Wildest Dream
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem e comentem :)))

Enquanto corria eu pontei e disparei os ganchos de agarrar na direção do titã. Para ser mais exato, eu mirei no seu rosto sujo e nojento, e acertei a testa rígida do monstro em minha frente. O mecanismo de gás a bobina ativou e me impulsou na direção do titã de quinze metros que estava descontrolado. O DMT me puxou com facilidade e eu me desloquei até ele. A primeira coisa que fiz foi pisar em seu nariz com minha bota para me apoiar, e a segunda foi retirar a lâmina e fincar em sua pele resistente para poder recolher os cabos de aço.
Eu podia ouvir os gritos irritados dos líderes lá debaixo, guiando ordens para os seus subordinados, contudo eu apenas fitei de modo sério os olhos verdes e sanguinários em minha frente que me encaravam. Eu não sabia dizer se Jaeger iria me atacar, pois aparentemente ele apenas estava lá, bufando fortemente enquanto me olhava. Por alguns segundos tudo ficou em silêncio, e eu quase pensei que Eren-titã não faria nada. Felizmente eu consegui lançar os ganchos de aço e acionar o gás antes que ele me esmagasse com o seu punho. Pelo menos deste modo ele havia se atingido, se desequilibrando e ferindo seu rosto.
Eu não saberia dizer se a Tenente Hanji era realmente estúpida assim ou se ela se esforçava para isso. Talvez a culpa não fosse inteiramente sua, e sim fosse parcelada com Eren Jaeger, que aceitou aquela situação de modo submisso. Quando a tenente pedira para estudar o garoto, não esperavam que quando ele se transformasse em titã, ele conseguiria escapar do poço e ficar descontrolado.
O Capitão Erwin me mandara fazer Eren recobrar a consciência, e o único modo de isso acontecer era retirando ele dentro daquele titã. Assim como eu havia planejado para momentos como este, eu iria cortar os seus membros fora, já que eles cresceriam novamente.
Meus olhos cinzas fitaram o monstro se afastar enquanto fumaça saía de seu punho e rosto, que se regeneravam rapidamente. Eu encaixei outro par de lâminas e desta vez disparei apenas um gancho na parede de uma estrutura para obter uma maior dinâmica. Eu corri e o DMT me puxou. Já no ar, eu usei os músculos do pé oposto do gancho que me segurava para ter equilíbrio, e assim eu me desloquei em direção a Eren, que já havia se recuperado por completo. Apertei fortemente as lâminas e recolhi os cabos de aço, me jogando em direção as costas dele. O tempo pareceu parar como sempre acontecia quando matava um titã, porém daquela vez eu me sentia diferente. Eu não iria mata-lo, eu apenas precisava impedi-lo do descontrole. Apesar de saber as exatas dimensões para não feri-lo fatalmente, senti certa tensão. Afastei essa sensação e preparei as minhas lâminas.
O titã gritou quando eu atingi suas costas e cortei sua nuca. Lancei os cabos mais uma vez e finalmente cheguei ao chão com facilidade, onde pude observar Jaeger de longe. Eren caiu no solo com um baque, incapaz de mover qualquer músculo do titã. Poeira voou por todo lado, e eu desviei o olhar por um segundo. Ele conseguia fazer bagunça até mesmo quando eu tentava o impedir.
Quando finalmente o silêncio dominou, e a única coisa que podia ouvir era minha própria respiração, soube que havia acabado. Minha sobrancelha arqueou levemente e eu dei um passo em frente, pronto para disparar os ganchos e ver se eu havia matado Jaeger ou não. Porém, antes de eu lança-los, eu vi Mikasa se aproximar pelo ar e cair majestosamente nas costas do titã. Eu fechei minha mão em um punho e recuei o passo que havia dado. Ela se ajoelhou rapidamente na nuca a procura de Eren. Não soube explicar o porquê, contudo fiquei lá parado, á espera de ver a reação de Mikasa perante aquilo. Não conseguia visualizar sua face com nitidez, entretanto pude ver quando ela puxou o garoto perto de si e o abraçou, o retirando dentro do titã.
Por um milésimo de segundo eu não consegui me segurar e deixei a minha boca entreaberta com o que consegui ver. Mikasa se sujou toda com o sangue de Jaeger quando o segurou, e então eu percebi os braços e pernas que faltavam no garoto. Seu rosto estava escondido pelo cabelo negro da amiga, impedindo-me de visualizar sua expressão.
Eu havia feito aquilo com ele. E apesar de saber que eles cresceriam novamente, não consegui deixar de sentir certa culpa por fazê-lo.
Antes de dar a chance de Mikasa desviar o olhar para mim, eu me virei, fazendo minha capa verde voar, e comecei a andar para longe dali enquanto limpava as minhas lâminas com o sangue de Eren. Foram aquelas lâminas que cortaram os seus membros.
— Muito obrigada, Cabo Rivaille. – a Tenente Hanji apareceu do meu lado de modo meio desesperado. – Se Eren tivesse matado soldados ou danificado muito essa área, o Capitão Erwin nunca mais me daria uma chance como a que tive.
Eu continuei andando sem dizer nada, deixando-a para trás. Não fizera aquilo por ela, e sim porque o Capitão me ordenara.
