Why Just Them?
8 Fogo cruzado de sentimentos
Notas iniciais
Esse cap. é dedicado à duas pessoinhas muito lindjas que ficaram me apressando! Lawaii-chan e Líneko-san (Bluee e Lívia Black). Elas me ajudaram a decidir o que aconteceria nesse cap. ^-^
Chega de falação, certo? kk
Boa Leitura ♥
Near’s POV
As lágrimas já haviam cessado e, no lugar delas, um sentimento horrível se alojou em meu ser – não que eu estivesse inteiramente livre desse sentimento enquanto elas caíam. Ele estava apenas intensificado em mil vezes e parecia me sufocar. Encarei o chão por vários segundos, abraçando a mim mesmo deitado na cama.
Os pensamentos que rondavam minha cabeça me torturavam, eram como garras afiadas arranhando meu coração...
Acabei por deixar-me levar pelo sono, pois era melhor sonhar que me lembrar de cada detalhe do que acabara de acontecer. Eu queria Mello para mim. Era estranho como isso parecia estar me matando... Agradeci inconscientemente quando a realidade foi se desfazendo ao meu redor. Mas eu deveria saber que a tortura apenas continuaria.
Eu estava sentado no sofá da sala, assistindo aos DVDs de meus irmãos. Eu não sabia da existência de Matt até ver os tais vídeos — devido ao fato de não sermos irmão de sangue e de minha mãe não querer que eu mantivesse contato com meu pai, um ato extremamente egoísta, se me permitiam dizer.
Meus olhos já doíam, eu estava com sono suficiente para dormir por um dia inteiro, mas me recusava a parar de assisti-los. Gostava da sensação que me dominava quando via “Mello” — que era como Matt o chamava — sorrindo, brigando e se dirigindo a mim, pronunciando meu nome. Por mais que me sufocasse, eu me agarrava com todas as forças àquela sensação.
– E nós queríamos muito que você estivesse aqui! Aí poderemos ser “Os Três Mosqueteiros”... – Mello deu uma risada, falando aquilo como um locutor de futebol.
– É, mas mesmo como “Os Três Mosqueteiros”, Mello continuaria sendo completamente meu! – Matt gritou agarrando o loiro por trás.
Fechei os olhos com força na tentativa de espantar aquela raiva — ou mesmo mágoa – de dentro de mim. E quando os abri novamente, vi que não estava mais no sofá da sala. No lugar disso, estava em uma cozinha estranha, cheia de listras amarelas e vermelhas nas paredes. O chão era branco, mas havia vermelho nele também...
Sobressaltei-me ao ver que o vermelho consistia em sangue, denso e vívido...
A faca suja de sangue em minha mão.
Minha roupa branca embebida com mais do liquido vermelho.
Um rastro de sangue.
E então vejo minha mãe... e ela está morta.
Seus olhos vidrados, ainda abertos, parecendo me olhar.
Acordei sentando imediatamente na cama, ofegante, meu coração retumbando nos ouvidos. As lembranças do sonho ainda estavam vívidas e aterrorizantes, tatuadas em minha mente.
O que diabos esse sonho está querendo me dizer?
Eu queria minha memória de volta. Simplesmente queria. Desesperadamente queria.
Discerni uma imagem no pé de minha cama que tirou minha atenção de meus complexos. Pisquei algumas vezes e só então vi o sorriso triste no rosto delicado. E o que posso dizer que senti ao vê-lo ali?
Matt’s POV [minutos antes]
– Finalmente! – Gritei ao ver na tela do televisor que havia zerado a merda do jogo. Era por isso que eu amava achar um jogo realmente difícil, a sensação de vencê-lo em poucas horas era maravilhosa, simplesmente maravilhosa!
Levantei-me em um pulo, sorrindo. Estiquei os braços, estalando os dedos que a essa altura já estavam mais que simplesmente doloridos — pareciam coisas enrijecidas e sem vida que só serviam para me incomodar, mas, para dizer a verdade, eu já estava acostumado àquela sensação e até gostava dela.
Fui ao quarto de Mello dizer a ele que ele era um grande otário. “Se você conseguir vencer essa merda até o final do dia pode fazer o que quiser comigo”. Ele me desafiou e se deu muito, mas muito mal mesmo. Porque eu já sabia perfeitamente o que fazer. E a loira não iria gostar.
