Why Me?

36 Capítulo 36 - You Swore


Notas iniciais
Eu sei que vocês vão me odiar.

POV – Carl

Eu fui dormir em um quarto separado de Mari. Não queria deixa-la assustada com a atitude de dormir ao seu lado, então, fiquei ao quarto ao lado. Kelly dormiu depois de mim. Hoje, eu tentaria evitar todos os contatos visuais possíveis com aquela garota. Ela era prima de Mari, isso que era o pior. Não conseguia lembrar o motivo de tê-la beijado. Eu não queria, mas o impulso fora tão grande... E era um risco falar desse assunto na mesma casa que minha namorada.

Me sentei na cama, com os lençóis cobrindo meus pés. O clima estava frio, e a neve estava chegando. Peguei meu casaco no chão do quarto e o coloquei. Analisei meu redor. Era um quarto comum, com uma cama, um criado-mudo e um armário grande. Parecia um quarto de visitas. Por sorte, os cobertores estavam na cama, como se os antigos moradores tivessem saído sem imaginar o que haveria.

Fui caminhando até a sala, onde encontrei Mari sentada no sofá. Ela estava de costas para mim, e parecia entretida com algo. Me aproximei e sentei violentamente no sofá, ao seu lado. Ela deixou cair algo de suas mãos, e eu peguei do chão. Era sua corrente. Eu sentia por ela não poder lembrar das coisas que aconteceram em sua vida. Devia ser duro não lembrar de sua família. E eu também não havia ouvido todas as histórias dela, e também não lembrava nem da metade que ela havia contado.

– Como ele é? – Cruzei os braços.

– Ele é em forma de cruz e com rubis vermelhos. – Ela disse calmamente.

Ficamos um tempo em silêncio, apenas com o barulho das folhas. Eu estava a ajudando novamente mesmo com ela sendo de território inimigo.

– E então... Qual seu nome? – Lhe perguntei.

Ela sorriu.

– Mari, e o seu? – Ela falou.

– Carl. Carl Grimes.

Lembrei-me desse dia. Eu lembrava perfeitamente de todas as cenas. Sentia por Mari, tinha certeza de que ela amaria lembrar de tudo. Sua família, suas lembranças, tudo que havia acontecido em sua vida. Bem, ela me contou uma vez que sua mãe havia morrido de um modo horroroso, e eu imaginei que ela se sentiria ruim por lembrar-se disso. Ou por não se lembrar de sua mãe.

– Eu perdi minha jaqueta na fuga – Mari disse me tirando de meus pensamentos. – Eu gostava dela.

Eu ri rapidamente e notei que ela não parecia estar brincando. Fazia um tempo que ela não sorria, e eu me sentia o culpado disso. Na realidade, eu me sentia culpado por ter beijado sua prima, Kelly.

– Carl? – ela me tirou de meus pensamentos novamente. – Tudo bem? Você parece estranho...

– Não. Tá tudo certo.

Ela assentiu e pegou sua corrente do chão e olhou para trás, onde apareceu Kelly com um imenso sorriso. Assim que elas se entreolharam, Mari fez uma expressão sombria e olhou para a corrente na palma de suas mãos. Senti uma pontada no peito e me levantei do sofá, indo para a cozinha.

– Bom dia, senhor Carl. – Kelly sorriu, mas eu a ignorei.

– Oi – Mari respondeu em meu lugar.

– Uau, Mari está me respondendo? Devo gravar isso? – Kelly riu e foi à cozinha, junto a mim.

Peguei duas barrinhas de cereais que achei no armário e joguei uma para Mari no sofá e fiquei com a outra. Não me importava com Kelly. Ela que se vire.

– Bem – Kelly pigarreou. – Digamos que estamos em uma situação ruim.

– Como assim? – Mari se virou, falando de boca cheia.

– Ontem, eu saí para caminhar durante a noite e...

– Como assim você saiu? – lhe lancei um olhar irritado. – Está nos botando em risco!

– Mais do que já estamos é impossível. – Kelly falou e cruzou os braços se encostando na pia. – Adélia, uma garota que chegou na prisão junto a mim estava na floresta. Ela me explicou que todos estão se preparando para um ataque em Woodbury, pois acham que você – ela apontou para mim – está sequestrado e sendo torturado. Eu não falei de você, disse que apenas queria distância da prisão e por isso vim para cá, mas ela está te procurando e está espionando Woodbury. E todos creem que a culpa seja sua.

Ela apontou para Mari, que deixou a barra de cereais cair ao seu lado. A menina me olhava de queixo caído.

– Minha culpa? – a garota parecia apavorada.

– Sabemos que não é sua culpa – falei me aproximando dela, me sentando ao seu lado, tocando seu ombro.

Mari se afastou de mim, e notei que ela parecia respirar nervosamente. Era audível, e eu fiquei preocupado.

– Ei, calma...

Ela se levantou e segurou sua cabeça com as duas mãos, correndo o olhar pela sala. Me levantei e ela se afastou de mim, arregalando os olhos.

– Mari! – tentei me aproximar dela novamente, até que ela gritou e começou a se sentar no chão, chorando e se encolhendo.

