"Si Vivimus"

— Lorde Kiriel, todos aqui somos conhecidos, não tem como... – O primeiro a falar foi um dos mais velhos daquele grupo, parecia ser um homem de meia idade com cabelos brancos e bagunçados, corpo raquítico, com aparência mais frágil que de Kiriel, mas com o olhar rígido deste último, o homem abaixou sua cabeça e se encolheu.

— Não devo acreditar em ninguém! Todos aqui são suspeitos até que se prove o contrário.

— Lorde, está esquecendo de uma coisa, o Guduim ali... – Antes de completar sua frase, o homem louro que havia sido arremessado e parecia estar com algumas contusões abriu sua boca apontando para o corpo do rapaz que tinha sido devorado por Ângela, ele havia se levantado em segundos, com um salto, pulou até a garota ajoelhada no chão e cravou seus dentes em seu pescoço, a moça nem teve como reagir, no mesmo instante Kiriel conjurou outras palavras e o corpo do rapaz que parecia um zumbi explodiu em mil pedaços, carne voou para cima de mim, o sangue se espalhou por toda sala, pedaços da costela do homem foram jogadas por todos os lados, além de seu fígado ter caído bem na minha frente. Olhei novamente para Liss, ela estremeceu e se encostou na parede. Haviam oito pessoas naquela sala, a mulher que foi mordida começou a se debater no chão.

— Isso já está ficando crítico demais. TODOS vocês, se reúnam ali no meio e tirem suas roupas, um summoner deve estar com um maldito pergaminho ou livro. – Kiriel deu a ordem e alguns pareceram hesitar, mas temendo o homem, eles se voltaram para o centro da sala com o corpo de Guduim espalhado e a mulher que se debatia foi tocada por Kiriel e no mesmo instante ficou paralisada, parecia que havia sido petrificada.

— Não consigo nem usar magias básicas quem dirá summonar algo! – Um dos que tiraram a roupa era um jovem com cabelo em formato de tigela, ele parecia assustado, será que esse Kiriel era mesmo tão forte assim? Vi todos se submetendo e ficando nus rapidamente e se curvando no meio das vísceras e sangue, Liss estava chorando, via o medo estampado no rosto daquelas pessoas que minutos atrás riam enquanto me torturavam, eu não sei se ficava feliz com aquela cena ou se tinha ainda mais pavor.

— Não tem ninguém aqui com livros, pergaminhos ou selos pelo corpo. Curioso. – Kiriel andou em volta daquelas pessoas mas aparentemente não havia nenhum suspeito dentre eles.

— E você? – Liss olhou para Kiriel com os olhos encarando o rosto flácido do homem que no mesmo instante retirou suas roupas.

— Fico triste por desconfiar de mim mas, agora você vê que também não sou um dos suspeitos.

— Espera, lorde Kiriel, falta uma pessoa. – O garoto com cabelo de tigela olhou para a mulher que parecia petrificada.

— Muito bem. – Kiriel pediu para que Liss tirasse as roupas da mulher que não conseguia se mexer, e para surpresa de todos, havia um desenho em seu tórax que remetia a um pentagrama ou uma cabala, ela mantinha seus olhos arregalados como se estivesse totalmente paralisada.

— Essa maldita... – Liss se afastou da mulher, Kiriel recitou algumas frases que eu não podia ouvir e em seguida o corpo da mulher petrificada teve sua cabeça perfurada por uma lança que saiu do chão, a ponta atravessou a testa arrancando pedaço do cérebro da mesma, o corpo foi caindo fincando a cabeça ainda mais sobre a estacada que ficava manchada com sangue rubro.

— Agora todos os problemas estão resolvidos, creio eu. – Kiriel continuou a olhar para aquelas pessoas que se mantinham abaixadas, no fundo, alguém batia na porta grossa daquela sala, pareciam pessoas querendo entrar.

— O que tá acontecendo? Kiriel? Abra! – Várias vozes gritavam e esmurravam a porta, deviam ter ouvido o balburdio que estava ali, eu já nem conseguia mais pensar em como sair daquela situação, minha consciência começava a se perder aos poucos.

