Will She Be Loved?
1 Capítulo 01
Notas iniciais
_Will, não! – ela ria sem parar de correr, precisava de abrigo pois não conseguia mais trégua nem para respirar, as bochechas ardiam. Ela avistou uma árvore grande no pátio da escola e foi buscar abrigo por lá. Raspou as mãos na casca, por conta da pressa, e tentou acalmar sua respiração.
_Katie? – ele perguntou, igualmente fervilhante, cheio de excitação. Eram “primos”, conheciam-se desde crianças, seus pais eram bem próximos, então estudavam juntos, brincavam juntos, brigavam juntos, e o mais importante, ela lhe acalmava mais que tudo. Naquele verão ele tinha seus 16 anos e ela quase isso, talvez um ou dois anos mais nova. Quem se importa? O sol brilhava e o dia estava abafado, mas ele nada ouvia agora além do barulho das outras crianças que corriam pelo pátio. _Katie? De repente, um peso enorme chocou-se contra seu corpo, fazendo-o desabar no chão com força.
_Devia ser menos egocêntrico e buscar olhar para cima. – Disse ela, com o cabelo todo sobre o rosto e algumas folhinhas nele.
_Mas que porra é essa? – Will devolveu puto da vida. Ela só ria, e não o deixava se levantar, por mais que ele tentasse.
_Te peguei. – Katie disse, com o rosto bem próximo do seu. Seus cabelos castanhos ainda tampavam seus olhos claros, então ela balançou a cabeça a fim de liberar a visão, e se deparou com o rosto dele, sereno... O que era esquisito numa hora daquelas. Seu corpo arrepiou-se por inteiro ao sentir as mãos dele em sua cintura, agora ele a prendia no chão também. Os dois juntos na sombra da árvore.
_Will... – ela começou a frase desconfiada, e não teve chance de terminar, só via o rosto dele se aproximar mais, mais e mais.
_SENHOR BAILEY; SENHORITA HERMAN! Ora, que falta de vergonha! Ponham-se de pé imediatamente, andem, andem!
Uma das inspetoras do colégio, a qual eles não sabia o nome interrompeu o que estaria prestes a acontecer, seja lá o que fosse. Katie conseguiu respirar novamente, William havia cerrado os punhos, parecia prestes a acertar um soco. Ou nela ou na mulher.
Na volta para casa, nada disseram, mal olharam para o rosto um do outro. Katie tinha certeza absoluta de que suas bochechas estavam vermelhíssimas, apesar de isso não ser bem verdade e Will, bem... Will tanto se culpava quando odiava a interrupção que havia sofrido. Mas por quê? Por que ela? Por que agora? Hã?! Não podia acreditar em si próprio. As palavras dela e a cena que vieram depois não abandonavam sua mente... "Te peguei", ela havia dito com aquela voz mansa e cheia de um riso que lhe fazia tão bem...! Sacudiu a cabeça fortemente, o que despertou a atenção de Katie. Mas ele não podia continuar pensando naquilo.
_Ah... Hm... – ela tentou iniciar uma frase, sem sucesso. Mas obrigou suas pernas a pararem de se mexer.
_Que foi? – devolveu ele, subitamente bravo, o que a assustou e fez com que uma expressão esquisita tomasse conta de seu rosto.
_Desculpa – Will disse antes que ela tornasse a falar e a puxou para um abraço. – É que eu sei o que vai acontecer em casa assim que eles ficarem sabendo do sermão que tomamos na escola...
_De novo? – Perguntou ela, já preocupada. De vez em quando ele aparecia com algumas marcas roxas pelo corpo e ela sabia quem havia as deixado lá. Sabia também o quanto os irmãos dele sofriam nas mãos do padrasto, e principalmente a mãe. – Will, você não precisa aturar isso.
Ele nada falou, nem sequer olhou para ela, o que a obrigou a colocar os dedos debaixo de seu queixo e fazê-lo olhar em sua direção.
_De verdade. Você não está cansado? Sabe que pode contar comigo, não é?
Ele assentiu calmamente e se desvencilhou do abraço, voltando a caminhar. Dali a duas esquinas era a sua casa, e descendo mais uma rua, a dela. Desceu as mãos para o bolso e encontrou o que queria. Um maço de cigarros. Recluso na escola, ele costumava envolver-se só com ela e com alguns vagabundos que rondavam o terreno, ganhando assim o hábito de fumar com eles. Raras vezes trocava palavras com um outro garoto da escola, que gostava das mesmas coisas que ele. Acendeu um dos cigarros e colocou na boca, dando uma tragada demorada e calmante. Katie logo estava de frente pra ele, com as mãos na cintura. Aquilo não a agradava em nada.
_Não enche.
Então, não sabendo de onde havia tirado coragem para terminar aquilo que haviam começado mais cedo, ela pôs-se na ponta dos pés, afastou o cigarro dele, tomando-o nos dedos e selou seus lábios com um beijinho rápido, envergonhado. Devolveu o que havia pegado na mão de Will e andou apressada rua a baixo. Logo estava correndo e antes de desaparecer de sua visão adentrando o jardim de casa, não resistiu em dar uma última olhada nele, que continuava parado no mesmo lugar, soltando levemente a fumaça pelas narinas, como se seus pensamentos estivessem muito, muito longe dali.
Suas costas ardiam terrivelmente, não conseguia encontrar uma posição boa para ficar e algumas lágrimas idiotas insistiam em rolar pelo seu rosto coberto pela raiva. Sua cabeça latejava em busca de alívio, o que era estranho. Seus punhos cerrados tremiam enquanto a dor o agoniava. A surra daquela noite havia sido cruel. A mãe tentara interromper mas foi afastada com um empurrão e acabou por se esfolar contra a parede. Respirou fundo uma, duas, três vezes. Não passava. Não adiantava. Novamente, a voz dela estava lá, como um consolo desesperado “Você não tem que aturar isso”. Não mesmo. Ele havia tomado sua decisão e agora já não havia mais volta. Era tudo ou nada.
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