Wicked
6 É só dançar - parte I
Para os que aproveitaram bem os seus anos em Hogwarts, como Dominique havia feito, o tempo passou como uma flecha. Para Rose, já havia sido o oposto, tudo pareceu torturante, de tão demorado. As duas tiveram experiências diferentes, e, por ter tido a sua tão ruim, a Granger-Weasley agradecia a Merlin que o quinto ano havia finalmente chegado e ela estava cada dia mais próxima de se ver livre daquele inferno.
Orgulhosa, Rose andava apressadamente para a sala onde madame Martin lecionava, pois ainda pegava lições adiantadas, assistindo, assim, às aulas junto dos estudantes do sétimo ano. Exibindo suas meias compridas, camisa larga para o seu tamanho, e a longa trança ruiva que já era sua marca registrada para todos do corredor o qual atravessava.
Sabia que as pessoas não gostavam dela por sua esquisitice, no entanto, a Granger-Weasley agia como se simplesmente não se importasse. Pois também estava ciente da existência de pessoas que a invejavam. Dominique Weasley era uma delas, inclusive. Rose sabia que desde o início do ano, sua querida prima vinha pedindo à professora de feitiços para que a incluísse nas mesmas turmas avançadas da ruiva, mas a vice-diretora sempre negava.
Enquanto se preocupava em não se atrasar para a aula, Rose teve sua caminhada interrompida por uma grande figura que cruzou o seu caminho repentinamente, levando os dois ao chão.
Não o conhecia – claro, como reconheceria o maior prodígio de quadribol de Hogwarts se nem ao menos frequentava os campos? –, mas, a julgar pela expressão de todos no corredor, o garoto parecia ser bastante popular na escola.
Levantou-se rapidamente, endireitando o seu uniforme que exibia os tons verde e prata, enquanto Rose permaneceu abaixada, recolhendo os seus livros e pergaminhos que saltaram para fora de sua bolsa com o impacto.
— Não vê por onde anda? – perguntou ela, rudemente, e levantou o seu olhar, na intenção de encará-lo enquanto o repreendia.
Era alto, sem sombra de dúvidas, e, embora não fosse muito forte, estava claramente em forma – como um bom artilheiro deveria ser. Era extremamente pálido e possuía olhos escuros, que não pareciam pretos. Talvez cinzas? A cor de seus cabelos juntamente com as outras características denunciavam, ele, obviamente, era a cria dos Malfoy.
— É claro que vejo, mas não sei se percebeu, eu não tenho olhos nas costas – retrucou o loiro, com um sorriso irônico, e abaixou-se para ajudar Rose a recolher seus pertences.
— Por isso nós não andamos de costas por corredores – respondeu, empurrando sua mão para longe de seus livros – Eu consigo pegar minhas próprias coisas, vá procurar o que fazer.
Agarrou então o seu último livro e correu para a sua aula, deixando Malfoy ainda agachado e sem reação.
Dominique estava ali presente, sentada em um banco com outras duas amigas, e parecia assistir com prazer a toda a cena. Pôs-se de pé, com seu uniforme perfeitamente alinhado, e seus cabelos sedosos enfeitados por uma faixa com as cores da sua Casa. Aproximou-se de Scorpius, que ainda se recuperava da situação em que Rose o deixou.
— Não deveria se importar, sabe? Ela é assim mesmo… Excêntrica, eu diria – afirmou, chamando a atenção do sonserino, que se virou para ela, interessado.
— É conhecida sua?
— Não exatamente. Se quiser podemos falar sobre ela, mas acredito que existam assuntos muito mais interessantes para se discutir.
Diferentemente de Rose, Dominique sabia muito bem quem o Malfoy era. Estudava desde o seu primeiro ano em Hogwarts e era um completo desconhecido, até chegar em seu quarto ano e entrar para o time de quadribol da Sonserina.
Scorpius foi considerado um talento nato. Descava-se de maneira inexplicável e, graças a ele, a Sonserina havia ganhado o Campeonato inter-casas de Quadribol do último ano. A quantidade de pontos que ele havia marcado como artilheiro era muito maior do que a das outras casas, mesmo contando com o pomo de ouro, e isso lhes havia garantido a Taça com folga.
— Dominique, certo? Acho que pegamos uma ou outra matéria em comum – comentou o Malfoy, tentando puxar assunto – Confesso que queria algo diferente essa semana, por acaso sabe onde eu conseguiria encontrar uma festa?
— Uma festa? – Dominique repetiu, desentendida.
— É, uma festa. Para comer, dançar, quem sabe?