— Liss, abra a porta, acho que com isso devemos adiar a purificação. – Liss se ergue e obedeceu Kiriel indo em direção a porta, mas nesse momento, o corpo da mulher que estava fincado na estacada se moveu e rasgou sua cabeça, a mesma ficou cortada na metade, mas mesmo assim ela avançou até Liss fazendo com que ambas caíssem no chão, Kiriel pareceu furioso, ele emitiu algumas palavras que agora pude ouvir muito bem, mas aparentemente era uma linguagem daquele mundo, em seguida vi saindo do chão umas 10 estacadas que pareciam ainda mais afiadas, elas perfuraram todo corpo da mulher o fazendo subir até o teto do lugar triturando-o até ela não conseguir mais se mexer, o sangue escorreu por todo seu corpo que em contraste com sua pele branca, tornou aquela cena mais horripilante.

— Parece que errei. – Kiriel voltou sua atenção para todos e com uma só palavra fez com que várias estacadas saíssem do chão e perfurassem as pessoas ali com exceção de Liss. Fiquei estupefata com tudo aquilo, todos estavam mortos com seus corpos perfurados, o homem de meia idade parecia não ter morrido imediatamente, mas Kiriel se aproximou do mesmo e fez uma estaca sair do chão atingindo seu pescoço e decepando sua cabeça. Aquela sala escura já estava toda coberta com sangue, partes de corpos humanos e tripas, eu ainda não sabia distinguir o que era real e o que não era, tudo ainda parecia um sonho, um pesadelo sem fim. Kiriel se aproximou de Liss e segurou sua mão para ela poder se levantar, trêmula e chorando, Liss pegou uma capa que Kiriel ofereceu e vestiu sobre seu corpo.

— Foi mais trabalhoso do que imaginei, mas acho que é o suficiente. – Kiriel olhou em minha direção e movendo suas mãos em um rápido movimento fez com que minhas mãos saíssem das estacas em que estavam presas, na verdade, ele retirou aquelas estacadas, eu caí de joelhos no chão, Kiriel se aproximou e segurando meus pulsos, curou minhas mãos com algum tipo de luz dourada saindo de um amuleto que ele carregava no pescoço em um colar.

— O que é isso tudo? – Eu não conseguia raciocinar direito sobre o que acabara de acontecer, mas eu estava salva.

— Se apresse. Esses senhores lá fora logo não irão mais se conter. Liss, fez um bom trabalho, agora você pode finalmente conseguir. – Kiriel olhava para Liss com olhos de consolo, a garota olhava para mim trazendo uma túnica para que eu pudesse me vestir, demorei para me levantar, mesmo com as pernas moles me apoiei em Liss, juntas começamos a andar por um corredor que ficara no fundo daquela sala, aparentemente era uma saída secreta que ficara atrás de umas prateleiras de ferro maciço. Minha visão as vezes era tomada pela escuridão e pelo cansaço físico e mental, eu tentava andar apoiada nos braços de Liss que era menor que eu e fazia esforço para conseguir me suportar, me senti mal pela garota mas eu realmente estava em choque para conseguir me mover. Passamos por corredores úmidos cheio de ratos e baratas, senti que pisei em alguma gosma e em várias pedras no caminho, Liss havia me dado uns sapatos mas não eram nada confortáveis, quando me dei conta comecei a ouvir vários sons de gritos e explosões que pareciam vir de onde estávamos, Kiriel tinha ficado pra trás, não sabia qual era a intenção do senhor mas ele provavelmente estava matando mais pessoas.

— Vai ficar tudo bem, Kiriel é forte. – Liss sorria tentando me acalmar, aquela garota que estava no meio daqueles psicopatas não parecia ser mesmo uma pessoa ruim. Era ela que tinha me salvado na primeira vez e me salvava agora novamente. Não acreditei que havia saído daquela situação eminente de morte.

— Onde estamos indo?

— Você vai sair daqui, Livia, eu e você vamos. – Liss continuou a caminhar me carregando até chegarmos em uma pequena sala com várias tochas espalhadas pelas paredes ladrilhadas, havia uma mesa retangular em seu centro, ela tinha uma toalha branca toda manchada de sangue, foi quando percebi que Liss havia parado de andar, tentei olhar para frente e só vi um vulto acinzentado, Liss me colocou encostada na parede e quando me dei conta, haviam uns grunhidos estranhos na sala.

