William
9 Bottles That Rotate
Notas iniciais
O fino floco de neve rodopiava, enquanto caia lentamente em direção ao chão que agora estava coberto por tal, o inverno havia chegado. Lá, estavamos nós dois, aconchegados no conforto de nosso quarto. "´Já se passará um mês" pensei enquanto me lembrava de Mell, não que eu não houvesse superado, eu só, não consigo esquecer.
Fui tirado de meus devaneios pelo o agudo e repentino som do telefone tocando, tanto Will quanto a mim, permanecemos parados esperando alguém atender, mas após o som ter tocado quatro vezes, me vi forçado a me levantar e atender.
– Alô? — Perguntei no exato momento que coloquei o aparelho em meu ouvido.
– Oi, Leleo! — Respondeu uma voz feminina, manhosa e zombeteira ao mesmo tempo — Tudo bem?
– Ah! Oi Anna, eu to bem e você? — Perguntei de volta como cortesia.
– Eu? Vamos ver — Disse Anna, dando uma pequena pausa — Eu tomei recuperação em Matemática e Química, o fone de ouvido do meu celular quebrou e o pior de tudo, meu irmão tem par para o baile de fim de ano, e eu não! — Respondeu ela, como se esse ultimo item fosse uma coisa totalmente irreal. — Mas tirando isso eu to bem.
– Nossa — Murmurei quase que sem reação
– Que foi? — Perguntou William um pouco preocupado, pensando que algo realmente terrível tinha acontecido
– Nada não
– Ta falando com o Will? Ele ta por perto? Manda um oi pra ele — Anna falou, perguntando e mandando ao mesmo tempo
– Ela te mando um oi
– Oi Anna!
– Então Anna, por que você ligou? — Finalmente consegui pergunta o que queria.
– Sei la — Respondeu ela, o que me deixou no minimo de queixo caído — Acho que esqueci.
– Você acha que esqueceu? — Perguntei, dando um pequeno ênfase no "acha"
– Lembrei! — Comentou ela quase gritando, quando uma segunda voz ao fundo, murmurou algo como "Lembrou nada, eu que te contei", que foi respondido com um "Cala a boca!" por parte dela — Leo, você vai no baile?
– Sei la, eu deveria ir?
– Por que não pergunta pro seu parceiro? — Anna respondeu, e eu podia jurar pela minha mãe e família, que ela estava sorrindo maliciosamente quando disse isso e desligou o telefone.
– O quer ela disse? — O moreno perguntou após eu colocar o telefone no gancho, ele estava deitado com os joelhos levantados e as costas encostadas na parede, e em suas coxas havia uma prancheta de plastico onde ele desenhava alguma coisa que ele nunca deixava eu olhar, "até o desenho ficar pronto" ele sempre dizia quando eu tentava olhar.
– Ela perguntou se a gente vai pro baile — Respondi me sentando em uma daquelas cadeiras de escritório que giram, e com o canto do olho tentei olhar o desenho, e novamente ele percebeu e puxou a prancheta contra o peito.
– Qual parte de só quando eu terminar você não entendeu? Sobre o baile, eu não sou muito fã deles, muita gente junta, provavelmente vai ter alcool e o Lucas vai estar lá... E algo não muito legal pode acontecer
Sem dizer nada, fui até o telefone e retirei-o do gancho e digitei os oito números que davam para a casa da ruiva. Após escutar o telefone chamando quatro vezes alguém atendeu o telefone.
– Alo?
– Kevin?
– Eu mesmo, então Leo, já decidiram?
– Decidimos, a gente não vai pro baile, vamos ficar em casa mesmo.
Após minhas palavras serem ditas um curto de período de tempo ocorreu, provavelmente Kevin estava falando com sua irmã sobre a minha resposta.
– Oi Leleo — O silencio foi quebrado por Anna que agora estava na outra linha do telefone — Aqui, já que vocês não vão pro baile, e eu não tenho par, e por conta disso eu provavelmente não vou, por que você não vêm aqui em casa?
– Pode ser
– Okay então, vai ser divertido, tchau Leo, manda um abraço pro fofo do Will por mim
– Tchau. — Coloquei o telefone mudo no gancho e me voltei a sentar na cadeira — A Anna pediu pra gente ir na casa dela no dia do baile, pode ser?