— Bem, eu sei de uma... Mas acho que não deveria comentar.
— Assim você só consegue me deixar mais curioso. Sinto como se não saísse um pouco para me divertir há séculos – disse Scorpius, tentando fazer com que Domi se compadecesse com ele.
— Minha irmã, Victoire, conseguiu fechar o Três Vassouras nessa sexta, para uma confraternização entre estudantes. Iremos para Hogsmeade através das passagens alternativas, não pelas carruagens. Alguns convidados irão pela passagem da Casa dos Gritos, já eu, irei pela da estátua da bruxa caolha, caso queira ir comigo.
— Pode deixar, muito obrigado! Te vejo amanhã, Weasley – agradeceu Scorpius com um sorriso galanteador, enquanto adentrava na primeira porta à direita do corredor.
A placa metálica ao lado da porta denunciava que o Malfoy havia entrado para a sala de Transfiguração, onde provavelmente teria a sua segunda aula do dia. Dominique, que agora estava sem companhia oficial, virou-se, planejando ir embora para a biblioteca, uma vez que tinha o próximo horário livre e, apesar de tudo, se mantinha uma aluna bastante estudiosa.
Dominique prezava por sua reputação perfeita. Destacava-se nas aulas – não tanto quanto Rose, é claro –, era adorada pelos outros colegas da escola e era, também, considerada a mais bonita e elegante garota de Hogwarts.
Talvez fosse por isso também que um interesse repentino no Malfoy houvesse brotado em si… Ele era o mais novo destaque entre os garotos, contando com sua popularidade no quadribol e não era de se jogar fora também. Scorpius era de fato bem charmoso, com sua elevada estatura, seus cabelos platinados sempre penteados para trás e seus olhos cinzentos como o céu fechado por nuvens.
— Domi, Domi! Espera aí! – gritou alguém atrás de Dominique.
A voz era familiar até demais para Weasley. Não queria ignorá-lo, seria mal educado, porém Dominique também não queria conversar com Alvo naquele momento. Havia prometido que iria para a festa de Victoire com ele, e talvez agora seus planos tivessem mudado um pouco ao convidar o Malfoy.
Dominique girou os calcanhares em torno de seu eixo, colocando-se de frente a Alvo, que desacelerou o seu passo. Correu seus olhos azuis pelo restante do corredor, no ambiente atrás do Potter, procurando por algo que pudesse usar como desculpa para dispensá-lo da festa de sua irmã.
— Alvo! Estava indo te procurar agora mesmo, acredita? – Dominique mentiu, utilizando do tom mais simpático que conhecia.
— Estava mesmo? Acabei de lhe ver conversando com Scorpius e convidando-o para ir contigo para a festa de Victoire, pensei que iríamos juntos.
— E íamos! Mas eu... – parou e pensou antes de completar sua frase, quando alguém também presente no corredor lhe fez ter uma ideia – Eu estava me sentindo mal de ir para a festa da Vic contigo, sabendo que outra pessoa gosta de você, Alvo.
Vendo que o Potter estava desconfiado, e não tinha entendido muito bem o que ela queria dizer, Dominique virou o corpo de seu primo, fazendo com que seu olhar focasse na figura ruiva de cadeira de rodas, que parecia distraída lendo um livro ao lado de um banco.
— Desde o ano passado eu venho reparando que Hugo lhe lança alguns olhares diferentes e eu, como sou empática e caridosa com todos, não conseguiria me divertir em uma festa sabendo que alguém como ele gosta de meu par. Imagine só, dançar contigo uma música sabendo da existência dele, que não pode nem se divertir. Você deveria convidá-lo para ir contigo para o Três Vassouras – sugeriu Domi.
Não foi necessário muito mais que aquilo para convencer Alvo. Ele se sentiria um monstro se não acatasse a sugestão de Dominique e, fazendo o que lhe fora proposto, agradaria a sua querida prima e a Hugo também.
— Tudo bem, eu vou convidá-lo para ir à festa comigo, mas espero que você guarde ao menos uma dança para mim – o Potter deu suas condições e a Weasley apenas concordou com a cabeça, para que ele tomasse a atitude de ir convidar Hugo logo.
E assim Alvo fez. Afastou-se de Domi e foi convidar o Granger-Weasley para a festa de Victoire. Para a surpresa da loira, seu plano havia funcionado e sua suposição estava, aparentemente, certa. Hugo realmente tinha uma quedinha por Alvo, e aceitou o seu convite na mesma hora, empurrando sua cadeira para longe em seguida, sorridente com o encontro que teria.
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