Wildland: Return to Zero
34 Capítulo 34 - Ranger
Gostaria mesmo de saber o motivo do Jahid ter me pedido pra ir atrás desse moleque, ele parece tudo menos um herói. Fiquei observando de longe por alguns dias o comportamento do garoto, ele parecia um adolescente comum com uma aura bem sádica, vi ele matando vários animais e sorrindo em seguida, fora que seu poder era bem peculiar. Ele podia invocar várias criaturas, vi que algumas que ele matava, logo em seguida, conseguia invocar, e parece que ficavam ainda mais poderosas. O fato curioso é que ele também tinha a mesma pulseira que eu no seu pulso esquerdo, até agora eu só havia visto três pessoas com isso, Jahid disse que era uma prova de que nós somos pessoas de ‘fora’ e conseguimos poderes que pessoas daquele mundo não conseguiriam.
Quando cheguei na tribo Kamali comecei a perceber como funcionava aquele mundo. Ao chegar no level 10 comecei a ver os atributos de todas as pessoas, assim como os meus. Eu tinha quatro habilidades que ficavam naquela pulseira, como Ranger, eu possuía algumas habilidades únicas, parece que nossa classe era escolhida de acordo com o que éramos treinados e mais acostumados, como sempre fui treinada em espionar e atirar com arco e flecha, acabei e tornando uma ranger, eu possuía a habilidade Look de poder olhar a quase 10 quilômetros de distância por alguns segundos e ver todos os seres vivos nesse raio, também tinha a habilidade Direct, onde os três primeiros disparos que eu dava com meu arco e flecha tinha 95% de chances de acertar. Minha terceira habilidade era a Tempest, eu poderia criar uma tempestade de flechas com um só disparo, eu percebi que podia mudar os elementos dessas flechas para água, fogo e gelo, era algo bem útil, e por último a minha habilidade mais forte, a Dizimator, eu disparava uma flecha de plasma que podia atravessar qualquer coisa, mas havia um grande custo de mana para aquilo, eu tinha que usar algumas poções extras para conseguir ativá-la. Meu nível já estava no 38, até o momento enfrentei monstros e guerreiros bem abaixo do meu nível, exceto na guerra em que aqueles monstros estavam absurdamente muito acima do level da nossa tribo, um dos mais fracos chegava na faixa dos 50, não havia chances de vitória desde o princípio. Estava sentada em uma montanha comendo cogumelos quando uma ave de rapina de cor azulada e bico laranja desceu e foi em minha direção, ela possuía uma faixa em seu corpo com o símbolo da Kamali, era um pássaro mágico mensageiro.
— Você precisa se retirar agora, há outra prioridade no momento, o garoto parece que vai ficar bem. – Eu estava um pouco surpresa ao ouvir o pássaro falar, mas já havia visto alguns golens feitos pelos feiticeiros da tribo se movendo e falando, então a minha surpresa não foi tanta.
— O que aconteceu?
— Você só precisa ir até o templo de Tohou e confirmar que o portal está fechado.
— E por que não pediram isso pra outra pessoa? – Eu sei que não deveria questionar a ordem dos líderes, mas éramos 8 rangers no total, haviam dois mais fortes do que eu, e eles não estavam designados para nenhuma missão, então não era natural pedir isso pra mim que já estava em uma missão que supostamente era muito importante.
— Não lembro de ter te ensinado a questionar assim. – Eu percebi naquele momento, com a resposta do pássaro, que se tratava de Jahid.
— Eu apenas quero saber do que se trata essa missão e qual sua importância.
— Há um selo que foi aberto nesse templo há uma semana, cujo qual pode ter surgido o último dos sete.
— O último dos sete?
— Por enquanto não posso te revelar mais detalhes, eu confio em você, mas eu não confio na maioria das pessoas do exército, alguns deles tem outras intenções, sei que você não iria me trair, mas creio que deve ter alguém de olho em você, na verdade, eu já sei de quem se trata. – Eu não conseguia entender muito bem o que tudo aquilo significava, mas o que era mais importante, as palavras de Jahid me passavam confiança. Em todo esse tempo ele nunca havia mentido ou me enganado, creio que seja mesmo possível que só eu poderia exercer essa função que ele esperava.
— Então só preciso confirmar se há um portal ou não nesse templo?
— Apenas isso. A área não tem muitas ameaças, você pode ir tranquila, no máximo vão ter algumas harpias no topo da montanha e alguns javalis, mas nenhuma outra tribo ou clã está sabendo desse fato, na verdade, somos os primeiros a ter essa informação.
— E como você sabe disso?
— Porque um dos sete está aqui no nosso reino agora. – Aquela informação havia me surpreendido, eu não sabia ainda o que eram os sete ou a profecia que eles tanto falavam, soube de uma das anciãs de Kamali que se o selo daquele mundo fosse rompido, os demônios poderiam andar livremente como há 300 anos, e o papel de Kamali era de impedir isso.
— Me passe as coordenadas, já estou a caminho. E quanto ao garoto...
— Eu ainda desconfio que ele tenha algo a ver, não posso dizer que realmente é o herói, mas há algumas chances.
— Mesmo depois de eu ter reportado as ‘coisas’ que ele fez?
— Bom, é só um adolescente apesar de tudo. – Acho que nem Jahid estava convencido de que aquele moleque podia valer alguma coisa. Depois de me passou as coordenadas, segui rumo ao templo que ficara no extremo norte das províncias da Natigam. O templo de Touhou era conhecido como uma relíquia sem valor abandonada, era o local onde um dos heróis de antigamente havia feito um pacto com um demônio e traído todo continente, desde então passou a ser considerado um lugar amaldiçoado e que as pessoas evitavam a todo custo.
— Bom, não é como se eu acreditasse nesse tipo de coisa... – Deixei o garoto de lado e parti em direção a Touhou.
Eu conhecia quase que todo relevo e geografia daquelas regiões, minha função era de exploração e observação dos inimigos e algumas vilas, então não havia nada mais conveniente pra mim do que seguir trilhas e chegar rapidamente em um local. Assim como Jahid havia dito, não existiam muitas criaturas ao redor, eu apenas comecei a sentir um enorme incômodo em meu peito. Toda aquela missão era muito estranha, por que eu tinha que ver se o portal estava aberto ou fechado? Não fazia sentido, e eu senti no fundo do coração que me arrependeria daquilo.
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