Why Or Not Why?
4 Travessia
Notas iniciais
Acordei cansado e sentido mais dores no corpo que o normal, tentei levantar, mas acabei caindo no chão, senti algo quente escorrer pela minha perna, lembranças do que ocorreu ontem ainda vinham a minha cabeça, eu nunca me senti pior, fiquei de joelho e me apoiei sobre a cama, com dificuldade consegui ficar de pé, vi um conjunto de roupas dobrado em cima da cômoda, deduzi que algum empregado pôs ali, as vesti rapidamente e resolvi ir até o meu quarto, no segundo andar, para pegar outra muda de roupa e ir tomar um banho, torci pra ninguém me ver, mas infelizmente acabei trombando de frente com uma empregada, os pratos que ela carregava acabaram caindo e eu cai junto, batendo a cabeça em um banquinho. -Ah, doí, doí — Eu disse passando a mão sobre o galo que se formou -Ah, desculpe, eu tenho miopia. — Ela disse me estendendo a mão, -Não, eu que me desculpo, não estava prestando atenção por onde andava... — eu disse enquanto me levantava — hm, você é nova aqui? -eu... Eu comecei a trabalhar a um mês aqui... -Ah! Desculpa, sou muito distraído.
e também vi.. Ai!-A empregada pegou minha mão e cutucou um machucado, me interrompendo. -Eu... Eu queria poder te ajudar... Você deve sofrer muito... -disse ela, envergonhada, olhando pros cacos de vidro no chão. -Hã? Ah, tudo b... -Não, venha cá, rápido. -Não entendi direito, mas segui a garota, ela me levou até a lavanderia, passamos por alguns empregados, mas eles estavam ocupados arrumando a casa e preparando diversos tipos de comida, que não perceberam ou preferiram ignorar a nossa presença, provavelmente meu pai daria uma festa ou algo do tipo, sempre que têm festas aqui em casa, Iemitsu me deixava trancado no quarto, não que eu quisesse participar de uma dessas festas, claro. Na lavanderia -que estava vazia- ela pegou um pacote que estava por de baixo da roupa e por sobre um cesto de roupas: -Ei, garoto, você quer fugir certo? -Ela disse com uma expressão séria, bem diferente da de poucos minutos atrás, eu estava confusa, o que era aquele pacote? Por que ela me trouxe pra lavanderia? -Hã... Sim. -murmurei. -Perfeito! — ela parecia feliz- vamos fazer uma troca? -Ahn? -Bem, eu preciso levar esse pacote pra cidade mais próxima, pra entregar pra uma pessoa, mas tenho coisas pendentes aqui, então o que acha de ir no meu lugar? -ela dizia, olhando pros lados, apreensiva que mais alguém ouvisse, parecia uma chance perfeita pra mim, mas não entendia o porquê de me escolher. -Oh, eu aceito, mas, por que eu? -Eu sei que você, bem... Tem aguentado muita coisa nessa casa, por isso acho que não vai me trair caso seja pego... -Mas perceberiam se eu sumisse por muito tempo, eu... Bem, não posso sair dessa casa... -Falei fitando meus sapatos, ela levantou minha cabeça e sorriu. -Eu tenho uma solução pra isso, você aceita ou não? -Aceito. -Quando disse isso ela começou a tirar o uniforme, virei pro lado e tampei meus olhos, sentindo minhas bochechas esquentarem, então eu percebi que ela usava uma roupa preta por baixo. Ela me deu o uniforme e disse: -Vista! Vou arranjar um chapéu grande o suficiente pra tampar seu rosto... -Hesitei um pouco, mas achei melhor vestir, logo ela me trouxe o tal chapéu, era um daqueles de amarrar por debaixo do queixo, que parecia ser de uma boneca europeia antiga, só que em tamanho real, o coloquei e guardei o tal envelope embaixo do vestido longo de empregada, era um pouco embaraçoso estar com essas roupas, mas se essa era a minha chance de sair daquele lugar pra mim estava bom. -Perfeito, pra chegar a cidade, basta ir pra esquerda pelo caminho de terra, lá na frente tem um ponte, depois que passar por ela siga pra direita e logo estará lá, a pessoa a quem deve dar esse envelope estará num sushi bar chamado Shiniki-Dan, como a cidade é pequena, você não terá muita dificuldade em acha-lo, agora suba e sai de fininho, okay? -Espera, como eu vou saber quem é? -ela sorriu. — Você saberá... Agora vai, enquanto ainda estão distraídos.