Eu olhei para Kelly, que se aproximou também, e se sentou ao lado da menina. Seus cabelos loiros caíam ondulando nas costas, e ela acariciava as costas de Mari, tentando acalmá-la.

– Um... Um homem apontou uma arma para mim. Ele ia me matar. Ele... Ele me deixou escapar. Eu... Eu... Não! – ela estava desesperada e começou a chorar do nada.

A este momento, eu já estava surtando. Não tinha ideia do que ela falava, sequer, entendia uma palavra.

– Eu não quero morrer. Eu não quero... Não quero morrer... Não posso... Mãe! Lucas! Não! – seu choro se tornou maior, contendo muitos soluços. – Lucas... Ele... Eu não o conheço. Quem...? Lucas? Não!

Ela se levantou e me abraçou, e eu correspondi o abraço, olhando para Kelly. Mas, quando eu notei, Mari estava retirando minha arma da bainha amarrada em meu cinto. Ela saiu correndo, com o revólver na mão, e eu tentei ir atrás, mas Kelly me segurou.

– Me deixa ir! – gritei com a menina.

– Carl! Se acalme! – Kelly falou olhando em meus olhos. – Preciso lhe contar algo.

[...]

Sei que depois de um longo tempo, Kelly conseguiu me fazer sentar no sofá e me serviu água. Eu não conseguia ingerir nada de nervosismo. Minha namorada estava correndo na floresta depois de um surto louco, segurando uma arma.

– Carl, não sei se antes de perder a memória ela lhe contou algumas coisas – Kelly me olhava com uma expressão séria.

– Ela está lá! Ela vai morrer se eu não for!

– Carl, Carl... Ela é até mais forte que você – esse comentário me deixou raivoso suficiente para esfaquear essa loira. – Ela sabe sobreviver.

– Que... Que tipo de coisas você tem que contar? – falei movendo as mãos, em sinal de continuação.

– Você ouviu ela falar sobre Lucas. Estou certa? – assenti. – Ele era irmão dela. Era a pessoa que ela mais amava na vida. Suspeito que ele está morto, e que ela estava tendo um flashback. Até onde sei, Lucas sempre fora depressivo por alguns motivos. Tia Anna, a mãe de Mari, sempre contou aos meus pais que era porque ele sentia falta de seu pai, mas Mari já havia me contado histórias das quais tenho dor de contar à você.

– Ela apenas me contou sobre a mãe dela. Disse que a mulher morreu, mas nunca me falou de seu irmão. Quando o pai deles morreu?

Kelly me olhou com uma sobrancelha arqueada. Ela colocou a garrafa d’água na mesa de centro e me olhou novamente, com os lábios apertados, e uma expressão de dor.

– Olhe, isso era doloroso para Mari e para seu irmão. Apenas eles sabiam disso. – Ela parecia estar falando um dos maiores segredos de minha namorada. – Tio Joseph sempre foi um homem bom, mas quando Mari tinha três anos, e Lucas oito, ele recebeu uma oferta em uma empresa, e isso prejudicou a família, pois ele não morava em um local fixo. Sempre se mudando de cidades, países, estados, etc. Já fui visita-lo em Quebec uma vez. Teve um dia em que Mari e Lucas foram passar um fim de semana em Atlanta, onde ele morou por um tempo. Pelo que Mari me contou, ela descobriu que seu pai tinha uma namorada, uma amante. Isso mexeu muito com a menina, e ela contou apenas para Lucas. Sempre que eu perguntava sobre essa namorada, ela ficava desentendida, parecia ter esquecido por conta própria. Imagino que fora muito doloroso para ela.

– Ele não está morto? – me surpreendi. – Quer dizer, ele não morreu quando ela tinha três anos?

– Não. Quer dizer, agora eu não sei se ele está morto, mas ele estava vivo até os treze anos dela. – Kelly deu um gole na água e me olhou com calma. – O que ela disse a você?

Pensei um pouco e me lembrei do momento em que Mari me contou sobre ter perdido seu pai. Ela havia ocultado seu pai de sua vida, assim como eu fazia com minha... Mãe.

– Eu preciso ir. – Falei me levantando do sofá, correndo em direção da floresta.

[...]

Não demorou muito até eu ouvir disparos vindos de longe. Eu estava desarmado. Tudo que era meu estava com Mari. E minha faca estava na prisão. Fui correndo em direção dos sons, desesperado. Eu podia ouvir gritos femininos e masculinos.

Senti um tremor correr em meu corpo assim que ouvi uma voz masculina.

“Finalmente achei a putinha que matou meus amigos.”

“Não me toque!”

“Agora você vai sofrer o quanto eles sofreram. Não quero que morra já, ainda vamos nos divertir muito!”

Novamente, ouço gritos apavorados e vou correndo em direção deles.

– Socorro! – era a voz de Mari.

– Cala a boca, desgraçada. Vou te foder até você não sentir mais seus músculos.

