Wildest Dream
1 So, wanna date?
Fleur conheceu Bill Weasley quando ela ainda estava no primário. Era colega de Percy, um dos vários irmãos que o rapaz tinha e por conta disso acabou desenvolvendo uma certa amizade com ele. Por ser sete anos mais velho, o rapaz a protegia como se fosse uma irmã mais nova, como fazia com Ginevra.
A loira sempre foi falante e isso cativou Bill desde sempre, já que por ser o mais velho dos irmãos caía sobre ele a responsabilidade de ser sério. Sua pequena flor, como ele gostava de chamar, estava sempre espalhando sorrisos por onde quer que passasse e seu coração aquecia ao ver aquela menininha de aparência frágil proteger seu irmão dos garotos mais velhos, que insistiam em insultar Percy e chama-lo de pobre.
Com o passar dos anos o laço que unia os dois foi ficando mais forte e ela acabou se tornando uma parte importante da família, como Molly Weasley gostava de dizer.
Mesmo depois de mais velhos continuaram amigos e sempre que podiam estavam juntos, até quando tudo parecia um caos. Bill estava trabalhando em Gringotts, um importante banco presente no centro de Londres e Fleur terminava o curso de artes cênicas na faculdade, que era seu sonho desde jovem.
A garota estava realizada e feliz consigo mesma por ter conseguido o que tanto queria mas ainda assim sentia falta de uma coisa, ou melhor, alguém. Não era segredo para ela que seu carinho por William era mais que um simples sentimento de amizade, era amor. O mais lindo e puro amor.
E isso a deixava confusa.
Já tinha vinte e quatro anos de idade e ainda se sentia como uma criança boba perto dele, tropeçando nas palavras e corando feito um tomate. Havia passado da hora de declarar seus sentimentos e ela sabia disso também, mas não conseguia imaginar que reações isso desencadearia. Poderia perder seu melhor amigo e sinceramente, Fleur não estava preparada para isso.
Era véspera do aniversário de Percy e ela iria se juntar na comemoração com a família e amigos do rapaz, porém ao contrário dos demais convidados, estava escalada também para ajudar nos preparativos e com isso, acabaria passando a noite na casa do garoto.
E talvez fosse essa a chance que Fleur tanto esperava. Bill estaria lá e seria fácil falar com ele.
Ou não, já que teve uma surpresa ao estacionar seu SUV na entrada da garagem dos Weasley. Bill realmente estava lá, mas não estava exatamente sozinho.
[...]
— Então quer dizer que você é colega de Bill, querida? — perguntou Molly, a matriarca Weasley — Ele fala muito em você.
A mulher, Angelina Johnson, sorriu e balançou a cabeça em afirmação. E então Fleur percebeu o quão linda ela era, com a pele de aparência macia e os cabelos volumosos e bem cuidados. Parecia fazer Bill feliz, já que ele sorria quando seus olhos encontravam os castanho escuros dela.
Fleur não tinha nenhuma chance e isso estava claro como água.
— Trabalhamos no mesmo setor e acabamos nos tornando grandes amigos, é bom ter alguém para conversar enquanto se passa muito tempo em um banco — brincou Angelina, encarando Delacour com um sorrisinho nos lábios — E você deve ser Fleur? Bill me contou sobre como era linda, ele tinha razão.
A loira sorriu de forma estranha, mordendo os lábios antes de responder. Sentiu as bochechas ficarem quentes ao notar todos os olhares direcionados para si.
— Uh, sim — deu de ombros — Ele nunca falou de você... — pigarreou, se batendo internamente por ter sido rude — Obrigada.
Bill riu baixinho e passou o braço pelos ombros de Angie, ato que não passou despercebido por Fleur, que se sentiu murchar mais um pouco.
— Não sabia que viria hoje Flor, veio ajudar meu irmão com a decoração? — perguntou o Weasley mais velho, realmente interessado.
— Ginny me chamou, ela precisa de ajuda com balões e um esqueleto — suspirou de forma dramática — Não me perguntem a razão do esqueleto.
— Ginevra gosta de coisas diferentes — brincou Arthur, que havia chegado do trabalho. Estava confuso em ver todos eles conversando do lado de fora da casa — Estão todos aqui fora por qual motivo? Não me diga que fomos infestados com cupins outra vez, Molls.
A ruiva riu e bateu no marido com a colher de madeira que tinha nas mãos.