— Acho que isso não estava nos planos. – Tentei abrir mais meus olhos, tudo parecia nebuloso, como se fosse um sonho, Liss parecia atenta e em posição de combate, ela segurava um livro vermelho em mãos, tentei olhar para o fundo daquela sala e percebi que haviam algumas pessoas em pé, não... não eram pessoas, quando me dei conta, vi que aquelas coisas paradas com facas em suas mãos eram esqueletos, alguns com pedaços de carne pelos ossos, outros faltando braços e pernas, mas se mantinha em pé parecendo ter consciência.

— Liss... – Tentei me levantar mas meus joelhos doíam, a garota em minha frente recitou algumas palavras que também não entendi, e no ar, vários feixes de luz rubros acertaram duas daquelas criaturas fazendo seus ossos se espalharem. Havia outras sete que avançaram logo após o ataque de Liss.

— “Imundis Laczinu”. – Liss virou algumas páginas do seu livro e cortou parte da sua mão deixando o sangue cair em uma das páginas, uma das caveiras chegou a ficar na frente da garota, mas vários feixes de luz atingiram a criatura ao mesmo tempo fazendo seus ossos voarem por todos os cantos. As outras caveiras recuaram mas Liss apertou a ferida que havia feito em sua mão e fez cair mais sangue sobre as páginas, vários feixes de luz da mesma cor surgiram por cima das caveiras e as perfuraram, uma delas ainda ficou em pé e atingiu Liss no braço esquerdo fazendo um corte superficial, a garota aproveitou a jogou o sangue do machucado em cima daquelas páginas do livro e no mesmo instante uma lança de luz arremessou o esqueleto para longe.

— Não... Tem outro? – Liss recuou e viu que mais caveiras surgiram da porta do outro lado. Aquilo era tudo muito bizarro, por um lado parecia mesmo um jogo, a maneira como os monstros apareciam, todo aquele contexto e cenário tenebroso, por mais que eu me negasse a acreditar, a dor que sentia era real, eu não podia apenas ficar ali parada. Do nada comecei a ter lembranças que pareciam ser de momentos antes de eu acordar naquele mundo, eu estava no metrô chorando, o que havia acontecido? Por que eu senti aquela angústia?

— Liss, não podemos apenas morrer? Não quero mais continuar. – Eu tinha a esperança de que se morresse poderia voltar ao normal, rezava para que tudo fosse mesmo um jogo e quando morresse, eu voltaria onde eu estava, naquele vagão, angustiada, pensando em me matar, me culpando pelo pecado que havia cometido.

— Não desista, você chegou até aqui por um motivo! – Liss fez mais um corte em sua mão que já sangrava muito, o sangue escorria pelo livro e caía no chão, ela parecia sentir muita dor, mas recitava as mesmas palavras fazendo os feixes de luz arremessarem as caveiras, vários ossos voaram em minha direção, mas elas não paravam de aparecer, parecia que quanto mais matava, mais surgiam.

— Quero apenas fazer alguma coisa... – Tentei me equilibrar para ficar em pé, consegui por um instante e abri bem meus olhos, estava com dor das chibatadas que recebi, mas a raiva que tomava conta de mim também me fazia querer ter alguma atitude, peguei um pedaço de osso que estava caído ao meu lado e parti pra cima de uma caveira que vinha com uma faca quebrada na direção de Liss, eu usei todas as forças que tinha no momento e bati o osso fazendo com que a caveira caísse no chão, outra havia vindo pra cima de mim, me virei e segurando o osso com as duas mãos tentei derrubá-la, mas esse golpe pareceu não afeta-la, o esqueleto me segurou nos ombros e me jogou contra a parede.

— Livia! – Liss estava cercada mas continuava a derramar o sangue no livro que já estava totalmente coberto com o líquido vermelho escuro. Os esqueletos tomaram conta da sala toda, não paravam de entrar, felizmente o que me prensava contra a parede não tinha nenhuma arma, mas ele com sua caveira tentava me morder, eu segurava em seus ossos tentando afastá-lo, outros dois vieram para cima também, alguns deferiam golpes com seus ossos, foi quando eu ouvi Liss proferir ‘Vindictus Argorius’ e segundos depois, eu estava sendo elevada por uma rocha, fiquei a dois metros daquelas caveiras suspensa em um bloco de terra, por pouco minha vida havia sido salva novamente por aquela garota, Liss também conseguiu fazer uma coluna que a suspendesse, ambas olhamos uma para a outra enquanto várias caveiras se juntavam ao ponto de não conseguirem se mover, elas não paravam de aparecer.

