Why So Serious?
6 The Wanted Midnight
Notas iniciais
— Isto só pode ser brincadeira né? — Eu estava incrédula com o que Luna havia dito, eu uma seguidora? Eu nunca aceitei ordens de ninguém e ainda mais de King, isso era claramente impossível.
— Eu gostaria que fosse. — disse Luna, ela olhava para além de mim, algo naqueles olhos demostravam tristeza e algo mais explicito.
— Olhe — Tentei dizer o mais sério possível, o que para mim era fácil. —, eu não vou ser seguidora de ninguém, ouviu?
— Sério? — Luna pareceu surpresa. — Ninguém nunca disse não a uma oferta dessas... — sussurrou Luna. — Acho que talvez você valha algo, afinal. — Luna da de ombros e pega algo de seu bolso e vai em minha direção lentamente, até que coloca o objeto em minha boca e percebi que era um pano. — Pena que o King não está nem aí para sua opinião.
A escuridão encobriu totalmente minha visão.
Abri meus olhos, minha visão estava um pouco embaçada, mas felizmente, consegui captar o que estava ao meu redor. Eu estava sob um sofá de veludo macio, havia algumas fileiras de prateleiras alinhadas — como as de uma biblioteca. Uma luz forte se encontrava a minha frente, havia uma lareira imensamente enorme acesa ali, percebi que havia uma cadeira enorme, também de veludo vermelho, olhei atentamente e percebo alguém ali — ao chão de mármore ladrilhado, estava refletido um vulto de alguém lendo um livro de capa grossa, o livro se fecha.
— Finalmente acordou. — Era a voz doce com quem falara ao telefone. — Por sorte, você não baba enquanto dorme — o vulto solta um risinho. — Meu sofá e eu lhe agradecemos.
— Então quer dizer que se alguém recusa sua oferta de escravidão, você simplesmente sequestra ela? — Sentei sob o sofá ignorando sua piadinha.
— Bem, nunca ninguém a recusou... — Sua voz parecia distante. — E você é essencial aqui. Mesmo se recusasse e fosse embora, sofreria as consequências mais tarde.
— Como assim? — "Sofreria as consequências mais tarde", aquela frase se repetiu em minha mente várias vezes.
— Lembra-se do incidente com Wayland... digo Kentin? — A sombra se levanta, e pude ver que estava usando um moletom vermelho, estava encapuzado e usava uma calça jeans rasgada em algumas partes da perna, propositalmente? Acho que não. Ele caminhou até uma prateleira próxima a sua cadeira, coloca o livro cuidadosamente sobre uma das repartições e se vira até mim, o mesmo cruza os braços esperando minha resposta atentamente.
— Lembro, aliás, eu perguntei sobre quem eram aqueles "caras", e você disse que eu não deveria saber por enquanto. — Lancei a ele meu melhor olhar desafiador.
— Disse bem, por enquanto. — Ele coloca uma mão sobre o queixo e o outro braço apoiando-o, acho que queria fazer algo como uma expressão de pensativo. Mas como eu não conseguia ver absolutamente nada exceto pelas roupas e o movimento de seus lábios, não deu muito certo. — E se Luna não a tivesse "sequestrado" você, provavelmente descobriria do pior jeito.
— Não entendi.
— Olhe, aqueles garotos são muito perigosos para você agora. — suspira King. — E é tudo que precisa saber, já que não quer aceitar minha oferta.
Isso soou como uma chantagem ou foi impressão minha?
— Quer dizer que, se eu aceitar sua "oferta" — fiz questão de fazer aspas com os dedos —, você vai me dizer quem são eles e toda a baboseira por trás disso tudo?
— Fico feliz que tenha percebido isso. — Ele solta um sorriso Colgate. — E sim, é exatamente tudo isso, merece até um biscoitinho pelo seu desempenho! — É brincadeira né?... — Então o que me diz? — Ele volta a ficar sério. Ainda bem...
Esse cara... Eu quero acabar com essa alegria dele, vou avançar quando estiver distraído e soca-lo bem nesse rosto — que por acaso desconheço e não consigo ver, mas quem se importa? Contanto que consiga soca-lo já vai ser um grande avanço. Pensando bem... Se Kentin consegue fazer aquilo tudo e mais ainda, como fez com aqueles garotos, nem quero imaginar King. O olhei atentamente pensando em o que ele pretendia comigo? Eu não sirvo nem para soca-lo... No que ele estava pensando em fazer comigo?