– Sim, vai ser divertido — Disse ele sorrindo enquanto apagava alguma coisa em seu desenho misterioso. Então me virei para o notebook preto em cima de minha bancada, coloquei os fones e continuei a assistir um vídeo qualquer no youtube.
Alguns dias se passaram, como qualquer alunos na media, não havíamos tomado recuperação, e já que as aulas finais são revisão pra recuperação ficamos em casa "atoa". Ou seja, ficamos jogando vídeo-games, vimos filmes e series de TV, conversamos, desenhamos, na verdade o Will desenhou, ele tento me ensinar, mas quando o meu cachorro ficou parecendo uma girafa anã eu desisti, dormimos e comemos. Nossa ferias praticamente já haviam começado. Então o dia do baile chegou.
A casa dos gêmeos era digamos "moderna", os muros que dava para rua eram de azulejos de pedra em formato de tijolos e com grandes janelas de vidro, provavelmente reforçado, que por elas davam para ver um jardim de grama baixa e com apenas uma arvore laranjeira e uma pequena trilha de pedras que davam para a porta da casa de paredes brancas. Chegamos ao portão de ferro e apertei o interfone, fomos atendidos pela mãe deles, que abriu o portão assim que escutou minha voz.
Assim que entramos, enquanto caminhávamos pelo caminho de pedras, olhei para a pequena varanda no segundo andar da casa, apoiada no parapeito de vidro, vestindo uma calça jeans e uma camisa de manga comprida preta a ruiva nos observava com um sorriso no rosto, e com um aceno de mão ele se virou e entrou na casa. Por incrível que pareça quem abriu a porta para nós foi a Anna, aposto que desceu as escadas pulando vários degraus para chegar a tempo.
– Bem vindo meus amigos, mi casa é su casa — Disse ela escancarando a porta e abrindo os braços, logo ela se virou e entrou casa a dentro — Vamos, os dois tão nos esperando perto da piscina.
– Os dois? — Perguntei confuso
– Piscina? — Dessa vez foi o Will que perguntou.
– Só vem logo — Disse ela indo em direção ao corredor com uma porta de vidro fosco no final, que dava para a piscina nos fundos da casa.
Seguimos ambos atrás dela, passando pela sala, onde os pais dos gêmeos estavam sentados no sofá vinha para três pessoas que estavam vendo um filme qualquer, onde dissemos um "Sim" com um sorriso tímido, é parece que Will e eu temos mais uma coisa em comum, ficamos muito tímidos na casa dos outros. Por fim chegamos na piscina onde os outros dois no esperavam.
Kevin, que vestia uma roupa social, estava vestindo um terno preto com uma gravata vermelha, porem se o palito, estava sentado em uma das três cadeiras de piscina brancas de plastico, e deitada na cadeira ao seu lado, com seus compridos cabelos negros e seu inseparável óculos escuros, Julia vestia um vestido branco tomara que caia que ia até seus joelhos e uma fita preta na cintura com um laço no canto, sobre o vestido se encontrava o palito negro de Kevin, e suas sapatilhas também brancas se encontravam no chão ao lado da cadeira da mesma.
– Vocês não vão pro baile? — William perguntou meio confuso
– Nos íamos — Respondeu o ruivo — Mas a Julia decidiu de ultima hora ficar que ia ser mais divertido ficar aqui com vocês
– Credo, Kevin, você fala como se preferisse o baile — Disse a cega se sentando na cadeira — Então, o que vamos fazer? — Então nos entreolhamos, e um silencio constrangedor pairou pelo ar — Sério que vocês não pensaram em nada?
– Talvez — Falou a ruiva meio constrangida — Deixa eu pensar... Hm... Que tal, verdade ou desafio?
– Verdade ou Desafio? — Perguntei meio surpreso — Que clichê, só falta a gente descobrir que alguém aqui mato alguém na brincadeira ou um assassino maniaco aparecer e matar o primeiro que for ir no banheiro.
