Wildest Dreams
1 "Heaven can't help me now"
Notas iniciais
Lily Luna Potter sentia a respiração do rapaz, ir e vir, calmamente. Ele dormia em sono pesado enquanto ela estava deitada em seu peito, acordada a noite toda, com os olhos vermelhos borrados e sonolentos. Pequenas lágrimas brilhavam nos olhos castanhos da ruiva, molhando o tórax de Luke Zabine, enquanto ele não podia nem sonhar com o que se passava na cabeça da menina.
Ela sabia que aquilo era errado. Errado com sua família, com ela e, principalmente, errado com Luke.
Certa vez, ele havia sugerido que fugissem, sumissem do mapa, longe do caos e de todos que os queriam mal. Mas quem iria desejar o mal de Lily Potter? Ela ria do modo como ele, o menino que sempre usava bastante o lado racional do cérebro, estava se deixando levar pelas emoções, buscando aventuras e uma paixão insana.
Já Lily, que era a emoção da relação deles, sabia que queria aquilo, queria fugir com Luke, ser feliz bem longe dos olhares alheios. Entretanto, tinha medo. Ela sabia que nada durava para sempre, por mais que tentassem, e que Luke poderia partir o coração dela facilmente, bastava querer. Ela sabia que seu pequeno e frágil coração mimado, estava nas mãos dele, e que nem os Anjos e Arcanjos poderiam ajudá-la naquele momento. Não agora, não mais.
Luke não era do tipo que se apaixonava. Era racional demais para isso, um sentimento que só faz as pessoas sofrerem. Deveria ser considerada uma coisa ruim, não? Já vira sua mãe sofrer por amor, seu pai chorar pelo mesmo. Mas com Lily era diferente. Ela parecia ter sido feita sob medida para ele, encaixando-se perfeitamente entre seus braços musculosos, ficando com a cabeça apoiada em seu peito enquanto ele sentia o cheiro inebriante de seus cabelos. E que cheiro! Tudo em Lily parecia convidá-lo a se aproximar. Desde seu cheiro sensual e meigo, ao sorriso travesso e às curvas acentuadas. Ele não era mais o predador que convida a sua presa. Ele era a presa.
Lily era uma romântica incorrigível. Crescera cercada pelo amor dos pais, tios e avós. Tudo no amor era lindo, e ela não sabia como um sentimento tão lindo pudesse fazer tantos estragos. Não antes de conhecer Luke. Ela não sabia como o amor podia ser tão errado, até conhecer e se apaixonar por Luke. Ele era maravilhoso, porém era quatro anos mais velho, inimigo dos seus irmãos (uma rixa de colégio que ela não conhecia e nem queria conhecer) e um tanto frio, misterioso. Mas Lily sabia que, com ela, a história mudava. Ele era mau, mas com ela, ele era perfeito. Ela sabia que, quando ele passava os braços ao redor dela, deixando-a se encaixar perfeitamente em um abraço, não existia mais Luke Zabine, o badboy pegador de Hogwarts e nem Lily Potter, a princesinha de Harry Potter. Eram apenas Lily Luna e Luke, os dois que não sabiam nada sobre amor.
Certa vez, ele a ouvira dizer: ninguém precisa saber o que nós fazemos. Na época ele riu, reparando em suas roupas jogadas no apartamento dela e em suas mãos perdidas no emaranhado ruivo que era o cabelo da menina. O corpo dela se encaixava tão perfeitamente ao dele, que era fácil ficar ali para sempre. Nus e juntos.
Depois do sexo, Lily geralmente dormia em cima de Luke, sem roupa, com os cabelos suados e rosto corado. Mesmo sendo após um ato nada inocente, Luke conseguia ver a beleza, a inocência de criança que Lily fazia questão de esconder. Para ele, não existia nada mais puro e lindo do que aquela simples visão angelical.