Todavia quando me faltavam apenas dois passos para chegar até seu quarto, vi Near abrir a porta e sair chorando de lá, em disparada. Parei aonde estava, vendo-o correr. O albino estava tão atordoado que passou por mim sem notar minha presença, seu rosto branco estava inteiramente vermelho. Ele estava descalço como na maior parte do tempo, mas suas roupas estavam amassadas de uma maneira incomum... Meu coração batia rápido e eu estava pronto para acabar com a raça de Mello.
Se ele bateu em Near...
Adentrei o quarto sentindo-me queimar em raiva.
– O que você fez ao- – A imagem que vi interrompeu meu grito. Mello estava deitado em sua cama inteiramente nu. E o quarto estava impregnado com o cheiro de sexo que eu reconheceria em qualquer circunstância. Suas roupas estavam jogadas ao chão. Os lençóis sujos e bagunçados. E não é preciso ser um gênio para saber o que havia acontecido ali.
– Matt, fica aqui! – Mello gritou quando eu estava saindo do quarto, atordoado. Eu realmente parei ao ouvi-la. Virando-me para o garoto nu com os olhos queimando em lágrimas que se pronunciavam, mas não ousavam cair e com um coração ardendo em ódio e incredulidade.
– Seu desgraçado, como você podre transar com uma criança de treze anos?! – Esbravejei descontrolado, sentindo que bastariam poucos segundos para que as malditas lágrimas caíssem.
A cena nojenta e dolorosa já havia se formado em minha mente. Olhei para a pessoa que esteve ao meu lado durante todos aqueles anos pela primeira vez sentindo aquele sentimento puro, intenso e imenso. Meu ser era feito de apenas uma coisa. Apenas raiva. Havia também o nojo, mas ele era uma vertente da raiva.
Como ele podia ter feito isso? Como podia ter feito isso com Near?! Como podia ter feito isso comigo?!
– Matt, a história não é tão simples quanto parece, aquele branquelo veio até o meu quarto e começou a se insinuar e... quer saber?! Se eu não tivesse feito isso, você mesmo faria! É melhor que ele saiba qual é o lugar dele.
Suas palavras me feriam de uma maneira pura e simplesmente degradante. Como podia estar normal diante daquilo?
– Eu vou ir ver como Near está. – Informei com a voz ríspida, me prontificando para sair do aposento.
Porém, quando saí sentindo as lágrimas prestes a cair, a mão de Mello segurou meu braço. Minha vontade era gritar e espancá-lo até que seu rosto se tornasse uma massa disforme e irreconhecível. Afinal, ele havia feito sexo com Near, ele provavelmente tirara sua virgindade e... Mas eu apenas me virei para fitar seu rosto, as lágrimas caindo e eu me sentindo desesperado.
– Solta meu braço. – Ordenei com minha voz embargada. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, apenas me sentia quebrado. – Eu vou ir falar com ele e você nunca mais vai falar comigo de novo. E nem com ele. Eu não posso acreditar que fez isso, eu não entendo porquê, isso foi algo-
Os lábios de Mello nos meus.
Ele estava me beijando.
Como ousava fazer isso quando havia estuprado meu irmão?! Como ousava fazer isso quando eu estava irado, quando estava chorando, gritando com ele?!
Porém ao sentir seus lábios, meus membros amoleceram, como se aquele beijo sugasse minhas forças. Senti-me níveis inimagináveis além de triste quando me separei dele. Uma parte de mim estava ferida, porque queria Mello eternamente só para si. Encarei seus olhos azuis.
– Por que você fez isso, Mello? – Sussurrei. Eu queria ir ver como Near estava. Eu queria mais que qualquer coisa ver como ele estava, ele havia parecido tão mal ao passar por mim... Eu não conseguia mover minhas pernas, porém.
– Não dê importância a isso... eu te amo, Matt. Entendeu? E o Near vai superar, ele não é mais um bebê, está tudo bem. – Ele estava falando aquilo como se fosse a verdade. Mas não era. Era óbvio que não era e eu deveria matá-lo por além de fazê-lo não se mostrar arrependido. Ele devia estar arrependido. Ele dev-
As mãos de Mello em meu corpo.
Deslizando por minhas costas, apertando a carne que encontrava e trazendo-me para ele, quentes e macias.
Os lábios de Mello em minha pele.
