Why Can't You See?
1 I: been here all along
Notas iniciais
and you've got a smile that could light up this whole town
V I C T O I R E
Victoire Weasley não aguentava mais ouvir que a vida passava mais rápido depois dos 15 anos. Não aguentava mais seus tios ameaçando seu namorado que nem sequer existia, afinal, havia 3 meses e 3 dias que ela havia terminado com Thomas Quirke. Não aguentava mais reclamarem do comprimento do seu cabelo, que havia deixado de bater no meio das costas e agora estava um pouco abaixo de seus ombros.
A verdade é que todo mundo tinha algo para falar de Victoire Weasley e as coisas haviam sido assim desde o seu primeiro dia de vida. Na maioria das vezes, falavam coisas boas sobre ela, tão boas que ela vivia sob a sombra do medo de decepcionar as pessoas.
Por isso, mesmo que preferisse passar seu aniversário tomando sorvete e andando por Hogsmeade, aproveitando os poucos raios de sol que chegavam com a primavera e observando a paisagem timidamente se colorir, ali estava ela, no Três Vassouras, sentada em uma enorme mesa com todos os seus primos, seus pais e seus avós para sua “festa de aniversário”.
Não era todo ano que as coisas eram assim, mas 16 anos da Batalha de Hogwarts juntamente ao aniversário de 15 anos da primeira neta de Arthur Weasley, sobrinha de Ron Weasley e filha de Bill e Fleur Weasley, aparentemente era um bom momento para decretar um feriado nacional no mundo bruxo.
E, por mais que quisesse se sentir grata por seus familiares voarem até ali só para vê-la, tudo que Victoire mais queria naquele momento era desaparecer, ou no mínimo ficar invisível por alguns bons minutos.
Aquele dia já havia começado sendo desgastante por si só. O fim do ano letivo estava logo aí, a Corvinal tinha, pela primeira vez em anos, a chance de ganhar o campeonato de quadribol e ela, a chance de jogar como titular.
Como se isso tudo não fosse o bastante, fazer 15 anos também significava o último ano com Teddy. Não que ele fosse morrer ou sumir — Tori não conseguia nem conceber algo assim sem ficar com os olhos marejados —, era apenas o último ano dele em Hogwarts.
Eles só teriam mais um mês juntos na escola, depois espaçados encontros durante o verão, e pela primeira vez ela iria sozinha para Hogwarts.
Afinal, Teddy era seu melhor amigo desde sempre, quem apresentou a ela cada cantinho da escola, quem ofereceu um lugar em seu vagão no seu primeiro dia de aula. O garoto de cabelos coloridos sempre esteve em todas as suas lembranças mais felizes, em todos os natais n’A Toca, nos aniversários de seus primos de seus pais e uma vez até quando viajaram para França para casa dos avós maternos de Toire.
Teddy era uma constante na vida dela e ela jamais desejaria que isso mudasse. Portanto, quando colocaram o bolo e as velas na sua frente naquele 2 de maio, no Três Vassouras, ela desejou que ele estivesse ali.
Mas, como sempre, ele estava atrasado.
— Ele já vai chegar, papai — Victoire murmurou, enquanto impedia que seu pai acendesse as velas do bolo. — Só mais 1 minutinho, se ele não aparecer aí você acende o bolo, okay?
— Um minuto — ele assentiu e ela concordou com a cabeça.
Faltando 60 segundos, James derrubou seu suco de abóbora em cima da mesa, fazendo os demais amigos de Victoire rirem. Ele era o mais novo ali e estava claramente desajustado no meio de todos os alunos do 5° de Hogwarts.
Aos 50 segundos, a mãe de Victoire arrumou pela milésima vez as 15 velas do bolo, para que ficarem perfeitamente alinhadas.
Já faltando 40 segundos, Amelia Doyle, uma de suas melhores amigas, se desculpou pela quinquagésima vez por ter esquecido o presente de Toire no Salão Comunal da Corvinal e Victoire disse pela milésima vez que estava tudo bem
30 segundos e Cristoffer Hilliard foi pego quase colocando o dedo na cobertura do bolo.
20 segundos, seu pai checou o relógio e disse para sua mãe ir acendendo as velas. Victoire não questionou, ela raramente fazia algo do tipo.
E, quando restavam 10 segundos para o minuto ser completado, o Três Vassouras se iluminou. A porta de entrada foi escancarada e um garoto magro e alto apareceu.