— Tudo bem Majestade, você venceu. — Sendo assim minha curiosidade ganha outro round. — Eu aceito ser sua... Anh, "seguidora". — E como está o placar? Vossa Majestade: 1 x Shiemi: 0.
— Sabia que mais cedo ou mais tarde diria que sim. — Ele se vira e começa ir em direção a uma porta imensa.
— Espere — disse me levantando do sofá.
— Sim? — Ele me encara.
— Sabe o biscoito? Acho que vou aceitar, sabe? — Minha barriga começara implorar por comida.
— Claro. — Ele solta outro sorriso deslumbrante.
— Então quer dizer que a senhorita "Não me dê ordens", aceitou a proposta de Vossa Majestade? — Kentin engolia um biscoito atrás do outro. — Estou chocado.
— Acredite, eu também estou. — Eu comia o que conseguia pegar da mesa da cozinha, afinal Kentin era uma máquina destrutiva de biscoitos. — Afinal, que lugar é este?
— Era um prédio abandonado, King o achou e decidiu dar um trato nele. — Voou farelos da boca de Kentin.
— Um trato?! Isso aqui está mais para uma reforma completa. — Era impossível que ele tivesse dado um trato naquele lugar, tudo era perfeitamente impecável, como se tivesse sido construído a poucos dias. A cozinha mesmo, possuía quatro geladeiras fartas, havia uma enorme pia e balcões todos inox — eu e Kentin estávamos sentados em um dos balcões — o chão era ladrilhado e as paredes tão brancas, sem sequer nenhuma sujeirinha visível.
— Demos nosso toque.
— Como assim "demos"? — disse eu. — Kentin, por acaso você sabe a identidade de King?
— Não. — Ele solta um risinho. — Só estou dizendo que antes desse prédio existir, eu já era um seguidor dele, a única coisa que sei é sua aparência e nada mais. — Kentin parecia distante — Nunca me disse seu verdadeiro nome, e não vá criando esperanças — acrescentou quando me encarou. — King não tem a aparência de ninguém que você conheça, ou muito menos eu. Ele é esperto deve usar algum tipo de disfarce, ou simplesmente nunca saiu de sua casa.
Vou aceitar a opção do disfarce.
— Vamos, ele quer falar com você. — Kentin se levanta, eu me virei para pegar mais um biscoito, mas Kentin havia devorado todos. Já era de se esperar de uma máquina destrutiva de biscoitos — Não vem? — Revirei os olhos e o segui.
— Tock, Tock, alguém em casa? — Kentin praticamente invadiu a "biblioteca" em que eu me encontrei com King antes.
— Agradeceria se tivesse a mínima vontade possível em bater na porta. — Uma sombra surgiu rapidamente e parou bem na frente de Kentin — o que me deu arrepios —, cuspindo as palavras.
— Foi o que eu fiz "Tock, Tock". — Kentin soltou um sorriso sínico que se sessou com King cerrando os dentes. — Certo, certo. Quer privacidade com a nova "namoradinha" eu entendo. Não sou tão lerdo como pensa — Kentin caminhou até a saída da porta e se virou depressa e acrescentou: — Talvez só um pouquinho e... — King chuta a enorme porta na cara de Kentin.
— Sente-se. — disse por fim. Quase corri até o sofá, mas segurei este impulso e andei como uma pessoa descente. Enquanto andava me virei para ver onde King tinha se acomodado, mas ele desaparecera. Quando voltei meus olhos para o sofá, o mesmo já estava sendo ocupado por King com os braços cruzados. Por sorte mordi minha língua antes que soltasse um berro, apressei o passo e sentei não muito perto de King. — Olhe, o que tenho para te dizer vai ser um choque para você entende? Não quero que fique assustada ou perturbada, por isso quero que imagine qualquer coisa terrível o possível. — Imaginei minha mãe cantando a abertura de ursinhos carinhosos enquanto dançava axé com um Tutu de Ballet pela rua, e eu amarrada em uma cadeira de tortura, tendo que ver aquilo sem ter vontade de me matar ou sair daquela cadeira e começar a dançar também. Acho que ele não queria dizer algo assim do tipo, mas ele disse para se esperar de tudo não é mesmo? — Vo-você está bem? — Eu levo um susto de leve e olho para ele com uma expressão de interrogação. — É que, bem, você parecia um pouco pálida. Acho que não deveria ter pedido que pensasse besteira.
