Wild Things
1 One
Notas iniciais
No time to search the world around...
Medo. Era tudo o que eu conseguia sentir no momento. Medo de ser pega por uma daquelas coisas. Medo de perder a Allison de vista e, acima de tudo, medo de que ela fosse mordida por um deles.
Corriamos floresta a dentro para tentar nos esconder da horda de infectados que corria na nossa direção. Tinhamos que nos esconder rápido já que não podíamos usar nossas armas ou atrairíamos mais deles e a nossa situação em relação à munição não era a das melhores.
Allison corria com uma mochila que continha uns mantimentos e eu estava com uma que tinha uns cobertores e água.
— Esquerda, Mari! — Allison gritou.
— Certo. Qual a possibilidade de não ter mais infectados lá?
— Nenhuma, mas é isso ou ficamos aqui e deixamos que esses nos peguem.
Concordei e me virei para a esquerda, desviando das mãos moribundas de um infectado que quase pegou nos meus cabelos. Assim que aceleramos os passos e saímos da floresta, chegando num espaço plano e avistamos uma cabana. Olhei para Ally que sorriu e fomos em direção a tal cabana.
Deixa eu me apresentar, me chamo Marianna Villegas, tenho 18 anos e há 8 meses vivo fugindo dessas coisas. Allison é a minha melhor amiga, mas não pense que já nos conhecíamos antes disso tudo. Nos conhecemos quando um grupo me achou e ela fazia parte dele e desde então ficamos bem próximas, além de tudo acho que nos aproximamos também por sermos as únicas com idades próximas. Ela tem 21 e eu 18.
Essa "infecção" começou quando o famoso "pé-de-elefante" entrou em contato com o lençol freático abaixo da usina que explodiu décadas atrás. Esse contato fez com que o mesmo explodisse novamente e além de ter contaminado a água da área, liberou MILHÕES de substâncias químicas.
O problema é que os efeitos colaterais foram muito maiores do que os causados no primeiro acidente. Imagine: pessoas com corpos deformados, rostos transfigurados, e com só um restigio de que realmente foram seres humanos algum dia, a fome. Essas coisas são movidas por uma fome que não tem fim, e adivinhe só, qual o prato favorito dos infectados? Você.
Deve estar se perguntando: se foi um explosão química, como nós ainda estamos vivas ou "saudáveis", certo?
Bom, algumas pessoas nasceram inumes as substâncias que foram liberadas, e nós somos duas delas.
Eu sei que de 6 bilhões de pessoas, no máximo 200 mil eram imunes, mas como eu disse os infectados atacam qualquer coisa com pernas, grande parte dessas pessoas morreram.
Assim que terminamos a barricada improvisada, nos sentamos no sofá de dois lugares que havia ali. Peguei uma das garrafas com água e bebi um gole do líquido que passou pela minha garganta aliviando a leve ardência que havia ali.
— Acha que eles nos viram entrar aqui? Allison perguntara me olhando e em seguida pegando a garrafa que jazia tampada em minhas mãos.
— Não, nós corremos. E se tiverem visto não vão conseguir entrar. — sorri para ela.
— Esse vai ser o melhor lugar que eu vou dormir em semanas.
Ela disse olhando para o colchão a nossa frente.
— É,é sim.
— Com fome? — ela abrira a mochila e tirava alguns pacotes e latas.
— Você não imagina o quanto.
Allison dormia ao meu lado no colchão e eu tentava me concentrar no som da respiração serena dela e pegar no sono, mas eu não conseguia. Além de ficar encarando o vasto escuro que estava aquela cabana e eu estava sentindo que esse lugar não é totalmente seguro e eu não estou falando dos infectados. Os seres humanos que restaram, agora se aproveitam dos sobreviventes mais fracos. Roubam, matam e no meu caso e da Ally, quando são mulheres acabam sendo estupradas e depois apanham até a morte.
Como sei disso? Por que eu já vi acontecer, a garota devia ter uns 19 anos e passou por nós pedindo ajuda e dizendo que uns homens estavam perseguindo-a, e então os mesmo se aproximaram. Allison e eu nos escondemos e vimos o que eles fizeram com ela. É cruel.