Olhos brilhantes, calça jeans surrada e praticamente carregando um arco-íris em sua cabeça.
— Com licença, meus queridos Weasley, mas preciso roubar a aniversariante por um segundo — Teddy anunciou ao entrar no local, agitando todos como um furacão.
Fleur lançou um olhar confuso para a filha, vovó Molly quase caiu da cadeira de susto, mas foi segurada pelo vovô Arthur, Bill apenas revirou os olhos e Victoire, quando se deu conta, já estava com os dedos entrelaçados com os do menino de cabelos azuis correndo para o lado de fora do Três Vassouras.
Nove.
— O que está acontecendo? — Ela conseguiu dizer, mesmo estando praticamente sem fôlego.
Oito.
— Você vai ver! — Ele respondeu, com a voz cheia de animação
Sete.
— Desse jeito eu vou cair de cara no chão! — Victoire tropeçou em um cascalho.
Seis.
— Eu te seguro! — Teddy respondeu entre gargalhadas.
Cinco.
Victoire olhou para trás e todos que estavam na mesa agora os acompanharam para o meio da rua.
Quatro.
Mas, mesmo assim, ela sentia que no mundo só existiam os dois, quando Teddy voltou a preencher todo o seu campo de visão enquanto ainda corriam.
Três.
Ele parou abruptamente, fazendo com que Toire batesse de cara nas costas dele.
Dois.
— Você pode me dizer o que está acontecendo? — Ela perguntou, já impaciente, enquanto Teddy apontava para o céu e Victoire seguia o dedo dele com o olhar.
Um.
— Feliz aniversário! — Ele finalmente respondeu, com um sorriso brilhante.
Primeiro, vieram os estouros e, depois, a luz.
— Eu não acredito nisso! — Ela exclamou dividida entre olhar para o céu e para seu melhor amigo.
Ele não cansava de surpreendê-la.
O céu estava explodindo em cores e formas. Fogos em formatos de corações coloridos. Águias tão bonitas quanto as dos brasões da Corvinal. Coelhos, raposas, gatos e até mesmo pinguins. Explosões que contavam cada obsessão por objetos e animais que Toire já havia amado em sua vida.
Seus olhos encheram de lágrimas, havia magia no amor e na gratidão que ela estava sentindo naquele momento.
— Teddy, você não precisava ter feito isso — foi tudo queconseguiu dizer, enquanto limpava os olhos marejados.
Pelo canto do olho, ela pôde ver o sorriso dele diminuir levemente. Aquele dia não era apenas aniversário de Victoire Weasley ou a data do fim da Batalha de Hogwarts, mas também o dia que Teddy perdeu seus pais. Eles raramente tocavam nesse assunto, mas ela sabia o quão doloroso essa data era para ele.
— Precisava sim, você por si só seria capaz de iluminar essa cidade inteira — Teddy falou, enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha dela.
Ela sabia que, por trás daquela fala, havia uma nota de tristeza. A Weasley queria de fato ser capaz de iluminar os dias nebulosos dele.
— Mas quem é o sol aqui é você e não eu — ela respondeu, o abraçando e tentando aliviar o clima triste. Afinal, ele sim tinha a capacidade de clarear o mundo dela. Única pessoa capaz de salvá-la da deprimente festa de aniversário que estava tendo.
— Devo concordar que talvez isso seja verdade. — Os cabelos de Teddy então logo trocaram de cor para um dourado cintilante, fazendo Toire sorrir ainda mais.
Ela queria engarrafar aquele momento para nunca esquecê-lo.
— Obrigada por ter vindo — ela se afastou um pouco para olhar nos olhos do garoto. — Mas, se você se atrasar no dia do jogo, eu te mato!
— Jamais seria capaz de fazer isso — ele a apertou em um abraço, fazendo com que Toire fosse capaz de sentir não só o perfume amadeirado da camisa dele, mas também ouvir os batimentos cardíacos de Teddy.
Enquanto retribuía o abraço apertado, o dourado do cabelo dele foi se desfazendo até ficar puro azul. A versão dele que ela mais gostava.
Foi ali que a ficha caiu de vez, enquanto seu peito estava se preenchendo por um sentimento tão bom, mas ao mesmo tempo desconfortável, e ela ponderava se aquele abraço já estava durando tempo demais.
Talvez Victoire gostasse de Teddy mais do que apenas como um amigo, mas será que ela era capaz de dizer isso em voz alta?
Fale com o autor