– Haha — Riu a ruiva sarcasticamente — Vai ser divertido, vamos lá! Façam uma roda no chão que eu já volto com uma garrafinha vazia — E assim fizemos, sentamos todos em um circulo um pouco longe da piscina, para ninguém correr o risco de ser empurrado piscina abaixo, a ordem ficou, Kevin no lado da Julia, com o Will ao seu lado, eu do lado do Will — Voltei, meus queridos — Disse ela se sentando no espaço entre Kevin e eu, colocando a garrafinha no centro — Seguinte, eu começo, eu pergunto pra quem o bico da garrafinha parar, ai quem respondeu gira de novo e assim vai.
– O bico?
– É Kevin, o bico, é por onde a água sai e entra na garrafinha.
– Eu jurava que tinha um outro nome mais bonito
– Eu também — Disse entrando na brincadeira
– Quieto vocês dois! Comecei! — Disse ela girando a garrafinha no centro de nos cinco, lentamente a garrafinha foi parando e finalmente parou com o "bico" virado para Julia — Julia, verdade ou desafio?
– Parou em mim? Ah! Não queria ser a primeira. — Protestou a cega — Eu quero verdade
– Então, é verdade que você tem uma queda pelo meu irmão?
– Nossa, você é direta — Murmurei, e fui respondido com uma balançada de mão na minha direção vindo da ruiva
– Lembrando que aqui e uma roda de amigos, não vamos contar para ninguém, então sem mentiras — Lembrou a baixinha.
– Eu já entendi, Anna, então, sim, eu gosto dele — Disse a morena ficando tão vermelha quanto o cabelo dos gêmeos, e o Kevin não conseguiu escapar um sorriso eu seu rosto — Agora é minha vez — Disse ela esticando a mão em busca da garrafa que a foi entregue pelo ruivo, e com a garrafa em suas mãos ela a girou — Parou em quem? — Perguntou a mesma quando o barulho da garrafa girando no chão parou.
– No Will
– William, verdade ou desafio?
– Verdade
– Você é virgem?
– Wow! Por essa eu não esperava! — Comentou Anna com um sorriso malicioso em seu rosto — Então Willianzinho, você é virgem?
– N-não — Respondeu completamente vermelho, todos ficamos surpresos, com os olhos arregalados olhávamos para o William cabisbaixo que não revelou mais detalhes — Minha vez — Disse ele um pouco baixo de mais, novamente a garrafa foi girada — Kevin, verdade ou desafio?
– Desafio
– Pule na piscina — Falou o moreno sem hesitar — De terno e tudo
Sem contestar o ruivo se levantou da roda e foi até a piscina, e num segundo ele pulou enquanto gritou algo parecido com um "Yahooo" e já estava no fundo da piscina, logo ele saiu na piscina com os braços cruzados e com as mãos esfregando seus braços.
– F-frio — Murmurou ele tremendo
– Claro seu idiota, estamos no inverno! — Disse a irmã dando-lhe um tapa na cabeça — Agora entra em casa se seca e se troca!
– Ta bom, ta bom, você falou que nem a mãe agora — Disse ele atravessando a porta de vidro que dava para dentro da casa.
Após alguns minutos, o "idiota ruivo" retornou para continuarmos a brincadeira, agora vestindo uma calça de moletom preta e uma blusa da "GAP" cinza com a escrita também em preto com a borda brancas. Após se sentar ele girou a garrafa.
– William! — Exclamou ele alegre — Verdade ou Desafio?
– Verdade — Respondeu ele sem hesitar, provavelmente estava com medo do que teria que fazer se falasse desafio, vai que o ruivo quisesse uma "vingança"? Mas não percebeu que caiu na "armadilha" do ruivo
– Com quem foi sua primeira vez então? — Perguntou ele com um sorriso malicioso um tanto parecido com o de sua irmã, por um milésimo de segundo eu tive uma vontade de socar a cara do Kevin. Essa pergunta era no minimo desnecessária, tive que me segurar, quase que literalmente. O silencio que se seguiu foi constrangedor, ninguém sabia direito o que falar.
– Will, não precisa falar se...
