Wildland: Return to Zero

25 Capítulo 24 - Ao Mesmo Lugar


Dessa vez eu fui jogado na arena sem a menor intenção de lutar, eu queria apenas observar novamente a arquibancada. Tinha algo bem curioso, e aquela pessoa que eu vi naquela vez...Olhei o mais rápido que pude para todos os cantos, o que eu via começou a me espantar. Eu já tinha entrado mais de 17 vezes ali, mas o padrão das pessoas lá era o mesmo, isso poderia ser explicado se isso fosse uma repetição, mas eu tentaria uma coisa agora. Comecei a desviar das mordidas do lobo que não parecia se cansar nunca, eu ignorei o mesmo e corri até a arquibancada. A mais baixa ficava perto do portão de entrada, com um salto eu conseguiria me pendurar na mesma, tinha uns cinco guardas espalhados ao redor, eu seria pego rapidamente mas ao menos precisava testar aquilo. Quando pulei, apoiei meus braços naquele muro concretado e subi, na minha frente tinha um senhor com um chapéu de palha bem magro, uma criança com orelhas pontudas e uma criatura azul com três olhos, eles se afastaram mas pareciam sem espanto, olhei para cima e vi outras pessoas e criaturas olhando para arena e continuando a xingar e torcer. Eles repetiam as mesmas palavras, eu não conseguia entender estando lá embaixo, mas era um padrão, todos nem prestavam atenção em mim que estava embaixo deles, peguei um pedaço de madeira dos bancos e dei no rosto da criatura azul com três olhos, ele caiu para trás mas em seguida se levantou e continuou olhando para a arena.

— Mas que porra...

— EI! – Quando olhei para trás tinha uma lança vindo em direção ao meu rosto, não consegui nem piscar e já acordei naquela cama suja.

Dessa vez eu tinha conseguido uma grande informação. Aquelas pessoas não eram reais. Quem ali era real na verdade? Talvez apenas eu? Todos que olhei ao redor daquela merda pareciam bonecos, menos aquela pessoa que vi antes, ela tinha uma camiseta do meu mundo e óculos de sol, aquilo me chamou muita atenção, talvez ela fosse o caminho para sair dali.

VIGÉSSIMA PRIMEIRA TENTATIVA

Agora eu acho que daria bom. Essa mulher, ela com certeza não era um jogador que existia só naquela arena, acho que a maioria de todos ali eram tipo robôs, programados pra fazer as mesmas ações, mas ela não, as duas vezes que a vi ela estava em lugares diferentes, apenas ela. Eu já pensei em mil e uma alternativas pra cair fora daquele lugar, mas até agora não vi uma solução se quer pra isso. Tentar sair pelas arquibancadas era impossível, tentar sair daqueles corredores também não iria rolar, convencer os outros prisioneiros muito menos, nem mesmo podia contar com a sorte naquela merda de lugar.

— Ei guardinha, é permitido entrar qualquer pessoa aqui na arena? – O guarda que andava pelo corredor vigiando as celas me olhou franzindo sua testa, ele andou em minha direção e me encarou com certo nojo, como se pra ele fosse um pecado alguém como um prisioneiro falar com pessoas tão superiores como eles.

— O que disse?

— Você é surdo?

— Tá querendo morrer é?

— Pelo visto são todos iguais. – Todos aqueles guardas tinham a mesma aparência, pessoas de uns 40 ou 50 anos, todos com rostos sujos e enrugados mas corpos musculosos com espadas e porretes e aquela roupa brega meio troiana e meio spartana, se bem que acho que nem sabia a diferença dessas duas.

— Não me enche o saco seu lixo.

— Só queria que respondesse a pergunta. Qualquer pessoa pode assistir os duelos? – Ele me olhou com os olhos mais abertos dessa vez, era nítido o estranhamento em seu rosto, ele mirou seus olhos nas outras celas para ver se outros presos estavam prestando atenção.

— Como sabe disso? Como sabe que tá em uma arena? E não, aqui é só pra convidados.

— “Então era isso. A maioria ali foi capturada e levada até lá sem consciência, eu devo ter morrido mesmo ou desmaiado e movido pra cá, aposto que os outros presos também.” – Digamos que já passei por aqui, tenho experiência.

— Por que quer saber se todos podem entrar aqui? – O guarda parecia indignado ainda com meu conhecimento, ele olhava cada vez mais atento para ver se ninguém ouvia nossa conversa, devia tá com medo de algum superior descobrir que sabemos de alguma coisa.

— Porque na vez anterior eu vi uma mulher meio suspeita aí no meio sabe. – O guarda se aproximou mais ainda da cela, ele parecia suar frio.

— Suspeita como?

— Ela tava com umas roupas estranhas.

— Me dê mais detalhes.

— E o que eu ganho em troca?

— Vai tomar no cu, se não falar eu te mato aqui e agora. – O guarda pegou seu porrete e deu uma bancada contra as grades da cela, aquilo chamou atenção dos outros presos, mas em seguida já voltaram a olhar para a mesma posição com seus rostos acabados, como de costume.

— Vamos lá, eu mereço alguma coisa pelo menos. Não vou pedir que me liberte nem nada, quero informações ao menos. “Sim, minhas armas naquele momento eram informações. No estado atual, não tinha como eu sair de lá, então precisava recolher o maior número possível de informações para encontrar um meio pra minha fuga e fim daquele ciclo de mortes. Se eu falasse da mulher provavelmente eles iriam atrás dela, e se ela reagisse, era certeza que era uma pessoa real, talvez ela até pudesse lutar contra os guardas.

