Notas iniciais
Capitulozinho novo. Espero que seja de agrado dos pouquinhos leitores. Peço por um reviewzinho só pra eu saber o que estão achando, não tenham medo < 3 E obrigada quem leu os 7 capítulos!

– Matt, fala comigo. — Leslie pediu, tentando tirar Mathew de um transe.

Ele encarava o chão branco da sala de espera do hospital, segurando um copo de papel que tinha um café já frio. Seus olhos eram opacos, expressão completamente vazia. Erguia o olhar vez ou outra, quando notava um médico passar pela porta grande ao lado do balcão.

– Por favor... — Ela concluiu levando a mão ao ombro de Mathew. Um leve aperto da mão conseguiu atrair o olhar dele.

– Não sei... Ela já tava assim quando eu cheguei...

Leslie se calou. Respirou fundo, pegou a mão de Matt e recostou-se confortavelmente na cadeira dura. Ele ficou um tempo observando-a pelo canto dos olhos, e ela vez ou outra apertava sua mão contra a dele, até que ele cedeu e recostou-se também.

Deu-se mais alguns longos e incontáveis minutos em silêncio até que o médico que atendeu Helen voltasse. Ele deu as notícias de forma calma, e Matt o escutou... ou fingiu que o fazia. Pegara só palavras que pareciam importantes, como "internação" e "UTI".

– (...) e vai estar aberto todos os dias das 10h às 11h, 14h às 15h, e 19h às 20h.

Matt balançou a cabeça. O homem se despediu e virou-se de volta ao corredor branco de onde viera. Leslie ainda segurava sua mão firmemente e ele olhou para o grande relógio digital em frente a um elevador, não era perto de nenhum horário de visitas.

– Vamos. — Ele chamou, puxando Leslie pela mão para dentro do elevador.

– O que você vai fazer?

Ele deu de ombros.

Quando saíram do grande prédio que era o Hospital, Matt atravessou a rua e sentou-se no meio fio. Puxou do bolso seu velho maço amassado de cigarros e um isqueiro que parecia estar no seu final. Depois deu umas tragadas, estendeu o cigarro para Leslie, que fez o mesmo.

E ficaram ali por mais três ou quatro cigarros.



Mais um dia em que Michael caminhou da casa à escola com fones de ouvido tocando música no volume máximo. Estava sendo bem comum ver Mathew sentado pela entrada da escola, mas esse dia foi diferente. Nem sinal dele, de seu som inconfundível vindo dos videogames, do cheiro de nicotina. Riu de si mesmo por estar se sentindo dessa forma. Aliás, foi ele mesmo quem empurrara Matt para longe, não foi?

Mas seu fardo não o largaria. Não demorou para Leslie apertar o passo para acompanhá-lo até a sala de aula. Ele viu ela mexer a boca, mas achava sua música um atrativo muito maior. Notou ela se irritar e falar mais alto, e o sonzinho agudo ao seu lado começava a atrapalhar. Tirou um dos fones e levou o olhar à ela.

– Diga.

– Primeiramente, gravei o CD — disse tirando uma embalagem plástica da bolsa e entregou-a a ele.

Michael acenou com a cabeça depois de pegá-la.

– Outra coisa: O Matt...

– Que foi agora, Leslie? — cortou-a — Você não pode resolver seus problemas com ele sozinha, não?

– O que você acha de parar de ser retardado e ir passar a porra dum tempo com seu amigo, hein? Ele precisa de alguém agora, e eu não tenho esse lugar na vida dele.

– Manda o namoradinho dele lá.

– Caralho, Michael! Vai se foder! Como você é babaca.

Antes que ele pudesse falar qualquer outra coisa, ela alargou os passos e disparou em direção à sala. Ele parou repentinamente. Passou alguns segundos vendo-a sumir pelo corredor. E imaginando o que seria agora. Voltou a colocar os fones nos ouvidos e retomou seu caminho.



Não era tão difícil Mathew se pegar pensando em como as coisas seriam muito, muito mais simples se seu pai estivesse ainda vivo. E nem por ele mesmo, mas ver como Helen lidava com tudo desde o primeiro dia, em como ela se autodestrói de poucos em poucos. A cada dia Matt via o brilho da mulher que ela era se esvair de seu ser, se tornar cada vez mais uma imagem turva daquilo que um dia conheceu. Parecia ter atingido um ponto em que resgatar a Helen dessa carcaça velha era impossível.

E Michael... No fundo, Mathew começava a temer que o amigo seguisse os passos da própria mãe algum dia. E agora que Mike não queria mais o olhar na cara, não podia mais ter como absorver as explosões dele. E ele era o único que parecia conseguir contê-lo.