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Tudo estava escuro e silencioso, e eu não sabia mais onde estava. O que havia acontecido? Meus olhos abriram lentamente e eu observei um teto. A última coisa que me lembrava era de estar no poço, olhando para a cor azulada do céu sobre mim. Eu havia mordido minha mão, como pediram, e então eu perdi minha consciência. Olhei atentamente para o lugar em que estava deitado, e vislumbrei as roupas diferentes que vestia. Alguém me trouxera até este lugar e me trocara. Ergui minhas mãos ainda meio trêmulas e as observei com calma. Provavelmente tudo dera certo.
— Você saiu de controle. – uma voz séria na escuridão me assustou, chamando a minha atenção.
Olhei para os lados e não encontrei o dono dela.
— O que aconteceu? – eu perguntei meio receoso.
— Você conseguiu sair do poço. – a voz se aproximou, e eu finalmente percebi quem era.
O Cabo Rivaille saiu da sombra e surgiu no alcance da luz, permitindo-me de ver a sua face série e desgostosa de sempre. Seus olhos cinzas estavam mais escuros do que o normal.
— Eu... – comecei a falar, entretanto minha voz falhou. – Eu machuquei alguém?
Ele me encarou por alguns segundos ante de falar alguma coisa. – Eu o impedi antes de fazer isso.
— Como você fez isso? – me senti meio mal por ter dado trabalho ao Cabo.
O homem de baixa estatura me fitou e então se aproximou da cama em que eu estava com os braços cruzados. Suas botas de couro fizeram barulho no chão de madeira. Ele desviou o olhar entediado para as minhas mãos e se aproximou um pouco mais para falar.
— Eu o desmembrei, assim como disse que faria. – ele murmurou.
Ao ouvir aquilo eu senti um calafrio em meu corpo. Sabia que Levi seguiria com esse plano no caso de eu me descontrolar, porém o medo de meus braços e pernas não crescerem me dominou por alguns segundos. Eu desviei rapidamente o meu olhar para as minhas mãos descobertas e as observei com atenção.
— É uma pena apenas os braços terem se regenerado.
Eu arregalei os meus olhos quando ele disse aquilo, e então puxei e joguei a coberta que estava sobre mim o mais rápido possível. As minhas pernas continuavam lá, como se elas nunca houvessem sequer sido cortadas. Eu movi os meus dedos do pé e finalmente soltei o ar. Olhei para o Cabo, entretanto ele não emitia nenhum sorriso. Seu rosto frio me deu um arrepio, então desviei o olhar e me levantei da cama em que estava, indo em direção da janela fechada.
— Como você tinha certeza que os meus membros voltariam?
— Eu não tinha. – ele respondeu com calma. – Eu apenas fiz o que o Capitão Erwin me ordenou.
Não sabia explicar o porquê, mas eu fiquei um pouco chateado pelo ocorrido. Talvez fosse por eu ter me descontrolado em forma de titã, porém eu sentia que não era isso. O fato do Cabo Rivaille ter decepado os meus membros sem hesitação me chocou um pouco, e eu não soube dizer o que estava sentindo. Levi já havia me ferido gravemente durante um julgamento, eu não deveria ficar tão surpreso.
Eu suspirei pesadamente e finalmente pensei em Mikasa e Armin e como eles deveriam estar. Quando me virei para perguntar onde estavam, algo me surpreendeu. O Cabo estava muito mais próximo de quando eu me virara. Ele segurou fortemente os meus braços e me puxou em sua direção em um movimento. Apesar de ter menor estatura, nossas bocas se alcançaram sem problemas.
Os seus lábios eram macios, apesar de serem finos. Eu os sentia sobre os meus, porém não correspondia aquelas ações, já que todo o meu corpo estava congelado. Meu rosto queimava de uma forma inteiramente estranha enquanto meu coração começava a acelerar. Eu não consegui fechar os olhos durante aqueles milésimos de segundos, pois a surpresa me dominou. Tudo o que eu vislumbrei foi a face um tanto relaxada de Levi em minha frente, e ao contrário de mim, ele possuía as pálpebras fechadas.
Quando finalmente percebi o que estava acontecendo, eu resolvi reagir. Entretanto, apenas consegui levantar levemente as minhas mãos em direção ao corpo do Cabo no intuito de afasta-lo. No momento em que meus dedos tocaram o tecido do colete do Levi, eu fui pego de surpresa e fui empurrado brutalmente contra o chão. Nossos lábios se afastaram. Não consegui entender o que havia acontecido de imediato, contudo depois do baque eu pude ver o rosto inexpressivo e sério do Cabo Rivaille me encarar de cima.
Eu engoli em seco e senti as minhas bochechas corarem de novo. O que estava acontecendo, o que o Cabo achava que estava fazendo?
Sem dizer nenhuma palavra, ele deu uma volta de 180 graus, fazendo rodar o seu capuz verde pelo ar, e saiu andando pelo aposento.
O silêncio dominou o local pelos próximos segundos, e eu permaneci caído no chão sem saber o que fazer ou pensar. O que havia acabado de acontecer? Levi, ou melhor, o Cabo Rivaille, havia acabado me beijar, e eu não sabia dizer de onde aquilo tinha surgido.
Meu coração batia rapidamente em meu peito, e uma sensação inteiramente nova me dominou. Pensei em todos os momentos que me desgastei ao lado dele, e então finalmente deixei a minha mente livre de todas as coisas ao olhar Levi passando pela porta e desaparecendo.
A última coisa que eu vi foram as asas, as asas da liberdade.
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