Why Dancing?
1 One Shot
Notas iniciais
Aproveitem.
Eu resplandecia alegria. Minha felicidade era grande demais para se comprimir nos limites do meu corpo. Eu queria gritar, pular, libertar essa felicidade. Então, calcei minhas sapatilhas brancas de ponta. Amarrei seus laços na minha perna e vesti uma roupa confortável. Liguei o rádio no volume máximo. A Ke$ha gritava pra mim em inglês.
Deixei a música me preencher. Cantava enquanto fazia movimentos graciosos. Permitia que a música se infiltrasse nos meus ouvidos e saísse pela minha boca e pelos meus pés. Era como sonhar, pisar nas nuvens. Fechei os olhos. Os movimentos nem eram mais meus, eram da música que me dominava. Eu deslizava meus pés, minhas mãos, me movimentava a cada batida da música. Era uma dança sem ritmo e sem contagem. Era uma dança de sentimentos.
A felicidade se esvaia de meu corpo. Não que eu ficava mais triste, pelo contrário, a felicidade ainda estava em mim, mas não comprimida como antes. Parecia que havia uma aura a minha volta. Inexplicável.
Olhei da janela para o céu azul anil. Lindo e gracioso. Ainda sorria quando as primeiras gotas translúcidas tocaram o solo, evaporando logo em seguida pelo calor. A luz inundava o quarto.
E então eu ouvi. Ouvi aquela notícia, impossível e deprimente. Poderia até ser uma brincadeira de péssimo gosto, mas algo me dizia que era verdade.
Então, o tempo começou a se fechar rapidamente. O que antes era um céu limpo, de poucas nuvens e com um sol brilhante, agora era um céu cinza, coberto pelas nuvens carregadas que explodiriam e soltariam sua carga sobre toda a cidade.
Uma tristeza repentina tomou me senti sozinha. Aquela notícia de óbito fez meu coração doer, como se tivesse sido esfaqueado com uma adaga enferrujada. Novamente, um sentimento se comprimiu no meu corpo. Mas infelizmente, não era a felicidade. Era a tristeza, o abandono. E estava muito mais comprimido e em escala muito maior que a felicidade.
Liguei o aparelho de somnovamente. Era a vez da Kelly Clarkson fazer seus graves que eram abafados pelo barulho da chuva. Aumentei o volume ao máximo. Calçei minha sapatilha preta e me levantei, na ponta dos pés. A música se apossou novamente de mim, dancei com a visão embaçada aquela melodia que combinava com meu estado de espírito.
E os efeitos calmantes da música abafaram minha tristeza e a expulsaram do meu corpo. Então, percebi que eu não sozinha Que eu possuía duas fiéis companheiras.
A Música e a Dança.
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