E agora, nós estamos nos "esquivando" de qualquer grupo masculino que encontramos ao longo desses meses.
Acordei com um barulho na porta da cabana. Olhei para Allison que ainda dormia, me levantei e fui até um vitrô que tem na parede ao lado ver.
Tive que encontrar uma posição que me possibilitasse ver a parte da frente e quando consegui ver o que vinha meu coração gelou. Malditos infectados! Comecei a pegar as nossas coisas rápido. Tinhamos que sair dali o mais rápido.
— Ally! Ally! Droga... ALLISON!
— Que? O que foi?
— Pega as coisas rápido. Temos que sair daqui agora.
— O que? Por que?
— Infectados.
Ela pegou as coisas e nós saímos por uma outra porta, que eu não sei como não vimos antes.
Saímos tentando fazer o menor barulho possível para não chamar a atenção deles e nos afastar o bastante para termos uma certa vantagem.
Corremos como o planejado até uma dessas coisas praticamente brotar do chão e avançar sobre mim.
Evitei ao máximo fazer barulho, mas a coisa que um dia foi uma mulher dr estatura mediana e cabelo curto na altura do ombro, estava quase mordendo o meu ombro.
Segundos depois senti meu rosto ser "lavado" com o sangue da infectada. Olhei por cima do ombro dela, que agora estava deitada em cima de mim, e vi Allison segurando o facão de caça e com uns respingos de sangue no rosto.
— Vem, temos que ir. — Ela sorriu.
— Obrigada.
Eu peguei o meu revólver que havia caído e nós voltamos a correr.
Depois de uns 15 minutos correndo, ainda na floresta, paramos e nos sentamos. Peguei uma garrafa d'água e joguei para Ally que pegou e ingeriu o líquido que havia dentro.
— Será que estamos longe o bastante.
— Provavelmente. — Peguei a garrafa que ela estendia na minha direção.
— Como estamos em relação a água?
Abri a mochila e vi três garrafas de dois litros, uma pela metade e duas cheias.
— Dois dias e meio. E quanto a comida?
Agora ela quem abria a mochila e conferia.
— Vamos sobreviver. — Ela disse e olhou para o chão.
— Tá,mas quanto temos?
— 2 latas de pêssegos, três pacotes de biscoito, 5 frutas e um pacote de... — ela leu o rótulo — granola.
— Precisamos de suprimentos.
— Vamos sobreviver. — Disse novamente.
Juntamos as coisas espalhadas e decidimos caçar algo. Allison tinha o arco e a flecha em mãos e eu com o facão dela. Andamos até a beira de um lago que tinha ali e de repente ela mirou em algo e atirou.
Fomos até o alvo dela e vimos algo que nos fez sorrir. Dia de sorte!
Voltei até o lago e peguei as garrafas e em seguida troquei a água que estava nela, pela fresca do lago.
— Podíamos passar a noite aqui. O que acha?
Perguntei a Ally que nesse momento, tirava a pele do coelho que achou.
— Não sei. E se aquela horda passar por aqui?
Olhei para ela e concordei.
Assim que as três garrafas estavam cheias, coloquei-as de volta na saca plástica para que não molhasse o cobertor que havia ali.
— Mari?
— Oi. — Olhei para Allison.
— O que acha de um banho? — Ela sorriu.
Concordei e guardei as garrafas na mochila e em seguida tirei as minhas roupas, deixei-as na margem do lago e pulei no mesmo. Ally fez o mesmo.
Uns 20 minutos depois saímos da água e nós vestimos.
Allison pegou o coelho que agora era só uma pedaço de carne que iria nos satisfazer, juntamos uns galhos e ascendemos uma fogueira, e colocamos o coelho para assar em um pedaço de pau como espeto.
Horas depois, chegamos em uma rodovia e decidimos que era melhor escolher um carro para passarmos a noite já que começara a entardecer.
Achamos uma mini van e ficamos nela. Usamos um dos cobertores para tampar as janelas e com o outro nos cobrimos.
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