Lily se lembrava de tê-lo ouvido rir após a sugestão de não contar a ninguém o que eles tinham. Mas o que eles tinham? O sexo era bom ótimo, Lily diria, mas era apenas isso. Eles conversavam bastante, mas nada sério, nem muito relevante. Na verdade, quem falava mais era a ruiva, sempre contando alegremente como fora seu dia, enquanto o moreno a observava com um sorriso discreto. Sempre de poucas palavras. Mas a voz dele era algo que a menina nunca confundiria ou esqueceria. A voz de Luke era música pros ouvidos de Lily. Desde o “Potter” educado que ele dirigia a ela na presença dos outros ao “você é maravilhosa, Lily” ofegante enquanto caía na cama, depois de mais uma sessão de sexo.
Luke sabia que aquilo não duraria para sempre, afinal, nada dura. Ele olharia para traz e veria tudo de novo, um dia. Mas era muito cedo para ficar se prendendo á memórias futuras. Ele agora, se preocupava mais em guardar as imagens que lhe eram proporcionadas. Lily e ele enroscados na cama, pegando fogo, se completando como um quebra-cabeça de duas peças, de dois corpos. Lily gemendo seu nome, Lily sorrindo e Lily ficando vermelha de cansaço e vergonha. No futuro, ele sabia, suas memórias seriam cheias de Lilys e suas várias fases. Não só na cama, mas em todos os momentos, desde que começara a ver a menina como mulher.
Lily soluçou, sentindo mais e mais lágrimas a caminho. Ela sabia que não deveria fazer aquilo, mas estava decidido, nada mudaria sua opinião.
Levantou-se lentamente da cama, com cuidado para não acordar Luke, tomou um banho rápido, refez a maquiagem e arrumou os cabelos flamejantes. Estava impecável.
De frente ao espelho, com os cabelos vermelhos contrastando com a pele branca e com a lingerie preta rendada, Lily se encarou. Os pés pequenos, as unhas cor de café. As pernas lisas e brancas, a cintura fina, a barriga, os seios pequenos e de volta a barriga lisa. Manteve o olhar ali, sentindo uma nova enxurrada de lágrimas ameaçarem embaçar sua visão. A barriga estava pequena, lisa, como sempre foi.
Lily não conseguia se imaginar com a barriga maior, com os seios cheios e nem com os pés inchados. Lily não conseguia se imaginar grávida. Mas estava. E ninguém poderia saber disso.
Secando as lágrimas, com cuidado para não estragar a maquiagem, a ruiva procurou um vestido no armário. Achou um bonito. Florido, simples e inocente. Luke gostaria de vê-la naquele vestido. Mas ele já havia visto a ruiva de tantas maneiras, com tantas roupas e até mesmo sem roupas, que Lily duvidava que ele se prendesse a isso.
Como estava enganada.
Luke reparava em cada pedacinho de Lily. Saberia dizer onde ficava cada cicatriz e cada sardinha acentuada. Ele sabia descrever a cor dos olhos dela, desde o castanho chocolate até as pintinhas verdes. Luke era especialista em Lily.
E por ser tão especialista que ele já sabia o que estava acontecendo, antes mesmo da ruiva descobrir. Ele sabia que Lily estava grávida, só esperava o momento em que ela contaria a ele.
Acreditou que seria na noite anterior, quando Lily ligara às dez da noite, pedindo para que se encontrassem. Mas quando entrou no apartamento e viu a ruiva lhe esperando com uma taça de vinho nas mãos, em uma lingerie vermelha, e lhe olhando provocante, Luke soube que não iria ser naquela noite.
Como estava enganado.
A intenção de Lily nunca fora contar. A intenção de Lily era esconder.
— Prometa que se lembrará de mim, Luke. Com os lábios vermelhos e as bochechas rosadas, olhando o nascer do sol com você. – A ruiva sussurrou, depositando um singelo beijo nos lábios do rapaz ainda adormecido.
Nos sonhos de Luke, ele e Lily estavam felizes.
Doces sonhos, realidade amarga.
Lily estava pronta. Olhou-se no espelho, a imagem se mostrava temerosa, mas a ruiva não desistiu.
Certa vez, ele havia sugerido que fugissem, sumissem do mapa, longe do caos e de todos que os queriam mal.
Era esse o plano. Sumir do mapa, para longe do caos.
— Vamos nos ver novamente, Zabine. Nem que seja nos seus sonhos mais selvagens.
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