Sim, o-obrigado, ahn... -I-Pin. -Obrigado, I-Pin... -Não agradaça, é uma troca de favores. — Eu assenti e sai em disparada, rumo à cozinha, no final, não foi com nos contos-de-fada, em que eu apenas depende de alguém, pois essa pessoa também depende de mim, acho que me sinto até melhor com isso. Passei por vários empregados, mas continuavam ocupados com seja lá o que fosse, cheguei ao quintal, passei pelos segurança que estavam conversando, e já estava um pouco longe do casa, mas aí um deles me chamou: -Ei, você vai ir fazer compras? -Fiz que sim com a cabeça. -Por que está indo a pé? — Dei ombros, mas escutei passos vindos em minha direção, tentei apressar o passo, mas senti um mão no meu ombro, e essa mão logo arrancou meu chapéu, droga, olhei para cima e vi o segurança de ontem. -Você? É O TSUNAYOSHI PESSOAL, VENHAM ME AJUDAR! -Ele gritou, mil vezes droga, ele segurou minha duas mãos, e por reflexo eu lhe dei um chute no estomago, fazendo ele me largar e cair no chão, mas os outros já estavam logo atrás, então eu corri com todas as minhas forças. -PEGUEM ESSE PIRRALHO DESGRAÇADO! — Gritava furioso, o segurança no qual eu havia dado o chute, corri com todas as minhas forças, sem parar para olhar para trás, corri, corri, corri, mas ainda conseguia ouvir os passos atrás de mim, logo avistei a tal ponte que I-Pin havia falado, mas infelizmente eles ainda estavam atrás de mim e a minha roupa não ajudava em nada, no caminho até a ponte acabei caindo da barranca do rio, da altura que eu cai, podei ter me machucado sério, mas felizmente cai na água, alguns metros acima vi os seguranças seguindo pela ponte, esperei mais um pouco e fui até a margem e subi, tirei o pacote de baixo do vestido, ele estava um pouco molhado,droga, eles provavelmente vão para cidade, o que faz com que eu não possa passar por lá por um tempo, me senti inútil por isso, eu havia conseguido fugir graças a I-Pin, então entregar o pacote seria o minimo a fazer por ela. Senti medo de não conseguir entrega-lo intacto, espero que não sejam papeis nem nada parecido... Estava perdido em meus pensamentos e senti uma corrente de ar bater em mim, que friiiiio, olhei pro meu corpo, eu estava ensopado, andei um pouco até achar uma árvore e me sentei sob ela, para descasar um pouco e espera até ficar seco, deitei na grama e fechei os olhos, como será que a cidade é? Será que é como as cidades dos livros que eu leio? Existem vários tipos de cidades nos livros que eu leio, mas de todos os tipos, espero que seja uma daquelas cidades pequenas onde todo mundo se cumprimenta, se juntam para ajudar qualquer morador que tenha algum problema grave e alguém leva uma cesta de biscoitos, doces e bolos com um cartão desejando boas vindas para todo novo vizinho que se muda para lá. Suspirei, ouvi uns passos perto de mim e senti algo gelado sendo colocado na minha testa, abri os olhos assustado, algum segurança havia me achado? Mas não era um segurança, era um jovem de terno, com uns 20 e poucos anos, de belos olhos negros como a noite e grandes costeletas, que estava com o rosto bem próximo ao meu, o que me deixava um pouco desconfortável, olhei para cima e percebi que a "coisa gelada" era um revólver: -UUHAHHH O-o q-que é i-isso? -Gritei. -O que está fazendo aqui, garota? — O rapaz perguntou se aproximando ainda mais e sem desviar o olhar dos meus olhos.
Congelei.
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