— Liv, escuta, você precisa se segurar o mais firme que conseguir. – Liss olhou para baixo e se agachou segurando naquela rocha que a mantinha suspensa, eu fiz o mesmo sem questionar, vi por baixo uma explosão vindo em direção às caveiras, elas foram jogadas para longe, olhei por cima da fumaça que se espalhou por aquela sala e vi figuras na minha frente que eram familiares. Os encapuzados que estavam na sala anterior estavam todos ali, ao menos os seus corpos. Liss era a que estava revivendo aquelas pessoas desde o começo, ela havia feito tudo aquilo naquela sala. O homem de cabelo de tigela segurava uma espada longa, ele foi cortando vários esqueletos com uma força surreal, aos poucos aquela sala parecia ser limpada.

— Eu não vou aguentar por muito tempo. Para invocações desse tipo preciso do sangue de outra pessoa, foi graças a você que consegui, me desculpe por ter usado seu sangue, Liv. – Liss sorriu enquanto concentrava seus olhos nos mortos vivos que derrotavam as caveiras até não sobrar mais nenhuma por lá. Liss desfez as rochas suspensas e descemos, eu estava com medo daquelas invocações, mas ao mesmo tempo que pisamos no chão, aqueles corpos caíram no chão sem se moverem mais.

— Será que acabou?

— Estamos em uma masmorra, é o único meio pra sair dessa fortaleza, duvido que tenha acabado, mas se eu estiver certa, se subirmos ali, vamos encontrar algumas pessoas. – Liss apontou para cima, eu via no final daquele teto pedregoso uma pedra achatada que parecia com uma escada. Ao mesmo tempo ela fez vários pilares na parede que davam até o topo. Subimos sem pensar e nos deparamos com uma área mais ampla na parte de cima, havia uma sala com vários móveis antigos cheios de teias de aranha e muito mofo e poeira, alguns baús velhos e umas caixas abertas com algumas ferramentas, as luminárias estavam apagadas e havia uma mesa no final da sala arredondada, comecei a sentir calafrios e o cansaço voltou a me dominar depois daquele momento de adrenalina, me sentei em uma daquelas cadeiras velhas e Liss pegou alguns trapos para colocar em alguns ferimentos que eu havia recebido, principalmente das chicotadas que agora começaram a doer demais.

— O efeito da droga tá passando, vai doer um pouco mas preciso que aguente.

— Me diga, o que aconteceu? Por que vocês fizeram aquilo? O que era aquela seita? Por que eu?

— Sei que tem muitas perguntas, já peço desculpa por tudo que passou. Estou há muito tempo já pretendendo isso, mesmo sabendo que as chances de sobreviverem são baixas. Eu vim parar aqui por coincidência, assim como você. De início fui muito bem tratada, parecia realmente um refúgio para pessoas boas que lutavam contra os monstros desse mundo, mas aos poucos fui percebendo a verdadeira intenção deles. Kiriel é o líder do lugar, mas ele já planejava acabar com tudo há muito tempo. Essa fortaleza é adepta a Deusa Karen, uma divindade que iria reencarnar nesse mundo, mas para tanto, ela precisa de um receptáculo perfeito, uma virgem ou uma pessoa escolhida para tal, e há muito tempo existiu uma profecia que uma mulher viria para ser a escolhida para receber Karen, desde então essa seita vem pegando todas as mulheres ‘transportadas’ para esse mundo. Eu mesma fui uma delas, mas com a ajuda de Kiriel, consegui ser um dos membros do grupo, mesmo tendo que passar por coisas horríveis. Eu matei muita gente, Liv, fiz muitas mulheres sofrerem. Antes de trazermos elas pra cá dávamos um jeito de matar os homens. Aqueles goblins que nos deparamos no começo, fui eu que os atrai. Levamos Ângela primeiro porque sabíamos que ela não era a escolhida, mas você ainda tinha chances, você é nova e me pareceu uma pessoa boa. As mulheres eram testadas como você pode ver, com aquelas perguntas e chibatadas, Ângela não durou muito tempo, mas pretendíamos fazer nossa ‘revolução’ na sua vez, eu não podia te deixar morrer, de forma alguma.

