Wicked
1 Sem perdão à bruxa
Notas iniciais
Um clima de comemoração pairava sobre Godric’s Hollow. Bruxos andavam pelas ruas, com seus chapéus pontudos e capas decoradas, levantando suas varinhas e mandando fogos de artifício pelos céus. Todos estavam felizes e sentiam um alívio, pois a bruxa má finalmente estava morta.
Dominique Weasley apareceu dentre a multidão, sendo abordada por algumas pessoas durante sua caminhada. A loira usava suas típicas roupas pomposas, desta vez exibindo um vestido social azul celeste, da mesma cor de seus olhos. Os cabelos estavam presos em um coque lateral, e ela ainda possuía aquela mesma aura de sempre, que parecia iluminá-la.
A Weasley sempre fora elegante, mas, desde que passara a trabalhar como ajudante direta do ministro da magia, parecia usar cada vez mais vestes e acessórios extravagantes e de preços exorbitantes. Apesar de ter um belo sorriso estampado em seu rosto, como o usual, seus olhos aparentavam tristeza. Não que o público ali fosse perceber, é claro, eles nunca notavam e sempre compravam as ações falsas e calculadas da mulher.
Todos conversavam animadamente, e, devido à grande quantidade de pessoas, Dominique conseguia distinguir poucas frases apenas, dentre elas coisas como “Morreu, que bom”, “A bruxa enfim morreu” e “A arqui-inimiga de todos nós”. Sentiu-se mal ao ouvir colegas de escola e até mesmo familiares falando dela assim, afinal, ela sabia que Rose não era má, como diziam. Bruxa má, era como a chamavam, como se fosse uma vilã de um conto trouxa infantil.
— Olhe só, é a Dominique, ela está aqui! – uma garota sussurrou, puxando a saia da mãe ao seu lado, chamando atenção para a Weasley.
— É bom me ver? – pergunta ela, finalmente chamando atenção daqueles que não a haviam percebido ainda.
As pessoas, ao reconhecerem a mulher, se juntaram ao seu redor, esperando por respostas e justificativas. Era possível reconhecer até mesmo alguns colunistas, que já sacaram seus blocos de anotações e câmeras. Os flashes começaram a piscar, todos ansiosos para conseguir um bom ângulo da última pessoa a ver Rose Granger-Weasley com vida.
— Dominique, é verdade que ela está morta? – alguém, que a loira não reconheceu, perguntou, com um bloco e uma pena em mãos.
— Bem, depois de muitos rumores e especulações, vim esclarecer que, sim. Rose Granger-Weasley morreu, ao badalar da meia-noite, por um feitiço ricocheteado, lançado de sua própria varinha. A bruxa má morreu por sua própria maldade. – Anunciou, ainda com um sorriso falso, e os olhos marejados de tristeza.
O público voltou a comemorar, soltando suas corujas, feitiços do patrono e fogos de artifício aos céus, gritando e cantando. Todos estavam felizes, pois a maior ameaça da década finalmente havia morrido, e não havia mais o que temer.
Dominique abaixou a sua cabeça e se afastou, torcendo que mais ninguém voltasse a tocar no assunto com ela, pois queria finalmente ter seu momento de luto pela colega.
Enquanto se afastava, sentiu alguém a segurar pela manga da blusa, chamando-lhe a atenção. Voltou o seu olhar para trás, reconhecendo a mesma menina que denunciou sua presença para a mãe, com suas marias-chiquinhas de elástico coloridos, e olhos grandes e expressivos, castanhos.
— Dominique, por que existe maldade? – perguntou, com toda a sua inocência de criança.
A mulher se abaixou, ajoelhando-se para ficar na altura da criança, e sorriu, finalmente demonstrando uma emoção verdadeira de conforto, parecendo empática.
— É uma ótima pergunta! Você deve ser uma menina muito esperta. – começou, parecendo elaborar uma boa resposta em sua mente antes de responder. – Você acha que as pessoas nascem más ou que a maldade é lançada sobre elas? Afinal, Rose Granger-Weasley teve uma infância, assim como você.
Logo a multidão voltou a prestar atenção na loira, que se preparou para contar uma história. Dominique notou e se levantou, preparada para um discurso sobre a bruxa má que havia acabado de falecer.
— Rose tinha uma mãe e um pai, porém, desde o momento que nasceu, a Weasley era, bem, diferente. Ainda como um bebê de colo, já demonstrava sinais de magia, e isso assustou seus pais. Ronald Weasley nunca aceitou muito bem a criança, que acabou crescendo sem uma das melhores relações com o pai – Dominique explicou, e cada vez mais flashes foram vistos e ouvidos dentre o público. – Entendem? Não deve ter sido fácil!
— Sem perdão à bruxa! – alguém gritou, do fundo da multidão – Finalmente o mal morreu e o bem prevaleceu.
Ao interromperem Dominique, ela se calou, e todo o pessoal ali reunido voltou a gritar e a comemorar, afinal, a bruxa má havia enfim morrido.
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