Why You Do That?
1 Qual o seu problema?
— É o suficiente, Cass — despediu-se Dean, batendo com a mão de leve no ombro do outro e se afastando em busca de uma cerveja gelada no minibar encardido do motel. — Chamamos você se precisarmos de algo.
Castiel se manteve no mesmo lugar por mais alguns segundos, com a testa franzida. Sendo Castiel, não conseguia disfarçar as coisas que o chateavam, e a forma como Dean o vinha tratando era uma delas.
Dean continuava vasculhando o minibar, mas tinhas certeza que o anjo continuava ali. Conseguia senti-lo claramente, tinha consciência de cada aspecto de Castiel, e mesmo sabendo que o outro estava magoado com alguma coisa, não se virou.
Cas abriu a boca e deu um passo em direção ao caçador, mas desistiu de tomar alguma explicação. Esse era Dean afinal, ele iria se esquivar e se tornar pior a cada palavra. Uma hora, quando o que quer que fosse o estivesse consumindo por dentro, ele soltaria. Cas ia esperar, ele só gostaria que não fosse por muito tempo. Um Dean indiferente, sarcástico, arrogante e petulante magoava de uma forma que ele não tinha ideia de que podia ser magoado.
Aliás, ele não andava tendo ideia sobre muitas coisas. Por que a indiferença de Dean chateava mais do que irritava? Seres humanos se sentiriam com raiva sobre algo assim, não é? E não com uma súbita vontade de se encolher. E por que se distraia tão facilmente com aspectos físicos de Dean? Isso não acontecia com Sam, por exemplo. Sua ligação com ele era tão forte que se sentia totalmente responsável pelo Winchester, a ponto de se esquecer em lutas de proteger a si mesmo? Cas não entendia. Salvar Dean lhe dera uma obrigação permanente de cuidar para que ele fosse feliz, era disso que ele sabia, e sempre que Dean se sentisse mal pelo irmão, pelo pai, pelos amigos, pelo mundo, Cas estaria falhando em sua própria missão. Ele era responsável por Dean, mesmo não entendo exatamente como isso era possível.
Dean esperou até ter certeza que Cas tinha finalmente ido embora, fechou os olhos e deixou o ar, que nem tinha reparado que estava segurando, ir embora.
— Merda — fechou a porta com força, fazendo todo o conteúdo do aparelho encardido balançar lá dentro.
— Por que você faz isso? — perguntou Sam, parado na porta do quarto, com algumas sacolas em mão.
— Isso o que? — aquela era uma péssima pergunta, Dean se arrependeu no momento que a fez, se havia alguém capaz de jogar na cara de Dean todas as idiotices que ele fazia, esse alguém era seu irmão.
— Vem tratando Cass como um empregado. Ou qualquer coisa menor.
— Não sei do que você está falando, Sammy.
— Qual o problema, Dean? Só admitia pra você mesmo, e pare de descontar seus medos nele.
Dean parou a garrafa a meio caminho da boca e fechou seus olhos. Sam estava falando o que ele achava que estava falando?
— Isso não é da sua conta, Sammy. E eu não sei do que está falando.
— Por que você tem tanto medo de admitir isso pra você mesmo? — quis saber Sam.
— Isso não é da sua conta e você está errado, só pra constar — cortou Dean, pegando o casaco, as chaves e saindo.
Sam estava errado, ele já havia admitido aquele sentimento há muito tempo. O grande problema era descobrir que merda fazer com ele.
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