– Foi a dois anos, meu pai e eu tínhamos ido para a casa de meus tios, tudo corria bem em um fim de ano normal em família, tínhamos acabado de comemorar o ano novo, tanto meu pai quanto meus tios estavam meio que bêbados. Então meu primo cinco anos mais velho e eu fomos pro quarto dele jogar vídeo-game. Estava sentado na cama dele enquanto ele ligava o vídeo-game, mas quando eu pensei que ele ia me entregar o controle, ele me agarrou pelos braços, me deitou na cama e me beijou "Vai ser o nosso segredo" ele disse enquanto desabotoava sua calça com uma mão e tampava minha boca com a outra e... — Enquanto ele contava a historia ele olhava para a garrafa parada no centro de nós cinco, suas mãos tremiam e lágrimas que ele fez de tudo para segurar escorriam levemente de seu rosto.
– Não precisa continuar — Cortei-o — Você não precisa relembrar o passado por uma brincadeira — O puxei para perto de mim enquanto o abraçava forte e as lágrimas de seu rosto molhavam o peito de minha camiseta. Ficamos nessa posição por um tempo, todos em silencio, tirando por alguns soluços e lamentos do jovem em meus braços. — Acho que a brincadeira acabou — Comentei olhando para a garrafa.
– N-não — Gaguejou Will enquanto saia de meu abraço — Vamos continuar — Disse ele forçando um pequeno sorriso para mim, assim girando mais uma vez a garrafa — Anna, verdade ou desafio.
– Desafio! — Exclamou a ruiva
– De um soco no seu irmão por mim.
– Com prazer — Então a ruiva retraiu sem braço para trás e com uma velocidade incrível impulsionou seu soco na direção do ombro de seu irmão que mesmo sentado cambaleou um pouco para o lado, soltando um gemido de dor — Bem feito — Comentou a ruiva girando a garrafa — Juh! Verdade ou Desafio?
– Desafio
– Hum, corajosa você, pobre garota — Comentou a ruiva imitando um vilão genérico de qualquer lugar — Eu lhe desafio a beijar, sem ser selinho, o idiota do meu irmão.
– O que?! — Exclamou a cega corada — Mas...
– Você não disse que gosta dele? Beija ele então, ele é meio chato e na minha opinião nojento, mas não deve ser tão ruim.
– Eu aposto que não é ruim — Comentou o ruivo sorrindo e se aproximando do rosto de Julia
A cega teve um breve momento de susto quando os lábios do ruivo se encontraram com os dela, mas com uma pequena ajuda da língua do Kevin o beijou começou de verdade, enquanto a morena colocara suas mãos na nuca do gêmeo mais velho, as mãos do outro se encaixaram na cintura dela, enquanto sem pausa nenhuma o beijo dos dois se prolongou por um belo tempo, até finalmente os dois se separarem.
– Realmente não foi ruim — Respondeu a morena que logo ficou vermelha quando percebeu o que falou — Quer dizer... Pronto, satisfeitos?
– Muito — Comentou o ruivo, deixando a morena mais vermelha do que eu achava possível
– Ai, como é triste segura vela — Disse a gêmea mais nova se apoiando nos cotovelos e olhando para o céu
– Cala a boca — Disse a cega girando a garrafa — Parou em quem?
– Em mim
– Leo, verdade ou desafio?
– Verdade — Deu pra perceber que eu sou aquele tipo de amigo "medroso" que sempre respondia "verdade" para não ter que fazer nada constrangedor, nojento ou idiota nesse tipo de brincadeira, né?
– Você já gostou da Anna? — Com essa pergunta ambos os gêmeos começaram a rir igual a duas hienas loucas.
– Acho que isso responde sua pergunta, já — Respondi meio constrangido — Foi na segunda série, eu pedi ela em namoro, ela me deu um fora e eu sai correndo e chorando que nem um bebe.
– Aquele dia foi muito hilario — Comentou o ruivo
E assim foi seguindo nossa pequena brincadeira de "Verdade ou Desafio", passados sendo remexidos, micos sendo lembrados, amores sendo construídos e muitas, mas muitas brincadeira e zoações vindo do par de ruivos. As horas foram passando comemos um pouco de pizza para nos saciar, e por fim fomos embora, não tivemos longas horas de musica, dança e romance, mas sim longas horas de amizade, diversão e um pouco de romance. Fomos embora antes de Julia, deixando Anna segurando vela para o novo casal, mas como eu conheço ela provavelmente tacou o foda-se e foi para o seu quarto deixando o casal na beira da piscina sozinhos. Mas no final eu tinha certeza que trocaria baile nenhum por aquela noite.
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