Wildland: Return to Zero
22 Capítulo 21 - Loop
A cada passo que eu dava em direção ao abismo, a queda ficava cada vez pior. Bom, que se foda, eu já tinha caído mais de 15 vezes, na verdade, acho que errei a conta, deviam ter sido umas 17, nunca fui bom em matemática mesmo. Eu levantei daquele chão coberto de sangue e manchas negras e olhei para o porteiro que me encarava com olhos de um assassino profissional salivando com sede de sangue.
— Tá olhando o que seu verme?
— Pra sua cara feia que não seria. – Ele não iria me matar, então eu sabia que poderia zombar e fazer o que quisesse, afinal, era minha décima sétima vez ali naquele corredor escuro e sujo cheio de marmanjos acorrentados e suados, alguns quase mortos, tinha um cara que não pesava nem 30 quilos, um chute e ele poderia morrer, por que diabos colocariam alguém assim em uma arena para lutar contra feras e uns gigantes que saíram de algum conto nórdico? Nunca fui de ler muito mas sabia dessas coisas, meu filho de 12 anos gosta muito de histórias gregas e essas fantasias. E também eu tinha um aparato estranho no pulso direito, parecia um smartwatch, acho que aquilo era pra me controlar, igual o chip que tanto diziam que iriam colocar na gente. Tinha uns símbolos lá meio estranhos, devia ser algo da maçonaria.
— Quer morrer bastardo? Sabe que posso te dar uma facada e te jogar na arena assim né? – É talvez ele pudesse fazer isso, mas tanto faz mesmo, eu não iria sobreviver até a terceira luta. Até agora eu tinha conseguido vencer os dois primeiros adversários. O primeiro era um lobo cinzento com os dentes lixados e afiados como uma navalha saída do forno, ele acabou comigo nas 10 primeiras vezes, mas depois eu consegui furar o bucho do animal que parecia ter ingerido alguma coisa pra ficar tão doido e forte assim. O segundo era um homem de três metros que babava o tempo todo, parecia algum deficiente mental mas ele só pensava em enfiar o cacete em mim com um pedaço de madeira com pregos, só consegui derrubar o canalha na décima terceira vez. Nessa última ‘rodada’ eu matei os dois seguidos mas depois esbarrei naquela merda do terceiro, puta que paril, como eu vou matar a porra de um leão de duas cabeças com asas? Essa merda não devia existir nem no inferno. Se eu tava mesmo no inferno acho que não importa o quanto eu lutasse, eu iria sempre ficar nesse ciclo, então eu teria que dar um jeito de diminuir meu sofrimento. Naquele tempo que ficava esperando minha vez, eu apenas pensava em meios de me matar sem sentir dor, porque na real, eu sentiria muita dor se fosse morto por aquela desgraça de novo. Eu pensei em morder a língua mas certamente eu não conseguiria me matar assim, pensei em pegar a espada que me deram (toda enferrujada) e cortar os pulsos, mas não sei se isso me mataria logo também, enfiar na garganta era uma boa mas depois que tentei isso na décima primeira vez vi que eles me jogaram na arena e fui devorado pelo lobo, morrer assim foi a pior maneira disparado. Acho que a vez que o gigante esmagou minha cabeça aos poucos com seus pés também foi bem tensa, fora o leão que arrancou minhas duas pernas e só então meteu suas presas em meu crânio, eu tinha que dar um jeito de morrer antes mesmo.
— Próximo! Se liga que agora você que vai virar comida de lobo. – Sorrindo e me puxando pelas correntes, o porteiro vulgo guarda (ao menos era pra ser isso eu acho) me jogou portão a fora, dei de frente com um público de pessoas sujas e repugnantes que gritavam e assoviavam querendo ver um massacre. Olhei novamente para a plateia, vi que eram velhos em sua maioria, todos com aparência horripilante, tinha alguns demônios também, uns com orelhas pontudas e coloração variada, também haviam uns duendes e anões, eu acho, bom, eu não podia mais ficar olhando porque o lobo tava correndo na minha direção já. Dessa vez parece que tive pouco tempo pra pensar, eu queria mesmo ter tentando me matar cortando a garganta de novo, mas que porra. Eu tentei lutar nas dez primeiras vezes mas só deu ruim, as chances eram menos de 70% de vencer, como aconteceu, eu iria apenas me desgastar, mas pensei também na possibilidade daquilo ter um fim. E se fossem umas dez rodadas? Eu só teria que ir me acostumando até ficar forte e aprender como derrotar todos eles, mas não fazia sentido, eu iria me agarrar em falsas esperanças, acho que o demônio queria isso mesmo. Então só restava me entregar, talvez eu devesse jogar a espada no chão e deixar ele atingir alguma artéria, mas sei que não seria simples, afinal, ele parecia bem treinado para torturar antes de matar. Droga, vou tentar dar um jeito.
— Pode vir. – Apontei a espada para o lobo que vinha em minha direção, ele deu uma bocada e coloquei a lâmina no meio dos seus dentes, caí no chão e com uma das pernas joguei o lobo para trás dando uma cambota, me virei e vi o lobo caindo de costas e se virando logo em seguida, eu me levantei e parti pra cima do desgraçado que já parecia vir com raiva pra cima de mim de novo, ao fundo as pessoas gritavam querendo ver minhas tripas, mas eu não ia me entregar tão fácil. O lobo tentou morder minha perna, dei um salto para a direita mas de alguma forma, ao olhar para a arquibancada naquele momento, algo chamou minha atenção ao ponto de me fazer escorregar e perder a concentração.
— Porra, agora lá vamos nós de novo. – Quando percebi o lobo havia cravado seus dentes afiados nas artérias do meu pescoço. Eu nem tinha conseguido fazer nada naquela vez, mas eu havia conseguido uma enorme recompensa: Eu vi aquela pessoa.
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