— E o que quer saber?

— Digamos que quero saber só quantos inimigos temos que enfrentar, sabe, cheguei até o terceiro só.

— Mas que caralhos? E como tá vivo aqui?

— Eu tive uma ajudinha, se posso dizer. – O rapaz me olhava com suspeita, eu meio que tentava instiga-lo cada vez mais, e parecia que estava dando certo. – Primeiro foi o lobo, depois o gigante, depois o leão ou sei lá o que era. E depois, o que temos?

— ... – O guarda pareceu furioso, ele não podia deixar que aquelas informações corressem de lá, então talvez isso pudesse deixa-lo na minha mão.

— São 10? – Eu chutei um número aleatório.

— Se fosse 10 você acha que vocês putos conseguiriam passar? Se bem que duvido que consigam passar do terceiro mesmo, quem dirá do sétimo. – Ele meio que me respondeu indiretamente, então eram 7 desafios? Aquilo era mais difícil do que imaginei, mesmo se fossem 5 ainda seria quase impossível, mas com aquilo eu já sabia que aquilo teria um fim.

— Se é só isso então vai descansar e aproveitar seus últimos momentos seu merda. – O guarda pareceu ter perdido a paciência e se afastou, parecia estar com medo. Enfim eu tinha uma confirmação que poderia sair dali, mas eu tinha mesmo que vencer 7 adversários daquele porte? Provavelmente os outros eram ainda mais fortes.

— Ei, você! – Eu havia me enganado, quando passei por uma porta no fundo do corredor tinha um guarda sentado em uma banqueta, ele era diferente dos outros quatro, era um senhor barrigudo e com barba grande, parecia até mais velho que os outros, eu não hesitaria mais, peguei aquele pedaço de ferro que quebrei o cadeado e cravei no pescoço do mesmo, o homem caiu no chão incapaz de se levantar segurando no ferimento onde o sangue escorria feito um jato, ele tentou gritar mas sua traqueia parecia bloqueada, me afastei e andei até o fundo daquela sala fedorenta, tinha outra porta nos fundos, talvez dali era a saída daquele inferno. Eu dei um chute na porta imaginando que ela estava trancada, me senti um idiota depois por nem ter verificado, quando me deparei com o lado de fora fiquei sem reação. Dei dois passos e caí de joelhos olhando para o cenário doentio em minha frente. Havia muitos corpos, devia ter mais de cem? Não... Talvez mais de mil. Todos eles estavam espalhados em uma área ampla cheia de criaturas que pareciam hienas mas muito maiores, elas se alimentavam de alguns cadáveres podres, outros estavam apenas nos ossos, não havia lado para ir, a porta dava de frente para esse penhasco de 5 metros, depois das laterais era o penhasco também, provavelmente todos eles tentaram fugir dali, mas aquilo parecia bem mais difícil do que encarar a arena, eu tentei contar rápido com os olhos, parecia ter uns 20 ou 30 daqueles monstros, por mais que eles pareceram não me notar, qualquer movimento que eu desse lá eles me devorariam. Mas eu já tinha morrido 20 vezes, eu não ia fraquejar agora, teria que tentar a sorte. Pulei os cinco metros, caí de pé e meus joelhos estralaram, que dor! Rolei no chão e vi que a criatura mais próxima dali me notou, ela começou a me encarar sem se mover, minha única escolha era percorrer pela parede da arena, tinha mais ou menos uns 20 metros até eu dar a volta, será que por trás haviam essas criaturas? Eu precisava tentar. Me levantei e comecei a correr sem pensar, logo ouvi o estrondo ao fundo, olhei rapidamente para trás e haviam três criaturas com suas bocas e dentes afiados a mostra indo em minha direção. Fodeu bonito. Eu andava junto com a parede até chegar ao ponto em que iria virar, mas eu estava em desvantagem, enquanto eu corria lateralmente as criaturas iam em linha reta, elas me alcançariam antes da virada. Foi então que peguei um pedaço de osso de um dos humanos que morreram lá e arremessei para longe, de alguma forma uma das criaturas foi atrás do osso feito um cachorro adestrado, como isso foi dar certo? Mas eu não tinha mais tempo para parar e pegar outro. Uma das criaturas estava bem próxima de mim, eu estava a uns 10 segundos do final da parede, comecei a dar tudo que tinha, nunca fui um corredor nato mas naquele momento eu tava correndo como o Bolt, porra, meus pulmões iriam sair pela boca, em um salto eu cheguei no final da parede, me virei rapidamente mas a criatura já estava atrás de mim, usei todo fôlego que me restava para dar os maiores passos possíveis, foi quando vi que o corredor da arena (que acompanhava o corredor que eu estava lá dentro até a arena) era bem maior do que o de trás, as paredes deviam dar uns 20 ou 30 metros. Já era. Eu continuei correndo até onde consegui aguentar, mas do nada senti uma dor enorme em minhas pernas, quando me virei estava sem a perna esquerda, e antes de poder sentir o bafo quente da criatura, ela havia mordido meu tronco. Era o fim da vigéssima primeira tentativa.