Sugando meu pescoço e beijando meu ombro enquanto me despia, os lábios úmidos e quentes.
E então minhas mãos no corpo de Mello.
E ele havia vencido.
Beijamos-nos e em segundos eu já estava despido... Ele olhou para mim com um sorriso provocante e me lembrei de quantas vezes ele já havia o feito antes. Eram incontáveis. Os lábios de Mello chegaram a um de meus mamilos e sua língua o rodeava com cuidado e fervor...
Near gemendo o nome de Mello enquanto sentia sua língua tocar seu corpo assim como tocava o meu nesse exato momento.
– Para com isso, Mello. – Eu disse em tom firme. Ele segurou meu corpo, mas eu apenas me desvencilhei. – Para! – Olhei para ele e acho que meu olhar se mostrou duro o suficiente, porque pareceu chocar o loiro.
– Não acredito que vai ficar nervoso comigo, cacete. – Soltou com a voz ríspida e um olhar irritadiço. E o que esse viado esperava se não que eu ficaria nervoso com ele, inferno?!
– Vai se ferrar, Mello. – E depois da frase que refletia todos os meus desejos comecei a me vestir novamente. Olhei para o lado e o loiro ia para o banheiro.
Não demorou muito para que eu ouvisse o som do chuveiro sendo ligado e da água caindo em jatos sobre seus fios claros. Encarei o chão de azulejos brancos e vi-o ser atingido por uma gota clara e salgada vinda de meus olhos.
Terminei de fechar minha calça e peguei minha blusa no chão, saindo dali o mais rápido possível. Querendo me livrar do cheiro que me dava tanto nojo... Eu não entendia porque usava tanto a palavra “nojo” se ela não era mais válida para mim. Haviam mil outros adjetivos mais profundos tomando conta de mim no momento. Fui até meu quarto e me deitei, permitindo que as lágrimas caíssem. Eu queria ir ao quarto de Near, mas não podia ir enquanto estivesse chorando... Não podia encarar seu rosto ao saber o que havia acontecido. Mas ele continuava precisando de mim e eu não iria negar ajuda a ele, nunca.
Encarei a janela de meu quarto e me perguntei que merda eu estava fazendo ali. Aliás, que tipo de idiota fica como eu estava? Eu não podia simplesmente me permitir ser atingido dessa forma por Mello. Não podia chorar enquanto para ele tudo não passara de uma maldita brincadeira. Near havia perdido sua mãe, estava sem parte da memória e havia sido magoado e usado da pior forma possível por quem deveria o amar e aceitar. Estava mais que óbvio que ele precisava de mim.
Fui até o banheiro e joguei água em meu rosto. Encarei meu reflexo, os traços angulosos, os lábios finos, os cabelos vermelhos. Suspirei e peguei um cigarro em minha calça, por sorte ele não havia caído. Acendi-o e comecei a tragá-lo vagarosamente.
Apaguei-o quando ainda estava na metade e joguei-o no lixo, tentando ignorar o desperdício que aquele ato causava... Eu já havia perdido tempo demais.
Bastaram alguns passos e eu estava em frente ao seu quarto.
Abri a porta vagarosamente, respirando fundo enquanto via o interior do lugar se revelar para mim. Surpreendi-me com a imagem que ia contra tudo o que eu imaginava encontrar — eu imaginava ver coisas como uma pessoa chorando jogada no chão com várias coisas jogadas e quebradas ao seu redor, mas deveria saber que Near não era assim (que não era como Mello). Em cima da cama ainda arrumada, havia um pequeno ser branco, dormindo calmamente e um tanto encolhido, com o quarto parcialmente claro devido à janela aberta que revelava que a tarde chegava perto de seu fim.
Caminhei sorrateiramente até sua cama e me ajoelhei em frente ao seu rosto. Observei sua expressão serena e suspirei. Passara a minha vida inteira sem saber da existência dele e então ele chegava... E eu o beijei (e o termo “ele me beijou” nunca poderia ser usado, já que nunca ocorrera). Será que ele sempre gostou do Mello? Desde que chegou até essa casa?
Dei um riso seco.
Como assim “sempre gostou de Mello”? Ele é meu irmão. Meu irmão de sangue. Não é como se fosse uma opção ficar com ele. Ou ele ficar comigo.
