuma vontade de se afastar dos lábios do outro. Era, como o próprio Gilbert descreveria pelo resto da vida, incrível.
– E esse beijo foi direto. – ele riu, os lábios a menos de um centímetro de distância do outro. Roderich piscava sem parar. – ...F-Fala alguma coisa, Roddy, eu estou ner-
– E-Esse também. – ele o beijou de volta, deixando o albino estático daquela vez. Ouviu então a voz de Friedrich do outro lado da porta, avisando que a Sra. Anneliese estava o esperando, e quando estava prestes a se afastar, o albino apertou mais sua mão.
– Passou no teste — Ele sorriu, e o austríaco revirou os olhos, sorrindo de volta. Gilbert lhe dera outro beijo antes de soltar sua mão. – Bem melhor que o indireto, não?
Roderich riu baixo, balançando a cabeça negativamente conforme se afastava, indo guardar o violino. Quando estava prestes a sair, o albino o chamou.
– Esse não é nem seu, nem meu, é nosso segredo. — ele sorria bobamente, e o outro assentiu. — A promessa de sempre?
– A promessa de sempre. — os olhos do austríaco brilhavam, e ele fechou a porta com um sorriso que não desvaneceria tão cedo.
E nenhum dos dois imaginava que aquele seria só um dos muitos segredos e uma das muitas promessas que existiria entre eles – os quais os dois não teriam medo nenhum de revelar, as quais eles nunca deixariam de cumprir.
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