Ouvi um choro desesperado e corri mais rápido, vendo uma cena estonteante. Mari estava sem sua camisa, apenas de sutiã, jogada no chão. Um homem tentava tirar sua calça, mas a menina o chutava no estômago, até que ela conseguiu empurrá-lo para um pouco longe e tentou pegar a arma que estava atrás dela, se virando totalmente no chão, engatinhando. Mas o homem puxou sua perna, e ela deslizou pelas folhas secas.

No mesmo instante, fui correndo em sua direção e tentei pegar a arma até sentir uma dor imensa na coluna, e quando notei, eu estava caído no chão, com meu chapéu caído para frente.

– Um cowboy? Agora já tenho janta por dias – o homem riu.

Estendi o braço, tentando pegar o revólver, mas o homem me puxou pela perna.

– Quem sabe não posso estuprar esse também?

Mas, quando o homem pegou minha perna novamente, ele foi empurrado para frente, e Mari estava atrás dele. Pelo pescoço do homem foi passada uma blusa, provavelmente a de Mari, e ela posicionou sua perna na coluna dele, puxando as duas pontas da blusa, mas ela foi chutada por trás.

Eu entrei na briga no mesmo momento. Peguei o revólver, mas o homem avançou em mim, me fazendo colidir com uma árvore. A dor era profunda, e ele socou meu rosto, bem no olho, e em seguida, no nariz. Logo, meu estômago começou a doer intensamente, e vi-o tirando a mão do local.

Mari foi correndo até ele e começou a socar suas costas feito uma garotinha assustada. Ele se virou e a pegou pelo pescoço, a prensando na árvore mais próxima. Suas mãos deslizaram para os seios dela, e isso me enlouqueceu. Peguei o revólver rapidamente e atirei no estômago dele, e ele caiu, mas eu disparei sem querer mais uma vez, acertando a perna de Mari, de raspão. Fui correndo até ela, que estava caída, ainda seminua. Ela começou a chorar, e eu me sentei ao seu lado, sem demonstrar afeto nem nada, apenas me sentei. Meu corpo estava todo dolorido, e olhei para a perna dela, e notei que o tiro passou de raspão no joelho.

Ela se moveu com dificuldades, encostando a cabeça no tronco da árvore, olhando para o céu.

– Desculpe – suas lágrimas começaram a escorrer. – Desculpe por surtar daquele jeito.

Chacoalhei a cabeça, em forma de assentimento. Ela cobriu seu corpo, com vergonha, assim que notou que eu a olhava. Aliás, estava frio, e eu estava hipnotizado naqueles seios, e não queria parar de olhar. Foi errado, mas não podia me controlar.

– Carl.

Chacoalhei a cabeça novamente, saindo de meus pensamentos, e tirei meu casaco com dificuldades e lhe entreguei. O casaco ficava grande nela, mas cobria parte de seu corpo e a aquecia. Ela se levantou e pegou minha mão e me apoiou em seu corpo. Ela cambaleou quando eu quase caí, mas me segurou com força e foi caminhando lentamente até a casa de volta.

[...]

Assim que chegamos, Mari me colocou no sofá, e Kelly apareceu correndo, assustada com todos nossos hematomas. Mari se levantou do sofá e foi em direção do corredor, mas puxei seu braço, e ela me encarou.

– Eu vou dormir um pouco. Refletir.

Ela falou e eu a soltei, a encarando até entrar no quarto. Kelly se aproximou de mim com um paninho na mão.

– Ei! – falei assim que ela tocou minha pele. – O que tá fazendo?

– Cuidando dos ferimentos.

Ela moveu o paninho em torno de meus olhos, e eu deixei. Suas mãos eram delicadas, e pareciam as mãos de minha mãe.

Meu olho doía, e eu gemi algumas vezes em que ela passou o paninho pelos cortes. Sua mão começou a descer meu braço, limpando o sangue seco que estava espalhado aos montes. Ela começou a levantar minha blusa, mas eu impedi. Assim que ela notou meu constrangimento, ela olhou para mim, com um sorriso.

– Calma, só vou limpar o corte.

Suspirei e eu mesmo tirei minha camisa, a deixando passar o pano por cima do meu estômago, onde estava o corte que eu não havia notado. Sem querer, ela escorregou, do sofá mesmo, e caiu em cima de meu tórax. Infelizmente, não era uma boa hora.

Ela riu, e eu tentei me afastar, mas ela acariciou meu rosto e abriu outro sorriso novamente. Seu cabelo caía sobre meu rosto, e cobria parte de seu rosto. Sua respiração estava muito perto, e eu conseguia ouvir seus suspiros.

– Não sabe quanto tempo esperei por isso novamente – Kelly falou e avançou seus lábios, os colidindo com os meus.

E lá estávamos nós, cometendo um imenso erro. Ela me beijava, e eu correspondia. Por um momento, tudo ficou escuro, e eu esqueci completamente de tudo ao meu redor. Talvez eu sentisse falta de beijar alguém. Mari não me beijava mais. Bem, foi aí que o pior aconteceu.

– Você jurou.

Notas finais
Beijos pra vcs. Sei que vou morrer hj. Já posso sentir as facadas