— Mas por que eu? Por que não fizeram isso antes? – Meu sentimento naquele momento era uma mistura de nojo e gratidão para com a garota em minha frente, ela cuidava delicadamente dos meus ferimentos, mas ao ouvir sua história, não pude deixar de ficar com medo, ela deve ter passado um bom tempo torturando e matando mulheres em prol de uma seita maligna.

— Você tá se perguntando por que demoramos né? Só era eu e o Kiriel, ele havia fundado aquela seita há 20 anos no intuito de trazer a deusa Karen mas de uma forma que não usássemos de violência ou que precisássemos matar ninguém, no começo apenas testávamos as mulheres e as libertávamos, mas aos poucos os seguidores foram mudando sua ideologia e foi-se criando uma teoria de que qualquer uma podia ser o receptáculo de Karen, já que estava demorando tanto para ela voltar, eles supuseram que poderia ser qualquer uma, mas essa pessoa precisaria passar por um rito de flagelação e tortura e responder perguntas do seu passado. Todas elas em algum momento se demonstravam impuras e a seita acabava as matando, esse ciclo foi se repetindo até o momento, eles apenas usaram essa desculpa para poderem matar e torturar livremente, eu e Kiriel estávamos presos a isso, pensamos em vários jeitos de acabar com tudo, mas há vários magos poderosos na fortaleza e alguns guerreiros sobre humanos como o próprio Castiel. Se lidássemos com eles diretamente, morreríamos. Kiriel é forte como você pode ver, mas ele e eu não aguentaríamos todos, foi então que essa oportunidade surgiu, quando eu disse pra Kiriel que você era a escolhida, ele decidiu dar sua vida para nos salvar, e agora cabe a mim te guiar para fora daqui. Aliás, aqueles que morreram na sala eram um dos mais fortes da fortaleza.

— E você acha que sou a tal dessa escolhida? O que fará comigo?

— Obviamente eu menti, mas não menti quando disse que vi algo diferente em você. Você não é o receptáculo de Karen, mas você pode ser uma das 7.

— Uma das 7?

— Acho que essa é uma história que ela pode ouvir depois loirinha. – Repentinamente, atrás de nós naquela sala, surgiu um homem com uma boina e umas roupas bem chamativas, ele fumava um cigarro todo despreocupado, do lado do mesmo havia um rapaz baixinho, parecia ter uns 40 anos e andava emburrado, na verdade, ele parecia mais um anão (?) E no fundo percebi que tinha uma mulher, mas ela não havia dado as caras.

— Remer! Vocês demoraram. – Liss parecia feliz, ela respirou fundo aliviada.

— Tivemos que limpar alguns guardas que vocês atiçaram, meu, tu não disse que seria mais de boa? Puts. – O rapaz fazia uma cara de desgosto enquanto tragava seu cigarro, o anão ao seu lado parecia cada vez mais emburrado.

— Vamo para de papo e cair fora.

— Ingo, obrigada por vir. Liv, esses aí eram prisioneiros aqui, eu e Kiriel os libertamos há umas duas semanas, foi graças a ele também que decidimos colocar nosso plano em prática, eu e Kiriel os mantivemos em segredo até que encontrássemos uma brecha, desde então acho que eles tão por aí sobrevivendo.

— E você fala isso como se fosse de boa sua maldita? Tsc – Remer resmungou enquanto parecia furioso com Liss, de alguma forma a presença daquelas pessoas me faziam sentir aliviada e com esperança de sair daquele lugar, o anão carregava uma marreta que parecia bem pesada e toda cheia de detalhes com alguns desenhos de criaturas que não reconheci, Remer usava umas lâminas em sua cintura, pareciam adagas curvadas, a mulher que estava atrás se revelou, ela tinha cabelos ondulados e castanhos, seus olhos eram bem frios, ela carregava um cetro em sua mão e não parecia do tipo de pessoa que falava muito, era um grupo um tanto peculiar, mas não pareciam pessoas ruins.