Jogou no asfalto o cigarro ainda pela metade e apagou-o com o solado do tênis. Voltou-se para a porta enorme do hospital. Respirou fundo e entrou.

O ar peculiar do hospital arrepiou-lhe os pelos do braço por uns segundos. Achava um tanto engraçado essa atmosfera que hospitais têm, todo o clima mais pesado que o lado de fora, o ar sempre com uma... textura? estranha demais. Tentou imaginar como era pra Neil ir continumente para um lugar como esse, se ele só se acostumou ou se sentia estranho como ele se sentia no primeiro passo lá dentro. Então fez uma anotação mental para perunta-lo algum dia.

Pegou um elevador, passou uns corredores e então a plaquinha sinalizando a sala de espera da UTI parecia piscar em neon. Entrou e olhou o grande relógio com números em vermelho.

Na hora, pensou.

Mathew passara o tempo todo naquela sala desde que a mãe deu entrada no hospital. Sua figura já estava gravada na mente da enfermeira que entrou há pouco para um novo turno. Ela sorriu e sinalizou que ele já poderia entrar. Ele educadamente sorriu e acenou com a cabeça.

– Alguma melhora? — Ele perguntou ao passar pela mulher.

E ela não respondeu. Mas sua expressão não era das mais tranquilizadoras.

– Não deve demorar — disse finalmente, quando percebeu que sua falta de resposta gerara certa aflição no garoto.

– Número seis, né?

– Número seis.

Caminhou lentamente até o leito em que a mãe estava, observando todas as placas numeradas que encontrava no caminho. Puxou a cortina que a isolava com muita calma — parecia ter certo temor de que ela estivesse acordada. Parou ao lado da cama.

Como era diferente vê-la dessa forma. Ela finalmente parecia tranquila. E isso começou a incomodar Mathew. Ele não conseguiu afastar da cabeça a ideia de que isso tudo fora proposital, que ela buscara por isso... Ele queria se desculpar, queria poder fazer algo por ela agora... Meio hesitante, ele se inclinou e delicadamente encostou seus lábios na testa da mãe. Num sussuro quase inaldível, ele se desculpou rapidamente e virou, pronto para deixar o quarto.

– James? — a voz de Helen era um sussuro fraco e baixo, mas para Matt pareceu um grito. Ele sentiu sua espinha gelar. Não sabia exatamente o que fazer – James, não vá...

– Mathew virou-se para mãe. Os olhos dela estavam semicerrados, e como se juntasse todas as forças do corpo, estendia a mão em direção a ele.

– Não me deixe de novo, James... Me leva junto...

Sem saber se a mãe o enxergava de forma alguma, ele forçou um sorriso e se aproximou da cama. Segurou-lhe a mão e puxou uma cadeira para perto da cama. O que mais ele poderia fazer? Sem soltar sua mão, ficou fazendo-lhe carinho entre os fios ainda ruivos dela, até que voltasse a cair no sono. Ela parecia tão frágil, tão vulnerável...

A enfermeira puxou lentamente a cortina para avisar que já passara do horário. E quando viu a cena, abriu um largo sorriso, ainda que sentindo por ter que encerrar aquilo. E saiu.

– Eu tenho que ir – ele sussurrou, caso Helen ainda pudesse ouvir.



Estava sentado no muro como o habitual, o cigarro na boca, um pacote de chocolates do lado. O sinal da ultima aula acabara de soar pelo colégio. Em poucos minutos já viu o fluxo de pessoas saindo.

Finalmente conseguiu avistar Leslie e Neil saírem do prédio. Parecia que levaram horas para isso. Mas quando conseguiram se avistar, a coisa aconteceu muito mais rapidamente. Neil tinha um sorrisinho minúsculo, contido. Leslie parecia querer comentar algo, mas se segurava para isso.

Mathew sorriu e bagunçou os cachos loiros de Neil enquanto pisava num cigarro pelo fim.

– Passo na sua casa hoje a tarde?

Neil acentiu e permitiu-se sorrir um pouquinho mais. E então se despediu.

– Como tá sua mãe? — Leslie perguntou, quando achou que Neil já se afastara o suficiente. Imaginou que Matt não queria tocar no assunto perto dele.

– Acordou.

– Ah, que bom! – Leslie suspirou aliviada.

– É, acho que sim.

Que foi?

– Não, nada. Viu o Michael?

– Aqui – Michael parou ao lado deles quando ouviu seu nome. Não parecia muito interessado, entretanto.

– Podemos conversar?

Michael deu de ombros, mas não negou. Com um aceno da cabeça, Matt se despediu de Leslie e pulou do muro, recolhendo suas coisas e enfiando-as nos bolsos. Começou a caminhar ao lado de Michael, seguindo pelo caminho que sempre faziam.