— Francamente Arthur — disse alto, fazendo o marido se encolher — As crianças chegaram agora e eu apareci para atender a porta, já que seus filhos parecem esquecer a vida ao redor quando estão muito ocupados naquele vídeo-game. Avisei que não era para dar-lhes aquilo de presente, mas você não me ouviu! — bufou, abrindo mais a porta para que todos pudessem passar — Entrem queridos, vou chamar o restante dos meus filhos ingratos. GEORGE, FRED, RONALD E GINEVRA WEASLEY EU QUERO VOCÊS AQUI EM CINCO MINUTOS OU PODEM DAR ADEUS AOS PASSEIOS NO MEU CARRO!
— Credo mãe, que gritaria é essa? — perguntou um Percy assustado, que descia as escadas de maneira lenta — Achei que Charlie havia chegado, mas é apenas Bill — provocou, dando a língua para o irmão.
— Vou lembrar disso, irmãozinho — estreitou os olhos, rindo — Trouxe uma amiga.
— Essa não é a...? — disse Percy, confuso.
Angelina e Bill riram ao mesmo tempo, fazendo Fleur olhar para o chão. Eles eram um casal tão conectado.
— Seu irmão me convidou para a sua festa, espero não incomodar. — brincou, piscando para o Weasley mais novo presente na sala.
— Tudo bem — sorriu, piscando de volta — Vamos lá Fleurie, você precisa me ajudar com algumas coisas.
E com isso Fleur e Percy subiram para o quarto do garoto, mas o coração da garota continuava pesado.
[...]
A festa de aniversário havia saído como o planejado e Percy, o aniversariante, estava tão feliz quanto Ginny, que sorria para todos graças ao sucesso de sua celebração. O esqueleto estava perto da porta e acabou servindo como um cabideiro improvisado, cheio de casacos e chapéus e o enorme balde de doces estava perto da mesa da cozinha.
Era quase um Halloween, mas sem fantasias. Ginny anotou aquela ideia para usar no próximo ano.
Poucas pessoas ainda estavam na casa dos Weasley, já passava das três da manhã e a maioria dos convidados precisou ir embora cedo. Menos Fleur, que estava abraçada em uma garrafa de cerveja enquanto ouvia George exaltar Angelina.
Pela quinta vez naquela noite.
— Você viu como os cabelos dela são brilhantes? — perguntou George, sorrindo feito um bobo apaixonado — Os olhos dela são-
— Acho que vou vomitar — exclamou Fred, jogando seu corpo no sofá ao lado do irmão e da amiga — Mas antes preciso dar um recado para Fleur, seu querido Bill está te esperando no jardim dos fundos.
E essa era a oportunidade de fugir do amor platônico de George pela namorada do irmão.
A moça agradeceu ao ruivo e seguiu seu caminho até o jardim florido, era um belo lugar e a senhora Weasley cuidava dele como se fosse um de seus filhos. Suspirou quando o ar fresco bateu em seus cabelos, afastando os fios lisos do rosto e abriu a boca para chamar por Bill, mas interrompeu-se ao encontrar o homem conversando avidamente com Johnson, que sorria.
Escondeu seu corpo pequeno na escuridão e ficou esperando. Ela não sabia bem o que, mas sabia que precisava ver algo. Talvez para entender que Bill nunca seria dela e que seu coração precisava se acostumar com a ideia de estar sempre vazio.
Ela perdeu a chance quando a teve nas mãos e agora Angelina tinha o seu amor na bandeja. Além de ter George apaixonado por ela também.
A vida era injusta as vezes.
— Então você aceita namorar comigo? — perguntou o ruivo, esperando atentamente pela resposta da mulher que estava em sua frente.
— É claro que sim, achei que nunca iria perguntar. — brincou, rindo quando ele sorriu e fechou os olhos.
Fleur sentiu seu peito doer e tapou a boca com uma das mãos, engolindo o choro. Saiu daquele lugar o mais rápido que conseguiu, torcendo para que o novo casal não a tivesse visto e esgueirou-se entre os poucos convidados presentes na pequena sala da família. Acabou batendo no corpo de Viktor, um amigo em comum que fazia intercâmbio na mesma faculdade que ela cursava, e tentou sorrir, se desculpando.
Não podia ir para sua casa ou todos achariam muito estranho, por mais que fosse aquela sua vontade. Ela não poderia perder Bill, mesmo que seu coração não fosse dela... pelo menos sua amizade era.
Correu para o quarto de Percy e sentou na cama do garoto, respirando fundo algumas vezes para então voltar para a sala e fingir que estava tudo bem. E provavelmente parabenizar o casal.
Ela conseguiria fazer isso, qual é.
[...]
Vinte minutos se passaram até que uma batida leve soou na porta de madeira branca, tirando a loira de seus pensamentos.