“Se eu não tivesse feito isso, você mesmo faria!”, era o que Mello havia dito. E aquela simples frase ficou repetindo em minha mente, como se fosse parte de um disco arranhando. Que merda, eu queria mais um cigarro.
Eu não seria capaz de transar com o meu próprio irmão, seria? O problema é que Near não era “o meu próprio irmão”, era apenas o Near. E eu havia passado os últimos dias todos com ele. E não foi como se fossemos irmãos... Nem nos parecíamos.
Seu corpo delicado e diminuto se mexeu levemente, parecendo desconfortável. Perguntei-me que tipo de sonho ele poderia estar tendo, considerando a opção de ser um pesadelo. Mas eu não me atreveria a acordá-lo, de qualquer forma.
Seus olhos abriram e em um rompante ele se sentou na cama, ofegante. Passou vários segundos se recuperando, o que me fez ter absoluta certeza de que ele ter tido um pesadelo era não só plausível como o que havia acontecido. Permiti que um sorriso dominasse meus lábios, mas eu estava triste por ele... além de suportar a realidade que não se fazia muito agradável para ele, Near tinha de suportar os pesadelos que me confessara ter todas as noites.
– Matt? – Chamou parecendo confuso com a minha presença ali.
– Eu vim ver como você está. – Afirmei com um pequeno sorriso. Near olhou para mim por alguns segundos e eu percebi que lágrimas formavam em seus olhos enigmáticos.
– Você sabe o que aconteceu? – Sua voz, surpreendentemente, não mostrava sentimento algum. No entanto, seus olhos não mentiam.
Levantei-me de onde estava e me permiti sentar ao lado de Near, aconchegando-o em meu colo. Pousei sua cabeça em minha coxa e passei os braços por seu tronco.
– Eu sei como deve ter sido horrível, me desculpe por isso... eu juro que-
– Não precisa se desculpar. – Ele interrompeu minha fala. Desaninhou-se e sentou-se a minha frente, me encarou parecendo decidido, por mais que em seus olhos lágrimas começassem a se formar, cada vez mais gordas. – Eu tentei fazer as pazes com Mello e... acho que não deveria ter feito isso. Não devia me meter na relação dos dois, aqui não é o meu lugar e eu-
Foi a minha vez de interrompê-lo. Pousei o dedo indicador sobre seus lábios, fazendo-o se calar. Bastou apenas um segundo para que eu visse uma lágrima se desprender de seu olho esquerdo, chamando várias outras para que caíssem junto à ela, escorregando pela pele alva... Eu conseguia entender o albino. Simplesmente conseguia.
E, incrivelmente, sabia o que dizer.
– Nate, eu te amo.
E após ouvir isso podia-se dizer com todas as palavras: Near estava chorando. Abracei seu corpo e seus membros frágeis enlaçaram meu tronco, trouxe suas pernas para cima das minhas, mantendo as duas no mesmo lado. Beijei o topo de seus cabelos alvos. E me mantive abraçado a ele, apenas sentindo sua respiração.
Eu queria mais que tudo amenizar sua dor.
Pois assim, também amenizaria a minha.
Eu amava Nate e isso ninguém poderia negar.
A única coisa que me perturbava era qual seria o gênero desse amor... E uma parte de meu cérebro gritava: Você ficou tão irado porque sentiu ciúmes dos dois, você ama Near da mesma forma que ama Mello. E eu não podia deixar de ouvir os gritos... e me agarrar a eles.
Mello’s POV
Tudo aquilo poderia ser uma grande porcaria e eu podia começar a me desesperar. Mas um pensamento me confortava, enquanto eu secava meus cabelos com a pequena e fofa toalha branca.
Matt ainda não admitira que o amava, nem para ele, nem para si mesmo.
E se isso ainda não havia acontecido, eu ainda podia reverter a situação, eu ainda podia controlar o que acontecia.
Matt era somente meu e amava somente a mim. E eu só precisaria manter isso assim e tudo ficaria bem...
Near não iria entrar na história. Por mais que eu houvesse acabado de fazer algo que o impediria de sair dela.
Notas finais
Gostaram? Odiaram? Não tenham medo de falar, em hipótese alguma, aceito até a mais boba das críticas kkk
Nyaaa, Lawaii, gostou do cap.? =w=
E você Líneko-san, se arrependeu de não escolher o lemon? //apanha kkkk
Até o próximo, danoninhos *-*
Kissus no Kokoro ♥
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