— Não, eu não pensei em nada de tão mortal, acredite. — Até porque, minha mãe dança muito bem.
— Certo, certo. — King volta a ficar sério — Bem, conhece uma gangue chamada The Wanted Midnight?
— Nunca ouvi falar.
— Já esperava. Alguns de seus membros você conheceu a pouco tempo. — Lembrei-me de Dake e dos outros garotos, inclusive...
— Alexy... É um deles? — A respiração de King pareceu acelerar quando mencionei Alexy.
— Sim. — disse por fim.
— E o que uma gangue tem haver com eu "estar em perigo"?
— Não é "uma" simples gangue, é "a" gangue. Quero dizer, eles são uma gangue hacker. — Muito esclarecedor, obrigada...
— Mas hackers não são espécies de ladrões ciberneticos ou algo do tipo?
— Nem todos, mas bem, eles são uma gangue cheia deles. Tenho quase certeza de que todos são. — Seus ombros ficaram tensos. — O termo correto seria cracker como Nathaniel diz em sua legítima defesa, mas Kentin gosta de usar hacker, o que para mim tanto faz na verdade e...
— Nathaniel?! Espera, o que o representante da minha turma faz aqui?!
— Não sabia? — Balancei a cabeça. — Digamos que Nathaniel é uma espécie de hacker particular aqui. — Quem diria. Agora só falta Castiel para completar a "Panelinha de amiguinhos de Lysandre", tomara que King não seja tão estúpido a ponto de ter Castiel como seguidor... — Continuando — prosseguiu. —, a gangue rouba silenciosamente as grandes empresas do estado, só agem a noite por esse motivo Kentin os batizou com esse nome — Tinha que ser! — Dakota até gostou do nome. — completou King, mas acho que era para ele mesmo do que para mim. — Desde que os descobri não parei de investigar e descobri algo pior do que roubo. — Engoli um seco. O que poderia ser pior do que roubo? — Estão escravizando pessoas, tirando-as de sua família quando pequenas e treinando-as para um projeto chamado Blackout.
— Treinando-as? — King assentiu. — Como assim?
— Transformando-as em armas de guerra. Eu já vi alguma dessas crianças, parecem mais robôs do que seres humanos. É horrível. — Ele respirou fundo antes de prosseguir. — E queriam fazer isso com você.
Fiquei espantada. Por que eu? Não era nem mais uma criança nem nada.
— Não estou querendo dizer que queiram você agora, só porque acabou de chegar na cidade. — disse por fim.
— Então o que?
— Se lembra claramente de algo que tenha feito em sua infância? — Neguei. Afinal acho que ninguém se lembra perfeitamente, mas agora que ele mencionou não me lembrava de nada. — Aos quatro anos você foi sequestrada para esse projeto, e foi uma das poucas pessoas que conseguiram resistir ao processo. Quando completou oito, conseguiu escapar do projeto e fugiu.
Não conseguia imaginar eu fazendo aquilo tudo sendo apenas uma criança. Ele provavelmente me confundiu com outra pessoa.
— Como sabe disso tudo? E como sabe que realmente fui eu?
— Porque eu estava lá. — Ele me encarou, ou pareceu que me encarava ainda não conseguia enxergar seu rosto claramente. — Shiemi eu sei que é você e sei que sabe quem eu sou. — Se levantou. — Realmente — Sua voz falhou. — Não se lembra de nada não é?
— Sinto muito.
— Não sinta. Já esperava por isso.
Levantei-me e corri até ele e puxei seu braço para que virasse e me encarasse.
— Se quer que eu me lembre de você, preciso ver sua aparência, não acha?
Ele pareceu espantado por alguns segundos, mas no final deu de ombros e sorriu. Soltei seu braço e ele estalou um dos dedos a luz ascendeu e King jogou o capuz do moletom para trás.
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