— O quarto é seu Percy, pode entrar — grunhiu, fechando os olhos ao acomodar melhor seu corpo na cama pequena — Já vou descer, só me senti um pouco... tonta.
— Você pode até enganar Percy com essa história, Flor — murmurou uma voz grossa que ela conhecia muito bem — Infelizmente sou sua alma gêmea e sei que isso é mentira.
A garota pulou rapidamente na cama, ajeitando a roupa amassada e abrindo os olhos assustada. Bill Weasley estava de braços cruzados a observando atentamente, como se soubesse seu mais profundo segredo.
Ela torcia para que ele não soubesse.
— Merda, Billiam, você me assustou — tentou brincar, chamando o homem pelo apelido de havia dado a ele quando tinha dez anos — O que houve?
— Procurei por você lá em baixo, me falaram que você subiu e parecia ter chorado — explicou, sentando-se ao lado dela — Resolvi te procurar.
Bill arqueou a sobrancelha e piscou os olhos, sorrindo levemente.
— Só senti saudades da França? — respondeu, o tom de pergunta denunciando sua óbvia mentira — Uh, sei lá.
— Fleur, você sabe que pode contar tudo para mim — levou os dedos calejados até o rosto dela, fixando seus olhos aos dela — Sempre foi assim e sempre vai ser, o que realmente aconteceu?
Fleur Delacour suspirou e tomou a coragem que precisava para enfrentar aquela parte de sua vida, só estava torcendo para que Bill não a odiasse.
— Vi você e Angelina juntos, você estava pedindo ela em namoro e eu — suspirou — Eu te amo, Bill? Não consigo imaginar minha vida sem você e, droga, queria estar no lugar dela? Eu deveria estar ali — murmurou, sem perceber que Weasley estava sorrindo como se tivesse ganho na loteria — É difícil ter que lidar com isso, entende? Não quero te perder, pelo menos não sua amizade já que o seu-
O monólogo de Delacour foi interrompido quando os lábios macios de William chocaram-se com os dela, em um beijo calmo e sem pressa. Mágico e único, assim como era o rapaz aos olhos da menina.
Sua felicidade por aquele momento durou pouco, no entanto. Sentia-se péssima por estar fazendo algo daquele tipo quando ele estava namorando outra mulher. Afastou-se dele e ergueu os olhos azuis que estavam quase translúcidos devido as lágrimas não derramadas.
— O que aconteceu, Fleur? — perguntou preocupado, acariciando os fios claros — O que você viu não foi verdade, querida. Não pedi Angie em namoro, estava ensaiando para fazer isso com você. Do jeito certo.
— O que? — exclamou incrédula — Não minta para mim, William Weasley.
— Nunca faria isso com você, Flor — murmurou, colando os lábios na testa dela antes de sorrir, sincero — Angie e George são namorados, ela é minha amiga e colega de trabalho.
— Eu... eu não estou entendendo — sussurrou a garota, piscando os olhos rapidamente.
— Eu te amo Fleur e quero ser seu namorado, quero estar com você sempre e acordar sentindo seu corpo junto ao meu. Tenho sentindo coisas por você desde que você completou dezoito e fomos naquela festa, senti ciúme ao te ver dançando com aquele cara — confessou, fazendo uma careta — Você merece o melhor do mundo e não sei se posso dar isso, mas posso te oferecer o melhor de mim, se for o suficiente. Então, quer namorar comigo?
Fleur riu e chorou ao mesmo tempo, era uma bagunça de sentimentos e sorrisos.
As coisas nunca saíam como ela imaginava e o que parecia um enorme desastre acabou se tornando algo que a fez feliz. Fleur amava Bill e ele a amava de volta.
— Todo mundo sabia? Sobre essa sua ideia e Angelina? — perguntou, depois de aceitar o pedido do homem e receber um beijo apaixonado.
— Bem... talvez? — sorriu, sentindo o corpo de sua namorada balançar com o ataque de risos que eclodiu dela — O que é tão engraçado?
— George ficou falando o quanto Angie era linda e eu pensei — Fleur riu outra vez, coçando os olhos — Pensei que ele estava apaixonado por sua namorada, sendo que na verdade, era a namorada DELE.
Bill riu com ela, balançando a cabeça em negação.
— Isso foi engraçado — concordou, puxando o corpo dela perto do seu — Mas precisamos descer antes que o furacão Ginny invada o quarto procurando você — provocou, deixando um pequeno beijinho na ponta do nariz de Delacour — Eu te amo, minha pequena Flor.
— Eu também te amo, Billiam — sorriu, sentindo-se novamente em casa.
A vida era realmente um sonho louco.
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